Rio In Chamas

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meu labirinto solto

 na vertigem da tarde

tudo enquanto arde

do outro lado do dia

não tenha medo

sempre haverá poesia

 mesmo quando não tocar teu corpo

e as formigas não alcançarem

o açúcar desejado

meu coração alado

cantará um rock na sessão das cinco

teu coração aflito soltará o grito

entalado na garganta

o cinema inteiro explodirá na tela

a pólvora do pavio

e como amante turca me beijará na urca

doida como o cio

e não bastaria as sextas feiras da lapa

samba reggaes ou tapa

enquanto a outra cidade dorme

com balas atravessadas nas casas

entregues ao destino da sorte

quando a vida é o que menos importa

se a língua da noite é torta

e o veneno da morte

está tampado nas latas

e o leblon arde em chamas

toda volúpia nas camas

na madrugada o desafio

não bastaria todo medo

que ela sempre  teve de me entregar a boca

agora como louca musa voraz insana

despeja em copacabana

toda voragem desse Rio

 

arturgomes

http://pelegrafia.blogspot.com

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