Bolsonaro e Seu Ódio

O discurso de ódio é o método que sustenta a destruição do outro para propagar ideologias suspeitas. Esse tipo de discurso extremista, reacionário, com características fascistas, que prega a intolerância, tem a sua versão mais cruel nas declarações do deputado Bolsonaro, famoso por se comportar com aberração moral. O deputado numa palestra em Goiânia disse que deseja que a presidente saia do poder de qualquer jeito, mesmo que seja através de “enfarte ou de câncer”.  Além disso, chamou imigrantes e refugiados de “escória”, defendeu salários menores para mulheres “porque elas engravidam”, entre outras declarações absurdas e inaceitáveis.

Este mesmo deputado é conhecido por defender a ditadura militar no Brasil e por considerar a tortura uma prática legítima. Além disso, suas posições políticas geralmente são classificadas como alinhadas aos discursos da extrema direita. É sempre polêmico por declarações extremistas e por não ter rédeas na língua. Disse certa vez, em seção no Congresso Nacional, que uma colega deputada, Maria do Rosário, merecia ser estuprada e já foi acusado por homofobia e racismo.

Pois bem, esse deputado, entre outros com o mesmo perfil, representa uma ameaça explícita aos direitos humanos e à própria democracia. Ele, entre outros parlamentares com o mesmo perfil, protagoniza o neoconservadorismo impiedoso, travestido de religioso, e utiliza da (má) fé, para reproduzir sua ideologia decadente.

Exatamente por isso, e por outros motivos ideológicos e partidários, talvez estejamos vivendo o momento mais desafiador na história da democracia brasileira. Nosso presidencialismo de coalizão está esfacelado, temos um governo legitimamente eleito, mas, acuado, ameaçado e fragilizado pelo discurso do ódio e pela intolerância sem limites. O radicalismo, ou seja, uma atitude doutrinária política que propõe uma transformação profunda na ordem social e uma mudança radical, direta, à força, imediata e sem meios-termos, tornou-se um imperativo para aqueles incapazes de um discurso político mediado pelo respeito à pluralidade.

Para esses, quem pensa diferente, muitas vezes, é ameaçado, hostilizado e até considerado “burro”. É a expressão mais cruel da intolerância. A justificativa é sempre a mesma: a corrupção e a crise econômica atribuída ao governo da presidente Dilma e, em extensão, ao Partido dos Trabalhadores. Por outro lado, o Congresso Nacional aprovou aquilo que sabemos ser a semente da corrupção - o financiamento privado de campanha. E não houve manifestação por isso. Não houve “panelaço”.

Em seguida, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 3, declarar inconstitucionais normas que permitem a empresas doar para campanhas eleitorais. Com isso, perdem validade regras da atual legislação que permitem essas contribuições empresariais em eleições. A decisão do STF de derrubar as doações por empresas não afeta diretamente a permissão dada pelo Congresso, mas, na prática, deverá invalidá-la no futuro.

 O deputado não é o único que deseja a morte da presidente, são muitos que foram contaminados por esse ódio, e são facilmente encontrados nas redes sociais e nas manifestações de rua. Fazer oposição é uma coisa, expressar-se de forma desumana é outra coisa. A visão de mundo, político-partidária e opção religiosa de cada um é determinada pelas influências, experiências de vida, ideais, interesses de classe, conhecimentos, além de fatores puramente pessoais, de foro íntimo e subjetivo. Tudo isso depende, muitas vezes, muito mais das especificidades, das condições sociais históricas de um dado momento, do que das escolhas individuais ou da própria vontade da pessoa. Essa individualidade é um direito subjetivo que deve ser respeitado tanto por uma questão ética como também por uma regra moral, visando uma convivência mais humanizada.

A xenofobia em voga não é exclusividade do deputado, ela tem se tornado cada vez mais comum no pensamento e no comportamento ideológico, irresponsável e fanático de muitos brasileiros. É um sinal dos tempos insanos em que vivemos. Se o comportamento xenofóbico, que é um tipo de discurso fascista e uma verdadeira metodologia de alienação social, continuar vencendo, não teremos futuro. Em que direção devemos agir diante deste estado caótico?

O respeito, a tolerância à pluralidade é a essência da política, ou seja, a aceitação das diferenças ou até mesmo das divergências que, no entanto, se respeitam mutuamente para encontrar um certo consenso comum que seja melhor para todos. A racionalidade nos indica que o ódio em si é impotente, afeta a finalidade e o sentido da convivência humana, e, em sua extensão, os direitos humanos que representam, a grosso modo, o respeito à individualidade. Então, precisamos urgentemente começar a conversar de outro modo.

 

Luiz Claudio Tonchis é Educador e Gestor Escolar, trabalha na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, é bacharel e licenciado em Filosofia, com pós-graduação em Ética pela UNESP e em Gestão Escolar pela UNIARARAS. Atualmente é acadêmico em Pós-Graduação (MBA) pela Universidade Federal Fluminense. Escreve regularmente para blogs, jornais e revistas, contribuindo com artigos em que discute questões ligadas à Política, Educação e Filosofia.

Contato:  lctonchis@gmail.com

 

Referências

Redação, Portal Metrópolis, “Bolsonaro diz que patrões deveriam pagar salários menores para as mulheres porque elas engravidam”, http://portalmetropole.com/2015/02/bolsonaro-diz-que-patroes-deveriam.html› (acesso em 21/09/2015)

Frederico, Vitor, Jornal Opção, “Bolsonaro vê imigrantes como ‘ameaça’ e chama refugiados de ‘a escória do mundo’“, ‹http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/bolsonaro-ve-imigrantes-como-ameaca-e-chama-refugiados-de-a-escoria-do-mundo-46043/› (acesso em 21/09/2015)

 

Wikipédia, A Enciclopédia Livre, ‹https://pt.wikipedia.org/wiki/Jair_Bolsonaro› (acesso em 21/09/2015).

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