Uma Resistência Ousada!

Autor: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Entrevista à Revista LEIA, Ano XII, n. 147, 1990.

 

 

 

As teorias que marcam o debate pedagógico acabaram conferindo, historicamente, um poder absurdo ao chamado especialista, veem-se surgir os novos “teólogos”, no sentido em que têm eles o poder de dizer o que é bom ou o que é ruim, o que é certo ou errado, como faziam os teólogos na Idade Média. 

Na verdade, todas as promessas advindas da “criatividade” dos especialistas não chegam às salas de aula, porque sempre encontram resistência dos professores.

Tal resistência é constatada pelo nosso Ministro, quando da definição dos parâmetros curriculares nacionais. “Depois nos demos conta em reuniões com secretários que os parâmetros não estavam sendo assimilados pelos professores. Tivemos que lançar os parâmetros em ação, que explicavam melhor aos professores como desenvolver os parâmetros na prática”.

Como parece que o Ministro não teve mais tempo de se reunir com secretários, infelizmente, ficou sem saber que também os chamados “parâmetros em ação” tiveram idêntico destino. Na próxima reunião, talvez algum Secretário, deveras preocupado em resolver o problema, lembre-se de alertar ao Ministro que os professores assimilaram perfeitamente bem os conteúdos das propostas curriculares e, por isso mesmo, não os utilizam porque se constituem numa confusa teorização, emprenhada de nomes fisgados em discutíveis teorias lingüísticas e psicológicas que, na prática da sala de aula, não levam a nada...

Nenhum voto

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.