A foto que define o que é ético

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Há oito anos Paulo Maluf e seu partido fazem parte da base de governo Lula/Dilma. Ninguém lembra disso. Mas todos lembram que mais de 23 milhões de pessoas saíram da extrema pobresa através da política social do governo Lula que continua no governo Dilma. Todos lembram quantos ingressaram na universidade graças aos programas do governo Lula para inserção de camadas da população que não tinham este acesso. Todos lembram que Lula restaurou o respeito aos governos dos países latino americanos e africanos, sobretudo pela autonomia de todos eles. Ninguém lembra do Maluf ou melhor, lembrava que Maluf ainda existe até a semana passada, quando Lula posou ao seu lado (por exigência de Maluf) para consolidar a aliança para a prefeitura de São Paulo.
Das duas uma: ou Lula “atendeu” a um assessor da campanha que resolveu conceder essa chance ao Maluf, e nesse caso é preocupante que nenhum assessor tenha dito ao Maluf que as dimensões de ambos são incompatíveis, ou, ao que parece, a foto vale um minuto.

Não se pode crer, sob risco de ter que acreditar também em Papai Noel, que Luiza Erundina não sabia da aliança com Maluf. Sabia e deu entrevista ao Estadão comentando a respeito. O que a fez balançar a coluna foi a “foto que vale mais do que mil palavras”. Só que esta foto vale muito mais que mil palavras. Palavras que devem descrever a coragem de um político que saiu de oito anos de governo, tendo mudando a agenda nacional e sacudido a mesa do tabuleiro internacional. Um político que fez e faz a elite brasileira ter que engolir muito mais do que um sapo barbudo. Um sapo que limpou a lambança dessa elite, distribuiu renda e recuperou a auto-estima do país. Um político que poderia estar em casa de pijama assistindo seu Corintians pela televisão e dando pipoca aos macacos. Mas ele insiste em querer mudar o país ainda para melhor. Ele insiste em não ter preguiça para fazer política e trabalhar para mudanças concretas. para isso teve que jogar o jogo sujo criado pela própria elite que não lhe perdoa por isso. Não perdoa que alguém que não foi criado nas melhores (?) universidades do país e que não tenha frequentado a Sorbonne, tenha encontrado o caminho das pedras, usando as pedras que foram (e são ) jogadas contra ele. E teve que meter a mão na lama, na merda e na porcaria para poder depois limpar a latrina, depois o banheiro, depois o corredor, a sala de estar.

Na verdade trata-se de uma falta de respeito por parte da Erundina, tomar a atitude que tomou. Erundina não deu as costas ao PT e ao Lula, deu as costas à população da periferia de SP. Sem prejuízo por toda a falta de respeito que o PT ou o próprio Lula tenham cometido contra ela própria, Erundina em passado recente.

Para que os príncipes e princesas de hoje possam posar vestidos com suas éticas e tenham espaço na imprensa anti-Lula, alguém teve que meter a mão na lama. Para que estes príncipes e princesas possam no futuro colocar na cabeça a coroa de um governo que uma possível futura sociedade educada, igualitária e feliz de ter entrado na planície da civilização, um soldado teve que cortar cabeças, sujar as mãos e abrir caminho. Esse soldado tem um nome: chama-se Luiz Inácio Lula da Silva.
Que atirem a primeira pedra.

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