RELEMBRANDO, ONZE ANOS DEPOIS, OS 10 ERROS DA POLÍCIA DO RIO NO CASO DO SEQUESTRO DO ÔNIBUS 174

Um ônibus, sequestrado na noite de ontem no centro do Rio, após uma frustrada tentativa de assalto a 20 passageiros, nos fez lembrar da tarde de 12 de junho de 2000, no bairro do Jardim Botânico, também no Rio, com o desfecho do caso do ônibus 174. É por isso que a polícia deve relembrar, sempre que oportuno, dos erros e dos ensinamentos colhidos com aquele fatídico episódio que culminou com a morte da principal refém e do sequestrador. O caso foi parar  inclusive nas telas dos cinemas.

Numa análise técnica, aí estão os 10 erros observados na intervenção policial naquela tarde:

1) A primeira grande falha no episódio foi não ter sido estabelecido,
com precisão, o perímetro de contenção, com isolamento e cerco da área
a ser operada.
2) Os atiradores de elite não se encontravam em posição favorável ao
tiro em que pese alguns cinegrafistas de televisão terem conseguido
uma razoável posição.
3) Não foi observada, face a dimensão da ocorrência policial, a
presença de uma alta autoridade da área de segurança que assumiria o
comando local das operações.
4) O seqüestrador ofereceu a possibilidade de ser alvejado
ao aparecer mais de uma vez na janela do ônibus, muito
embora tenha sido detectado que não houve ordens superiores
para que o tiro de precisão fosse efetuado.Registre-se que
as decisões sobre o desenrolar do episódio partiam do
componente político, muito embora fosse uma intervenção de natureza
exclusiva da técnica e da decisão policial.
5) A submetralhadora( 9mm), utilizada pelo policial mimlitar para
atingir o meliante,ainda que possa ser ajustada para tiro intermitente
e empregada por
90% das forças policiais de elite no mundo, especialmente em casos de
resgate de reféns, não era o armamento mais apropriado para o tiro a
curta distância, onde se necessitava do impacto na cabeça aniquilando
 as possibilidades de reação do seqüestrador.
6) O negociador era o próprio comandante da operação, o que não é
recomendável, uma vez que uma das funções primordiais do negociador é
justamente estabelecer o elo de ligação entre o comando da operação e
o seqüestrador, analisando e filtrando os itens possivelmente
negociáveis.
7) Foi observada a falha do Soldado PM, já que deliberadamente
resolveu intervir,  não logrando atingir, em disparo a curta distância, a
cabeça do delinqüente, em que pese ser na ocasião um integrante de uma
tropa de elite, o que evidencia, até certo ponto, momentâneo
descontrole emocional em razão da demora do desfecho final.
8) Foi detectada a falta de equipamento básico de segurança (algemas)
para imobilizar o seqüestrador, após ter sido este dominado e colocado
no interior da viatura policial.
9) Não foi observado terem sido interrogados os reféns que iam sendo
liberados, objetivando-se assim a obtenção de maiores dados sobre o
que ocorria no interior do ônibus.
10) Após o fatídico desfecho do caso, com a morte da refém por tiro
disparado pelo seqüestrador, permitiu-se a invasão imediata do local
por parte de integrantes da imprensa e de curiosos, prejudicando assim
o trabalho da polícia técnico- científica (perícia), face a necessária
preservação do local do crime.

Sobre o final do episódio do ônibus 174, que culminou com o transporte
e a morte do meliante, o caso foi julgado pela Justiça, não cabendo
análise. No entanto, o ensinamento básico que fica em casos como estes
pode ser resumido no seguinte postulado: "ENQUANTO SE NEGOCIA GANHA-SE
TEMPO, DESGASTA-SE FÍSICA E PSICOLOGICAMENTE OS SEQÜESTRADORES,
PRESERVA-SE A VIDA DOS REFÉNS, AGUARDA-SE O MOMENTO ADEQUADO ( SE FOR
O CASO) PARA A AÇÃO DE INVASÃO DO LOCAL OU PARA O TIRO FATAL E,
PRINCIPALMENTE, PARA O DESFECHO MAIS DESEJÁVEL COM A LIBERTAÇÃO DOS
REFÉNS E A PRISÃO DOS MELIANTES."

                Milton Corrêa da Costa Coronel da PM do Rio na reserva

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