QUEM FOI ÀS RUAS ONTEM?

A despeito de poder ter tido de tudo, pois o movimento foi difuso e midiático, viu-se nas imagens, de todas as matizes e origens, uma ampla maioria branca, "eurodescendentes", e pouquíssimos mestiços, quase nenhum negro, indígenas, então, nem pensar... Eram, então, quem, os que estavam a bradar contra a corrupção, fora Dilma Rousseff, morte ao Partido dos Trabalhadores, e até pela volta da ditadura militar? Ao que parece a clássica pequena burguesia, não a "nova classe média", a que vem se configurando paralela a tradicional, e que, não atoa, a clássica está enojada, e com um profundo ódio do partido, do governo, que os está levando a ter que conviver com esses "emergentes", de um desenvolvimentismo nunca tolerado, seja pela elite, pela burguesia de fato, que tudo assistiu de suas janelas ou de algum meio virtual, vide Aécio Neves, do alpendre de seu triplex, na Vieira Souto, Ipanema, bairro da elite carioca, comemorando e afirmando, com seu rebento burguesinho ao colo, que era só o início das ações reacionárias... Lenin já nos alertava em relação a "pequena burguesia" e ao "revisionismo", que emperra e acaba por derrotar o avanço popular e o próprio socialismo, de fato. O discurso da falsa ética, do falso moralismo, da anti-corrupção é cínico e hipócrita, já que emana das hordas mais corruptas da sociedade, e reverbera por meio de uma mídia conservadora, alienadora e inundada pelo preconceito às classes trabalhadoras, camponesas, os mais pobres, que justamente, neste país, enfim, começaram a ser atendidas por um governo democrático e popular, sendo prontamente auscultado e acolhido pelos pequenos burgueses "revoltados". A frustração da pequena burguesia, e o revisionismo, que emperra o avanço, nas indecisões, e debilidades de projetos de fato ideológicos e transformadores, não apenas de inclusão capitalista, consumista, mas de avanço ao socialismo é que está dando fôlego a burguesia, ainda, dominante, e o uso dos pequenos burgueses, como arautos da moralidade, representam aquela ameaça que Lenin se referia e que ainda é muito válida à realidade de nossos dias. Quem foi às ruas ontem foram aqueles que o camarada Vladimir Ilitch Lenin nos avisava serem os inimigos "ocultos" da classe trabalhadora e da democracia popular, que ao sentirem seus privilégios abalados correm logo ao encontro da defesa das elites e se fazem exército dessas para lutar contra as conquistas dos mais pobres, mesmo que, no caso brasileiro, ainda incipientes. Que os que foram às ruas ontem tenham ao menos servido de um grande sinal de alerta ao Partido dos Trabalhadores, e a toda a Esquerda Brasileira, Democratas, Progressistas, antes que seja tarde novamente, e um novo retrocesso, novas trevas, nublem nosso sol, acinzentem nossas esperanças. Quem foi às ruas, ontem, não estão de brincadeira, querem nos derrotar.  

Referência: http://grabois.org.br/portal/cdm/revista.int.php?id_sessao=50&id_publicacao=116&id_indice=414

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