Penápolis: "a princesinha da noroeste"

Caros geonautas,

Comentário que fiz no post do Nassif, O planejamento na história dos municípios, mas o ego não se conteve, preciso colocá-lo aqui no meu blog com um post, e reproduzir no FACEBOOK, parafraseando a música do Zezé de Camargo, é o ego, é o ego, é o ego, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim,..., mas minha cidade merece muito mais.

Sobre o post do Nassif, planejamento municipal, vejam se não faz sentido eu puxar a sardinha para minha terrinha, o que toca fundo em cada um, "o animal que logo somos", o ego, a inveja e a especulação, como disse Oswaldo de Andrade: "O pavão confirma Freud". "Sempre olhe o lado bom da vida" (always look on the the bright side of life", ver vídeos - com legenda, post: O funeral e o espirito inglês, meu pai e o mundo).

E minha querida Penápolis, é o meu "Ode a Penápolis" (não no sentido do poema da Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade. Penápolis, a "Princesinha da Noroeste", que já em 1992, tinha 100% de tratamento de esgoto (era somente 5 cidades no Brasil), além de planejamento de água tratada para décadas à frente (DAEP), e também tinha 100% de ruas asfaltadas. De princesinha da noroeste a "princesinha da cidadania".

O fato gerou diversas reportagens na mídia. Ainda hoje, a lei municipal, sobre loteamente, não permite terrenos com tamanho menor do que "250 (m2)' ou seja 10m de frente por 25 m de fundo, houve pressão das construtoras e setores da sociedade nos anos recente para a construção de casas populares (Minha Casa Minha Vida), pelo que sei, o Prefeito da cidade, João Luis, pessoa ilibada, ímpar, não cedeu a pressão, um fato raro e louvável, que merece ser repetido inúmeras vezes.

E para não ficar atrás com relação aos casos do Nassif em Poços de Caldas, diria, isso que é competição saudável,  das boas, o lado bom da inveja na vida.

Minha pequena história política de Penápolis, que já contei aqui, nos idos de 2006 e 2007, para vermos que a história que se diz em verso e prosa, sobre o Lula "eleger até poste" (e que poste: Dilma), não é de hoje, vem de longe na vida democrática do país e dos povos. Pano rápido, em dois pontos:

1-  O planejamento da cidade de Penápolis, o pensar a cidade na geração atual, começou nas eleições de 1982, que foi um divisor de águas. O candidato vencedor, era (é) um cidadão muito simpático e carismático, profissional competente, médico ortopedista, que não era penapolense de nascimento, o preconceito na campanha eleitoral começava por aí, e se ampliou afora dos limites, pois antes de fazer medicina, teve um vida hippie, o que pode ter ajudou a moldar sua personalidade humana, um político que teve uma vida política completamente diferente, difere da maioria dos políticos. Foi eleito em 1982 pelo MDB contra três candidato da ARENA, o MDB também teve três candidatos, mais o médico João D´élia, obteve mais de 90% dos votos do MDB, e apenas 14 votos a mais na contagem geral contra os três candidatos da ARENA, a virada aconteceu na última urna, foi um fato inacreditável, quase inenarrável de tantas emoções e lembranças.

Na eleição seguinte, 1988, o já PMDB de Penápolis, ainda não tinha indicado seu candidato para disputar a eleição, mas a conversa de boca em boca, o fuxico, a novela do povão de bairro em bairro,  era, "vou votar no candidato do Dr. João", ele indicou um jovem rapaz de vinte e poucos anos, na "lira dos vinte anos", que foi eleito com larga margem. Na eleição de 1992, o candidato do Dr. João também venceu, e o resultado do trabalho já se mostrava, Penápolis e os números, mostrado acima, de qualidade de tratamento de esgoto, água e ruas asfaltadas, esportes , jogos regionais e estaduais, trouxeram outra dinâmica para o município. Mas o segundo Prefeito eleito com o apoio de João D´elia, era um empresário, que cometeu o pecado capital (a morte na política), no final de seu mandato, na saída da Prefeitura, em dezembro de 1996, deixou de pagar o 13 salário para os funcionários públicos, e sem grana para paga o próximo folha salarial no mês de janeiro de 1997, com o novo prefeito. Ele já tentou se eleger novamente, várias vezes, mas o povo ainda não esqueceu. O médico João D´elia, não quis mais ser candidato.

2- Em 1972, eu tinha 11 para 12 anos, foi quando participei pela primeira vez de uma campanha com meu pai, eu não só vi, eu vivi a experiência política, e ela não saiu mais de mim, graças a meu pai.

A cidade tinha dois candidatos, pela ARENA, os dois já tinham sido prefeitos em gestões anteriores,

Nagib Sabino, era de família libanesa (chamado, claro, "turco", parente do Nassif pela origem da família), a família tinha duas lojas na cidade, uma de instrumentos musicais, quase todos eram músicos, e outra de tecidos, um armarinho (talvez as duas eram juntos, não lembro). 

O outro candidato era engenheiro civil, tinha construtora, de família classe média alta, tradicional.

O engenheiro, Edison Geraissate,  tinha sido um bom prefeito, trouxe enormes progresso para cidade, Colégio Técnico  Agrícola, Faculdade de Letras, construiu um Ginásio de Esportes, gigante "Azul", que abrigou nos anos de 1968 (ou 69), um campeonato nacional de basquete, na qual o Estado da Guanabara se sagrou campeã na final contra o Estado de São Paulo, mas tinha também fama de ser arrogante.

O "turco", era mais povão, fazia mais a linguagem dos macacos “bonobos", na arte de fazer política.

Adivinhem para quem a classe média se inclinou?

Claro, para o "Dr.", como o povo chamava-o,  o engenheiro Edison Geraissate  caiu na graça do classe média, estou escrevendo e lembrando de uma coisa que ocorreu há mais de 40 anos, e mesmo assim estou um pouco emocionado, a vida humana é incrível, meu pai está comigo, boa parte da minha identidade vem dessa experiência.

E o "turco" (Nagib Sabino), foi apelidado pejorativamente de "alfaiate", ou seja, a caricatura criada, pegou na campanha, e a disputa se resumia entre votar para o "engenheiro", ou para o "alfaiate", que era uma forma, já na sua construção da linguagem de comunicação, pejorativa e de depreciar o suposto menos "estudado", e ao mesmo tempo, uma forma de elogiar o suposto mais estudado e mais "culto".

Lembro que a guerra na disputa, no calor da campanha era grande, tinha um cafeicultor do bairro rural Córrego Grande, Ermenegildo que fez muitas apostas.

O bairro era conhecido por mim, pois era onde eu tinha parentes que morava no sítio, minha tia-avó, Angelina, e meu tio-avô, João Bosso - ela era irmã da minha avó e ele irmão do meu avô - dois irmão casados com duas irmãs – os italianos era mais reservado, minha bisavô italiana morreu com quase 90, mas falava besteira de montão, e a conheci já meia gaga, era só palavras e palavrões em italiano.

O cafeicultor Ermenegildo, sempre estava na praça, na "pedra", como se falava e ainda se fala hoje, e no começo da campanha ele apostava no "Dr." e dava mil votos de lambuja (vantagem), e foi apostando, já perto da eleição ele apostava, mas não tava mais votos de vantagem, já era pau a pau. E as apostas rolavam.

O quadro e caricatura criada, pegou na campanha e ferveu, mas o povão também percebeu qual era seu lado, identificou que o “alfaiate” era uma pessoa mais próximo deles,  e o peso da fama de arrogância do engenheiro fez a diferença.

Quando se contou os votos nas urnas, o "alfaiate" venceu o "Dr."

O Lula eleger a Dilma não foi novidade nenhuma para mim.

E certamente não era, história como essa, é provável que houve muitos outros casos em nossa história.

O que apostei com meus amigos engenheiros, que em sua maioria eram Serra, após a reeleição do Lula em 2006, me arrogando com um prognóstico alá Raymando Faoro, foi que, poderia acontecer com o Brasil o que aconteceu com o Dr. João D´elia em Penápolis na década de 80, e no longo prazo, que não poderia mais ser comparado com Abraham Lincoln  (artigo de Rubem Alves- 2002), e sim com Thomas Jefferson, que saiu do governo em 1809 (1801-1809), e quando morreu em 1926, o governo ainda era formado por políticos oriundos de sua base, que mudou em 1928, com a eleição de Adrew Jackson. Uma aposta já foi vencida, a outra, só o tempo dirá.

Quem viver verá.

Sds,

 

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