Haddad eleito, quem ganhou e quem perdeu com isso.

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Haddad eleito, quem ganhou e quem perdeu com isso?

Sem sombra de dúvida, a maior ganhadora é a cidade de São Paulo.

E que não se veja nessa frase nenhuma adulação a Haddad.

A cidade ganha em função da alternância do poder. Em São Paulo havia se estabelecido um pacto das “elites”. Com estado e prefeitura na mão do mesmo partido por pelo menos oito anos, formou-se em torno deste um consenso que envolvia a burguesia,  o judiciário, a grande imprensa e dois legislativos, estadual e municipal, passivos. Nada perturbava a paz paulistana.

Haddad quebra esse consenso. Não espere sossego da imprensa, do ministério público e do judiciário. No entanto, o critério utilizado em relação a Haddad terá, pela proximidade das administrações, que ser aplicado também a Alckmin. E isso é muito bom.

Ganha o PT.

 Aqui é necessário pouco que falar. Disputou uma eleição milimetricamente sincronizada com o julgamento de seus líderes, paulistas, no STF. Sofreu diuturnamente desde agosto referências negativas nos jornais, rádio e televisão, quando não os mais vis achincalhes em certos blogs e conseguiu conquistar a primeira cidadela adversária. Ganha em uma cidade que sempre lhe foi refratária.

Ganha Lula.

Unanimidade novamente. Reforçou sua já decantada fama de ter faro político para escolher candidato. Plantou mais um poste. E isso convalescendo de um câncer.

Ganha Dilma.

Fez o que devia fazer. Participou das eleições. Subiu nos palanques Brasil a fora. Fez política, sua obrigação. Quem agora dirá que ela não é petista? Mas, principalmente, conseguiu uma coisa que nem um dos seus mestres, Leonel Brizola, conseguiu. Entrou em São Paulo.

Ganha Aécio Neves.

Com a derrota de Serra, seu nome é agora consenso como candidato à presidência em 2014 pelo PSDB. Ganha mais ainda, o PSDB, depois de muito tempo, estará unido em torno dele. Será por uma janela curta de tempo, até que em 2018 Alckmin volte ao páreo federal.

Ganha Fernando Haddad.

Ganhou a eleição, é o novo prefeito de São Paulo. Mas não é isso , ou pelo menos não é só (?) isso. Saiu, em agosto, de ilustre desconhecido para uma vitória inquestionável em outubro - um trimestre. Sem experiência anterior em eleições, encarou uma imprensa que lhe era desfavorável e enfrentou “olhos-nos-olhos” Serra nos debates. Estabeleceu seu território, ganhou respeito. Esteve nas ruas, fez se conhecido e querido. Chega à prefeitura da maior cidade da América do Sul com pinta de governador e presidenciável. Basta aprender que em política tem fila e chegará aos dois cargos ao seu tempo. Haddad é o novo nome da política paulista. Um quadro novo e forte em um Estado de políticos envelhecidos.

Quem ganha e perde é Alckmin.

Ganha por um lado. Seu nome é agora hegemônico no PSDB paulista. É, portanto, tirando-se FHC, o nome mais poderoso do PSDB nacional. A derrota de Serra lhe tira um incômodo do caminho. Entrou na campanha de Serra com o entusiasmo de quem vai a funeral de conhecido distante. Cumpriu a obrigação, porém, com o distanciamento necessário para não se contaminar com a derrota.

Perde por outro lado. A chegada de Haddad a prefeitura adia qualquer pretensão de disputar a presidência em 2014. Terá de defender a posição do PSDB no governo de São Paulo. É o único nome do PSDB paulista. A que ponto chegou o PSDB paulista. Perde também porque Haddad lhe fará sombra. Ambos pertencem ao mesmo estrato social. Haddad é facilmente palatável pela burguesia conservadora e preconceituosa paulistana. Não será pela comparação que Alckmin terá vantagens junto a essa camada da população.

Perdem os colegas aqui do blog.

Aqueles que em junho, diante da foto de Lula, Haddad e Maluf, rasgaram a camisa com a estrela vermelha e passaram a criticar a “cagada do Lula”. Somos generosos. Eles também podem participar da festa.

Perdem Marta Suplicy e Luiza Erundina.

Erundina, por sua própria incoerência, deixou escapar a vice-prefeitura com a qual poderia encerrar sua carreira no poder. Marta Suplicy cometeu um erro imperdoável em política. Acintosamente subordinou os interesses do partido aos seus interesses pessoais. Abandonou a luta porque a luta não convinha aos seus propósitos. Isso terá um preço. Em política, se você não serve ao partido, você não serve para nada. Com a vitória de Haddad, Marta não é mais o nome do PT em São Paulo. É, agora, mais um nome do PT em São Paulo.

Perde Russomano.

E perde feio. Era preferível ter passado a campanha inteira como 3º colocado. Estaria cacifado e com a derrota de Serra ocuparia seu posto nas próximas eleições. Do jeito que se deu seu derretimento, passou a ser um candidato frágil até para eleição de síndico. Russomano terá de se reinventar se ambiciona o executivo. Mesmo no legislativo, vai ser doído reassumir a condição de deputado federal representante do baixo clero.

Perde o PIG.

Restou provado que a grande imprensa só tem o poder de influenciar mesmo os Ministros do STF. Desta vez não teve nem “bala de prata”. A derrota estava consumada uma quinzena antes do dia das eleições. Baixaram as armas e começaram a pensar nas explicações. O mensalão era a “bala de prata”. Depois dele não há mais nada. A questão que se impõem agora é, depois de perder em 2006, 2010 e 2012, farão a autocrítica?

Perde Serra.

Serra perdeu tudo. Perder e ganhar são as duas alternativas de qualquer político e se sucederão na sua vida. Mas Serra perdeu perdendo. Perder em sua cidade é muitas vezes pior do que ter perdido a presidência para Dilma. É perder na cidade que sempre o apoiou. Ele perdeu esse apoio. A quem vai creditar a derrota, aos nordestinos comprados pela “bolsa esmola do Lula”? Serra cansou o eleitorado. E isso é fatal. Se não ganha em São Paulo, ganha onde? Serra perdeu o discurso, Serra perdeu o senso de ridículo, Serra perdeu a compostura. Serra perdeu o partido. Restou o que a Serra? O partido do Kassab vai formar com a base aliada de Dilma e de Haddad. Resta a Serra ser candidato à presidência em 2014 pelo PPS tendo como vice Soninha Francine. 

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