Belo Monte é transferência direta de renda

 Copio o excelente comentário da Letícia Leite  (Produtora na empresa TV Meio Ambiente e Repórter na empresa Instituto Socioambiental - ISA ), publicado no facebook , que conhece muito de perto a situação em Altamira:
"Bela matéria do colega André Borges hoje no O Valor. O reassentamento coletivo é uma das questões mais delicadas da obra. É onde a grande sacanagem fica nítida aos olhos. Onde o imoral é lícito. Nas áreas rurais a Norte Energia não construiu uma casa sequer para nenhuma das 1800 famílias que desapropriou para instalar os canteiros de obras. Famílias que tiveram o azar de cair sobre suas cabeças um Decreto de Utilidade Pública que dá direito a uma empresa dizer quanto vale a sua casa, seu passado, presente e futuro, pagar por ele e não lhe dar o direito de fazer uma contra proposta, de reclamar ou dizer não. Sai muito mais barato entregar uma indenização sub avaliada, feita anteriormente ao início das obras, sem levar em consideração sequer a especulação imobiliária, do que garantir moradia digna pra população. O projeto economiza em obras sociais, as custas de uma população tradicional, para garantir a execução de uma obra privada, com financiamento público (BNDS). O QUE ACONTECE EM BELO MONTE É UMA TRANSFERÊNCIA DIRETA DE RENDA. TUDO ISSO PARA VENDER UMA ENERGIA BARATA, NUM GOVERNO QUE TEVE 10 ANOS PARA APLICAR UMA POLÍTICA ENERGÉTICA EFICIENTE E NÃO O FEZ. O preço do desconto é pago com a dignidade da população da Amazônia. Energia pra quem? Desenvolvimento pra quem, cara pálida? Nos próximos meses a sacanagem sai do campo e invade a cidade. O Xingu esta sendo barrado para o reservatório se formar, mais 40 mil pessoas vão ter que sair de suas casas. Em quais condições?"

(grifos meus)Belo Monte deve casa a mais de 7 mil famílias

    • Compartilhar:

 Por André Borges | De BrasíliaASSUNTOSRELACIONADOS

  1. Remoção de 7 mil famílias desafia prazo de Belo Monte

     

Para evitar atrasos no cronograma de construção da usina Belo Monte, cuja primeira turbina está prevista para entrar em operação em fevereiro de 2015, o consórcio Norte Energia fez um rearranjo no projeto das casas que estão sendo erguidas para abrigar 4,1 mil famílias desalojadas pela obra. Outras 3 mil receberão indenizações ou cartas de crédito. A construção das habitações é uma das medidas compensatórias impostas ao consórcio responsável pela usina.

No ano passado, a Norte Energia divulgou panfletos em Altamira (PA), onde Belo Monte está sendo construída, informando que as residências teriam modelos de 60, 69 e 78 m2. Agora, a empresa decidiu padronizar todas as casas em 63 m2. Outra alteração diz respeito ao uso de placas de cimento moldado, material que é 20% mais caro que a alvenaria tradicional, mas que tem instalação mais ágil. O diretor de engenharia e construção da Norte Energia, Antônio Kelson, reconhece que a mudança teve o propósito de acelerar a obra das casas, mas assegura que a troca beneficiou as famílias.

O caso chamou a atenção do Ministério Público Federal. "Vamos checar tecnicamente a estrutura dessas casas. As pessoas estão se sentindo enganadas porque prometeram uma coisa, mas estão entregando outra", disse a procuradora Bruna Menezes Gomes da Silva. Cerca de sete mil famílias devem ser remanejadas até julho do próximo ano, quando será formado o lago da usina.



© 2000 – 2013. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. 

Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/3244258/belo-monte-deve-casa-mais-de-7-mil-familias#ixzz2couMwCS8

Nenhum voto

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.