POLÍTICA: OS CAMINHOS DE LUCIANA GENRO

 

POLÊMICA: O que é isso, companheira Luciana Genro?

Ex-deputada pelo PSOL, Luciana abre cursinho popular com dinheiro de empresas em Porto Alegre

Muitos militantes honestos da esquerda brasileira foram surpreendidos com denúncias oriundas da mídia burguesa acusando Luciana Genro de usar dinheiro de empresas para montar um curso de pré-vestibular em Porto Alegre. A revista Veja e outros meios de comunicação, vinculados aos grandes empresários brasileiros e à direita, aproveitaram o episódio para desmoralizar Luciana Genro – e, junto a isso, a própria esquerda brasileira que não se vendeu.

Reivindicamos a trajetória política de Luciana Genro. No entanto, somos críticos aos caminhos que a mesma vem percorrendo desde 2006 – quando aceitou dinheiro da Gerdau na campanha eleitoral –, em choque com as expectativas de milhares de trabalhadores vinculados à esquerda. Esse grave erro foi repetido nas campanhas de 2008 e 2010, quando a ex-deputada recebeu dinheiro da rede Zaffari e de outras empresas, as quais financiam seu projeto Emancipa.

Página do site do cursinho

Alertamos várias vezes que a degeneração do PT e do PCdoB vem, diretamente, da aceitação de dinheiro dos empresários, da mesma forma que a sobrevivência dessas organizações deve-se ao dinheiro do parlamento. Esse é um caminho que poderá levar à adaptação política do PSOL e à defesa de políticas contra os trabalhadores. Gerações de militantes foram perdidas por caminho semelhante, escolhido pelas direções do PT e do PCdoB.

Neste sentido, somos totalmente contrários a essa iniciativa de Luciana Genro de montar um projeto educacional em parceria com grandes empresas, ao mesmo tempo em que dizemos que a mídia burguesa não tem a mínima moral para atacá-la, pois defende e enaltece esse tipo de projetos.

Fazemos um chamado à companheira Luciana para que rompa com esse grave erro político: aceitar dinheiro dos inimigos dos trabalhadores, e mantenha-se coerente com sua história política, sob pena de jogá-la na lata de lixo, fazendo a alegria dos poderosos e desmoralizando os setores de Oposição de Esquerda ao governo Dilma e Tarso.

Defendemos que Luciana Genro volte a dar aulas, como uma professora normal, da mesma forma que milhões de docentes fazem diariamente. O PSTU defende que o salário dos parlamentares seja o mesmo do seu trabalho antes da eleição. Pois, na hipótese de perder o mandato, possa voltar a viver tranquila e dignamente como todos de sua classe. Também defendemos que o partido deve ser sustentado pelo dinheiro arrecadado da contribuição de filiados, militantes e amigos, sem qualquer dependência do Estado ou dos patrões.

Cursinho vai contra a educação pública e gratuita
A formação do cursinho, nas condições em que está sendo montado, é um grande passo no sentido de romper com o passado de esquerda de Luciana Genro. Um cursinho que objetiva arrecadar um milhão de reais de empresas parceiras do projeto nos faz lembrar as parcerias de institutos como a fundação Bradesco, Unibanco/Itaú – que lucram bilhões, explorando o povo com os maiores juros bancários –, do projeto Ayrton Senna que impõe suas cartilhas, da fundação Mauricio Sirotsky Sobrinho que determina como e o que fazer nas escolas, e outras tantas, as quais, dentro das escolas estaduais, buscam torná-las empresas e ocupam o lugar que deveria ser do Estado e da comunidade escolar.

Todos sabem das dificuldades de milhares de jovens para entrar na universidade, mas não vale qualquer política para resolver este grave problema social. É preciso exigir o fim do vestibular, garantir mais verbas para as universidades públicas e a necessária ampliação das vagas, para que os filhos dos trabalhadores tenham acesso ao curso superior. O cursinho, nesta forma, vai contra esta luta histórica.

Na verdade, a formação deste pré-vestibular – além de um problema político grave – também afronta tudo o que os educadores engajados, que militam no movimento social, no CPERS em particular, sempre defenderam: o ensino público, gratuito e de qualidade. Como a própria Luciana reconhece, em entrevistas, o que ela está fazendo é parecido com uma ONG ou uma OSCIP.

Até pouco tempo, era um patrimônio de toda a esquerda, que deveríamos impedir as OSCIPS aqui no Estado. Também juntos – nós, o PSOL e os movimentos sociais não-governistas – denunciamos quando Lula aprovou, no Congresso, e sancionou a lei das Parcerias Público Privadas (PPPs), por entender que são parte da política geral do Estado Mínimo, do neoliberalismo, do beneficiamento particular do que deveria ser público. Mas, agora, o cursinho – que Luciana montou e gerencia – segue a mesma lógica das parcerias entre os patrões e o Estado: presta um serviço à população, visando lucro e benefício pessoal.

Companheira Luciana Genro, estas iniciativas não condizem com as bandeiras socialistas que deverias representar!

Porto Alegre, 22 de março de 2011

Direção Estadual do PSTU – RS

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  • Por que o Capital financia Luciana Genro e o MES?

    Escrito por Mário Maestri    01-Abr-2011

     

    Desde que os trabalhadores ingressaram na arena política e social, pondo a questão de sua representação, a degeneração de suas lideranças e organizações tornou-se acontecimento recorrente, que assumiu enormes dimensões nos momentos em que as classes exploradas recuaram diante da ofensiva dos exploradores. Karl Marx abordou esse fenômeno nas páginas luminares de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, ao dissecar as razões da degeneração que definiu de "cretinismo parlamentar".

     

    A primeira grande defecção de lideranças socialistas deu-se no início da II Guerra, quando as principais lideranças operárias européias aprovaram os créditos militares, levando a que os trabalhadores fossem arrastados ao holocausto imperialista, sem oposição efetiva. A submissão ao militarismo burguês fora salto de qualidade em ruptura anterior, ocorrida na esteira da expansão do capitalismo e das concessões da representação sindical e parlamentar, conquistadas pelos trabalhadores.

     

    Os principais paladinos dos oprimidos europeus acomodaram-se gostosamente às benesses das posições ocupadas nos sindicatos, parlamento, administração, universidades, aparelho dos partidos. Passaram a lutar para aprofundar a integração ao Estado que ainda juravam querer destruir. Já não se dispunham a arriscar a posição a que haviam sido elevados na imprescindível e implacável luta contra o capital.

     

    A Essência e a Consciência

     

    No exercício do mandato objetivo e subjetivo outorgado pelo mundo do trabalho, direções operárias passaram a expressar as necessidades de segmentos médios e da aristocracia operária que se aninhavam igualmente à sombra do prestígio e força que os oprimidos adquiriam em duras e longas batalhas. Não mais representavam os setores que, segundo Marx e Engels, "nada tinham a perder, e tudo a ganhar" com a revolução. Queriam, podiam e progrediam no capitalismo, que passaram a defender, sob os olhares complacentes dos exploradores, que lhes apoiaram na estrada da traição que embocavam.

     

    A teoria leninista do partido construiu-se na luta contra a expropriação do mandato delegado pelos trabalhadores por parte de lideranças seduzidas pelo colaboracionismo. Para garantir direção aos oprimidos à altura das suas necessidades, os bolcheviques propuseram que os partidos operários se construíssem, política e organicamente, a partir de trabalhadores de vanguarda nucleados.

     

    Para impedir a infiltração, mesmo inconsciente, do partido da revolução pelo cretinismo parlamentar e o colaboracionismo, afastavam dos órgãos máximos da direção seus dirigentes, enquanto ocupassem postos parlamentares, e não aceitavam militantes que vivessem da exploração do trabalho – industrialistas, latifundiários, comerciantes, banqueiros etc. Aplicavam o princípio de que, no geral, a existência material determina a consciência política e ideológica.

     

    Em 1923, León Trotsky denunciou no opúsculo Curso Novo a burocratização do Partido Bolchevique, que levaria, décadas mais tarde, ao fim da URSS. Nessa obra premonitória, assinalava que aquele partido perdia sua consistência, por se encontrarem os trabalhadores ligados à produção em minoria, dominando entre os militantes os membros do aparato administrativo, militar, diplomático, comumente ex-trabalhadores desligados da produção.

     

    No Brasil e no Rio Grande do Sul

     

    Nos anos 1980, a polêmica no PT entre "partido de massa" e "partido de quadros" foi vencida pelos que se opunham à nucleação dos militantes, defendendo organização fluída, controlada e dirigida por parlamentares, administradores, profissionais etc. Os resultados são conhecidos: hoje, antigos sindicalistas classistas e militantes revolucionários dedicam-se de corpo e alma às necessidades do capital, que os remunera regiamente em bens materiais e imateriais. Nessa safra de trânsfugas engordados pelos bons serviços ao Estado, encontram-se ex-trotskistas lambertistas, mandelistas, morenistas; maoístas, guevaristas, autonomistas; todos arrependidos dos pecados da juventude.

     

    Quando da fundação do PSOL, repetiu-se ritualmente a disputa entre "partido de quadros" e "de massas", vencendo fulminantemente a desnecessidade da nucleação. Sem o impulso classista das lutas de fins dos anos 1970 conhecido pelo PT, o PSOL construiu-se no geral em torno das tendências de deputados ex-petistas e de frágeis segmentos organizados e não organizados dedicados a verdadeiro trabalho de Sísifo, para dar àquela organização impulsão classista, socialista e marxista.

     

    No Rio Grande do Sul, o operariado industrial e urbano encontrou sempre enorme dificuldade para organizar-se autonomamente, levando a que o movimento social tivesse como eixo, sobretudo, a luta dos camponeses sem terra, dos bancários e do professorado da rede pública estadual. Nos últimos anos, regrediu fortemente a mobilização dos sem terra, em favor de outras regiões, e a dos bancários, golpeados pela racionalização do setor. Sob a depressão do mundo do trabalho na sociedade sulina, o PSOL regional nasceu e cresceu especialmente nas classes médias, sob a hegemonia da ex-deputada Luciana Genro e de sua tendência, o MES (Movimento Esquerda Socialista), de fortes traços colaboracionistas.

     

    Ficando e saindo do PT

     

    Luciana Genro elegeu-se como deputada estadual, pelo PT, em 1995, com 24 anos, alavancada pelo prestígio eleitoral de seu pai, Tarso Genro, então prefeito da capital. Integrava então pequena tendência estudantil que rompera com a Convergência Socialista (depois PSTU), que se negara a abandonar o PT. Nos anos seguintes, construiu-se como liderança da juventude, estudantes e professores da rede pública radicalizados.

     

    Com a formação do PSOL, consolidou a hegemonia de seu grupo no Sul e estendeu a influência a outros estados, já com prática eleitoreira, uma das razões que levou ao afastamento das principais direções combativas do professorado que confluíram no MES. A crescente social-democratização do MES levou-o a priorizar o denuncismo da corrupção, fenômeno agora endêmico no Rio Grande, marginalizando a organização e propaganda classista e socialista. Viveu ativamente a proposta dos Fóruns Mundiais, de transformar a sociedade no interior do capitalismo. Apoiou acriticamente o nacional-populismo da Venezuela, Bolívia e Equador.

     

    O MES defende agora que as revoluções do norte da África não ultrapassem as reivindicações democrático-burguesas. "Sendo revoluções democráticas, aqueles que levantam a bandeira do socialismo estão absolutamente descontextualizados. Hoje não há a possibilidade de criar uma alternativa de massas sob esta bandeira" (psol50.org.br). Os importantes escores eleitorais de Luciana Genro, para deputada federal, em 2002 e 2006, e à prefeitura de Porto Alegre, em 2008, facilitaram a arregimentação de vocações parlamentares e administrativas, algumas realizadas, outras à espera de realização.

     

    De braços dados com o Capital

     

    Em outubro de 2008, candidata à prefeitura da capital, Luciana Genro foi de chapéu na mão receber cem mil reais da GERDAU, o principal grupo transnacional rio-grandense, ferindo os próprios estatutos do PSOL. Roberto Robaina, presidente do PSOL sulino, dirigente máximo do MES, companheiro desde sempre de Luciana, afirmou nada haver de mais na iniciativa e estar pronto para outras contribuições semelhantes. A militância socialista e de esquerda do PSOL pataleou, bufou e o coreto seguiu adiante.

     

    Nas passadas eleições, o MES contava com votação estrondosa a reeleger Luciana Genro ao Congresso, Roberto Robaina à assembléia e, talvez, mais um ou dois deputados. Durante o período anterior e na campanha, Luciana, Robaina, Pedro Ruas e o MES centraram obsessivamente a agitação política na denúncia da corrupção do governo Yeda Crusius, que dera muito pano pra manga, nesse relativo.

     

    Ao igual que nos anos anteriores, a campanha de Luciana comportou infindáveis referências, fotos, afagos e declarações positivas a Tarso Genro, ex-ministro da Educação e, a seguir, da Justiça, candidato a governador. A deputada pousou sentada no colo do papai, para constrangimento da militância psolista. Propondo tratar-se de relação entre pai e filha, apareceu na propaganda televisiva de Tarso Genro ao governo!

     

    A ver navios!

     

    Nas últimas eleições, o resultado eleitoral do MES no Sul foi pífio. O escore eleitoral de Luciana Genro despencou, perdendo 56 mil votos em relação à eleição anterior, não se elegendo para a Câmara. Robaina, que se dava por eleito, sequer morreu na praia. Foram muitas as razões apontadas do desastre. A fragilidade do programa do PSOL sulino, centrado na denúncia da ex-governadora, esvaziou-se com a sua rejeição eleitoral, que a relegou a uma humilhante terceira colocação.

     

    A orientação política de Luciana, nos últimos anos e na campanha, afastou-a do eleitorado mais combativo. Ela também perdeu contato com o eleitorado mais jovem e menos politizado que, ajudado pelo refluxo social, votou na candidata progressista que parecia expressar a juventude, segundo os padrões mais alienados: ou seja, a candidata mais simpática, mais jovem, mais bonita. Já quarentona e com filho da idade de seu ex-eleitorado, Luciana viu-se substituída por Manuela D’Ávila, do PC do B, de 30 anos, rosto bonito e cabeça vazia, cuja campanha estava centrada na palavra de ordem: "E aí, beleza?". Manuela obteve o mais alto escore eleitoral na eleição – quase 500 mil votos!

     

    Para o militante social, o parlamento é posição transitória e eventual. Luciana ressentiu-se fortemente da perda de mandado mantido havia dezesseis anos. A situação de cidadã comum comprometia toda uma futura trajetória, em direção à prefeitura da capital e, quem sabe, ao governo do estado. A derrota agravava-se com a lei anti-nepotismo que proíbe candidatura de parentes até segundo grau de governantes. Por quatro – e, caso Tarso Genro se reeleja, oito – anos, encontrava-se proibida de concorrer a cargo legislativo, em partido sem administração de prefeituras e governos.

     

    Filha não é parente!

     

    Apenas derrotada, Luciana saiu em campanha, buscando apoios, até mesmo entre políticos direitistas, para reivindicar o direito de candidatar-se, em 2010, a vereadora da capital para, certamente em 2012 tentar retorno à câmara. Tratava-se de convencer a Justiça Eleitoral de sua excepcionalidade, pois não é do partido de seu pai e diz não depender politicamente dele. Qualquer coisa como "filha" não é "parente", na esteira da campanha brizolista dos anos 1960, de que "cunhado" não era parente – como realmente não é!

     

    Mas retomar a campanha, após dois anos longe dos holofotes e recursos permitidos pelo parlamento, concorrendo contra dois vereadores de sua tendência, requer indubitavelmente recursos ingentes, impossíveis de obter em tendência de muitos capa-preta e pouquíssimos soldados e peões. Sob o signo da Gerdau, Luciana saiu em busca do dinheiro onde está, esquecendo que toda a mulher de César não deve apenas ser honesta, como deve parecer honesta! E vice-versa.

     

    Sob o guarda-chuva de cursinho pré-vestibular para cem alunos carentes, "Projeto Emancipa", arrancou financiamento quase milionário de grandes empresas privadas. Piorando tudo, sediou inicialmente sua empresa em duas salas do mais tradicional colégio público estatal sulino, o Júlio de Castilhos, agora sob a autoridade paterna. Um prato feito para a revista Veja, que lhe dedicou página inteira, na edição de 9 de março, espinafrando a ela, ao seu pai, ao PSOL e à esquerda revolucionária e classista, que nada tem a ver com essa operação estranha.

     

    O Capital e a Revolucionária

     

    O curso é gratuito para os alunos, mas quem paga a coordenação de Luciana, os professores, o aluguel etc. são cinco grandes empresas capitalistas, entre elas a PANVEL (rede de farmácias), o ZAFFARI (rede de supermercados), a Icatu Seguros. Em resposta à revista Veja, Luciana jura que os, segundo parece, quinhentos mil reais recebidos, a fundo perdido, não se devem ao "prestígio" do governador, seu pai, mas ao seu "próprio prestígio"!

     

    Luciana não esclarece por que representante de partido que se define anticapitalista e pró-socialista possui suficiente prestígio junto ao grande capital para arrancar-lhe, segundo parece, quinhentos mil reais, ou seja, cinco mil reais por cada aluno! Mensalidade superior à de muito curso de pós-graduação estrito senso! Dinheiro que apoiará, no melhor dos casos, indiretamente, a campanha de Luciana, em 2012. No Sul, a Justiça Eleitoral proibiu os tradicionais albergues gratuitos que deputados sulinos mantinham para professores e alunos do interior, por constituir aliciamento disfarçado de voto.

     

    A operação pode não ser ilegal – sobretudo se Luciana não concorrer a cargo em 2012. Tratar-se-ia apenas de mais uma das doações, apoios e facilitação de negócios, de grandes empresas para familiares de políticos poderosos que querem agradar. Como a que celebrizou o Lulinha Júnior. Isso porque não há dúvida de que, se Yeda ou Fogaça tivesse vencido, Luciana não obteria as graças da Secretaria da Educação para o aluguel das salas e o financiamento das grandes empresas, com destaque para a Icatu Seguros, que opera através do Banrisul, banco público estadual.

     

    Privatizando a Educação

     

    Mesmo legal, a operação é certamente imoral, do ponto de vista dos princípios defendidos pelo mundo do trabalho, pelo PSOL e, até há algum tempo, pela ex-deputada e pelo MES. Financiando políticos, o capital compra-lhes a simpatia, a condescendência, e os favores, já que "é dando que se recebe". Por que esse processo não funcionaria também no caso de Luciana Genro?

     

    A ex-deputada rompe, igualmente, com o princípio da luta pela escola livre, gratuita e pública, impulsionando a suplência das carências públicas com a benevolência do capital, sempre interesseira. Fere gravemente a proposta do não envolvimento do Estado, através de seus funcionários e bens, em iniciativas privadas. Ou seja, contribui para a privatização do Estado.

     

    Sobretudo, Luciana Genro dá enorme tiro no seu próprio pé. Nenhum juiz eleitoral vai acreditar que não é favorecida, mesmo materialmente, pela posição de seu pai como governador, com ou sem o conhecimento do mesmo. Tarso Genro se afastou há muito das posições classistas e socialistas, mas jamais rompeu com o respeito republicano estrito aos bens públicos. Salvo engano, até agora ele não se pronunciou sobre a operação empresarial de sua filha, à sombra do Estado.

     

    Mário Maestri é historiador.

    E-mail: maestri@via-rs.net

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    imagem de Valater Custódio Lemos da Silva

    Eu gostaria de saber como entrar em contato com Luciana Genro, pois quero perguntar pessoalmente como Geraldinho, Associação Beneficiente dos Servidosres do DAER, virou o cara que está fazendo auditoria, no DAER, como esta Associação conseguiu, liberação dos recursos, indevidamente cobrados de mais de 20 mil servidores publicos, a base de R$ 38,00 por mes, por 5 ou 6 meses, arrecadando indevidamente e sem autorização dos servidores, mas liberados pelo papai governador, que nunca foi tão distante assim da filha, apenas teatro eleitoral.

    Gostaria como e porque este dinheiro foi liberado neste governo para a associação quando o correto, o honesto o certo seria devolver aos funcionários lesados, mas parece que só devolveram aos qaue reclamaram, isto tem nome, ex-deputada, explique por favor, Geraldinho é do seu partido, ou ja mudou novamente?

    Será por isto que a Srª, não está brigando por CPI, ou a Srª se bem me lembro pediu CPI, no momento em que viu que seria apenas uma voz e ai não importaria muito, mas marcaria presença, eu fui a favor de investigações profundas doa a quem doer, TEATRO, ex-deputada, mas isto terá um fim e ele está próximo, tenha a certeza disto.

    Por favor me coloquem em contato com ela, gostaria de contar esta hitórinha pessoalmente e perguntar onde foram parar os mais de 4 milhões arrecadados indevidamente dos servidores, estes sim trabalhadores...

     
    imagem de Ricardo Wandega

    Meio fora de pauta....

    A Resposta de Luciana genro

    Carta aberta de Luciana Genro

    O Projeto  Emancipa já é um sucesso. As incrições ainda não terminaram, mas já temos mais inscritos do que as 100 vagas disponíveis. O apoio que temos recebido é enorme. Este apoio se expressou inclusive na imprensa gaúcha, que através de vários comunicadores e jornalistas ajudou a divulgar o projeto pela sua relevância social, não se prestando a reproduzir as "denúncias" da revista Veja . Todos sabem da lacuna existente na preparação dos jovens oriundos das escolas públicas que desejam entrar na universidade. Então, quem poderia querer detonar  um projeto que oferece preparação para o vestibular e o Enem GRATUITAMENTE para estudantes de escolas públicas? Aqui no Rio Grande do Sul, só os "viúvos" de Yeda Crusius. 

    Entretanto, em respeito às pessoas que me apoiam e respeitam e que têm sido questionadas por quem não conhece a minha trajetória, esclareço: 

    - Vou processar a revista Veja por danos morais, visto que o jornalista que assina a matéria sequer me ouviu, publicando uma  reportagem absolutamente fantasiosa sobre o Projeto Emancipa, coordenado por mim no Rio Grande do Sul.

    - A Secretaria de Educação não me concedeu nenhum privilégio como insinua a reportagem. A direção do Colégio Júlio de Castilhos, assim como outras escolas estaduais,  proporciona a  execução de diversos projetos  nas suas dependências. O Emancipa é um deles e paga à escola R$ 600,00 por mês pelas duas salas.

    - Os (as) professores(as) não serão "bem remunerados" como maliciosamente diz a reportagem. Receberão R$ 20,00 a hora aula. Como são apenas duas turmas, a média de remuneração de cada professor deverá ser por volta de R$ 300,00. 

    - A cota de patrocínios do Emancipa está fechada com 5 empresas e  não estamos em busca de mais patrocinadores como mentirosamente afirma a reportagem.

    -Sobre a Icatu Seguros, um empresa que atua no mercado gaúcho através do Banrisul há  mais de 10 anos, muito me estranha que somente agora, para me atacar, a Veja levante suspeitas sobre esta relação. Eu não respondo pelas atividades de nenhuma empresa, mas a verdade é sempre útil: basta verificar o balanço 2010 do Banrisul, disponível na internet, para comprovar a mentira. A seguradora Icatu não tem contrato  de exclusividade com o Banrisul. Além disso esta empresa apóia diversas OSCIPs e ONGs, não apenas o Emancipa. 

    - Quanto à afirmação de que "Luciana, que na política criticava o pai, na vida empresarial usa de seu prestígio para lucrar", quem terá que se explicar é a Veja. E terá que fazê-lo no Justiça. Primeiro, porque não estou "lucrando" e nem sequer estou na "vida empresarial". O Emancipa não é uma empresa e não pode dar lucro. Não é por que deixei de ser deputada que vou abrir mão de realizar atividades socialmente relevantes, mesmo que de forma privada, mas que respondam a interesses coletivos.  Quanto ao suposto uso do prestígio do meu pai, Tarso Genro, minha trajetória me autoriza a ter certeza que os parceiros do Emancipa avaliaram em primeiro lugar o meu próprio prestígio para decidir pela participação no projeto. 

    Luciana Genro - Coordenadora do Projeto Emancipa-RS

     

     

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