Aloysio Nunes ofende repórter da Rede Brasil Atual

Por Wilson R. de Campos

Do Nota de Rodapé

Repórter do NR e da RBA é ofendido por senador do PSDB  

João Peres, nosso colaborador do NR e repórter da Rede Brasil Atual, profissional da mais alta competência teve ontem uma experiência desagradável e desrespeitosa. Ele estava na cobertura do debate entre os presidenciáveis da Record, na noite de ontem, e na entrada da emissora, como todo repórter faz e é da profissão, foi conversar com os políticos que chegavam para acompanhar o evento. O senador eleito por São Paulo, do PSDB, Aloysio Nunes, amigão do Serra, foi abordado pelo repórter que fazia a cobertura para a Rede Brasil Atual, que pertence ao mesmo grupo da Revista do Brasil, censurada recentemente pelo partido do senador em questão. Era perto da hora do debate, que começou às 23h, quando o senador eleito com mais de 11 milhões de votos indagou ao repórter:

élig- é ligada a quem essa revista?
- aos sindicatos
- que sindicatos? - falou a assessora do lado dele
- bancários, metalúrgicos, químicos...
- pelego, você é pelego - falou o senador
- não podemos conversar, senador?
- pelego. sua revista é financiada pelo PT...
- e a Veja, quem financia, senador?
- pelego
- que educação, senador
- pelego filha da puta. pelego filha da puta!

João me escreveu: "foi assim, gratuito. fiquei passado, triste mesmo. não que não devesse esperar isso, mas agora vai ser isso, vou ser rotulado logo de cara pelo veículo em que eu trabalho? ninguém associa a tucano-demo logo de cara um sujeito que trabalha na folha? uma noite horrível." Digo o seguinte: é preciso que os políticos respeitem o trabalho dos jornalistas. Esse clima de guerra entre PT e PSDB está doentio. João Peres é um trabalhador, um empregado de um veículo que, sim, tem ligações com os sindicatos. E daí? Isto é público e notório. Nada está escondido.

Pergunto ao distinto senador: todos os metalúrgicos, químicos e afins são "filhos da puta", então? Eu sou "filho da puta" também, pois apesar de não ser petista, trabalhei na revista durante um ano. Eis mais um absurdo que se tornou estas eleições. Lastimável.

"A Editora Atitude, que publica os dois veículos (Rede Brasil Atual e Revista do Brasil), condena a postura do senador eleito e entende que liberdade de expressão não é agredir verbalmente quem está em seu direito constitucional de exercer a liberdade de imprensa, muito menos a função de um representante de um Estado no Senado Federal", diz o diretor da editora, Paulo Salvador.

Thiago Domenici, jornalista 

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114 comentários
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Antonio G.

Após toda a propaganda eleitoral e sua eleição serendípica, o povo de São Paulo começa a conhecer o caráter do Senador Nunes, amigo do peito e bolso do sr. Paulo Preto.

 
 
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Fernando Souza Jr.

Desculpe Antonio, mas acho que você está sendo ingênuo. Aposto que 90% das pessoas que elegeram esse cidadão para o senado da República aprovariam as palavras que ele dirigiu ao repórter. Para eles, todo mundo que não vota no Serra é petista. E petista, no dicionário deles, é filho da puta sim. Ou, melhor definindo, são as pessoas que querem o "mal do Brasil", nas já históricas palavras do editorial do Estadão. Infelizmente, essa é a verdade nua e crua.

Via de regra, o eleitor de Serra e Aloísio Nunes, aqui em SP, é o eleitor do ódio, do preconceito e do rancor.    

 
 
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Carlini do Linux

Isso é fato, fui chamado de fdp safado, e culpado pelas merdas do Brasil apenas por ter defendido o voto dilma 13 em uma rede social.

 
 
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Rodrigocg

Concordo 90% com você Fernando.

90% porque acho que 90% do eleitorado do 'tea party' paulista é isso mesmo que descreveste, mas talvez uns 10% sejam pessoas que tenham votado neles por algum motívo espúreo. Falta de afinidade com o PT, medo do PT (sei lá porque), receio de quebra de continuidade do governo que enxergam bom, etc.

Você há de convir que muitas pessoas só recebem informações favoráveis a respeito dessa turma.

Agora é que a mídia nacional alternativa está tendo espaço, por conta das eleições presidenciais, paradivulgar as falcatruas dessa turma.

Os veículos de comunicação paulistas blindam essa gente, por motivos óbvios, o que torna difícil às pessoas terem opiniões mais despoluídas e com base em fatos reais.

Eu acredito, sinceramente, que se isso tudo tivesse vindo à tona antes do 1º turno, Alckmin e Aloysio Nunes teriam mais dificuldade em se eleger.

Mas tudo bem, é bom que eles existam, assim podemos lembrar sempre que existe um perigo rondando. Azar dos paulistas, escolham melhor da próxima vez.

 
 
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Mary

Olha Fernando e Rodrigo, dou razão ao que vcs dizem...

Mas remeto aqui àquele vídeo do Nassif, postado ontem, salvo engano, quando ele dizia que o que sobrará dessa eleição - a pior de todos os tempos - é o ódio fomentado pela imprensa, que dividiu o país: e nós (brasileiros, todos) não merecíamos isso...

Há muito tempo atrás, quando estudava História, em particular a época do nazi-fascismo  europeu e o período da ditadura militar aqui no Brasil, ficava assustada em ler em alguns livros os editoriais dos jornais da época (dentre eles, a Folha, O Globo e cia), ficava assustada com o "clima plantado" pela imprensa udenista e como isso tudo foi redundar num regime sangrento, onde os direitos mais básicos foram violados; ficava me perguntando o que levaria um vizinho aparentemente pacato "dedurar" o filho da vizinha por, supostamente, ser "comunista", mesmo sabendo que isso poderia significar entregá-lo para a morte; ficava impressionada me perguntando como uma parcela letárgica da população poderia acreditar em tudo o que a imprensa dizia para derrubar um presidente popular;  com o esforço que a imprensa fazia (e faz) para sabotar a mera tentativa de se implementar políticas sociais; ficava enojada com o egoísmo dessas elites que tinham por porta-voz essa imprensa venal.

E hoje, tenho medo, pois vejo que essa imprensa não mudou. E esse clima que serve de base para agressões como a desse sujeito eleito senador, esse clima que sobe à cabeça do eleitor típico de José Serra, que acha que bolsa-família é sinônimo de dar dinheiro para vagabundo e acredita que movimento social é questão de polícia, esse clima foi fomentado por essa mídia golpista - cujos métodos, infelizmente, conhecemos de longa data.

O PIG de ontem se referia a Jango com impropérios impublicáveis que poderiam fazer corar o mais deseducado dos seres. A Veja, hoje, trata o Presidente como "chefe de facção". Chama Carlos Marighela de bandido.

E há quem chame Diogo Mainardi, que me dá ânsia de vômito, de jornalista!!!

E o que é mais triste é que tem gente que acredita no que é veículado no PIG. Que lê esse lixo. Que cresce lendo isso e dificilmente mudará de opinião, pois levaram "injeções" de egoísmo desde muito cedo...

Infelizmente o nível de percepção do brasileiro é baixo e isso independe de classe social e remuneração. Prova disso é a divisão que essa imprensa conseguiu fomentar - que é resultado de um trabalho sujo, mas articulado e minucioso, que não começou hoje...Começou assim que se deram conta que a era do tucanato havia acabado, em 2002: era preciso sabotar a todo custo um governo com tendências sociais. Taí o resultado da sabotagem...

Vale a pena rever o vídeo sobre o PIG:

http://www.youtube.com/watch?v=KxpP5F7NF5g

 
 
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josé justino de souza neto

Uma beleza seu texto, Mary. Este texto merecia um post aqui no blog.

 
 
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Sanzio

O pior, meu caro, é que dos 10% restantes muitos votaram na Marta e nesse cangaceiro de Rio Preto. Amigos meus que sempre se identificaram com o PT recusaram-se a votar no Netinho por puro preconceito. Diziam, ah, no Netinho não dá, nem tapando o nariz. O cara bateu na mulher, é pagodeiro, etc.

Cheguei a mandar-lhes a matéria do Estadão em que a repórter relata como ele avançou sobre o Tasso Jereissati na sala de FHC no Palácio do Planalto em dezembro de 2001. Não que o coroné cearense seja melhor que ele, mas o episódio demonstra bem quem é esse sujeito.

Agora vamos aguentar 8 anos esse traste, um substituto autêntico do Arthur Virgílio, como disse a comentarista maria nadie logo abaixo.

Abaixo o trecho da referida matéria:

“Eu vim aqui comunicar que não serei mais candidato a presidente. Estou saindo fora”, disse Tasso ao presidente Fernando Henrique. Era dezembro de 2001, quando o cearense chegou ao Palácio da Alvorada, já muito irritado e disposto a protestar contra “setores do PSDB no governo” que estariam dificultando a liberação de recursos para o Ceará e, pior, investigando sua vida.

Na chegada ao Alvorada, deparou-se com o ex-ministro da Justiça e secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, mas não amenizou as críticas. Ao contrário: Tasso tinha Aloysio como o “ponta de lança” de Serra contra ele e ainda achava que FHC atuava para desequilibrar a disputa sucessória em favor de São Paulo. Pior, suspeitava da influência de Aloysio sobre uma operação da Polícia Federal que colocou agentes em seu encalço, em meio a uma investigação de lavagem de dinheiro.

Neste cenário, o que era para ser um jantar de autoridades no salão palaciano descambou para as ofensas em tom crescente, a ponto de Tasso apontar “a safadeza e a molecagem” do ministro, que agiria para prejudicá-lo. Bastou um “não é bem assim” de Aloysio para o bate-boca começar.

“Vocês jogam sujo!”, devolveu Tasso.

“Vocês quem?”, quis saber Aloysio.

“Você... o Serra... Vocês estão jogando sujo e eu estou saindo (da disputa presidencial) por causa de gente como você, que está me fodendo nesse governo”, reagiu Tasso.

“Jogando sujo é a puta que o pariu”, berrou Aloysio, já partindo para cima do governador. Fora de controle e vermelho de raiva, Tasso chegou a arrancar o paletó e os dois armaram os punhos para distribuir os socos. Foi preciso que um outro convidado ilustre para o jantar no Alvorada, o governador do Pará, Almir Gabriel, entrasse do meio dos dois, com as mãos para cima, apartando a briga. Fernando Henrique, estupefato, pedia calma.

 
 
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Ettore

Sinto discordar de vc Fernando.

Mas a maioria obtida nos últimos anos não vem na totalidade de eleitores assim não.

Eu diria que se trata mais de um eleitorado politicamente ignorante, talvez um pouco conservador, nada mais.

Não conseguem analisar a conjuntura política e o próprio sucesso ou insucesso em suas vidas.

Então, se pautam pelos (de)formadores de opinião, apenas isso.

E por conta disso, na verdade não vejo vitória na eleição dos tucanos em SP mas derrota dos petistas.

A Marta perdeu a prefeitura pra ela mesma.

O Mercadante perdeu o governo pra ele mesmo.

Enquanto a esquerda, e o pt, não entenderem que o outro lado joga sujo e que pra vencê-los é preciso não jogar sujo, mas jogar firme, não se intimidar, os tucanos reinarão em SP. Infelizmente.

 
 
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SBT men

Leiam o que informa Renata Lo Prete na Folha Online. Volto em seguida:

O SBT-Nordeste procurou a campanha de José Serra para cancelar a entrevista que faria com o candidato tucano à Presidência da República nesta quarta-feira, às 12h20, em substituição ao debate inviabilizado pela recusa de Dilma Rousseff (PT) em participar.

O evento, sobre temas específicos da região, seria transmitido por dez emissoras afiliadas ao SBT, com geração pela TV Aratu de Salvador. Quando da negociação das regras do debate com as duas campanhas, ficou estabelecido por escrito que, em caso de desistência de um dos participantes, o outro seria entrevistado por 30 minutos, e a ausência do oponente seria mencionada pelo mediador no início de cada bloco.

O SBT-Nordeste, porém, alegou a assessores de Serra ter recebido pressão da cúpula nacional da emissora para não realizar a entrevista.

 
 
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Ginah

Acho que, além de concentrar eleitores tucanos mais "aguerridos", a eleição do senador boca suja deve ser analisada junto com a não-eleição do Netinho e a invasão da casa dele sem autorização judicial pela polícia civil de São Paulo, num ato típico de Estados facistas.

De tudo de ruim que aconteceu, esta invasão é o fato mais grave de todos porque foi levada a efeito pelo Estado e não pode ser esquecida. Se entraram na casa do Netinho, qual a garantia que temos que o Estado, por meio da polícia, não invadirá a casa de qualquer desafeto. A ação ilegal contra o Netinho é uma ameaça a todos.

 

Ginah

 
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Cristiana Castro

 

É isso aí, Gina. As coisas ficaram meio estranhas, de uns tempos para cá. Se por um lado, o governo Lula fez uma revolução nesse país, sem um único incidente, a não ser o da bolinha de papel. Por outro, direitos e garantias individuais estão perdendo a relevância, tb, sem qq incidente.

 
 
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Miguel Javaral

A finesse do partido bem nascido, bem educado e bem preparado é impressionante...

 
 
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maria nadie rodrigues

 

Esse Aloysio aí por certo será a substituição literal de Arthur virgílio, que prometeu dar uma surra no Presidente.

Não tem jeito não. Essa turma de paulistas, políticos tucanos, parece que estudou desde pequeno na mesma cartilha. Todos se acham acima do bem e do mal, menosprezando as pessoas que eles julgam pre-conceituosamente. É complicado!

Quem vê Serra se dirigindo a Dilma e não conhece a nossa história, há de imaginar que Dilma é uma descendente de escrava, e Serra um filho de imperador.

 
 
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Sergio Saraiva

Só para que conste dos autos:

Athur Virgílio é amazonense, Sergio Guerra é pernanbucano, ACM Neto é bahiano, Tasso Jereissati é  cearense, Cesar Maia é carioca e a familia Bornhausen é catarinense.

Você pode até chamá-los de bando de paulistas, mas será um injustiça com os paulistas.

 
 
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luiz felipe panerai

Falou tudo, caro Sérgio. Como gaúcho e apaixonado pelo tricolor de porto alegre ("eu sou o tricolor de porto alegre"), só estamos esperando a contagem do domingão: churrascão começa cedo, para comemorar a não eleição dessa gente...para sempre...

Abs.

 
 
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Mario Siqueira

Maria Nadie

Engano seu.

Não vai ser substituto do Arthur Virgilio.

Esse Aluisio nem pra isso presta.

 
 
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O senhor João Peres, se diz repórter... este dito cujo GRAVOU algum áudio do fato supra???

 Como um profissional que se diz repórter perde um Furo de Reportagem deste???

"...profissional da mais alta competência", quá quá quá quá.

 
 
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Carlos Filho

Imaginem gente dessa estirpe, apoiada pela TFP, fundamentalistas cristãos, pela Juventude Nazista e por velhos militares e diplomatas golpistas, novamente no Poder. Seria um pesadelo, o pesadelo do atraso.

E essa gente ainda ousa falar que o PT e o Lula desrespeitam a liberdade de expressão. É muita cara de pau desses tiranetes.

 

Caco

 
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Ed_milson

 

http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/blog-na-rede/a-democracia-que-so-fala-com-os-amigos

Publicado em 26/10/2010

A democracia que só fala com os amigos

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

 

Foi com espanto e tristeza que ouvi os xingamentos a mim dirigidos pelo senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Na noite de segunda-feira (25), o ex-chefe da Casa Civil do governo paulista classificou-me como “pelego e filho da puta.” A agressão verbal ocorreu antes do debate realizado pela Rede Record entre os candidatos à Presidência da República.

Ao senador, não havia, até aquele momento, dirigido nenhuma palavra. Tudo o que ele sabe de mim, naquele instante e agora, é que trabalho para a Rede Brasil Atual e para a Revista do Brasil. Parece ser suficiente para que se sinta no direito de proferir insultos: são veículos produzidos por uma empresa privada cuja receita vem da prestação de serviço (venda de anúncios e assinaturas) a pessoas físicas e jurídicas – incluindo sindicatos de trabalhadores.

Foi por conta desse aspecto que o PSDB obteve liminar, via Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vetando a continuidade da distribuição e a divulgação da edição 52 da revista na internet sob a argumentação de que dinheiro do trabalhador não pode financiar material eleitoral - este assunto já foi discutido aqui e a editora apresentou recurso ao TSE, não cabendo de minha parte qualquer argumentação.

O que a mim, como jornalista, é importante debater é a maneira como o senador se sente no direito de tratar a imprensa. É deplorável que, como repórter, tenha de me posicionar contra a agressão que sofri, deixando de exercer o fundamento básico da minha profissão, que é escrever sobre os outros, e não sobre minha vida. O único bem de um jornalista, ao menos daquele que não se presta a coleguismos com o poder, é a palavra: é ela que ouço, é com ela que conto histórias.

Quando o senador classifica a mim como “pelego filho da puta” porque trabalho em um veículo que jamais escondeu sua posição favorável à continuidade do atual projeto de governo, recorre a uma simplificação lamentável. Seguida a linha de pensamento do futuro parlamentar, todos os que trabalham em Veja, Folha, Estado e O Globo são, necessariamente, tucanos – e aí o leitor escolha o adjetivo que deve acompanhar a classificação.

A fala do senador é reveladora da propensão a não lidar com o contraditório. Talvez por maus costumes: quem circula pelos eventos políticos brasileiros sabe a cordialidade com que são tratados alguns líderes políticos, plenamente oposta à ferocidade dispensada a outros. Ao recorrer a esta simplificação, realiza-se um desmerecimento prévio de meu trabalho, numa triste tentativa de intimidação de minha atuação. Simplificação que teve continuidade no Twitter, em que o senador utilizou aspas para dizer que sou jornalista: "O 'jornalista' faz o que eu esperava dele: mente quando afirma que o xinguei de fdp. Chamei de pelego, o que é verdade e, a mim, muito pior."

O senador sabe as palavras que proferiu. Se quer admitir em público ou não, para mim é indiferente. O que não se pode colocar em dúvida é minha formação e minha integridade profissional. Sou jornalista – sem aspas – formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Minha passagem pelo Departamento de Jornalismo e Editoração, portanto, está lá registrada, caso alguém se interesse em averiguar.

Daqui por diante, como o senador espera que se proceda para entrevistar algum integrante do PSDB? Será que a democracia ideal contempla apenas a manifestação das vozes amigas (e queridas), sem espaço ao debate necessário para o amadurecimento da sociedade e, por consequência, da realização do bom jornalismo? O PSDB, que tem recorrido a simplificações para acusar adversários de quererem cercear a liberdade de pensamento, é quem mais nos fornece exemplos deste suposto cerceamento. Já não cabem nos dedos de uma mão: a restrição da circulação da Revista do Brasil, a censura ao jornal ABCD Maior, a tentativa de agressão do padre que se manifestou contra boatos, a ação no Paraná para impedir a publicação de pesquisas eleitorais, a "criminalização" de jornalistas que fazem perguntas efetivas a Serra e, agora, este xingamento.

Uma coisa é a opinião de um veículo. Outra, que não se confunde, é a opinião do jornalista. Esta, manifesto em blogues e nas redes sociais da internet, bem como outras centenas de profissionais da área, e deixo para trás quando estou na condição de repórter. Nas redações nas quais trabalhei, e há nesta lista algumas que o senador seguramente vê com bons olhos, sempre mantive minha posição de não deixar que interesses se misturem. Cumpro o compromisso de ouvir todos os lados. Como teria feito na última segunda-feira, se me tivesse sido conferida, pelo senador, tal oportunidade. Espero que, na próxima ocasião, Aloysio Nunes se mostre aberto ao diálogo. Sem ofensas, sem simplificações.

Leia também:

 
 
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josé justino de souza neto

O beiçudo já é senador? Ele já está distribuindo patadas contando com a tal imunidade que os políticos tem?

Lembram-se do prazer mórbido dos tucanos em repetir aquela palavrinha: "ética"? Pois é isso aí! Há "éticas"

para todo gosto. A do beiçudo é a das cocheiras, além daquela que compartilha com o Paulo "afrodescendente"

entre outros. 

 

 

 
 
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Luiz Augusto de Jesus Carvalho

Vamos esperar pelos desdobramentos das investigações.

Muita coisa foi levantada e precisa ser investigada e julgada, nos termos da Lei.

Caso o Sr. Paulo Souza tenha culpa e tenha deixado rastros, o ilustre Senador, cai.

 
 
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KNeto

É compreensível, o Senador tem 300 mil razões para se exaltar.

 
 
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caca quintela

Este certamente ameaçará a Dilma com uma surra , caso ela seja eleita. Pouco importa a fama de covarde e agressor de mulheres. Esta é a "turma" do Serra. Gente de alta qualificação.

 
 
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Gustavo Belic Cherubine

Realmente, imaginem o que esse sujeito fará como senador.

Sem tipo.

Só podia ser amigo do perdedor.

 
 
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Wilkens Lenon

Gente como o Aloysio Nunes perdeu completamente a dimensão de civilidade e a percepção racional da realidade. Sinto dizer, mas daqui até o resultado dessa eleição vai ser assim: truculência e irracionalidade com qualquer jornalista que ousar fazer pergunta que essa gente não goste.

 
 
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Radamés Marques

É notório o desprezo que esse senhor tem pelo exercício da liberdade de imprensa. É só ver a forma rude como reagiu quando foi colocado contra a parede por Mônica Bérgamo no Roda Viva.

 
 
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Demarchi

Já imaginaram essa turma no governo ?!  Só dariam entrevistas a "jornalistas" da Globo e do Estadão (mas com as perguntinhas previamente aprovadas pela assessoria).  Aí sim teríamos a sonhada "liberdade de imprensa".

 

Demarchi

 
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YRD

SP me envergonha. Não vejo a hora de sair deste estado.

 
 
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Joao C.

Nada disso, é uma excelente cidadeR. Os paulistanos e paulistas só tiveram a infelicidade de votar em Maluf e PSDB por tanto tempo. Uma hora eles acordam e vão votar com menos preconceito e sem ódio.

 
 
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João R. E. de Oliveira

São essas coisas que mostram o caráter de uma pessoa (ou a falta dele).

O Ilustríssimo Senador deve treinar esses palavrões na frente do espelho...aí fica fácil se empolgar e depois sair falando a mesma coisa pra qualquer pessoa que aparece pela frente.

 
 

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