REPROVAÇÃO E REPETÊNCIA

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Embora, em todos os tempos, no antigo ensino primário, houvesse preocupação constante com alunos de aprendizagem lenta, a reprovação acabou se revelando como ‘punição’ e, como tal, passou a fazer parte da cultura escolar. Na realidade, aprendemos muito através das várias formas de “punição” aliás muito comuns na natureza,como cair, machucar, escorregar, bater, assustar etc. Assim, a punição não tem sentido negativo e se revela, principalmente, como “lição”, isto é, para conduzir alguém a não proceder de determinada maneira. Uma das influências na formação da personalidade consiste na aprendizagem “em que a criança ou o adulto repete um comportamento, seja pela coerção ou pelo castigo. É assim que aprendemos os elementos que constituem nossa cultura”.

O poder coercitivo da sociedade é imposto pelos inúmeros mecanismos de controle, se necessário, por meios coercitivos, geralmente desagradáveis. “Tanto crianças quanto os adultos devem aprender a comportar-se e, uma vez que tenham aprendido, precisam ser mantidos na linha”.

Embora sejam procedentes as críticas feitas às reprovações, não se pode, impunemente, ignorar uma tradição cristalizada não só em todas as escolas, como também na própria sociedade

Aos que, por acaso, me acusarem de saudosista saibam que estou acompanhado de excelentes cúmplices.

Vale lembrar que em Santa Catarina havia promoção automática, entretanto, sobretudo os pais postaram-se contra, porque raciocinam de modo dito objetivo e realista: no mercado não há promoção automática, lá vence quem pode. “No quadro das desigualdades, a promoção automática desprepara para a vida, embora caiba em belas teorias educacionais”. 

São apontadas certas incompatibilidades entre as práticas existentes em escolas e a real organização social vigente, nos Estados Unidos. “Em algumas escolas, o aluno não repete ano e tem quantas chances precisar para ser promovido. Isto não se parece absolutamente nada com a vida real. Numa empresa, se você erra, está despedido”.

Além de lembrar um tempo em que escolas e universidades eram lugares de compostura, trabalho e aprendizado, salientou-se que reprovação se tornou palavra assustadora. Todavia, o prejudicial não é o termo, mas a negligência. “Tanto são os jeitos e os recursos favorecendo o aluno preguiçoso que alguns casos chegam a ser bizarros: reprovação, só com muito esforço”.

Finalmente, vale lembrar que é preciso salientar o Plano de Educação apresentado pela Prefeitura de São Paulo, no qual se inserem a reprovação, o boletim e a tarefa de casa!

 

As citações são, respectivamente, de D.M. Leite, Berger e Lukman, Pedro Demo, Bill Gates e Lya Luft

 

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