Os desdobramentos das manifestações no Rio de Janeiro

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Militante do PSOL diz ter sido vítima de sequestro-relâmpago na Tijuca

RIO — O estudante e militante do PSOL Rodrigo Antônio D’Olivera Graça, de 19 anos, registrou na 18ª DP (Praça da Bandeira) ter sido vítima de um sequestro-relâmpago na tarde desta quinta-feira, na Tijuca. Rodrigo disse que foi pego na Rua Afonso Pena por quatro homens encapuzados, por volta das 14h, e deixado na Rua Mem de Sá, no Estácio, depois de 40 minutos e muitas ameaças. Os homens que o capturaram teriam dito para o jovem “sair das ruas” e informaram que ele havia sido escolhido para “servir de exemplo” a outros militantes do PSOL. A Polícia Civil investiga o caso.

Rodrigo, que é carioca e mora na Tijuca, afirmou que as ameaças começaram na terça-feira, com ligações anônimas. O sequestro teria ocorrido após o jovem ter feito um boletim de ocorrência por ameaça na 18ª DP.

— Estava sendo ameaçado desde anteontem. Ligaram para a sede do PSOL na Rua Gomes Freire, ligaram para a minha casa e para o meu celular. Hoje fui sequestrado e colocado no banco de trás de um Sandeiro branco. Foi uma ação muito rápida. Me pegaram na Rua Afonso Pena, próximo a uma clínica odontológica. Devo ter ficado uns 40 minutos dentro do carro. A placa estava dobrada. Eram quatro homens. Um deles tinha arma, provalvemente uma pistola. Falaram que eu tinha que parar de ir para as passeatas, que estavam marcando a minha cara. Disseram que eu ia servir de exemplo para essa corja suja que é o PSOL. E que se eu não parasse, ia morrer — relatou o estudante.

Assustado com o episódio, o jovem disse que vai continuar protestando nas ruas. Ele disse ainda que vem participando de atos contra o governo de Sérgio Cabral e de Eduardo Paes desde o ano passado.

— Já comuniquei à Comissão de Direitos Humanos da Alerj e agora vou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Ministério Público. É claro que fiquei com medo. Mas vou continuar indo para as ruas.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) afirmou que espera uma rápida solução para o caso.

— Eu não conheço o Rodrigo, que é um militante de base do partido. Só me ligaram dizendo que o menino havia sofrido ameaças do tipo: “Vocês do PSOL têm que sair das ruas”. O que me assusta é que trata-se de um caso muito parecido com o (sociólogo) Paulo Baía. Liguei para a chefe de Polícia Civil Martha Rocha e relatei a gravidade da situação.

Em nova enviada ao GLOBO, a Polícia Civil informou que a vítima foi ouvida e que magens da CET-Rio estão sendo solicitadas pela investigação. A polícia acrescentou que os agentes vão “refazer o trajeto que os criminosos fizeram com a vítima”.




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