A falta de ousadia do governo Dilma

Coluna Econômica - 23/01/2012

Por que os países perdem o bonde da história?

A lógica é mais ou menos recorrente. O tempo da história nacional é muito mais longo que o prazo do mandato dos governantes. Decisões estratégicas levam anos para se consolidar, mostrar sua lógica, ganhar corações e mentes. O reconhecimento se dá através da história, não de imediato.

Já os governantes pavimentam sua gestão por marcas próprias, pessoais, que sejam captadas imediatamente pelo eleitorado e pela opinião pública.

Em alguns momentos, casa o discurso com o rompimento de paradigmas. Foi assim quando Vargas (assessorado pelo Sr. Crise) rompeu com a inércia financeira da República Velha; quando JK completou o ciclo da indústria de base estatal com a atração de multinacionais; quando Fernando Collor brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação que rompeu com a inércia pós-Geisel; e quando Lula desfraldou a bandeira das políticas sociais universalistas, civilizando a irracionalidade fiscal pós-Marcílio Marques Moreira.

Mas ainda não existe no país nem governantes nem grupos de inteligência capazes de definir políticas de longo prazo, institucionalizadas, casando pragmatismo e ações estratégicas, como fizeram os fundadores nos Estados Unidos do século 19.

E se o governante não consegue identificar os fatores portadores de futuro para a etapa seguinte, ou o país fica estagnado nas conquistas do período anterior; ou desanda.

Com Lula encerra-se um ciclo relevante, de início de políticas sociais inclusivas, formação de um mercado interno parrudo, de consumo de massa, uma melhor articulação nos investimentos públicos através do PAC (Programa de Aceleração do Cresciment). Dilma Rousseff teve papel relevante na montagem desse modelo.

Agora, como conceito essa etapa se completou, exigindo apenas continuidade na consolidação.

Dilma se conferiu o papel de consolidar desse modelo, aprimorando as ferramentas gerenciais, reduzindo a margem de manobra da fisiologia. É necessário, mas não suficiente. Se ela não tirar os olhos do dia-a-dia fará um governo morno, mas não um salto à altura da obra de seu antecessor.

É necessário que o círculo próximo da presidência disponha de estrategistas que, apontando o futuro, tire os olhos da presidente da análise exclusiva do dia-a-dia.

Mercado interno robusto é um ativo relevante, mas não é auto-sustentável. É ponto de partida, não de chegada. Pode-se gerar processos de desenvolvimento com políticas sociais inclusivas - que alargam o mercado consumidor - ou com moeda apreciada - que ilude o eleitor.

O bom aproveitamento desse ativo exige a elaboração de estratégias. Sejam quais forem os caminhos, não podem desviar-se do objetivo principal: fortalecer a produção e o emprego internos.

Por fortalecer não se entende meras medidas protecionistas. O protecionismo dos anos 80 legou uma indústria acomodada, provinciana, sem condições de competitividade. Significa estratégias que induzam à competição com produtos importados.

Enquanto não se tem a musculatura, garante-se a competitividade através de um câmbio competitivo. Depois, políticas públicas induzem à busca da gestão, da inovação, das modelagens de venda, das parcerias, do adensamento da cadeia produtiva.

Dilma ainda não se deu conta de que seu governo precisa ir muito além do que meramente consolidar os ganhos da etapa anterior.

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51 comentários
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Nilson Fernandes

Nassif, faz apenas um ano que a Dilma tá no cargo. O governo do Lula foi morno até 2004 para 2005 depois deslanchou. Você está exigente demais. Baita contradição na informação vinda da folha de hoje. Diz que a Dilma têm mais aprovação no primeiro ano de governo que todos os seus antecessores. Eu acho que a Datafolha fraudou esta pesquisa para mais uma vez desmerecer o grande presidente Lula mais uma vez. O Lula saiu com aprovação de 87 % de ótimo e bom, e a Dilma já têm 59 % com esta falta de ousadia que você vê que eu não vejo. Mas pode ter certeza o André Araujo vai concordar com você.

 

Nilson Fernandes

 
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Otaviani

Não há comparação,são situações politicas e sociais distintas.Lula começou um processo de trandformação e aceitação,estava colocando sua locomotiva para começar a andar,tinha tudo contra e a internet não tinha a força que tem hoje.A Dilma ao contrário tem campo para ousar mais,mas politicamente já é um decepção,um retrocesso.Já disse,ela so esta administrando o que Lula,um mestre politico conseguiu,e até neste item,já ela ela tem a reputação de boa getora administradora,mas tem se mostrado mais uma burocrata.Neste caminho é torcer(ela e o PT0 para que não haja consequencias mais graves da recessão que esta se implantando na Europa e EUA,pois ela tera dias muitos dificeis já que com suas atitudes se distanciou e perdeu consideravel parcela de sua base e de setores da sociedade civil organixada.Ela ja enfrenta fogo dos dois lados,mas o bom momento economico a tem blindado,mas até onde vai?

 
 
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Luis Jose Ariosto Pereira Silv ...

E não temos que contestar o gôverno da presidenta DILMA, ordem de presidente não contesta-se, cumpre-se, então temos eh que trabalhar para fazer o melhor, sacrificar-nos pelo país, ok, eh a NOSSA PATRIA QUE PRECISA DE NOS!!!! VIVA O BRASIL E OS BRASILEIROS DE VERDADE

 
 
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Fuhgeddaboudit™

AVE DILMA (VIII)

Creio que faltou no artigo um "estratégico detalhe":

LULA governou 8 anos com o Universo trabalhando a favor dos países em desenvolvimento e, muito especialmente em favor do Brasil, pelo menos durante 6 anos. Lula não aproveitou metade do que podia, o que DILMA, em seu lugar, com absoluta certeza, fariasem comícios demagógicos acalorados e quase diários.

Dilma, sem medo de ser feliz teve a coragem de dar 14% de aumento ao Salário Mínimo, este ano, em parte para compensar os "vis" 6,6% já entabulados no orçamento de Lula, para o início de seu governo.

Dilma está apostando no mercado interno, muito mais do que Lula, porque tem os pés no chão. 

AVE DILMA !!!

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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carioca80

acorda nassif, esse teu discurso do cambio eh totalmente defasado.. a agenda a ser seguida eh exportar bens com inovacao, cambio baixo serve pra exportar commoditties, o brasil nao precisa disso... acorda cara! para de disseminar tanta coisa absurda em materia economica, eh um desservico que vc presta ao brasil ao mal informar os seus leitores!

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Nilson Fernandes (Domingo, 22/01/2012 às 08:18),


Queria fazer um comentário discordando do post de Luis Nassif. Como só vi este post "A falta de ousadia do governo Dilma" de domingo, 22/01/2012 às 08:00 e que consistia da Coluna Econômica dele do dia quando as contribuições já estavam encerrando e já existiam 41 comentários achei melhor ancorar o meu comentário junto a um outro que estivesse na primeira página. O melhor que eu achei foi o de Rui Daher que ele enviou domingo, 22/01/2012 às 10:44. Era um comentário sucinto, mas que continha as mesmas críticas que eu queria fazer a Luis Nassif. Assim, só precisava de reforçá-lo.


Ontem a noite, segunda-feira, 23/01/2012, voltei ao post pois pensei em acrescentar algo ao comentário que fizera a Rui Daher. Só que percebi que havia mais um comentário mas ele não estava na primeira página e sim na segunda página. É que apareceu um comentário de Gutemberg que eu resolvi também comentar. O comentário dele, enviado segunda-feira, 23/01/2012 às 08:57, era um comentário retórico criticando o governo Lula e do PT. Depois de o comentar lembrei que havia mais alguns comentários na primeira página com crítica a Luis Nassif e achei que devia também fazer mais comentários. O problema é que fazendo mais comentários levo o meu comentário junto ao de Rui Daher para a segunda página. Então aproveito este comentário para você para observar que o meu comentário para o Rui Daher foi para a segunda página e para ficar mais de acordo faço depois mais um ou dois comentários de tal modo a levar o comentário de Rui Daher também para a segunda página.


Escolhi o seu para comentar porque em princípio concordo com você em criticar Luis Nassif. Só que eu não faço a crítica por considerar Luis Nassif açodado. Até porque um ano de governo significa um quarto do período governamental, ou seja, não se trata de pouco tempo. Pouco tempo talvez seja o mandato presidencial. Esta é, entretanto, discussão para outro tópico.


E também não concordo que o governo Lula foi morno até 2004 para 2005. Penso que essas afirmações são só retóricas, como o comentário de Gutemberg, agora o antepenúltimo, devendo ficar ainda mais para trás, pois já enviei para junto de um segundo comentário dele um segundo comentário (Enviei meu segundo comentário terça-feira, 24/01/2012 às 11:36 para o segundo dele que foi enviado terça-feira, 24/01/2012 às 08:37 e agora o comentário anterior dele é o anteantepenúltimo). Não há uma avaliação científica que possa comprovar que um governo é morno ou que ele se deslanchou.


E também não há como cientificamente qualificar um governo como bom ou ruim pelo grau de aprovação popular.


E penso que o problema da avaliação de Luis Nassif é que ela está centrada em um único ponto. O governo de Dilma Rousseff não é um governo ousado na avaliação de Luis Nassif apenas porque está deixando o real apreciar. Trata-se de uma opinião personalíssima de Luis Nassif.


De modo técnico não há como dizer que um governo é ousado ou não. E se para efeito de argumentação se aceitasse em dizer que um governo não é ousado, não há na teoria administrativa nada que ateste a superioridade da ousadia como técnica de tomada de decisão. O que é mais ou menos o que Guigo Barros disse no comentário que ele enviou domingo, 22/01/2012 às 08:40, aqui para este post e com o qual você concordou. Pela pertinência transcrevo o primeiro parágrafo do comentário dele em que ele disse:


"Ousadia pode ser manter o rumo, apenas aumentando a velocidade, porque não? Mudar o rumo, de forma brusca, pode nos fazer roçar nas pedras e adernar, no melhor estilo Costa Concordia".


Enfim, concordo com você por criticar Luis Nassif, mas não concordo com a sua crítica.


E lembro ainda outro ponto que eu quero criticar no post de Luis Nassif. Trata-se de criticar à idealização de Luis Nassif de que é possível ser isento. Aliás, quando enviei o primeiro comentário para Rui Daher observei que havia esquecido de mencionar este aspecto nas referências críticas que eu fizera ao post de Luis Nassif. Ia fazer um comentário complementar quando vi que ele iria para a segunda página. Ai então pensei que o melhor seria levar o comentário de Rui Daher para a segunda página. Sendo esta aliás a razão principal para este meu comentário para você. Então será no segundo comentário para Rui Daher que eu deverei falar sobre a questão da crença de Luis Nassif na possibilidade de isenção.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 23/01/2012

 
 
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Assis Ribeiro

E os projetos de:

Roberto Mangabeira Unger - Ministro de Assuntos Estratégicos explica os projetos de longo prazo para o Brasil

..." Desafios - Poderia resumir o seu projeto?
Mangabeira - As iniciativas estão em quatro grandes áreas: oportunidade econômica, oportunidade educativa, Amazônia e Defesa. Em oportunidade econômica, são três as iniciativas principais, que eu estou desenvolvendo em colaboração com os diversos ministros. A primeira é uma política industrial e agrícola de inclusão. A nossa política industrial brasileira, tradicionalmente, está voltada mais para as empresas e oferece a essas grandes empresas, tipicamente, isenções tributárias e condições melhores de acesso ao crédito, até mesmo crédito subsidiado. Mas uma das características estruturais de nossa economia é a predominância absoluta nela de pequenas empresas,de empreendimentos emergentes e muito restritos no seu acesso ao crédito, à tecnologia, ao conhecimento, ao próprio mercado. Aí reside a maior força potencial de nossa economia. Instrumentalizar essa energia empreendedora emergente pode criar um dínamo de crescimento econômico socialmente includente. Esse projeto tem que comportar três elementos. Primeiro,o aconselhamento gerencial ou a formação prática de quadros. Em geral, no mundo essa é a parte mais difícil de avançar, mas no Brasil é a que mais avança, por causa do notável trabalho do Sebrae. Segundo, a ampliação do crédito ao produtor. Não podemos enriquecer só à base da popularização das oportunidades de consumo, com a expansão do crédito ao consumidor. A história mostra o oposto. O fundamental é a democratização do acesso às oportunidades da produção. Isto precede a massificação do consumo. E o terceiro elemento é a transferência de tecnologias avançadas para pequenas empresas e empreendimentos emergentes."...

http://desafios.ipea.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id...

 

“A base para a reconstrução do modelo de desenvolvimento brasileiro está na agricultura”, disse o ministro da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (SPLP), Roberto Mangabeira Unger, durante a 1ª Reunião de Chefes da Embrapa, nessa quarta-feira (13), quando apresentou um modelo estratégico para o setor. Na presença do colegiado máximo da empresa, afirmou que a agricultura precisa ser vista como a manifestação de uma causa nacional e não como a reivindicação de um setor ou lobby."...

http://www.embrapa.br/imprensa/noticias/2009/maio/2a-semana/mangabeira-u...

 

Assis Ribeiro

 
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Assis Ribeiro

Projetos tem, o que não se tem é interesse político por parte dos nossos imediatistas, como pontua muito bem o comenterista alexis.

 

 

Assis Ribeiro

 
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alexis

Boa matéria e bem colocado pelo autor.

Numa forte atividade político-partidária de 2 em 2 anos, é enormemente difícil trabalhar com políticas de longo prazo, com visão estratégica, do tipo China.

Do ponto de vista individual, o político não consegue lidar com atitudes de longo prazo, pela sua supervivência política. O asfalto rápido permite placa e inauguração antes da próxima eleição. Educação, Previdência Social, Infra estrutura, trem de ferro, etc., tudo o que é de longo prazo, fica impossível que alguém se motive a fazer, a não ser isso uma espécie de obsessão de vida.

Do ponto de vista coletivo, da classe política em geral, requer-se então um acordo entre governo e oposição para que, em conjunto, definam-se planos de longo prazo para um país, que ambas as tendências políticas estejam dispostas a cumprir, qualquer que seja o resultado das urnas. Pelo fato de Haddad ser candidato, é obvio que a oposição vai meter o pão na educação e por aí vai. A oposição reclama da saúde, mas corta a CPMF, etc. A oposição reclama de desindustrialização, mas bate palmas quando são demoradas as implantações de hidroelétricas. Isso faz parte do papel da oposição, mas não pode ser isso a razão da sua vida: apenas acabar com o governo atual, ao invés de apresentar planos melhores e ser mais proativo na tarefa de governar.

Agora, da parte do governo popular, ainda Dilma luta com inimigos poderosos, comandados do hemisfério norte, e que mediante os seus tentáculos na imprensa, no poder econômico, no poder judicial, no poder político umbilicalmente unido aos EUA (tucanos), etc. cerca o governo e permite que ele atue na chamada “esquerda possível”, que a trancos e barrancos avança para um futuro melhor.

Acredito que o governo, embora seja chamado de esquerda, procure encontra algum apoio de partidos que, embora não sejam considerados de esquerda, acreditem que a política é feita aqui na nossa terra, entre o Boi vermelho e o azul, celebrando juntos os espetáculos comuns, com esquerdas e direitas de cara conhecida e brasileira, ao invés de dialogar com grupos ditos social-democratas cuja única missão é perpetuar a colonização do Brasil

 
 
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Sergio SS

Bela análise.

Também penso que a fase de consolidação é maior do que todos desejamos, mas necessária. A eleição de 2010 mostrou isto - o poder oligárquico ainda é forte e arregimenta amplos setores da sociedade. Não dá para virar a mesa e o jogo numa paulada só. Lula só se manteve no poder porque não radicalizou nem economicamente, nem retirando algo de interesse maior da "família e propriedade". Esta transição do Brasil atrasado para uma sociedade justa e moderna é mesmo lenta. A ousadia virá gradualmente em doses homeopáticas até 2018. Nisto incluo o avanço de políticos progressistas nos estados e  municípios (começando com Haddad e Padilha em SP), a injeção de novos magistrados no STF, o aprofundamento das políticas urbanas (estatuto das cidades, resíduos sólidos, mobilidade etc., as quais afetam 80% da população), a previdência sob controle, inflação idem, juros por volta de 6%... Sem planos nem milagres.

 

Viver é afinar um instrumento...

 
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Clever Mendes de Oliveira

Alexis (domingo, 22/01/2012 às 08:27),


Tenho opinião semelhante a de Sergio SS que em comentário de domingo, 22/01/2012 às 20:58, elogiou sua análise.


Pode parecer estranho que eu, tendo opinião contrária a deste post de Luis Nassif, faça elogios para quem elogiou o texto de Luis Nassif. Ocorre que você centrou seu comentário na parte boa do texto de Luis Nassif em que ele fala das vicissitudes da democracia. Você apenas detalhou mais essas vicissitudes. Como reforço ao que Luis Nassif disse o seu comentário deveria até fazer parte do post.


Agora penso que essa questão colocada apenas sob o ângulo mais restrito do planejamento (estratégico) como Luis Nassif colocou peca por superdimensionar a importância do planejamento estratégico.


Junto ao post "O Brasil policêntrico" de sexta-feira, 04/11/2011 às 11:31 em matéria de Lilian Milena, no Brasilianas.org da Agência Dinheiro Vivo com o título "País não tem plano para superar desequilíbrios" e que discute as idéias do reitor da Universidade Federal de Minas Gerais, Célio Campolina Diniz, convidado para falar no 16º Fórum de Debates Brasilianas.org, eu enviei quarta-feira, 09/11/2011 às 18:52, um comentário para comentário de Chico Pedro que ele enviara sexta-feira, 04/11/2011 às 12:02. Em meu comentário eu saliento que em uma economia capitalista é limitado o poder que o planejamento estratégico possui para alterar o rumo das coisas. O endereço do post "O Brasil policêntrico" é:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-brasil-policentrico


Não se trata do sistema democrático impondo limites ao planejamento, como Luis Nassif focou e você aprofundou um pouco mais, mas sim de limitações decorrentes do sistema capitalista. A dificuldade de planejamento no sistema capitalista é muito grande. E o regime democrático só aumenta a incerteza sobre o futuro, reduzindo ainda mais o poder do planejamento estratégico.


Embora provavelmente o homem nunca vá poder estabelecer de modo científico a superioridade de um regime político sobre outro penso que a democracia tem uma probabilidade maior de se constatar como um dos regimes menos propícios para criar uma sociedade melhor.


A vantagem da democracia para quem defende a igualdade é ela já partir da igualdade do direito ao voto. Sei o quanto o poder econômico destrói essa igualdade, mas considero que vale à pena ir construindo, ao longo do tempo, democraticamente uma sistemática de proteção contra a destruição da igualdade eleitoral que o poder econômico causa.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 24/01/2012

 
 
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Guigo Barros

Ousadia pode ser manter o rumo, apenas aumentando a velocidade, porque não? Mudar o rumo, de forma brusca, pode nos fazer roçar nas pedras e adernar, no melhor estilo Costa Concordia.

Os motivos citados pelo Nassif, no 3o parágrafo, ocorreram com o país e a sociedade em crise:

1. Getúlio procurando superar o esgotamento da política café-com-leite e as crises da década de 1920;

2. JK estabelecendo novas metas para conter o golpismo neo-fascista e o trauma pós-suicídio de Getúlio.

3. Collor desesperado com a inflação alta e despreparado para orientar a nação com o fim do período ditatorial.

4. Lula enfrentando o desafio deixado pelo marasmo neo-liberal da desastrosa gestão FHC.

De qualquer forma, a moça está apenas há 1 ano no comando; que boas surpresas (assim espero) não poderão vir nos próximos 12 ou 24 meses?

Passamos o ano de 2011, que foi desafortunado para a maioria dos países, de forma mais ou menos incólume; pode ter sido sorte, mas pode haver alguma dose de competência também. Aguardemos então...

 
 
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Nilson Fernandes

Guido, boa colocação. Sem falar nas cascas de banana que o PIG  jogou no caminho do Lula durante os oito anos !

 

Nilson Fernandes

 
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Clever Mendes de Oliveira

Guigo Barros (domingo, 22/01/2012 às 08:40),


É isso. Valeu pelo questionamento da ousadia, valeu pela lembrança de que passamos mais ou menos incólume pelo ano de 2011 (sendo a criação líquida de emprego o melhor que um governo tem a oferecer para os que realmente precisam) e valeu também pela dúvida lançada sobre razão para a incolumidade de 2011. Teria sido sorte ou teria sido competência?


Fez-me lembrar de um artigo que li há muito tempo e me arrependo de não ter feito o recorte da matéria. Provavelmente li o artigo no antigo jornal Gazeta Mercantil em 1992, quando os Estados Unidos iniciaram a recuperação da crise dos fundos de pensão que começou no final do governo de Ronald Reagan. O filme Wall Street (O primeiro apesar de ser de 1987) já refletia a crise. A recuperação que se iniciara em 1992 veio muito tarde e não permitiu a reeleição de George Herbert Walker Bush, o pai, que ainda teve a infelicidade de um candidato da direita, Ross Perot, ter tirando votos dele.


A autoria do artigo também me foge a lembrança. Atualmente penso na autoria como se fosse de Ted Schultz (Theodore William Schultz (April 30, 1902  – February 26, 1998) was the 1979 winner (jointly with William Arthur Lewis) of the Nobel Memorial Prize in Economic Sciences). Na verdade devo ter feito confusão e guardado na memória como sendo de autoria de um secretário do Tesouro do governo de Richard Nixon. Se fosse seria de George P. Shultz que foi secretário do Tesouro de 12/06/1972 a 08/05/1974. Embora George Pratt Shultz fosse professor de economia em escolas famosas e tenha sido secretário do Tesouro, creio que a forma técnica de exposição do tema do artigo e o fato de que o artigo estava mais voltado para a macroeconomia e para a teoria do crescimento econômico, que não era a área de atuação de George Pratt Shultz, mais voltado para a economia industrial, indicam que o artigo era de Theodore William Schultz.


Bem do que eu gostei mais no artigo foi a ceptitude com que quase todas as possibilidades eram lançadas. Ele dizia que a economia americana parecia que ia se recuperar. Em seguida ele afirmava que podia ser. Mais a frente dizia que a recuperação americana poderia arrastar a economia da Europa. E mais à frente, ele colocava de novo a dúvida: pode ser. Dúvidas que hoje são cada vez mais ausentes nos economistas de renome (Como era o caso de Theodore William Schultz) ou nos economistas executivos de destaque (Como era o caso de George Pratt Shultz). E creio que a similitude da situação da crise dos Fundos de Pensão no final do governo de Ronald Reagan e a crise dos super financiamentos no final do governo de George Walker Bush, o filho, e também o início da recuperação americana agora no governo de Barack Obama, bem que merecia a reprodução do artigo.


Não concordo com Luis Nassif defender que Fernando Collor "brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação que rompeu com a inércia pós-Geisel". Abordei essa divergência em comentário que enviei segunda-feira, 23/01/2012 às 01:13 para o comentário enviado domingo, 22/01/2012 às 10:44, para Rui Daher aqui no post "A falta de ousadia do governo Dilma". Lá eu faço referência ao post “A oligopolização, sob Thatcher” de 03/02/2009 às 10:00 no antigo blog de Luis Nassif no IG e que infelizmente não mais existe e fiquei de ver se dava para mandar um esclarecimento sobre o post “A oligopolização, sob Thatcher” em comentários que eu pretendo enviar para o post "André Lara Resende, o demiurgo de uma nota só" de sexta-feira, 20/01/2012 às 11:33 deixando inclusive o endereço do post em meu comentário.


Questiono o Luis Nassif, mas não a sua referência porque você situou a frase de Luis Nassif sobre a abertura comercial de Fernando Collor de Mello ao momento de crise em que o país vivia. Não há dúvida que naquele momento o Brasil atravessava uma grande crise.


Crise, entretanto, que deve ser bem delineada e delimitada. Durante o governo de José Sarney de cinco anos, o Brasil apresentou uma taxa de crescimento econômico maior do que os 8 anos do governo de Fernando Henrique Cardoso. E o saldo na Balança Comercial em 1989 foi de cerca de 19 bilhões de dólares. O país voltava a ficar em dia com a dívida externa. A crise toda estava concentrada na inflação totalmente descontrolada, processo que se iniciou com as ações de Andre Lara Resende e Pérsio Arida em 1986. Creio que se tivéssemos tido paciência - e este parecia o caminho que Marcílio Marques Moreira tomara quando assumiu o comando do Ministério da Economia ainda no governo de Fernando Collor de Mello e iniciou um combate contínuo à inflação - poderíamos ter resolvido o total descontrole inflacionário de forma favorável ao Brasil. O problema é que a democracia não dá espaço para a paciência.


O senão que eu vejo no seu comentário foi que de certo modo, com a sua referência sobre a situação de crise praticamente você endossa a afirmação de Luis Nassif de que Fernando Collor de Mello "brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação que rompeu com a inércia pós-Geisel". É verdade que Fernando Collor de Mello "brandiu o discurso da abertura e da desregulamentação”, mas só foi isso que Fernando Collor de Mello fez.


É possível fazer um livro para negar que houvesse inércia no governo pós Ernesto Geisel. Não seria inédito porque Antonio Barros de Castro já o fez isso com o livro “A economia brasileira em marcha forçada”. Agora, nada impede que alguém com o conhecimento de Luis Nassif venha a lançar um livro comprovando que a economia brasileira naquele período sofresse de inércia. Os dados estatísticos estão ai disponíveis para validar qualquer tese.


Supondo então que houvesse essa inércia, afinal em 1979 Paul Volcker assumiu a presidência do FED e elevou o juro às alturas e com isso deixou todas as economias da periferia em petição de miséria, praticamente paralisadas. É bem verdade que a máxi desvalorização de 1983 permitiu a recuperação da economia brasileira que só foi interrompida pelo fatídico Plano Cruzado. Havendo então esta inércia, o que poderia ser apresentado como prova de que Fernando Collor de Mello interrompeu essa inércia?


Talvez a prova fosse a frase de Fernando Collor de Mello de que os carros brasileiros são uma carroça. O mundo de Fernando Collor de Mello era só retórica.


O post “A oligopolização, sob Thatcher” originou de um comentário de Pedro, um comentarista vivenciando estudos acadêmicos, em que ele refutava a defesa que Luis Nassif fazia do governo de Margaret Thatcher com base em ela ter feito campanha prometendo pulverizar o capitalismo via a venda de ação para a população. Segundo Pedro, a fala de Margaret Thatcher era só retórica, pois ao final do governo dela o capitalismo inglês estava ainda mais concentrado.


Eu aproveitei o post para mostrar que também no Brasil, Fernando Collor de Mello abusou da retórica. E evidentemente com muito mais carisma do que a Margaret Thatcher. O exemplo que eu dei foi o carro Uno. Começou a ser fabricado ainda no início do governo de José Sarney em 1985 e ainda hoje, com um modelo muito semelhante ao daquela época, é um dos carros mais vendidos no Brasil. A pergunta a se fazer a Fernando Collor de Mello após a frase de que “os carros brasileiros são uma carroça” é: "para quem cara pálida?"


No fundo acho que vai demorar muito até Luis Nassif perceber que Fernando Collor de Mello foi muito menor do que Luis Nassif tenta dar a entender. Aliás, Luis Nassif trata tão equivocadamente o governo de Fernando Collor de Mello que depois de elogiar Fernando Collor de Mello pelo que ele não fez, Luis Nassif acertadamente faz referência ao período pós Marcílio Marques Moreira como sendo um período de incivil irracionalidade fiscal. Acertadamente, mas de maneira injusta. Injusta porque se o pós não incluir o período em que Marcílio Marques Moreira era ministro da Economia, ele não apresenta a realidade da economia sob Marcílio Marques Moreira tal como ela é. Sim, no período de Marcilio Marques Moreira também havia incivil irracionalidade fiscal.


E é injusta também se incluir o período de Marcílio Marques Moreira no período de incivil irracionalidade fiscal, porque não tendo Fernando Collor de Mello matado o dragão da inflação com uma só bala,  mas tendo permitido que o cruzeiro, moeda que substituiu o cruzado, valorizasse-se em razão da ausência do cruzeiro da economia, em virtude do confisco e tendo que devolver os recursos confiscados não poderia Marcílio Marques Moreira resolver todos os problemas e ainda dar civilidade à arrecadação e aos gastos públicos.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 24/01/2012

 
 
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Nilson Fernandes

Nassif ,eu enxergo o governo da Dilma com o coração e você com a razão. É isto.

 

Nilson Fernandes

 
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armando botelho

Registre se ai na coluna o esquecimento do governo que deu estabilidade ao país , com o real , justo quando uma inflação arrastava nossa economia para o precipício . E esta estabilidade que propiciou ao governo Lula mais tranquilidade      , mais que falhou em não executar as reformas , quando tinha todas as possibilidades para isso com um panorama econômico favoravel como nunca, arrastado pela locomotiva China . Junte se a isto o esquecimento da nossa infraestrutura rodoferroviária e portuária que esta em frangalhos .  Acrescente se ai o esquecimento de investimento na educação que nos deixou sem mão de obra especializada , e pode colocar tambem o saneamento básico em que poucas cidades tem redes de esgoto e água tratada . Mas os donos de bancos não tem nada a reclamar pois nunca ganharam tanto dinheiro.

 
 
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Guigo Barros

Ninguém esquece o Governo de Itamar Franco, que legou ao país o Plano Real.

Se o FHC não soube aproveitar: incompetência dele.

O Lula soube como fazer uso desse recurso.

 
 
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alexis

é verdade!

Ninguém esquece ao vice-presidente que deu as costas para o Collor, numa campanha injuriosa e premeditada pelo mesmo PIG que deu a ele a faixa de presidente a ao Itamar de vice. Foi seduzido pelo poder, que virou machão em duas semanas de colaboração da mídia, que seguindo instruções do consenso de Washington colocou ao farol no Ministério da Fazenda para aparecer turbinado e pegar o governo na próxima eleição.

Saiu magoado ao perceber que foi bobo útil e tentou resistir em Minas, de onde não devia ter saído.

Se Collor concluísse o governo, dava Brizola na cabeça em 1994. Mas, deu no que deu, privatizaram a VALE e outras coisas.

Boa sua lembrança, é para não esquecer mesmo!

 
 
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Guigo Barros

Houve uma clara ironia, em minha resposta ao postador acima, relacionada ao FHC e sua propalada paternidade do Plano Real, usada à exaustão pelos tucanos e simpatizantes.

Abs.

 
 
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Omar Gonçalves

Guigo sua colocação em relação ao Itamar é perfeita, mas os outros créditos são realmente de FHC. Transcrevo as palavras de seu autor (Botelho) que deixam claro o desmonte do Estado e a entrega de setores estratégicos por Privatas Tucanos a bandos de ...
Isso sim é a obra de FHC !!!

"Junte se a isto o esquecimento da nossa infraestrutura rodoferroviária e portuária que esta em frangalhos. Acrescente se ai o esquecimento de investimento na educação que nos deixou sem mão de obra especializada , e pode colocar tambem o saneamento básico em que poucas cidades tem redes de esgoto e água tratada ." 

 
 
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ed.

Eu ia rebater ponto a ponto suas bobagens amestradas (ex. juros FHC >  42% x Lula 8,5% ), mas para quê?

Leia o resumo do Guigo, que desinfeta melhor sua lavagem cerebral miRdiática feita com tradicional água de esgoto...

 
 
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robertog

Acho um pouco tradicionalista demais essa visão de marasmo na política industrial. O atual governo opera uma política insdustrial através do BNDES e da Finep. NO quesito inovação, principalmente através dessa última. A armadilha do câmbio & juros está sendo enfrentada. Em ambos os casos, muita gente pode achar que falta ousadia. Qua as coisas poderiam ir mais rápidas e profundas; que essa política ataca o problema de maneira indireta e mesmo oblíqua.Mas acho que esse raciocínio não leva em conta os aspectos sociais e políticos desse imenso país que somos. Temos um federalismo razoavelmente funcional e uma bela democracia e isso significa também que qq tentativa de concentrar recursos numa área geográfica ou econômica é contra-atacada sistematicamente pelos representantes das outras que podem, por vezes, construir coalizões obstrucionistas bem sucedidas através do congresso, das várias esferas da burocracia estatal, da opinião pública, etc...  Sinceramente, prefiro esse jogo complexo a qq tentação simplificadora que implique em dominuir os contra-pesos existentes da razoável democracia que já temos. Nçao somos nem China nem Coréia do Sul, e nem queremos ser.

 
 
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Clever Mendes de Oliveira

Robertog (domingo, 22/01/2012 às 09:44),


Concordo bastante com você, mas não creio que se pode dizer que "a armadilha do câmbio e juros está sendo enfrentada". Penso mesmo que Luis Nassif tem razão em se preocupar com o câmbio, principalmente em um momento em que se vê tanto brasileiro viajando ao exterior e mesmo assim o real esteja vagarosamente se apreciando.


Não dou razão a ele é em qualificar a ação do governo diante da apreciação do real como prova de falta de ousadia (Supondo que a ousadia seja um atributo quantificável e expressasse uma qualidade de um governante).


Agora, em meu entendimento, o governo tem duas razões para agir com o câmbio como está agindo no mês de janeiro. Primeiro, o governo sabe que em janeiro haverá repercussão do aumento do salário mínimo nós índices de preços. Até porque o próprio salário mínimo compõe os índices de preços. Assim, o governo não quer deixar que além do salário mínimo, o câmbio nesse início de ano eleve bastante os índices de inflação. Assim, é melhor deixar para abril para iniciar a recuperação do dólar.


E segundo porque o governo considera que haverá um momento no futuro em que a economia americana se recuperará com mais vigor. A recuperação americana elevará a taxa de juros, para evitar a volta da inflação. O aumento da taxa de juro do FED vai provocar fuga de capital nos países da periferia e ao mesmo tempo haverá redução dos preços das commodities que sempre foram muitos sensíveis à taxa de juro que o FED cobra. Assim quando o real depreciar ou mesmo desvalorizar, o processo não será tão inflacionário porque haverá uma queda no preço das commodities.


Na avaliação do governo então é melhor deixar para depois o esforço de equilibrar o câmbio. E que fique claro, deixar para depois e não para as calendas gregas.


Clever Mendes de Oliveira


BH, 24/01/2012

 
 
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Rodrigo Medeiros

Falta ousadia para fazer o quê? Dilma se coloca como uma espécie de mandatária tampão que veio para fazer aquilo que outros não tiveram peito fará executar. Pretende aprovar em regime de urgência e com o rolo compressor da base governista o novo regime de aposentadoria dos servidores públicos federais. Tal medida será rebatida em estados e municípios.

Aumentará a corrupção nos serviços públicos pelo fato de se aumentar a incerteza na aposentadoria?

Segundo Gilberto Guerzoni Filho: "Em todas as hipóteses, o servidor vai se aposentar recebendo menos".

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/01/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1098783-gilberto-guerzoni-filho--em-todas-as-hipoteses-o-servidor-vai-se-aposentar-recebendo-menos.html

Afinal, Dilma não leu o livro do Amaury Ribeito Jr.?

 
 
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DanielQuireza

Rodrigo, ainda não entendi porque voce é contra o fundo complementar de aposentadoria pública que está para ser criado. Não tem nada demais, é semelhante ao Previ, Funcef, Petros e outros das estatais, onde os servidores se aposentam com altos salários, muitas vezes até mais altos do que quando trabalhavam.

Voce acha justo, que um servidor trabalhe apenas 10 ou 15 anos em determinado cargo ( para o caso de quem prestou concurso tardiamente) e se aposente com os vencimentos integrais ? Isso não é razoável, Rodrigo, não podemos fugir da realidade.

O regime de aposentadoria em qualquer pais deve ser algo alto sustentável. Não existe e nem pode existir milagre, a pessoa que deseja uma aposentadoria melhor que quando está trabalhando tem que poupar, não existe outra alternativa. No fundo complementar, ao final, cada um vai ter o que contribuiu mais o que o Estado botou, é justo. Isso fora o teto do inss. Se a pessoa trabalhou apenas 10 ou 15 anos vai ter menos, é claro. Mas se trabalhou 30 ou 35 anos, pode ficar tranquilo que dificilmenta ela ganhará menos do que quando trabalhava.

 

@DanielQuireza

 
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DanielQuireza

" O problema em relação ao fundo é que o governo está apresentando a proposta com uma rentabilidade exagerada"

Pode até ser que sim, Rodrigo, já que não foi dado ao ser humano o dom de prever o futuro, não tem como sabermos a rentabilidade futura de algo, é simplesmente impossível, até na dita "renda fixa" é impossível.

De forma que todos os cálculos atuariais levam em conta alguma projeção.

Então o que sujere o nosso amigo, que se as rentabilidade reais se mostrarem inferiores ao que o governo projeta, o restante do País que subsidie as aposentadorias integrais dos funcionários públicos , seria isso ? Deles, que por ter estabilidade no emprego podem muito bem se planejar melhor e poupar ? Eu não acho que isso seja justo. Sinceramente, não acho.

 

@DanielQuireza

 
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José Eduardo Silva

Prezado Daniel, você conhece o projeto de lei as injustiças postas no incisos e parágrafos do texto?

O projeto em nada se assemelha aos Fundos da Caixa, do Banco do Brasil e da Petrobrás. Nestes fundos, as empresas estatais depositam no fundo o valor de R$2,00 para cada R$1,00 depositado pelo empregado público, no projeto de lei que tramita a contribuição do Estado está limitada a 7,5% da contribuição do servidor, ou seja R$0,75 do Estado para cada 1,00 do servidor. Ademais, a administração do fundo será realizada por banco privado, tal possibilidade está nos detalhes dos incisos. Em outras palavras, a gestão do fundo de recursos públicos será privada entregue as grandes instituições financeiras.

Este projeto de lei pode ser mais nefasto para o serviço público no Brasil do que a onda de demissões do Governo Collor ou o desmantelamento do Estado de FHC.

Ao reconhecer a contribuição do Estado para a Previdência Complementar, diga-se limitada a 7,5%, como Despesa de Pessoal, o gasto com servidores dá um salto absurdo e extrapola de longe os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. O resultado imediato e completa paralisação da recomposição da mão de obra estatal e a imediata colocação em disponibilidade dos servidores não estáveis, pois torna-se obrigatório retornar aos limites estabelecidos pela LRF.

Não entendo a delegação de competência da Presdenta para os articuladores do plano na Casa Civil, pois vai de encontro a toda a política implementada pelo Presidente Lula, combatida por Palloci, e apoiada pela chefe da casa civil, Dilma.

É um retrocesso, voltaremos ao tempo do Estado Mínimo e o desmantelamento do pouco que foi reconstruído da burocracia estatal. Sobre a adequação da quantidade de servidores do Estado Brasileiro recomendo a leitura de estudos do IPEA a exemplo do "Emprego Público no Brasil" ou algo semelhante.

Daí as críticas ao novo projeto.

Vejo com frequência, críticas as aposentadorias dos servidores públicos, acho algumas justas pelas distorções e regras esdrúxulas do passado, e outras inclusive ainda, infelizmente, presentes. Contudo, a discussão, em regra, contém meias verdades que se tornam mentiras inteiras. Pense, no seguinte exemplo, um engenheiro recém formado passa com 24 anos no curso de auditor federal da receita federal, dos 24 anos até aos 65 anos terá 41 anos de contribuição no valor de 11% de sua remuneração, ou seja do total de seus proventos, se pensarmos que o salário incial é de R$13.000,00, ele contribuirá com R$1430,00 mensais durante 41 anos. Se aplicarmos tais recursos em títulos do tesouro, certamente ao final de sua vida profissional , caso não tivesse contribuído para a sua aposentadoria e sim aplicado em títulos do tesouro, estaria numa situação financeira muita mais confortável do que o recebimento das aposentadorias.

Sei que existem milhares de outros exemplos a demonstrar o déficit das contribuições dos servidores, mas entendo que se deve corrigir as distorções e não sacrificar ainda mais aqueles já penalizados, que numa análise perfunctória aparentam ser os marajás e beneficiados do sistema e na verdade não o são.

Outro ponto que os formuladores do projeto não admitem discutir é a opção do servidor já no serviço público em optar pelo novo regime, ou seja, limitado ao teto do INSS, contudo ter todos os valores, que excedam o teto do INSS, de suas contribuições devolvidas pelo governo, por óbvio atualizadas monetariamente e com os juros dos títulos do governo.

Em qualquer assunto, sempre se tem que demonizar alguém, no caso da previdência os eleitos pela mídia vendida e que quer o Estado Mínimo e o entreguismo total, os eleitos foram os servidores públicos. Afinal, sem servidores, ou mesmo com servidores mal remunerados do Departamento Nacional de Produção Mineral, empresas que não extraem uma grama de minério pode ser dona de concessões no território nacional superiores as da Vale. Ou, ainda, sem servidores ou com servidores mal remunerados e desqualificados as agências reguladoras, inclusive, aquelas que deveriam regular e fiscalizar os grandes conglomerados nunca terão estrutura para tanto.

O atual PL se amolda muito mais a governos "liberais" e entreguistas dos as propostas derrotadas nas urnas nos últimos 12 anos.

 
 
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Eduardo Ramos

"Dilma ainda não se deu conta de que seu governo precisa ir muito além do que meramente consolidar os ganhos da etapa anterior."

Nassif, isso é o cúmulo da especulação! E você pelo visto acredita mesmo nisso - rs - é seu terceiro ou quarto post com a mesma premissa: uma certa falta de visão a longo prazo e/ou ousadia da presidente Dilma principalmente em relação à apoio às nossas indústrias e um câmbio mais favorável.

Porque não pesa os fatores marcantes do primeiro ano de mandato de Dilma?

1 - Uma mídia ainda mais atuante e obsessiva do que no governo Lula - no sentido específico de trazerem uma quantidade absurda (muitos factóides...) de "problemas" do governo à tona, fazendo com que o governo se exaurisse de tanto trabalhar para dar conta de tantos "escândalos". Foi um massacre, esse governo quase não pôde governar! E aí não vale o argumento de que "o governo não pode se deixar pautar pela mídia", porque ninguém governa sem sustentação político-social e a sociedade comprou essa ideologia da mídia, de havia um "mar de lama" e a presidente teria que realizar a tal faxina. Já mensurou o peso disso tudo num PRIMEIRO ANO, de uma sucessora DO LULA? - ou seja, "tendo que dar certo" já que pegou um país "azeitado"?

2 - Lula aquiesceu com mídia/mercado na questão dos juros e câmbio. Foi esse o ambiente que o governo atual encontrou. Mas o trio Dilma-Mantega-Tombini, com muita habilidade na minha opinião, começou a desmontar a argumentação "nosense" contra a baixa dos juros, e lutaram até chegar o momento ideal para iniciarem ese movimento - que, parece irreversível. Os juros vão chegar próximo ao "civilizado".

3 - Não sei porque você não consegue enxergar, se não os sinais claros, tudo bem... mas os INDÍCIOS RAZOÁVEIS de que a espinha dorsal desse governo olha para essa direção, sim! Câmbio favorável, apoio às indústrias, melhora na educação, sem perder o foco em tudo o que já foi plantado e modificado por Lula - e que seria trágico perdermos.  Não te parece, Nassif, que o governo pode estar não SEM A VISÃO, mas "tateando", por cautela, atrás das MELHORES DECISÕES PARA SE CHEGAR LÁ...? Intervir no câmbio, pode ser trágico, dependendo do modo como for feito. Apoiar a indústria sem impedir a saudável concorrência, enfim, o governo tem lançado um "pré-discurso" que parece progressista, mas acho irreal não darmos o desconto de um primeiro ano massacrante, que se esvazia agora, principalmente com o principal nome "deles", destroçado com o livro do Amaury Ribeiro Jr.

Eu peço a Deus que você escreva um post lindo daqui a três anos, dizendo que "após indícios de que desejava mudanças no primeiro ano de mandato, finalmente a Presidente REALIZOU..." - rs.  Ela vai chegar lá...     Abraço!

 
 
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alfredo machado

Caro Eduardo Ramos:


Quando um governante trafega em céu de brigadeiro, com índices de aceitação nas alturas e sem qualquer tipo de oposição minimamente qualificada, o contraponto precisa aparecer de algum lugar, e quando este vem de quem a apóia, melhor ainda. Governo sentado nos louros do sucesso, sem ser incomodado de modo consciente, nunca foi bom prá ninguém.


Quanto ao que ocorreu de bom ou ruim no ano passado, já passou, pois governante pragmático, o caso da presidenta, só deve olhar prá frente.


Um abraço  

 
 
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Eduardo Ramos

Alfredo, você citou, na minha opinião, a única justificativa compreensível para o Nassif insistir nessa linha de posts/pensamento. Claro que tem que haver o contraponto, a oposição no Brasil - e isso não é bom para ninguém... - levou "um tiro no coração" com o "Privataria", já que a mídia arrogante e tola botou todas as suas fichas, NUNCA EM IDÉIAS, mas apenas em um homem: Serra! Ora, abate-se esse único "ser iluminado" e a oposição fica mais capenga do que já estava. Bem, contraponto por contraponto, fiz o meu... - rs. Abraço!

 
 

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