ECONOMIA CRIATIVA - O FIO DE ARIADNE

ECONOMIA CRIATIVA – O FIO DE ARIADNE

19 DE MARÇO DE 2014 DEIXE UM COMENTÁRIO (EDITAR)

 

www.revistafilosofia.com.br  - 700 × 452 - Pesquisa por imagem Baco e Ariadne, por Ticiano, encontra-se no museu National Gallery de Londres. Na mitologia, Ariadne ajuda Teseu por amor, ele parte de navio e a abandona ..

http://www.revistafilosofia.com.br – 700 × 452 – Pesquisa por imagem
Baco e Ariadne, por Ticiano, encontra-se no museu National Gallery de Londres. Na mitologia, Ariadne ajuda Teseu por amor, ele parte de navio e a abandona ..

 

Testeira-01Conforme a mitologia Teseu, um jovem herói ateniense, sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta um tributo anual, sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao insaciável Minotauro que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Em Creta, encontrando-se com Ariadne, a filha do rei Minos, recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta. Retornando a Atenas levou consigo a princesa.

Labirintos existem para nos perdemos, a menos que encontremos o seu segredo, e assim o caminho da saída, que até encontrarmos, são repletos de encruzilhadas. Mas se nos aproveitarmos da metáfora, podemos contar com o fio que nos conduza aos trajetos a serem percorridos até a saída. Economia criativa, o termo da moda, a bola da vez. O que significa de fato economia criativa? O texto abaixo propõe como fio condutor uma reflexão que nos permita encontrar saídas ou respostas para entendermos o conceito de economia criativa, sem que nos percamos em criticas estabelecidas a priori ou em deslumbramentos equivocados.

O Ministério da Cultura esta implantando incubadoras Criativas nos estados, com a meta de atingir 27 incubadoras espalhadas em todo o território nacional. O projeto prevê que estas incubadoras ofereçam formação em gestão cultural, e novas competências criativas para atender setores diversificados que vão da produção de filmes e aplicativos para celulares, artesanato, danças regionais, e outras expressões criativas.

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Publicado originalmente pela colega Lilian Milena em 18 de dezembro de 2013 no Portal Luiz Nassif, a matéria sobre o tema, é instigante, sobretudo necessária por se tratar de um termo ainda novo para nós. Criado na Austrália nos anos 90, e logo depois fortalecido pelo Reino Unido, Economia Criativa significa entender empreendimentos que utilizam a criatividade, tais como design, moda, cinema, arquitetura, software, artesanato, games, musica e cinema, enfim, entretenimento em geral, e transformá-los em bens monetizados. O conceito Economia Criativa ainda incipiente na sociedade brasileira, e de difícil compreensão, dada as características e peculiaridades que a nossa sociedade apresenta, e também sobre o entendimento de questões de ordem sociológicas, onde todos produzem cultura, ao mesmo tempo todos veiculam e consome cultura o tempo inteiro? E isso transformado em “conhecimento” como grande moeda de troca? Segundo a colega Lilian, o levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), somente 2,5% do PIB nacional é composto por recursos gerados dos setores criativos da sociedade. Para o secretário nacional de economia criativa do Ministério da Cultura, Marcos André Carvalho, convidado para compor a mesa deste IV Seminário Universidade, Cultura e Sociedade, impossibilitado de estar presente por motivos de agenda, reitera o fato de somente 2,5% do Produto Interno Bruto ser gerado pelo setor criativo é preocupante e retrata o atraso do país em não perceber esse valor para o desenvolvimento socioeconômico na sociedade brasileira.

Na visão do secretário, em sua participação no Fórum Brasilianas.org, realizado no Rio de Janeiro diz; “Não se trata somente de uma economia criativa ou de uma nova economia. Estamos falando de uma nova sociedade, de uma nova humanidade. Isso porque poucas gerações passam por uma virada de século, e menos ainda por uma virada de milênio como a nossa. Além disso, as mudanças estão ocorrendo de modo muito rápido, pois estamos na sociedade da informação onde tudo está conectado. A informação flui de uma maneira rápida e é essa sociedade que produz essa nova economia”, e ainda aponta a importância da produção cultural como ponto chave na economia atual, e aponta exemplos da Inglaterra e Austrália que incorporaram estes setores na economia há quase duas décadas, com resultados satisfatórios no Produto Interno Bruto.

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Melhorando a Vida Design Sueco_Museu_Casa_Brasileira

É verdade. A indústria criativa não só desses países, mas também da Itália, Alemanha e França na Europa, como na Finlândia, Noruega, Dinamarca e Suécia nos países nórdicos exportam bom design para o mundo todo, desde a revolução industrial, consideram valores simbólicos e intangíveis, baseados nos setores criativos e incrementam divisas na composição dos seus produtos internos brutos, mas não se destacam frente à diversidade cultural que possuímos aqui no Brasil. Por outro lado, estas sociedades já possuem resolvidas, questões inerentes ao bem estar mínimo, acesso com facilidade as tecnologias de ponta, banda larga, e créditos a fundo perdido para desenvolvimento de novos produtos. Nelas, o Estado estimula a criatividade com linhas de créditos sem burocracias, com repasse de recurso direto ao cidadão para estudo, desenho e desenvolvimento de ferramentas e protótipos. Então estamos falando de uma cultura de desenvolvimento de produtos. Seja ele um filme, janela antirruído blindada, canivete multiuso, moda, luminária, sofá, relógio, talheres, games, aplicativos, etc.

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Expô – Melhorando a Vida Design Sueco Museu da Casa Brasileira

Políticas no Brasil
Precisamos considerar de que maneira essa cultura é produzida e tanto quanto, ela é consumida na e pela sociedade, ou se atende apenas uma parcela do status quo.

O secretário de economia criativa Marcos André Carvalho diz que: “Observamos de início que dois terços dos grupos culturais eram informais e não podiam participar [dos editais], pois não sabiam traduzir, por exemplo, aquela realidade linda do terreiro ou da periferia para o papel”, é verdade. E o que faz o Estado diante dessa realidade? O que propõe de inovador ou criativo?

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Economia Criativa_ Cineastas Indígenas produzem Programação infantil no Brasil

Uma das mais bem sucedidas política pública de cultura promovida pelo Estado foi o Programa Cultura Viva, criado por Célio Turino a frente da Secretaria da Cultura e Cidadania Cultural (SCDC), na gestão do ministro Gilberto Gil (2004-2010). O Programa Cultura Viva é uma política voltada para atender os mais diversos setores criativos da sociedade na ponta. Em sintonia com a Secretaria da Diversidade Cultural a cargo de Sérgio Mamberti e atual Secretário de Políticas Culturais Américo Córdula, souberam acolher os saberes populares e suas manifestações, sobretudo cientes da dificuldade dessa parcela da sociedade em lidar com a burocracia do Estado, lançando inclusive a possibilidade da inscrição oral de projetos nos editais.

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Economia Criativa_ Cineastas Indígenas produzem Programação infantil no Brasil –  Unesco 

Com a implementação dos editais públicos para seleção de projetos, o programa ganhou força e representatividade, e desdobramentos em várias ações como Prêmio Asas, Interações Estéticas, Tuxua, Pontinhos de leitura, Saúde e Cultura entre outros, gerou interatividade com diversos setores criativos da economia quebrando paradigmas, não só de ordem estética como de valores também. Novas práticas geradas no seio das comunidades, cultura de paz, economia solidária, direitos autorais – jovens estimulados em subir conteúdos (up loads) ao invés de (downloads). De fato o programa foi um contraponto as políticas de balcão de negócios praticadas anteriormente pelo ministério onde prevaleciam indicações de amigos.

Economia Criativa Cineastas Indígenas produzem Programação infantil no Brasil

Economia Criativa Cineastas Indígenas produzem Programação infantil no Brasil

 

Na verdade ocorre no governo Dilma, com a chegada da ministra Ana Buarque a deriva do programa, e quase chegou a ser extinto. Só não aconteceu essa extinção pelo esforço e pulso forte do movimento dos pontos de cultura espalhados pelo país. É verdade que a sociedade civil não organizada/formalizada não está preparada para se relacionar com o Estado (sic), mas, o Estado não se preocupa em promover a formação e autonomia da sociedade, a ele também não interessa. É essa formação que o Programa Cultura Viva promoveu pelos pontos de cultura criando uma nova forma de relação entre o Estado e o Cidadão. Os Pontos de Cultura se tornaram uma singularidade no meio da multidão. Ponto de Cultura tem sido um exercício de convivência entre o Estado e a Sociedade, e também entre novos grupos de pessoas com novas configurações sociais.


Encontro Pontos de Cultura /Teia 2007 – Belo Horizonte_ acervo


Encontro Pontos de Cultura / Teia 2007 – Belo Horizonte – acervo

O Programa Cultura Viva, mesmo diante das dificuldades e (dês) continuidade, se consolida passo a passo, porque quando criado, foi elaborado com princípio de política pública de cultura, focando a valorização das expressões culturais já existentes, incluindo práticas populares e comunitárias, com a proposta de gestão……..

 

…….compartilhada entre Estado e sociedade civil. A diferença no Programa penso eu, o seu diferencial, é no lugar de impor uma programação cultural ou chamar os grupos culturais para dizerem o que desejam, foi perguntado a eles como desejam receber, como querem fazer, e também o recurso destinado para aquisição dos kit´s multimídia, conforme a preferência e/ou necessidade dos grupos culturais. O paradigma do Estado como tutor foi rompido com os editais de seleção pública, e com os princípios de gestão compartilhada ouvindo as necessidades e ponto de vista de cada grupo, designando a eles a decisão de como aplicar os recursos. Para dar conta dessa nova demanda alguns estados uns mais comprometidos com o Programa, buscaram novas formas para incluir mais grupos aptos a participarem dos editais. A experiência do Rio de Janeiro é um bom exemplo. A Secretaria Estadual de Cultura na gestão de Marcos André Carvalho, atual secretaria da pasta de Economia Criativa, criou um escritório de apoio no formato de caravana que passou a percorrer todo o território formalizando grupos populares. Foram 75 cidades que receberam pontos de cultura de matizes culturais: caiçaras, quilombolas, ciganos, candomblés, pescadores entre 92 municípios, somando uma rede de 230 pontos de cultura no estado do Rio de Janeiro.

 

Programa Cultura Viva é modelo para América Latina


Quanto à lógica perversa dos editais e das leis de incentivo, que diz acreditar serem estes mecanismos responsáveis pela descontinuidade das experiências culturais, não se sustenta, pois não são os editais que provocam a descontinuidade das experiências, mas sim a falta de conhecimento e competências inerentes às boas práticas de gestão (dês) compartilhada, em alto grau, pelo próprio Estado.  Os produtores culturais e artistas devem pensar – não necessariamente – como empreendedores e estrategistas para diversificar suas fontes de financiamento. Explico. A partir do momento em que os valores da cultura passaram a ser definido pelas empresas, o Estado como Poncios Pilatos busca mecanismos de se eximir da responsabilidade do fomento, da criação e do acesso a cultura. Ele, o Estado, se compromete apenas a habilitar o projeto e joga o produtor cultural na selva do mercado capitalista.

 

Prédio da Fiesp, é uma Pirâmide preta inacabada, monumento remete ao ocultismo e as sociedades secretas Essa Pirâmide inacabada [com a ponta por terminar] é um simbolismo Maçônico, e o prédio onde se reúnem os homens mais ricos do nosso país é um monumento com esse formato, demonstrando então inequivocadamente, o imenso poder da Sociedade discreta (antigamente secreta) a Maçonaria [que são nada mais, nada menos, que ocultistas, praticantes das artes esotéricas]

Prédio da Fiesp, é uma Pirâmide preta inacabada, monumento remete ao ocultismo e as sociedades secretas
Essa Pirâmide inacabada [com a ponta por terminar] é um simbolismo Maçônico, e o prédio onde se reúnem os homens mais ricos do nosso país é um monumento com esse formato, demonstrando então inequivocadamente, o imenso poder da Sociedade discreta (antigamente secreta) a Maçonaria [que são nada mais, nada menos, que ocultistas, praticantes das artes esotéricas]

São os empresários privados que detém o poder de destinar os recursos – que em primeira instância, são impostos devidos ao Estado – conforme seus critérios e conveniências. Cultura & Business. Desse modo o Estado promove a imagem de empresas privadas, bancos, empresas de telefonia, construtoras, e tantas outras, com recursos de impostos pagos pelo cidadão. Ou seja, o que era para incentivar a cultura, é apenas parte das estratégias de marketing de grandes corporações, com custo zero para as empresas, com danos irreparáveis para as políticas públicas de cultura do Estado. Enfim, conforme define Emir Sader, “a vítima privilegiada da globalização foi à cultura. A mercantilização do mundo invadiu a esfera cultural de forma avassaladora. De expressão das múltiplas identidades, de sua infinita diversidade, a cultura se viu achatada a clichês formatados pelas telenovelas. O Brasil foi reconstruído no imaginário nacional pela televisão. A cultura foi vítima de visões redutivas, a três, quatro cenários dos bairros chiques de São Paulo e Rio de Janeiro, mais algumas cenas de um país folclórico, para exportação. Consolida-se assim, a ausência do povo brasileiro na história e no imaginário nacional” Talvez por estes motivos , é que encontramos a maioria dos produtores culturais, sempre com um pires nas mãos. Claro que uma coisa não exclui a outra. Também é necessário ampliar e aprimorar os conceitos e conhecimentos sobre gestão de empreendimentos culturais.

 

Outra questão são os repasses de recursos para os grupos que se classificam em editais. É um inferno de Dante na Terra. É um pântano. As liberações dos recursos são parceladas e condicionadas a partir da comprovação de um emaranhado de documentos, sendo que as demais parcelas somente são repassadas na condição de aprovação das anteriores. Ocorre que o Estado não analisa estas prestações de contas em tempo adequado, não obstante, elas normalmente são permeadas de instruções normativas mal formuladas, distante da realidade da sociedade civil, aberta a interpretações, onde os interpretes nunca tiveram nenhum contato com as pessoas e muito menos com os projetos. Apenas o que esta ali descrito no papel. É a combinação de um conceito retrógado que foge a lógica controladora do Estado com uma estrutura ineficaz, insuficiente e insegura, que resulta em tensão e compromete a continuidade de bons projetos e boas experiências culturais. Com a descontinuidade dos repasses, vai se perdendo o patrimônio principal dessas experiências que são as pessoas, os recursos humanos.

 

Prêmio Asas - Guarulho - SP

Prêmio Asas – Teia Guarulhos 2010-  - SP

 

Devemos considerar que houve alguns avanços nesta problemática, p.ex. os editais em formato de prêmio, onde o grupo cultural ou a entidade contemplada presta contas apresentando os resultados dos projetos tem se mostrado eficaz. De um lado o Estado atua na promoção e fomento da cultura, e do outro, agentes, produtores e artistas focados na produção, realizam boas experimentações estéticas ao invés de ficarem como administradores burocráticos de prestação de contas.

 

 

Cultura Popular – Arte Popular – Artesanato

 

DSC01757Desafio a tratar dos costumes, hábitos, forma de viver que se apresenta muito diversificados. Mais uma vez, como é de conhecimento geral, nossa gente é formada por variadas raças vinda das mais diversas partes do mundo. De cada parte que vieram, os imigrantes trouxeram junto com suas esperanças de uma vida melhor, características de seus países e de suas origens. As histórias, os mitos, as mais variadas manifestações culturais vieram em suas bagagens. Encontraram terreno fértil e no choque cultural, conforme a antropofagia Oswaldiana, “deglutimos” o que tem de bom nas manifestações de outros estados e países, e a partir desta experiência criamos a nossa própria história. No confronto entre estes polos a cultura vai se estabelecendo.
“O continente imigratório europeu integrado na população é avaliado em 5 milhões de pessoas, quatro quintas partes das quais entraram no país no último século. É composto principalmente , por 1,7 milhão de imigrantes portugueses, que se vieram juntar aos povoadores dos primeiros séculos, tornados dominantes pela multiplicação operada através do caldeamento com índios e negros. Seguem-se os italianos, com l,6 milhão, os espanhóis, e com 700 mil; os alemães. Com mais de 250 mil; os japoneses, com cerca de 230 mil e outros contingentes menores, principalmente eslavos, introduzidos no Brasil sobretudo entre 1886 e 1930.” (RIBEIRO, 1995) . A primeira questão que surge refere-se, portanto, a definição do que é artesanato e o que é arte popular. Esta necessidade se deve ao fato de ocorrerem muitas divergências sobre o assunto, causando muitas vezes desentendimento ou distanciamento do verdadeiro conteúdo do trabalho, seja do artista popular ou do artesão.

Ainda ocorre a invasão dos meios de comunicação que penetram o âmago das comunidades, provocando-lhe reações quase sempre previstas, modelando-a e padronizando-a conforme balança a onda da globalização. Aproximando um pouco mais do tema desta pesquisa que é o artesanato, destaca-se as influências dos programas de TV e das revistas populares que se utilizam de atrativos como, “opinião” de pessoas famosas, para ensinar atividades manuais. O alcance destes meios em todos os cantos do país, acaba generalizando os resultados de quase todas as atividades feitas a mão. Também ocorre uma forte influência e concorrência de produtos industriais e semi-industriais que oferecem muitos atrativos. O preço baixo é um deles. As lojas 1,99, são bom exemplo disto, invadiram os espaços comerciais das cidades trazendo a todos os mais variados objetos. Os materiais utilizados na confecção destes objetos, a produção em serie e a mão de obra barata dos lugares onde são produzidos são os fatores fundamentais que determinam a grande aceitação destes produtos.

DSC01753Além da compreensão destes termos, é conveniente entender também as diferenças entre eles. Há muita discussão sobre o assunto. Na Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 anos, ainda mais intenso foi este debate. Destaca-se um interessante esclarecimento sobre o tema dado por Jacques Van de Beuque no catálogo da exposição citada, “a diferença que existe entre “arte popular” e “artesanato” ou, para ser mais preciso, entre as peças produzidas dentro dessas duas categorias, seria a seguinte: o objeto de arte popular, uma vez acabado, já exerceu sua função. Ele é fruto de uma expressão artística, existe para ser visto, enquanto o produto de artesanato começa a cumprir seu papel depois de pronto. Esse é o objeto de uso. Só existe para ser utilizado.

 

Apesar da clareza destas definições, elas ainda não se apresentam finalizadas, acrescenta-se ainda que a indústria cultural manipula os objetos feitos pelo povo, deslocando-os quase em sua totalidade para categoria de objetos de decoração. Os objetos mesmo que utilitários, tornam-se enfeites, ornamentos, peças decorativas utilizadas para compor um determinado espaço, chamando a atenção seja pelas cores ou pelas formas. No que tange a esta pesquisa, acima de tudo são lembranças de viagem, testemunhos de uma visita, e também são objetos para presentes, meio utilizado pelos turistas para autenticar sua estada num determinado lugar.

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Aos conceitos de Jacques Van de Beuque, cabe apenas acrescentar ao que se entende por objeto de uso ou objeto útil, a possibilidade de deslocamento destes para o âmbito da decoração. Este deslocamento torna menos importante a origem do objeto, a condição primeira de sua feitura, o verdadeiro fator pelo qual foi desenvolvido: a tradição. Seja pela utilização ou pela crença, pelo caráter lúdico ou de labor, este fazer transmitido de pai para filho, de um para outro é substituído pelo interesse de comercialização. No entanto os objetos permanecem vivos na memória dos que os criaram, ou nos catálogos comemorativos, ou através das poucas pessoas ou entidades que ainda se dedicam a estes trabalhos, ou mesmo nas estantes das casas em algum lugar do universo.

Para concluir, os processos de urbanização, industrialização e massificação da cultura, refletidas nas novas formas de integração econômica exigem à valorização, a redefinição do que hoje podemos entender por artesanato. Para entender esse conceito é necessário compreender as heranças dessas comunidades, as características do local onde vive como construíram seu nicho em termos de arquitetura, enfim, a totalidade das suas expressões culturais.

buscher_bauspiel bauhaus 1923É importante conhecer como e de que maneira os artesãos-protagonistas se inserem em alguma organização para escoamento de sua produção e se essa ligação seria, para eles, satisfatória em termos gerais. É conhecida a condição comercial das comunidades e grupos de artesãos cujos resultados sobressalentes de seu trabalho são deixados à mercê de uma colocação esporádica e sem planejamento. Esses resultados existem sempre e sofrem na manutenção da qualidade e no seu valor cultural, significando em perda de efetiva renda mais substancial.

É imperativa a necessidade, a abertura de uma via de escoamento dos produtos para o mercado da sociedade moderna. Não apenas um catálogo, um stand de exposição e vendas. É necessária à construção de uma identidade que lhes propicie uma estatura organizada. Talvez um Programa de Pontos de Artesanato.

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Quanto a Economia Criativa, alguns desafios se manifestam. Entendermos de fato o que significa Economia Criativa, ou que swingnifica isso – como na canção de Arnaldo Antunes, é um deles. Na década de 80 quando o design era considerado a cereja no bolo dos produtos, quando não considerado pelos empresários como “fru fru´s” de designers, experiência muito similar às incubadoras criativas que ora propõe o Ministério da Cultura, , os laboratórios de design espalhados pelo país, em princípio excelentes não obtiveram resultados mais expressivos dada a descontinuidade do programa no meio do caminho.

O laboratórios Brasileiros de Design Industrial – LBDDI Em Santa Catarina, tinha a missão de apoiar as empresas brasileiras em geral, e as indústrias catarinenses em particular, no seu esforço de incremento da competitividade de seus produtos e serviços, a partir de projetos de diversificação qualitativa e de agregação de valor pelo uso do design. Desenvolver projetos e pesquisas de interesse social que contribuíssem para o resgate e valorização da cultura material iconográfica brasileira.

Ao longo do período, esses laboratórios desenvolveram produtos de excelente qualidade tanto em forma quanto em conteúdo. Esses produtos, excelência em design brasileiro, não foram inseridos na cadeia produtiva da indústria, por vários motivos, dois deles citados acima, e outros tantos, seja pela necessidade de mudança de comportamento dos empresários frente às inovações, utilização de novas matérias primas, ou até mesmo desconfiança quanto à ousadia dos projetos propostos. Mas outros tantos foram bem aceitos e permanecem no mercado. O que se espera destas incubadoras ora implementadas pelos estados, é que possa, gerar novas competências criativas para atender setores diversificados, mas sobretudo respeitando as peculiaridades de cada setor, tanto no que diz respeito as suas manifestações, expressões e identidades culturais, e não transformá-las em mais um produto inserido na cadeia da economia criativa. Além desse fato, a destinação de recursos específicos para estes setores, que não se enquadram como empreendedores. Transformar um artesão em empreendedor é matar na fonte a sua criatividade, o mesmo ocorre com os artistas e produtores culturais que se distanciam da arte, em visitas nas empresas com o pires nas mãos. Mas isso também não significa que não devam ser considerados novos formatos de empreendimentos culturais criativos, para o artesanato e também para as diversas linguagens e manifestações  artísticas  populares.

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