O Filme sobre Niki Lauda e James Hunt

“Valeu a espera por ‘Rush’”

Hoje a coluna do jornalista especializado Fred Sabino nos mostra o filme – a ser lançado semana que vem e cujo livro que o origina está na minha lista de leituras urgentes – que conta o Campeonato Mundial de F-1 de 1976, um dos mais sensacionais da história.

Valeu a espera por “Rush”

O filme mais esperado do ano pela comunidade automobilística está chegando às telas nos próximos dias. Dirigido por Ron Howard (Mente Brilhante, Apollo XIII, Código da Vinci), “Rush” conta a histórica rivalidade entre o inglês James Hunt e o austríaco Niki Lauda, com o ápice na temporada da Fórmula 1 em 1976. Tive a oportunidade de ver o filme em uma sessão para jornalistas.

Quem for ao cinema a partir do dia 13 verá uma obra recheada de ação, com excelentes ângulos de câmeras, belas atuações dos atores e uma incrível caracterização da época, com os carros originais adquiridos por intermédio de colecionadores, macacões com os patrocinadores verdadeiros, e cenários bem retratados por computação gráfica.

Mas, sem dúvida, o grande destaque da trama baseada em fatos reais é o ator alemão Daniel Brühl, que interpretou Lauda. Não bastasse a semelhança física com o piloto, Brühl conseguiu reproduzir os maneirismos e sotaque do austríaco de uma forma impressionante.

Mais impressionante ainda é a atuação de Brühl como Lauda depois do acidente em Nürburgring. Para começar, o trabalho de maquiagem foi perfeito, com a reprodução fiel dos ferimentos causados pelas queimaduras. Mas o que chega a ser até chocante são as cenas no hospital, com um Lauda grotesco e gemendo e os médicos tentando sugar com um cano a água dos pulmões do piloto, devido à inalação de gases tóxicos.

O acidente de Lauda no dia 1º de agosto de 1976 também foi recriado de uma forma incrível. Primeiro, com a quebra da suspensão traseira esquerda da Ferrari. Depois com o choque, as chamas (em computação gráfica misturada com fogo de verdade) e o resgate. A cena foi reproduzida exatamente na curva Bergwerk, local do antigo traçado de Nürburgring em que houve a batida – até Emerson Fittipaldi, com um macacão da equipe Copersucar participa do resgate.

Voltando a Daniel Brühl, é incrível como se olha para ele e vê Niki Lauda na frente, com o comportamento pragmático, autoconfiante e frases de impacto, até arrogantes dependendo do ponto de vista. Vale destacar que Brühl esteve com Lauda por semanas para uma espécie de “curso” para o papel e curiosamente disse que o mais difícil “foi fazer o difícil sotaque austríaco”.

O choque entre o modo de ser, agir e pensar de Lauda com o modo despojado, irresponsável e desregrado de James Hunt é outro ponto alto de “Rush”. Contribuiu para isso não apenas a atuação de Daniel Brühl como a de Chris Hemsworth, que interpretou o campeão mundial de 1976, e, embora não tão brilhante, é sem dúvida digna de elogios.

O estilo mulherengo do beberrão Hunt também foi retratado com categoria, e Hemsworth, embora não tenha podido encontrar Hunt (morto em 1993 por motivos óbvios, leia-se consequência do abuso de álcool e drogas), também consegue reproduzir com correção o jeito de falar do piloto inglês.

E esse choque entre Lauda e Hunt é tão incrível que, por mais que se conheça a história (o inglês venceu o campeonato depois de o austríaco desistir do GP do Japão por causa do temporal que caiu em Fuji, muito bem reproduzido também), você se pega torcendo por um ou por outro conforme o filme vai se desenrolando.

Para ser um pouco chato, algumas cenas não acontecem exatamente como na realidade. Seja por dificuldades logísticas como gravar em alguns autódromos que sofreram grandes mudanças, seja por licenças poéticas adotadas pelo diretor.

Por exemplo, o teste de Lauda pela equipe BRM retratado no começo do filme aconteceu no circuito francês de Paul Ricard e até existe uma cena com o famoso prédio dos boxes ao fundo. Mas as cenas de pista claramente foram gravas em Brands Hatch, com suas subidas e descidas. Da mesma forma, a corrida de 1976 em Monza (que marcou a volta de Lauda após o acidente) foi reproduzida em Brands Hatch. E o acidente da Fórmula 3 inglesa entre Lauda e Hunt, mostrado logo no início da trama, jamais existiu.

Mas isso não deslustra em absolutamente nada o excelente filme que está chegando às telas. É uma obra que prende o fôlego do começo ao fim, com todos os ingredientes necessários para ser exaltado não só pelos fãs de automobilismo como pelo público em geral, já que o automobilismo é um grande pano de fundo para conflitos humanos, mulheres, acidentes, etc.

Tudo o que um belo filme precisa, em resumo.

P.S.: “Rush” foi baseado no livro “Corrida para a glória”, de Tom Rubython. É uma obra extraordinária, que conta ainda mais detalhes de bastidores daquela excelente temporada de 1976.

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