Stratfor e os serviços de espionagem na atualidade

Até antes da desintegração da URSS, os serviços de espionagem centravam seus esforços em  caçar comunistas. Com o fim do mundo bipolar o poder ficou concentrado nas corporações, de forma que os serviços de espionagem, centram suas baterias na espionagem industrial, econômica, informações sobre empresas. Neste sentido, a Stratfor, uma rede terceirizada de  espionagem econômica,  está bem sintonizada com os novos tempos.

Deu no Inteligência Econômica:

Para Que Servem Hoje os Serviços de Inteligência? 

Com o fim da Guerra Fria e a criação de um novo quadro estratégico global (que substituiu o do mundo bipolar), as funções da Inteligência sofreram também uma alteração radical. O Presidente Clinton percebeu-o imediatamente e agiu em consequência. O “Report on Japan Economy” é o documento da CIA que marca esta viragem, no início dos anos 90.

A Inteligência Económica (Competitive Intelligence) passou assim para o topo das prioridades. Com um orçamento muito substancial… Isto implicou alterações de objectivos e, consequentemente, metodológicas. Já não se tratava de fazer o ‘containment’ ao KGB & Amigos mas de garantir contratos no exterior e protecção contra ‘penetrações’ externas às empresas americanas. Por isso, a grande questão, a questão de muitos milhares de milhões de dólares ou de euros, é: Para que servem hoje os serviços de inteligência?

Porque os governos do planeta, na sua maioria, não procuram já conquistar territórios ou estabelecer o seu domínio sobre populações mas sim construir um potencial económico e uma ‘force de frappe’ comercial capaz de trazer divisas e empregos para o seu território.

Em paralelo, o desenvolvimento da globalização transformou uma ‘amável’, limitada e enquadrada livre-concorrência numa hiper-competição generalizada. E assim chegamos a uma Guerra Económica a que ninguém escapa, mesmo os que a ignoram. Ou, sobretudo, esses são mesmo os que menos lhe escapam… Foi isto que o SIS percebeu (pelo que merece parabéns) quando criou o Programa de Segurança Económica.

Neste quadro (que é, por enquanto, o globalmente vigente) os serviços de inteligência têm de saber trabalhar com as empresas ou então pouco servem… ou mesmo nada. Por isso, criticá-los por criarem pontes com empresas é não só não ter percebido nada como condená-los a ser estéreis repartições públicas. E é, sobretudo,  condenar o Estado a estar numa posição assimétrica muito negativa com as grandes empresas. E digo-vos porquê: um grande empresário (português ou de qualquer outro país ocidental) tem meios para saber tudo sobre o que faz o governo e sobre as contas bancárias e as cores das cuecas de todas as namoradas dos ministros… basta-lhe contratar os serviços de uma qualquer “kroll” (e elas abundam). Do mesmo modo, que pode contratar segurança eficaz (quer para os circuitos de informação, quer física). Nesta, como em muitas outras matérias, o angelismo e as boas intenções formais são garantia de bilhete de ida (sem voltar, tão cedo) para o desastre real.

Bibliografia:

“Deixemos de ser ingénuos” – Alain Juillet sobre o “Caso Renault” e a espionagem chinesaAlain Juillet: Du renseignement économique à l’intelligence stratégique‘Inteligência económica’ está na ordem do dia face à DepressãoChristiam Harbulot: A Guerra Económica

http://inteligenciaeconomica.com.pt/?p=6721

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