Vulcabrás fecha na Bahia e deixa quatro mil desempregados

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A Vulcabrás/Azaléia com matriz na cidade de Itapetinga (a 326 km de Salvador) fechou 12 plantas industriais de 10 filiais localizadas nos municípios de Caatiba, Firmino Alves, Itambé, Itapetinga (com exceção da matriz), Itororó e Macarani. Com a decisão, que foi anunciada no inicio da tarde desta sexta-feira, 30, cerca de 4 mil colaboradores estão demitidos. Apenas a matriz continua funcionado na cidade.

Em nota encaminhada à imprensa, a empresa informou que foram feitos vários esforços na tentativa de preservar a competitividade, mesmo assim vem registrando sucessivos e elevados prejuízos financeiros em decorrência do aumento da competição, causado pela excessiva entrada de produtos importados a preços muito baixos, não compatíveis com a estrutura de custos da empresa na Bahia.

"Por essa razão, a Empresa está implementando uma complexa estratégia de reestruturação das operações industriais na Bahia. Esse processo implica na desativação das operações industriais das suas filiais neste estado, concentrando suas atividades na matriz em Itapetinga", diz a nota.

A nota diz ainda que a Vulcabrás/Azaléia, na mais absoluta transparência e boa-fé, se dispõe a negociar previamente com o sindicato da categoria profissional a situação dos empregados afetados e compensações decorrentes, comprometendo-se a respeitar integralmente os seus direitos legais. E que prestará todas as informações aos seus empregados que sempre deram o melhor de si para manter os negócios da empresa.

"A Vulcabrás/Azaléia continuará sendo o maior empregador do setor no Brasil e um dos maiores do estado da Bahia. Esse evento é resultado de um complexo processo de reestruturação pelo qual passa a empresa, com o objetivo de superar as dificuldades atuais e de trazê-la, mais uma vez, aos patamares de crescimento que sempre foram símbolo da empresa", finaliza a nota.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Calçados de Itapetinga e Região (Sindicato de Verdade) com o fechamento das unidades a economia da região é afetada de forma direta, o que pode causar uma insatisfação maior na cidade. Uma reunião foi marcada para a segunda - feira (3) às 14 horas em Salvador, juntamente com o Sindicato, representantes da empresa e delegacia do trabalho para tentar chegar a um acordo e tentar reverter as demissões.

Vamos saber como ocorrerá o fechamento, pois há funcionários que querem permanecer e aí terá que ser deslocado para a matriz. Tentaremos negociar para que os colaboradores não saiam prejudicados", destacou o diretor de comunicação do Sindicato Reginaldo Quadros.

Queda - Para o presidente do Conselho Representativo das Instituições (CRI) que reúne 14 entidades não governamentais em Itapetinga, Robert Araújo, desde o final de 2010 se tem uma queda na economia da região devido às demissões nos quadros da Vulcabrás/Azaléia que na época gerava 21 mil empregos diretos. No ano passado,  houve o fechamento de 6 unidades o que deu um choque na economia.

"Tentamos de várias maneiras contornar a situação e evitar o fechamento, inclusive tínhamos uma visita marcada para o dia 7 de dezembro com o Secretário de Indústria Comércio e Mineração, James Correia para apresentarmos as dificuldades do Distrito Industrial e tentar reverte a situação, mas fomos surpreendidos com o fechamento", disse.

Ele disse ainda que a economia da região terá uma redução de mais de 40%, o que acaba por trazer o risco de um caos econômico. "A nossa preocupação é que isto acarrete uma cadeia de demissões e fechamentos de empresas, por isto estamos empenhados a tentar frear a situação e salvar as empresas que continuam sobrevivendo", destacou.

Robert Araújo informou que, diante do fechamento, o deputado federal Daniel Almeida solicitou uma audiência pública no âmbito da Comissão do Trabalho da qual é titular, para tratar do assunto. "A nossa expectativa é que a audiência ocorra na primeira quinzena deste mês e que consigamos encontrar saídas para esta crise", destacou. A reportagem de A TARDE tentou falar com o deputado Daniel Almeida mas ele não atendeu ao celular.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/economia/materias/1470426

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1 comentário
imagem de Luiz Müller

Esta mesma empresa Azaléia, em meados de 2011 demitiu milhares de trabalhadores na cidade de Parobé, onde aliás a empresa começou. O único argumento é a "falta de incentivos fiscais". No entanto, um ano antes, ela havia recebido 48 milhões de reais do FUNDOPEN, um Fundo de incentivo do Estado para a geração de empregos. O Governador Tarso Genro se recusou a ampliar as isenções através deste Fundo, se diferenciando da sua sucessora, a Tucana Yeda Crussius. E assim, depois de chantagear o Governo do Estado, com o apoio inclusive de alguns sindicalistas, ao não ser atendida, foi embora, deixando mais de 20 mil trabalhadores a própria sorte. Nenhum compromisso com a população que até então a fortaleceu e fez crescer. Só demissões. Uma pouca vergonha. Empresas deste tipo não deveriam mais receber nenhum tipo de financiamento, nem de Bancos Estaduais e muito menos do BNDES.

 

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