HADDAD OU OBAMA?

Eis uma nova questão, meus caros companheiros!

Guardadas as devidas proporções, para mim, Fernando Haddad fez mais pela cidade de São Paulo do que Barack Obama pela maior potência deste planeta.

Isso dá até em teses sobre política, administração pública, gestão social, economia, marketing político e outras, nas ciências sociais.

Eu não vou me estender. Amanhã, dia de São Sebastião, padroeiro católico da cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, feriado para os cariocas e para os que aqui trabalham, reporta ao lazer e as flechadas.

Amanhã vamos curtir um feriado porque alguém no passado levou muitas flechadas por não renunciar a uma determinada causa. A história de Sebastião é intrigante e instigante, tanto no campo secular-temporal, quanto no teológico-atemporal.

Teólogo fico com o Sebastião transcendente. Cidadão, ativista social, e discípulo da teologia da libertação, fico com os dois resgatando sua temporalidade, para a comunidade cristã de seu tempo, mas também para o contexto do múnus romanus da época.

Barack Obama passou muito ao largo dos "dois" Sebastião, pois não ousou ir as últimas consequências por suas causas e/ou convicções, embora deixe seus oito anos de mandato presidencial com um discurso de cigarra. Penso que quem é negro, latino, pobre, nos E.U.A., esperava muito mais de Obama, e não viram ou lhe dariam um Óscar, em seu discurso de Chicago.

Fernando Haddad governou, por quatro anos, uma megalópole conflagrada. Há anos descaracterizada de seu gentio e gentrificada, sob uma Avenida Paulista feita passarela de uma pauliceia ainda mais desvairada.

O resultado foi um temporal de flechadas. Qual o sentido das ciclovias, e tendo como o núcleo justamente a Paulista? Por que reduzir a velocidade do trafego nas marginais? Que história é essa de ir ao encontro de cracudos, com um projeto de resgate de cidadania e dignidade? E as viradas culturais, pra quê? Transporte coletivo se apoderando do "direito dos automóveis" irem e virem? Grafite é arte, colore e humaniza os "cimentos" da cidade..., qual o quê isso não passa de pichação gourmet, pasteurizada... E dá-lhe flechadas até o último dia de seu mandato.

Fernando Haddad não entoou o canto da cigarra, mas deixou seu mandato como aquela fábula da formiguinha. Ao que se sabe as formigas não são exímias marqueteiras, contudo, deixam uma obra que lhes permite enfrentar os invernos, e infernos.

Não saberia lhes dizer, de pronto, o quê o Barack Obama representa hoje para o povo estadunidense, sobretudo, os afro-americanos, e aqueles outros despossuídos, que ao Estado sempre recorrem. Qual seria ou será o legado Obama? Não sei, quem saberá?

Quanto ao Fernando Haddad foi uma formiguinha paulistana. Trabalhou, o que lhe foi possível, nos cenários e na conjuntura que enfrentou. Há um inegável legado por ele deixado na cidade de São Paulo. Fato, que a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que votaria no Haddad. Chegou a ser elencado como um prefeito à frente de seu tempo, e que São Paulo merecia tê-lo como gestor há décadas atrás.

A maioria do povo votou Dória. É de dar dó. Fernando Haddad acabou virando uma espécie de São Sebastião paulistano, mas como o santo católico sobreviverá às injustas flechadas. Lá na frente o povo, dessa megalópole brasileira, haverá de refletir essa e outras besteiras, de suas desvairadas "paulicitudes", ou seria melhor "paulicenidades"?

Pois bem, amanhã, 20 de janeiro, de um incerto 2017, para o mundo, o Brasil, e São Paulo, também deveria ser feriado, naquela megalópole bandeirante, em homenagem a São Sebastião, não como padroeiro 'honoris causa' da cidade, nem como uma sinonímia ao Fernando Haddad, mas como réquiem de seu próprio infortúnio.

*Referência: http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/275765/Obama-fez-o-que-Haddad-deveria-ter-feito.htm 

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