AS GERAÇÕES BOOMER, BABY BOOMER, X, Y, Z.

"Origens e conflitos das diferentes gerações no contexto profissional".

O início das classificações

Antigamente uma geração era definida a cada 25 anos, porém, nos dias de hoje, já não se espera mais um quarto de século para se instaurar uma nova classe genealógica. Atualmente os especialistas apontam que uma nova geração surge a cada 10 anos apenas. Nas empresas, isso implica em pessoas de diferentes idades e costumes vivendo em um mesmo ambiente de trabalho, trocando experiências e gerenciando conflitos em períodos cada vez menores.

QUATRO GERAÇÕES E VALORES

A geração Boomer

Trabalhadores tradicionais (nascidos antes de 1946, fim da 2ª guerra mundial). Tem como característica a lealdade e a disciplina. Esses trabalhadores tendem a respeitar a autoridade. Eles se reuniam em grande número e contribuíram para o sucesso em sistemas hierárquicos do passado. Apareceram durante o período de guerra e do pós-guerra, adaptado a um ambiente de escassez, valorizando austeridade. Os objetivos sociais da paz e da prosperidade nacional são importantes para esse grupo. Como regra, eles são pragmáticos e disciplinados. Hoje, boa parte, gozam da aposentadoria, mas há os que ainda estão em plena ativa, e muitos estão retornando às atividades corporativas. 

A geração Baby Boomer

A Geração Baby Boomer surgiu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Hoje, essas pessoas estão com mais de 45 anos e se caracterizam por gostarem de um emprego fixo e estável. No trabalho seus valores estão fortemente embasados no tempo de serviço, e preferem ser reconhecidas pela sua experiência à sua capacidade de inovação. O termo em inglês “Baby Boomer” pode ser traduzido livremente para o português como “explosão de bebês”, fenômeno social ocorrido nos Estados Unidos no final da Segunda Guerra, ocasião em que os soldados voltaram para suas casas e conceberam filhos em uma mesma época. Os Baby Boomers também são identificados como inventores da era “paz e amor”, pois tinham aversão aos conflitos armados. Preferem a música, as artes e todas as outras formas de cultura como instrumentos para evolução humana do que as guerras. Nos dias de hoje os pertencentes à geração Baby Boomer, em sua maioria, ocupam os cargos de diretoria e gerência nas empresas. Por exercerem funções de chefia, e muitas vezes em nível estratégico, chocam-se diretamente contra as gerações mais jovens no que diz respeito aos seus ideais, o que ocasiona um contraste de comportamento e valores considerável, que já é apreciado com grande cuidado nos setores de gestão de pessoas e desenvolvimento estratégico das organizações, que por sua vez tentam administrar positivamente os conflitos e reverter as diferenças em potenciais de atuação. Eles esperam o sucesso. Essas são as pessoas que nos dias de hoje dirigem grandes corporações. São líderes e gestores. Boa parte se ocupam com a educação e o desenvolvimento de pessoas nas organizações. São os mentores, os coachings... Eles inventaram o “workaholic” ou pelo menos muitos deles sofrem de seus efeitos. Os babies Boomers criaram uma forte mudança social, incluindo o movimento hippie, o feminismo e os direitos civis. Eles são otimistas e automotivados. As atuais hierarquias de gestão são dominadas pelos Babies Boomers e pela parte "mais velha" da Geração X. Juntos, eles definem a cultura corporativa.

A Geração X

Enquanto a Geração Baby Boomer se apresenta como contemporânea ao nascimento da tecnologia a Geração X surge já fazendo uso dos recursos tecnológicos promovidos por sua geração precursora. Surgida em meados da década de 60 e estendendo-se até o final dos anos 1970, essa geração vivenciou no Brasil acontecimentos como as “Diretas Já” e o fim da ditadura. No meio profissional a Geração X é caracterizada atualmente por certas resistências em relação a tudo que é novo, além de apresentar insegurança em perder o emprego por pessoas mais novas e com mais energia. Essas formam a sucessora da Geração X: a Geração Y. Eles têm a vantagem de uma melhor formação acadêmica e experiência internacional na história. Eles estão rompendo com padrões tradicionais, incluindo a criação de ambientes de trabalho informais e transformando as estruturas corporativas de hierárquicas a entidades flexíveis e horizontais. A iniciativa pessoal e uma saudável dose de ceticismo contra as grandes organizações têm produzido um grande número de empresários e gestores desta geração. Um valor chave da Geração X é conseguir um equilíbrio entre objetivos de carreira e qualidade de vida.

A Geração Y

Nasce então na década de 80 a Geração Y, que em pouco tempo de vida já presenciou os maiores avanços na tecnologia e diversas quebras de paradigma do mercado de trabalho. Por conseguinte, num ambiente tão inovador, a Geração Y se individualiza ao apresentar características como capacidade em fazer várias coisas ao mesmo tempo, como ouvir música, navegar na internet, ler os e-mails, entre várias outras que, em tese, não atrapalham os seus afazeres profissionais. Essa geração também apresenta um desejo constante por novas experiências, o que no trabalho resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua. Os perfis da Geração X e Y são bastante diferentes quando colocados em comparação os seus comportamentos. Enquanto o X prefere tranquilidade o Y quer movimento; o Y deseja inovar a qualquer custo, já o X prefere a estabilidade e o equilíbrio. Tais contrastes apresentam uma dificuldade para as empresas que possuem colaboradores da Geração X subordinados a Geração Y. A maioria dos mais velhos não aceita com naturalidade um comando imposto por um mais novo, que por sua vez acha morosa demais as decisões dos mais velhos. Nos dias de hoje e em meio a tanta diferença de valores, para as organizações a preferência se dá pela capacidade de cada profissional e não mais pelo tempo de trabalho. Embora a experiência conte muito na tomada de decisão a competência de cada um em função da demanda por execuções mais rápidas torna-se o fator primordial para a contratação, delegação de funções e promoções dentro de uma empresa. Tendo vivido toda a sua vida com a tecnologia eles têm dificuldades em compreender um mundo sem ela. A infância era confortável e próspera, claro que correspondente a classe sócio-econômica a que pertenciam, especialmente se dos estrados A-B. Eles tendem mais para as necessidades, são jovens que requerem um alto grau de autonomia. O que parece ser uma falta de lealdade da Geração Y é substituído pelo valor que colocam em seus relacionamentos com os colegas e supervisores.

A Geração Z

Os jovens nascidos em meados dos anos noventa forma o conjunto da Geração Z. Estes ainda não estão inseridos no mercado de trabalho, mas já é motivo de reflexão por conta do seu comportamento individualista e de certa forma antissocial. A Geração Z é contemporânea a uma realidade conectada à Internet, em que os valores familiares como sentarem-se à mesa e conversar com os pais, não são tão expressivos quanto aos contatos virtuais estabelecidos pelos jovens na Web. Formada pelos que ainda não saíram da escola e ainda não decidiram a profissão a ser exercida no futuro a Geração Z também se destaca por sua excentricidade.
Os jovens da Geração Z apresentam um perfil mais imediatista. Querem tudo para agora e não têm paciência com os mais velhos quando estes precisam de ajuda com algum equipamento eletrônico ou algum novo recurso da informática. Esse tipo de atitude sugere que tais jovens terão sérios problemas no mercado de trabalho, quando serão exigidas habilidades para se trabalhar em equipe. O trabalho coletivo demanda respeito e tolerância, virtudes em escassez nos jovens da Geração Z. Isso não significa, em absoluto, uma regra geral e que não possa ser um comportamento passível de ser desenvolvido e mudado no contexto da própria convivência social e organizacional.

Conclusão

Independente da geração a que o profissional pertença, o objetivo principal de uma empresa é obter lucro. Para essa finalidade não existe uma receita absoluta, porém, para se estabelecer, ela exige um requisito básico dos colaboradores envolvidos, que é a capacidade de se trabalhar em equipe. Em qualquer que seja a organização multissetorial, nenhum profissional é dotado de todas as competências necessárias a todos os seus processos, desde o atendimento até a produção. A evolução profissional individual sempre depende do aprendizado, que por sua vez depende da troca de experiências. Essa troca só é possível de pessoa para pessoa e geralmente a faixa etária não é equivalente. Todas as gerações têm a ensinar umas às outras e feliz daquele que é capaz de ouvir corretamente e se impor corretamente. Mas o que é ser correto? O comportamento correto é aquele que visa o equilíbrio, sem excessos. Um profissional mais velho, mesmo tendendo naturalmente ao conservadorismo, precisa compreender que o mais novo possui os atributos da inovação, da energia, da motivação e da habilidade em lidar com o novo. Assim as gerações mais antigas dependem dessas características alheias para se renovarem diante de um novo cenário dos negócios. Hoje tudo está conectado e as tarefas a serem executadas pelas pessoas dependem dessa conexão. Já os mais novos, independente da sua competência e da sua aptidão para o exercício aprimorado de suas funções, precisam atingir o equilíbrio através da sobriedade dos mais velhos. As gerações mais antigas têm a capacidade bem definida de pensar estrategicamente, o que torna suas decisões estatisticamente mais acertadas. Enquanto o jovem pode inovar constantemente por meio das suas ideias os profissionais das gerações anteriores viabilizam a inovação sem os prejuízos que estas podem causar por não terem sido concebidas de maneira estratégica. Atualmente, muitos líderes das gerações Baby Boomer e X estão se tornando cada vez mais Y. Isso devido ao crescimento exponencial do volume de informações que devem ser consumidas diária e instantaneamente. Embora a maioria dos executivos tenham tido sua formação e inicio de carreira em uma época diferente da de hoje, eles começam a esboçar um novo perfil de comportamento diante de uma nova realidade: ou se envolvem ou serão envolvidos. Portanto, a empresa do futuro se apresentará como aquela que será capaz de conciliar diferentes gerações em um mesmo ambiente de trabalho, extraindo o que cada profissional tem de melhor e equilibrando os potenciais individuais em função do bem estar coletivo.  A força de trabalho atual é uma mistura de diferentes gerações que vêm cada um com sua história coletiva e valores. Para uma grande organização é importante compreender suas perspectivas únicas que são susceptíveis, já que essas gerações trabalham lado a lado. A Professora Cristina Simón, Instituto de Empresa, de Madri, Espanha, em seu estudo “Geração Y e Mercado de Trabalho: Modelos de Gestão de RH” encontrou diferentes valores geracionais. Cristina observou quatro gerações de trabalhadores, analisou os seus valores e sugeriu formas para as empresas começarem a trabalhar com esse povo. Que tipo de conflitos de gerações você vem encontrando no seu trabalho?


Marco Paulo Valeriano de Brito é Enfermeiro-Sanitarista e Administrador Público. Professor, especialista e pesquisador em gestão do desenvolvimento de pessoas e processos de trabalho. Possui experiência há mais de 20 anos na área de gestão pública e saúde atuando em Instituições como Ministério da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu/RJ, Hospital Geral de Nova Iguaçu/RJ, Hospital Federal de Bonsucesso/RJ, Hospital Adão Pereira Nunes/RJ, Departamento de Gestão Hospitalar no Rio de Janeiro/MS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, EAD-ENSP-FIOCRUZ, UNESA-Universidade Estácio de Sá, UGF-Universidade Gama Filho. Contatos: E.mail: valdebrit@yahoo.com.br – Fan Page: http://www.facebook.com.br/sanitarista  

Imagens: 
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1 comentário
imagem de Bruno Evangelista Ferreira

Parabéns pelo Post, muito bom

 

Abraços!

 

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