Trechos da matéria "Por que tudo custa tão caro no Brasil"

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Hoje a revista Superinteressante liberou em seu site a sensacional matéria “Por que tudo custa tão caro no Brasil”, de Alexandre Versignassi e Felipe van Deursen.

A reportagem analisa todos os principais motivos para produtos como carros, smartphones, imóveis e outros custarem muito mais no Brasil que em países ricos e desenvolvidos.

São exemplos ótimos de como diversos fatores – impostos, ineficiências da economia, lucro Brasil – se juntam à enorme disposição do brasileiro em gastar e ostentar, para então criar preços fora de nossa realidade.

Eis os cinco melhores trechos antes de você ler a reportagem completa no site da Super:

Como é que carros brasileiros são mais baratos no México?

"O Gol sai da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e desliza de cargueiro até o México. O modelo básico lá é o 1.6 quatro portas, com ar-condicionado. Aqui, um Gol assim sai por R$ 37 mil. Lá, Dona Florinda e Professor Girafales podem pagar R$ 23 mil pelo mesmo “Nuevo Gol”. Se o Quico fizer birra e quiser um carro mais vistoso, dá até dá para pensar num Camaro. Lá custa R$ 65 mil. Aqui, R$ 190 mil. Com a diferença, dá para pagar um ano e quatro meses de diárias no Las Brisas Acapulco, um dos melhores hotéis do balneário mexicano."

A falta de investimentos deixa tudo mais caro, da produção

"O método mais comum de construção por aqui continua sendo basicamente o mesmo da Mesopotâmia de 8 mil a.C.: a alvenaria – levantar paredes tijolo por tijolo (ou bloco de concreto por bloco de concreto), unindo tudo com argamassa. Lá fora, usam mais material pré-fabricado: uma usina vai e monta placas de concreto (ou de cerâmica). As placas saem da usina, vão para a construção, e os operários montam o prédio como se fosse um Lego gigante... Na China, usando ainda mais material pré-moldado e uma logística do demônio, já conseguem levantar prédios de 30 andares em 15 dias.

Se fosse assim no Brasil, a oferta de prédios novos acompanharia qualquer demanda. E o preço dos imóveis não teria explodido. Pelo menos não tanto. Por que não tem nada assim no Brasil, então? Porque os empresários e o governo gastam pouco para melhorar seus meios de produção, não investem o que poderiam em máquinas mais modernas e novas fábricas (como usinas de placas de concreto)."

... ao transporte.

"Ferrovia é um caso clássico de investimento: custa caro, mas dá retorno de longo prazo, tornando fretes mais baratos. O Brasil tem 29,8 mil quilômetros de linhas férreas. Dez mil foram construídos por dom Pedro 2º... Resultado: enquanto o custo de transporte por tonelada de soja é de R$ 35 nos EUA, aqui é de R$ 160...

Sem uma malha ferroviária decente, o custo do transporte vai lá para cima. E acaba embutido nos preços de tudo. Levar um carro da fábrica em São Paulo para uma concessionária em Salvador (a 1.900 km) custa quatro vezes mais do que o frete entre Xangai e Pequim (1.200 km)."

Os impostos também não ajudam...

"Imposto é uma coisa tão complicada no Brasil que as empresas gastam 108 dias por ano só para preparar, registrar e pagar tributos. Estamos em 130º no ranking de burocracia do Banco Mundial (que é de trás para a frente: quanto mais embaixo na lista, mais burocrático é o país)... A média nos países desenvolvidos é de uma semana para tratar da papelada. “Já ouvi donos de multinacionais dizerem que as equipes da área de tributação são dez vezes maiores aqui que no exterior”, diz Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil. “É um manicômio tributário”.

As empresas gastam um terço do ano para lidar com impostos."

... mas, sozinhos, não explicam o preço mais alto.

"Talvez o problema esteja mesmo na “realidade do mercado”. Nessa realidade, pagar R$ 100 mil em carro passou a ser uma despesa aceitável, mesmo que isso comprometa uma fatia gorda do salário. A verdade é que preços altos têm uma força magnética no País. Gostamos de gastar, de ostentar. É status. A ponto de lojas de preços acessíveis na Europa, como a espanhola Zara e a inglesa Topshop, virarem grife aqui. A regra no Brasil é consumir muito e poupar pouco. Segundo o instituto de pesquisas Nielsen, os brasileiros guardam 27% do que ganham – contra uma média de 39% no resto da América Latina... se a produção não acompanha o consumo, não tem jeito: os preços sobem."

O texto também traz outros exemplos e aponta outros fatores para os preços estarem tão altos. Agora é ver se aprendemos a lidar melhor com dinheiro, e se governo e empresas colaboram investindo mais e (ao menos) simplificando a cobrança de impostos.

A reportagem está na edição 317 da Superinteressante, de abril/2013.

Fonte: http://gizmodo.uol.com.br/por-que-tudo-custa-tao-caro-no-brasil/

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1 comentário
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Mesmo assim penso que estas explicações não convencem. Vejamos este caso:  O mesmo carro brasilleiro custa mais barato no México do que aqui. 

1- Logistíca (transporte) : será que custa mais barato levar do Brasil para  o México do que de São Paulo para BH ou RJ?

2-Gastos com mão de obra e outros:  o carro quando foi para o México levou embutido o preço da mão de obra, da matéria prima usada, da eletricidade e outros gastos.  Nada pode ser modificado depois que o veículo estiver pronto.

3-A burocracia para pagar imposto: será a mesma para todos os carros, os vendidos aqui e os exportados.

4-Impostos: estes são diferentes e talvez expliquem uma parte da diferença,  Não dá para exportar impostos.

5-Margem de lucros: estas podem ser bem diferentes. Podemos até imaginar que o preço maior aqui ajuda a manter o preço menor lá fora. Uma espécie de dumping, afinal as empresas tem que mostrar ao governo que fazem esforço para exportar.

6-Custo financeiro: no Brasil não vale a pena vender à vista.  As vendas a prazo permitem cobrar juros altos e dá mais lucro. Então o negócio e forçar a barra, manter preço elevado para que o consumidor faça financiamento.  O lucro não vem do carro mas do empréstimo.  Deveria ser proibido uma montadora financiar carros. (este ítem está meio confuso, não é?)

7-Margem de lucro:  o consumidor brasileiro é tão estúpido ( o que não acredito) que paga o preço maior só por prazer.  Se isto fosse assim então teríamos que denunciar as montadoras por cartelização, afinal quem vendesse mais barato dominaria o mercado.  Ou será que isto explica porque não temos uma montadora Nacional?

8-Cartelização:  Será isto possível com um CADE tão atuante que permitiu que a  Colgate comprasse a Kolinos e a Lacta comprasse a Garoto?

The end: um colega meu mudou-se para a Alemanha e lá comprou um mercedes produzido em Juiz de Fora.  Quando ele foi aos USA, os campeões de preço baixo, verificou que o mesmo mercedes era mais caro nos States.  Durma com um problema deste.  Se eu não estivesse aposentado iria fazer uma tese sobre o assunto.

 

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