Bolsa família não tem "efeito preguiça"

Escuto muito por aí que os programas sociais do Governo Federal estimulam o ócio e a improdutividade, via acomodação dos beneficiários.

E tem gente pertencente à turma do “bom nível cultural”, com acesso amplo à informação, que fica reproduzindo essas estultícias.

Repetem, em uníssono, que o bolsa família, v.g., até inclui as pessoas no processo econômico do país, mas somente como consumidores, já que, resignados com a renda garantida pelo Estado, não querem trabalhar (efeito preguiça).

Pois pesquisa divulgada pelo IPEA põe de joelhos a tese conservadora segundo a qual pobre é preguiçoso e não quer laborar quando recebe algum tipo de auxílio, prejudicando, inclusive o mercado de trabalho via redução da oferta de mão de obra.

Aliás, falando em "efeito preguiça", lerdo mesmo é o argumento dos detratores dos programas sociais brasileiros, que à falta de argumentos, rebaixam a crítica.

Leia a matéria abaixo e entenda.

Estudo mostra que Bolsa Família não leva beneficiário à acomodação

O auxílio financeiro não desestimula os favorecidos a buscar emprego ou a se tornar empreendedores, diz estudo

 O auxílio financeiro dado às famílias em situação de extrema pobreza pelo Programa Bolsa Família não desestimula os favorecidos a buscar emprego ou a se tornar empreendedores. A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), após análise do microempreendedorismo brasileiro. "O Bolsa Família não produz o chamado efeito preguiça ou de acomodação. Prova disso é que boa parte dos beneficiados é empreendedora e está formalizada", disse Rafael Moreira.

Ele é um dos pesquisadores sobre microempreendedor individual - pessoa que trabalha por conta própria, que se legaliza como pequeno empresário de um negócio com faturamento máximo de R$ 60 mil por ano. Este tipo de empreendedor tem no máximo um empregado contratado, recebendo salário mínimo ou o piso da categoria.

A publicação Radar, divulgada nesta terça-feira pelo Ipea, relata que 7% dos empresários individuais são também beneficiados pelo Bolsa Família. Além disso, 38% do público-alvo do programa são trabalhadores por conta própria, formalizados ou não. "Em geral, o Bolsa Família não diminui a oferta de mão de obra", garantiu Moreira.

Segundo Mauro Oddo, outro colaborador do estudo, as microempresas representam 99% das empresas do País e são responsáveis por 51% de todos empregos existentes. "Isso mostra que o País não vai se desenvolver enquanto as diferenças entre a realidade monetária e quantitativa for tão grande. As empresas (de menor porte) têm um grande peso para a economia. Não dá para entender o País sem entender o que são elas", argumentou o pesquisador.

 Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República e presidente do Ipea, Marcelo Neri disse que entre as conclusões mais relevantes do estudo Radar está a de que metade de trabalhadores informais, como camelôs, se formalizaram. "Essa é uma cena interessante e surpreendente. Ninguém esperava isso dez anos atrás", disse. "Hoje entendemos que trabalhadores muitas vezes são pequenas empresas. Em geral, são capitalistas sem capital."

Segundo o estudo apresentado pelo pesquisador João de Oliveira - sobre a ampliação da base formal do emprego -, metade dos empresários individuais tem como origem o mundo informal. Além disso, metade do grupo - ou seja, um quarto do total - iniciou seus negócios "não por oportunidade, mas por necessidade, após serem demitidos".

Oliveira explica que o microempreendedor individual tem um perfil de menor escolaridade (49,4% têm no máximo ensino médio completo) e renda mais baixa. Ele apresentou estimativas indicando que atualmente deve haver 3 milhões deles participando da economia brasileira. Há, ainda, outros 6,12 milhões de pequenas e microempresas no País.

Agência Brasil

Matéria pescada do Portal Terra (http://noticias.terra.com.br/brasil/estudo-mostra-que-bolsa-familia-nao-leva-beneficiario-a-acomodacao,17a25abb5c97e310VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter)

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