Liderança, Autoavaliação Institucional, Complexidade e Redes

A autoavaliação compõe o conjunto de processos e estratégias de pesquisas para colaborar com a demonstração da realidade da instituição. Essa realidade revelada, para ser aprendida em seus múltiplos e variados aspectos deve ser, ao mesmo tempo, conhecida, sentida e vivida.

A autoavaliação, seja ela institucional ou dos atores sociais do ambiente de trabalho só é eficaz quando contempla uma análise holística do conjunto das redes da instituição. Um bom processo de autoavaliação é extremamente importante para identificar o que esses atores pensam do ambiente de trabalho, considerando a qualidade dos serviços prestados e seus desdobramentos, como por exemplo: a satisfação, os relacionamentos interpessoais, a produtividade, o processo comunicativo, os resultados, o futuro, a pontualidade, a participação, o cumprimento dos deveres e responsabilidades etc. Ela não tem um fim em si mesma. Seu principal objetivo é que a mesma revele um diagnóstico para subsidiar a elaboração de ações conjuntas que potencializem as fortalezas e as oportunidades, detectem as fraquezas e ameaças para o aprimoramento do planejamento estratégico para as melhorias que se espera.

Pois bem, o processo de avaliação não se resume a um menu de perguntas e apontamentos. Elas devem ser elaboradas na complexidade, com perguntas objetivas e mensuráveis que contemplam indicadores qualitativos, quantitativos e temporais com certa disposição para perceber e sentir os problemas da instituição e assim, com o rigor no pensamento, propor soluções.

Nós, seres humanos, somos carregados de sentidos e possuímos uma grande carga de subjetividade. Além disso, as questões pessoais, a simpatia ou antipatia construídas nos relacionamentos afetivos interferem positivamente ou negativamente nas avaliações. Na maioria das instituições o pensamento do senso comum é predominante, apesar das pessoas não as reconhecerem. O achismo, o preconceito e ideais superficiais, recortadas e fragmentadas fazem parte do nosso cotidiano. Para que os resultados da autoavaliação sejam fidedignos é importante que esse tipo de pensamento seja descontruído.

Quando não existe a priori um preparo das pessoas envolvidas, é muito comum grande parte delas apontarem somente os aspectos positivos. Elas não querem se expor para evitar conflitos. Esse comportamento compromete todo o trabalho de pesquisa. Por outro lado, uma liderança mal preparada tende a não entender os apontamentos negativos de forma positiva. Esta não aprendeu que na liderança as críticas devem ser dialeticamente contextualizadas no plano da complexidade. Esse tipo de líder, geralmente, pensa numa lógica linear e fragmentada e não entende que a realidade é complexa e una. Esse modelo de liderança compromete não somente a autoavaliação mas, também a qualidade da instituição.

Uma outra questão a ser contemplada na preparação antecipada dos atores é o conhecimento dos propósitos dos cargos e dos segmentos a serem avaliados, isto é, as suas áreas de eficácia. Por exemplo: Para que existe um diretor de escola? Para que existe um coordenador? Para que existe um supervisor? Ou para que existe o departamento pessoal? A equipe de professores? etc. Assim: O que se espera de um diretor de escola? O que se espera de um coordenador? O que se espera de um supervisor?  A resposta será as suas respectivas áreas de eficácia.  Dessa forma, a pessoa poderá fazer um paralelo entre o tipo ideal do cargo/função ou do segmento avaliado com o efetivo trabalho desenvolvido por esses.

Outra dica é a avaliação em rede, aplicando perguntas estratégicas para cada segmento. É muito comum que cada um deles façam expectativas diferentes em relação ao avaliado. Por exemplo, a direção tem vários colaboradores: a secretaria, a equipe de apoio, pais, equipe de apoio da Diretoria de Ensino, corpo docente e discente etc. Cada segmento (ou setor) faz uma expectativa com relação a essa direção, ou seja, cada um dos segmentos tem um “olhar” de acordo com seus interesses e expectativas.

O ideal é que todo processo de avaliação seja construído conjuntamente, ou seja, com a participação coletiva, com todos segmentos e com objetivos claros e previamente definidos. Os problemas de uma instituição são complexos, envolve toda a rede que diretamente ou indiretamente possui alguma ligação com a mesma. Os limites, os entraves condicionantes de uma organização podem ser rompidos aos poucos e isso se faz com gestão e com pessoas. A liderança deve ter a habilidade para criar e fazer com que seus colabores criem um significado para construir juntos um objetivo comum. Os resultados só acontecerão se conseguirem gerar significados e fizer sentido para todos os colaboradores. A autoavaliação é um importante instrumento para que isso aconteça. 

Média: 4.6 (7 votos)

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.