Crítica, democracia e participação

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O clima é de manifestação e crítica. Pode ser o início de um caminho para quem deseja influir em seu destino e no do seu país.

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer...

Convém porém pensar, como lembrou Walnice Nogueira Galvão, à respeito da ambiguidade do chamado inicial: Vem, vamos embora. Vamos embora, pois já fizemos a hora?

Diz também Walnice:

“Dentre os seres imaginários que compõem a mitologia da MMPB destaca-se O DIA QUE VIRÁ, cuja função é absolver o ouvinte de qualquer responsabilidade no processo histórico. Está presente num grande número de canções, onde aparece ora como o dia que virá, ora como o dia que vai chegar, ora como o dia que vem vindo. Geraldo Vandré é um especialista”

"Do mito do DIA decorre o mito da canção. Já que a utopia se cumprirá espontaneamente, eu não sou responsável, não tenho tarefas a executar, estou dispensado de agir."

O DIA atual, é o do país que acordou. Em resposta a este acordar e ao clamor das ruas, talvez tenhamos até aberta possibilidade de referendar ou escolher alternativas a nós, e não por nós, colocadas... E novamente abriremos mão de PARTICIPAR, esperando o DIA ou esperando ALGUÉM.

Participar envolve mais que sair às ruas e exigir que surja um milagre. Exige a atenção aos pequenos gestos e ações do nosso dia a dia, muitos em conflito com as exigências de nossa pauta mágica. Exige assumir um papel de sujeito. Que não transfere, delega ou cobra de outros aquilo que ele mesmo não faz.

"O homem abdica de seu papel de sujeito da história, e o sujeito passa a ser O DIA, ser dotado de vontade e de movimento. Não sou eu, sujeito humano, que vou chegar lá, mas é O DIA, que se encaminha para mim. 'A gente', então, fica dispensada de agir. Quem age é O DIA, 'a gente' se dedica apenas a registrar os agravos, enquanto O DIA não vem."

Quem elegeu a Presidente e o Congresso que aí está fomos nós. Se escolhemos corruptos, algo em nosso cotidiano é perpassado pela corrupção. Se esperamos que O DIA venha a nós, podemos esperar sentados, cantando e gritando palavras de ordem, em casa ou na rua.

Ou podemos assumir de fato o papel de sujeito da história. Passar a cobrar, também de nós, aquilo que esperamos que nos chegue como uma dádiva.

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