Joaquim "Obama" Barbosa e o médium Gaspari

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Comentário: Elio Gaspari considera-se com poderes mediúnicos. Verdadeiro herdeiro de Chico Xavier, tem, no entanto, uma caracterítica que o distingue do comum dos médiuns brasileiros. Os médiuns brasileiros normalmente incorporam espíritos de médicos alemães e Elio Gaspari desenvolveu a capacidade de incorporar juristas da Suprema Corte dos EEUU.


É comum nas suas colunas em Folha as cartas psicografadas por Gaspari nas quais juristas americanos já desencarnados dão conselhos e lições de moral a políticos brasileiros.


Desta feita é diferente, Gaspari se superou, tornou-se telepata também. Psicografou uma carta de um vivo. Ninguém menos que o próprio presidente Obama.


Nela, sob o pretexto ensinar política à presidente Dilma, Obama lança a candidatura de Joaquim Barbosa a presidente da república.


O Obama de Gaspari é um ingênuo ou não conhece nada da política brasileira - o que deve ser verdadeiro. O Obama de Gaspari acredita que a oposição no Brasil seja exercida pelo PSDB. O Obama de Gaspari não conhece o Instituto Millenium nem o PIG, tampouco parece conhecer a atuação política de boa parte do nosso STF.


Erra também por julgar que Joaquim Barbosa cobiça o poder executivo. Pelo que tem demonstrado na presidência do Supremo, Joaquim Barbosa se enxerga exercendo o poder moderador reservado aos imperadores do Brasil


 De [email protected] para [email protected] 


 Companheira Dilma,

Permita-me esse tratamento, apesar de estar atravessada na minha memória aquele dia de caça aos ovos de Páscoa nos jardins da Casa Branca em que a senhora veio aqui me dar aula de economia. Resta-lhe o crédito das minhas filhas terem adorado seu palácio, que o Ronald Reagan achou parecido com sede de empresa de seguros do Texas.


Decidi escrever-lhe porque há tempo suspeito que a senhora cometeu o mesmo erro que eu. Dispondo de três nomes para o Ministério da Fazenda, nomeei os três. Pus o Timothy Geithner no Tesouro, o Paul Volcker num conselho e o Larry Summers numa assessoria. (Imagine o que esse gênio de Harvard mandou pedir: um carro, presença em eventos e convites para jogar golfe comigo.) Deu tudo errado. Summers e Volcker foram-se embora e, se Deus me ajudar, troco o Geithner no ano que vem.


Esses jornalistas que sabem tudo dizem que eu quase capotei na curva por causa desse erro. Não foi assim. O Geithner garantiu-me um norte: a busca obsessiva pela confiança do empresariado. Sem isso, o país teria ido à breca. Sinceramente, sua turma está espancando essa gente. Aí, como cá, o sujeito tem uma sala no palácio e pensa que manda. Eu não sei o que a senhora quer fazer com as concessionárias de energia e de portos, mas sei que conseguiram produzir uma enorme confusão.


Lá pelo final de 2009, durante a discussão da política nacional de saúde, caiu-me a ficha. Meu problema não estava na economia, mas naquilo que vocês chamam de Casa Civil. A máquina da Presidência simplesmente não funcionava. Livrei-me de dois.


Sei que a senhora não tem sorte nesse tipo de escolha. Agora sua chefe da Casa Civil é candidata ao governo de um Estado. Essa é a receita da encrenca. Os êxitos caem por gravidade no colo do presidente, mas os fracassos dão-lhe a impressão que vão para a conta dos outros. É engano, companheira. Os fracassos grudam na gente com mais força que os sucessos. Enquanto estamos no palácio, todos nos dizem que isso não acontece. Quando vamos para rua pedir votos, vemos o tamanho do erro.


Redesenhe seu palácio, fuja dessas salas de eventos, vá para a rua, siga seus instintos, enquadre os ministros candidatos a governos. Sua tarefa é muito mais fácil que a minha. Se aqui houvesse uma oposição como a que há aí, eu passaria metade do meu tempo jogando basquete ou paparicando a Michelle. Antes que eu me esqueça, não perca tempo com a "The Economist". Desde 1848, quando foi fundada, ela ensina ao mundo que não há salvação fora da ortodoxia liberal. Que ninguém me ouça: a Inglaterra provou esse remédio e cada dia se parece mais com a Holanda.


Finalmente, um palpite, sem qualquer vestígio de torcida: admita que seu rival em 2014 será o juiz Barbosa. Quando eu lancei minha candidatura, o Vernon Jordan, respeitado líder negro, apoiava minha rival. A certa altura trocou de posição a explicou-se: "É duro disputar contra um movimento".


Lula, "o cara", representou um movimento.


Michelle, Malya e Sasha mandam-lhe um abraço. Marian, minha sogra, de quem talvez a senhora se lembre, acompanha-as, mas fala todo dia nesse juiz Barbosa.


Do companheiro Barack.

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