A Esquerda é Popular? (Para Lirinha/Cordel Fogo Encantado)

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E se virar de trás pra frente, será que num vai ser diferente? E se inverter a lógica, eu também posso aprender. Pra quem pensar mecanicamente? Parece que o povo num sabe pensar. Tu não consegue enxergar entender? E se a linguagem diferente, no idioma popular. Porque o café bom não é pra gente? Ah, mas o açúcar é amargo pra quem corta cana. Ah, mas a carne tem cheiro de bosta pra quem trabalha em frigorifico. Ah, mas o óleo tem gosto de veneno, pra quem trabalha no campo. Parece inté que é cobra. O povo rindo, vive de sobra. E quando sobra! Porque gringo tem trato diferente? E se porco andasse de transporte urbano, haveria ar condicionado, rede e mais um monte de mimo? Porque o trânsito é indecente? E este salário mínimo, que resumindo, as contas no fim de mês num consigo fechar? Está tudo errado minha gente. Academia é fábrica em produção continua, de gente que só reclama. Os músculos fadigados, repetindo, repetindo, repetindo... repetindo o errado. Fica vistoso, parece lindo, mas é massa sem consciência. Massa amassada, feito pão. E vai se reprimindo os reprimidos. Ditadores vão surgindo. Com farda ou com giz, com voz ou com metralhadora, num importa a arma, é tudo medo, autoritarismo e contradição. Eu quereria ser bem limpinho, cheirosinho, falar mansinho. Com carinho. Mas eu digo é Não. Eu não vejo em livros, nem profetas que lerão. A heresia vem surgindo, vem das ruas, do meu povo tão lindo. Tem banguela sorrindo. Tem criança pulando muro. Tem mulher que vem sem sutiã, sem calcinha. Tem preto ardido do sol, com as mãos calejadas, com as costas arranhadas, com pela rachada, com rugas vistosos poros. E com os lábios descascando a gente se beija, na testa, no rosto, na boca e comemora. Que vem chegando à novidade, que vai mudar toda a cidade. Heresia, heresia, heresia. O seu doutor sabedoria, é coisa que a vida ensina. Por isso não me incrimina, não. Que eu sou cidadão trabalhador. Irreverente. Reverência a irreverência. Irreverência. Gente com gosto, com cara, com sabor de gente. Eu aprendo a realidade é no boteco da cidade. Onde depois de uma meiota, entre uma prosa e outra lorota, a gente fala sério, olho no olho, fala com o coração. Intelectuais de vossas cadeiras, cadeias, eu dispenso vossas sentenças. Morro mas num peço clemência. Eu sei a labuta que é, e o breio da vida. Desce aqui seu doutor, vamos viver feito trabalhador. Vem fazer dupla, tripla jornada e depois arruma tempo pras crias e para a companheira amada. Desce aqui. Esquece teu espirito feitor. Vem pra cá, aprender de amor, e Amar. A nossa a Vida, a nossa lida, a nossa causa e o nosso Povo!

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