Uso de "Junto a/Junto de"

Autor: 

Prof. Diógenes Afonso [DiAfonso] - Terra Brasilis Educacional

 

 

Observe as construções que se seguem:

  1. Junto ao* poste, via-se um cão perturbado pelo intenso movimento dos automóveis que passavam velozes.
  2. Junto do presidente, encontravam-se ministros, governadores, prefeitos e jornalistas.
  3. O cliente deverá quitar suas dívidas junto ao banco, no primeiro dia útil, após o feriado prolongado.
  4. Em caso de dúvida sobre o pagamento do IPTU, o cidadão deve solicitar informações junto à prefeitura de sua cidade.

Elas teriam, quanto ao uso e ao sentido das expressões em destaque, alguma identidade? Claramente, pode-se perceber que o sentido em [1] e em [2] é diferente das ocorrências em [3] e em [4].

Em [1] e em [2], aflora o sentido de "perto de, ao lado de, próximo a". O mesmo não se pode dizer quanto aos itens [3] e [4].

As relações de sentido, presentes nos dois primeiros exemplos, motivam o grito dos chamados "puristas da língua" contra as construções do tipo [3] e [4]. Direi, numa primeira análise, ser este grito justo, se nos limitarmos, apenas, ao sentido das referidas expressões, tal como aparece em diversos dicionários.

Assim, há de se considerar o fato de os sentidos em [1] e em [2] não serem "transferíveis" para [3] e [4], pois os falantes não quitam suas dívidas "perto do/ao lado do banco", nem solicitam informações "perto da/ao lado da prefeitura". Os falantes, diante dessa situação real de interação social e comunicativa, quitam suas dívidas "com o banco" e solicitam informações "à prefeitura".

No entanto, não se pode deixar de atentar para o uso de tais locuções com sentido diverso de "perto de, ao lado". Vai-se notando, frequentemente, a presença delas em textos jornalísticos, correspondências e em algumas peças processuais, por exemplo.
O que se fazer, então? Nada mais simples do que respirar o contexto comunicativo em que o uso de junto a / junto de se fizer necessário. Em situações formais de comunicação escrita ou oral, respeite-se o sentido de "perto de/ao lado de" [como ocorre em [1] e em [2]]. Aqui, cumpre-se observar a variante padrão.
Diante da possibilidade do uso de junto a / junto de, no contexto de outra variante linguística, fique à vontade, pois não "inflói, nem contribói". Tem-se mesmo é que arrumar dinheiro para quitar a dívida junto ao banco e solicitar informações junto à prefeitura.
* Considere-se, aqui, a locução prepositiva como aparece na construção, isto é, em situação de combinação - A + O [1 e 3] e de contração - DE + O/A + A [2 e 4].

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