Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN V) e gasoduto no Triangulo Mineiro

Publicado em 17/03/2011 - 17h41 Presidenta Dilma participa de cerimônia da Petrobras para obra do PAC em Uberaba Petrobras assinou protocolo de intenções com Cemig e Governo de Minas Gerais para implantação de Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN V) e gasoduto

A presidenta da República, Dilma Rousseff, participou nesta quinta-feira (17/03), em Uberaba, da cerimônia de assinatura do Protocolo de Intenções entre a Petrobras, a Cemig e o Governo do Estado de Minas Gerais para a implantação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN V) e de um gasoduto até aquela cidade mineira. "Uberaba foi escolhida por méritos, pois é uma das regiões mais produtoras de todo o país. O fertilizante para a região é muito estratégico para sua cadeia de alimentos", destacou a presidenta durante o evento.

 

O objetivo do documento é desenvolver ações para a viabilização econômica da construção da UFN V, pela Petrobras, em Uberaba, em paralelo à viabilização econômica da construção de um gasoduto até Uberaba pela Cemig, para atendimento à fábrica de amônia. A UFN V terá capacidade de produção de 519 mil toneladas por ano de amônia e irá consumir 1.257 mil m3/dia de gás natural. Integrante do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2), a obra começará em fevereiro de 2012 e será concluída em dezembro de 2014. Serão investidos US$ 1,3 bilhão na fábrica e serão gerados 5 mil empregos durante a construção, com um índice de nacionalização de 65%.

Para a presidenta, Dilma Rousseff, a autossuficiência  é o caminho para não depender da oscilação do mercado. "Queremos ser autossuficientes em fertilizantes até 2020, mas mais que isso, queremos ser inseridos nesse mercado sendo produtor e exportador. A estratégia é como fizemos com a Petrobras, hoje, somos uma das maiores reservas mundiais de petróleo. Com fertilizantes vamos mirar a autossuficiência, pois é um absurdo importar quase 60% e ficar nas mãos das oscilações do mercado", disse Dilma.

Além de agregar valor e dar mais flexibilidade à cadeia de comercialização de produtos do gás natural, a produção de amônia em Uberaba vai aliviar o Porto de Santos para movimentações de outros importantes produtos para o país e irá retirar das principais estradas cerca de 100 caminhões de amônia diariamente no trajeto do porto ao Triângulo Mineiro, reduzindo as possibilidades de acidentes.

"Não há riscos de que algo se torne inviável, pois a Petrobras e  a Cemig são duas empresas sérias e que estão muito empenhadas nesse projeto. O trabalho será grande e estaremos operando a planta no final de 2014, quando seremos autossuficientes", ressaltou a diretora de Gás e Energia e presidenta em exercício da Petrobras, Graça Foster (acima na foto). "Não teríamos chegado onde estamos hoje se há oito anos não tivéssemos investido em gás. Investimos R$40 bilhões para que hoje conseguíssemos suprir o gás em todo o país. São cinco mil quilômetros de gasoduto", complementou Graça.

A construção do gasoduto, que será interligado ao Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), para o abastecimento da UFN V, propiciará também possibilidades de investimentos ao longo do traçado deste novo duto.

Na coletiva prévia ao evento, com técnicos da Petrobras e representantes da Cemig, realizada nesta quarta-feira (16/03) (foto abaixo), o gerente geral de Implantação Química do Gás da Petrobras, Marcelo Murta, destacou o impacto do empreendimento na economia. "A planta de amônia vai trazer um grande desenvolvimento local e precisaremos de cinco mil trabalhadores. Priorizaremos os profissionais locais, e só em último caso, buscaremos a mão de obra no exterior. Quando a planta entrar em operação seremos autossuficientes e supriremos a necessidade do país”.

 

O investimento em treinamentos e capacitação de pessoal, abrange mão de obra local e profissionais formados pelo Prominp e Sebrae. “A planta de amônia vai movimentar a indústria e vai atrair empresas. Vamos recorrer ao Prominp e Sebrae”, disse Richard Olm, gerente executivo de Logística e Participações em Gás Natural da Petrobras.

A região do Triângulo Mineiro é o principal pólo de fertilizantes fosfatados do país e a UFN V será instalada no Distrito Industrial III, no município de Uberaba, em uma área de 104 hectares. A unidade também irá atender às demandas dos estados de Goiás, Mato Grosso e parte de São Paulo. O trabalho de sondagem para avaliação do solo e posterior terraplanagem começou em fevereiro.

Importância do empreendimento

A amônia é matéria prima para a produção de mono-amônio-fosfato (MAP), um fertilizante binário que contém fósforo e nitrogênio, e que é utilizado, principalmente, nas culturas de milho, cana de açúcar, café, algodão, laranja, entre outros. Hoje, a amônia é importada, via Porto de Santos, de Trinidad e Tobago e Venezuela, o que faz do Brasil o quarto maior importador de fertilizantes do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia.

Com a implantação da UFN V, o país não necessitará mais de importar amônia, o que contribuirá para o saldo da balança comercial. No ano passado, a produção comercializável de amônia da Petrobras foi de 202 mil toneladas. Para complemento da demanda nacional foram importadas 278 mil toneladas, totalizando uma demanda de 480 mil toneladas.

Hoje, o país já conta com duas fábricas de fertilizantes que produzem ureia e amônia: a Fafen-BA, em Camaçari, na Bahia, e a Fafen-SE, em Laranjeiras, no Sergipe. Juntas, as duas possuem capacidade de produção de 1.056 toneladas de ureia e um excedente comercializável de 255 mil toneladas de amônia. A implantação de novas unidades de nitrogenados está alinhada com o objetivo estratégico da Petrobras de agregar valor ao uso do gás natural na monetização de suas reservas. Além da UFN V, a companhia investe na construção da UFN III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, da UFN IV, em Linhares, no Espírito Santo, e na expansão da Fafen-SE, que, a partir de janeiro de 2013, produzirá também o fertilizante sulfato de amônio.

A UFN III, em Três Lagoas, recebeu em 22 de fevereiro a licença de instalação. A unidade entrará em operação comercial no segundo semestre de 2014 com capacidade de produção de 1,210 milhão toneladas de ureia e 81 mil toneladas de excedente de amônia por ano. A fábrica será a maior unidade de fertilizantes nitrogenados da América Latina e dobrará a produção nacional de ureia, contribuindo para redução das importações desse insumo. Hoje, o Brasil importa 67% da ureia que consome.

A UFN IV, em Linhares, destinará ao mercado de 665 mil toneladas por ano de ureia, 684 mil toneladas por ano de metanol, 200 mil toneladas por ano de ácido acético, 25 mil toneladas por ano de ácido fórmico e 30 mil toneladas por ano de melamina. A unidade entrará em operação em dezembro de 2015.

Todas as unidades vão operar em sintonia à geração termelétrica. Dessa forma, o gás natural disponível na malha de transporte brasileira e não demandado nos períodos de alta geração de energia pelas hidrelétricas será transformado em amônia ou ureia, fomentando a produção destes dois importantes fertilizantes para o desenvolvimento do país.

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