Não Verás Ciclovia Nenhuma?

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As ciclovias são uma ótima opção nestes tempos de crise. Por diversos motivos, que poderia enumerar, como exemplo, realizar exercício físico (economizar com “academia”) e melhorar a saúde; não utilizar “veiculo de passeio” (menor gasto com combustíveis fosseis e menor poluição atmosférica); entre outros. Somente considerando a questão da poluição, na capital Paulista em 2011 morreram 3,5 mais pessoas decorrentes de problemas respiratórios, comparado ao de acidente de trânsito. Ou seja, não somente o trânsito mata, a poluição mata. Entretanto, o importante aqui, é compreender que ir de carro ou de bicicleta é uma decisão pessoal, e acima de tudo uma decisão política. Os nossos políticos tem em mãos a decisão de contribuir para construção de uma cidade saudável ou não. Certo?

Chamou a atenção o fato de a grande mídia questionar tanto as ciclovias em São Paulo. (Os políticos na condição atual de oposição seguem no embalo). Interessante, pois ciclovia é uma medida barata e propositiva. Ou seja, não onera (ou onera muito pouco os cofres públicos) e ao mesmo tempo é uma tentativa de mudança cultural. (Todos sabem as dificuldades em mudar nossos hábitos, nos costumes, seja em simples detalhes, como o de separar o lixo orgânico em nossa casa). Será que o problema é que realmente havia uma bicicleta no meio do caminho? No caminho da política...

As ciclovias reduzem o número de ciclistas atropelados ou mortos, o que desonera os custos com saúde, e esse dinheiro “economizado” pode ser utilizado/revertido em outras áreas, como educação, cultura, saneamento básico. Esta seria a lógica, certo? Pois então, porque não temos um sistema de saneamento básico que reduz número de pessoas doentes? Porque não temos os lotes baldios ocupados por hortas comunitárias? Porque não temos ferrovias e hidrovias que são menos poluentes, menor custo e maior rapidez? Ou mesmo, porque quando se é tomada decisões simples, como reduzir a velocidade do trânsito - que aumenta a “velocidade do fluxo” e ainda reduz o número de mortos, que reduz os custos com saúde e esse dinheiro pode ser investido em educação, cultura, etc. – gera tanto estardalhaço nos grandes meios de comunicação? Hora, politica. (São Paulo é exemplo disso, lá na Década de 1920, quando escolheram o projeto arquitetônico de rodovias, em detrimento de ferrovias e hidrovias. Foi uma escolha política!).

O modelo montado, e já muito bem estruturado, é ambivalente (contraditório!) e representa interesses [econômicos] privados. Por exemplo, até pouco tempo a água não era um “recurso comercial”. Existia água limpa e potável por todos os lados, e era impossível cobrar pelo produto: “água”. Até que os rios foram poluídos, a água passou a necessitar de “tratamento”, e. Mas não seria mais fácil e mais barato resolver o problema do saneamento e do esgoto? Para a água voltar a ser limpa e consumível? Seria, entretanto existem umas empresas (muito grandes/multinacionais) que tomaram o controle das fontes renováveis de água e vende por um valor muito “rentável”. (As vezes mais caro que petróleo!). No livro, Não Verás País Nenhum, Ignácio Loyola Brandão, relata que “poluiriam o ar para vender purificadores”.

O Livro, que é da Década de 1970 parecia surreal. Pessimista. Acontece que o papel da política é justamente esse, “intermediar para que os interesses coletivos sejam maiores que os interesses individualistas e privados”. Certa vez, durante uma audiência pública para construir uma barragem, ouvi o seguinte, de um cidadão indignado. “Eu sou a favor do progresso. Eu sou a favor da hidrelétrica. Eu sou a favor da hidrovia. Mas aqui neste local não, pois lá eu tenho uma draga e é de lá que eu retiro o meu sustento”.

Óbvio que existem assuntos de maior relevância a debater em uma eleição, que atacar justamente o que foi feito numa tentativa de tornar a cidade um lugar [mais] saudável, um local de “bem estar comum”. Entretanto, todavia, é bom lembrar que os grandes meios de comunicação dependem de garantir sua propaganda e assim tirar seu sustento. (Pagar os salários de seus jornalistas, como exemplo). E quem “paga a banda escolhe a música”. Assim como sociedades e pessoas são ambivalentes, a política é feita de correlação de forças. Eis o Estado, “que intermedia: os interesses comuns, coletivos x os interesses individuais e privados”. E como um pêndulo, e vai pender para o lado que tiver melhor organizado, articulado.

No mundo atual, os interesses privados são difusos e interligados por gigantescas teias. (Como exemplo, a mesma pessoa e/ou grupo é acionista do seguro de saúde, do sistema de água privatizado e da que vende água mineral, da montadora de carro, da companhia de petróleo, da empresa de comunicação, e até mesmo, porque não, da SAMARCO). Esta conversa esta ficando complicada, complexa e vai longe. Eu tenho que ficar por aqui.

Mas, lembrem que eles controlam o poder econômico, os meios de comunicação e uma grande fatia do “Estado”. Para nós, o povo, o interesse coletivo, o bem comum, temos: a política e as ruas. Entretanto, caros amigos, não deixem que mercantilizem os nossos sonhos, as nossas utopias...

 

“Vá de bicicleta!” 

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