O maior anão do mundo ou o menor gigante? A Folha bipolar.

Autor: 

A piada é velha, um circo sem novas atrações para seu público chega à cidade alardeando possuir no seu elenco o maior anão do mundo. Era, na verdade, um dos palhaços, um homem de uns um metro e sessenta de altura. Na cidade seguinte ele é apresentado como o menor gigante do mundo.

Parece que a Folha, na sua crítica ao atual governo, adotou esse método “esperto” e ridículo.

Coisas do tipo: "Petrobrás tem o menor lucro dos últimos dez anos" ou "Balança comercial tem o seu pior superávit desde 2007".

A justaposição das palavras "menor e lucro" e "pior e superávit" é coisa para o Professor Pasquale explicar.

O uso dessas manchetes é, no entanto, em minha opinião, apenas uma canhestra tentativa da Folha de apresentar uma notícia boa por um viés negativo. E tome o leitor da Folha aguentar análises maliciosas de séries históricas. 

Vejamos a manchete de hoje:

"Comércio fecha vaga, e emprego desacelera - setor apresenta pior desempenho desde 1992, e geração de postos com carteira assinada recua 76% em janeiro."

Vai se ao texto e fica-se sabendo que a notícia é positiva. Entre demissões e contratações o país teve um saldo positivo de 28,9 mil postos de trabalho. A Folha online já trazia ontem que o "estoque de empregos" havia subido em 0,07%.

O comércio demitiu. Será que o comércio contrata em dezembro, para as festas de fim de ano, e demite em janeiro? O próximo grande evento do comércio é em maio, Dia das Mães.

A boa notícia é a contratação da indústria e da construção civil em janeiro. São postos muito mais estáveis que os do comércio e ocupados logo no primeiro mês do ano.

Mas, continuemos no texto.

“Torelly (diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho) admite que o mês foi fraco”. "[O resultado] Não é péssimo porque é positivo".

O incrível “admite que o mês foi fraco” quando o entrevistado afirma “não é péssimo porque é positivo”.  

Ora se é positivo não poderia ser péssimo. Onde está a admissão da fraqueza?

“Péssimo e positivo”, mais uma para o Professor Pasquale.

Avante, Torelly informa:

“O setor industrial criou 43,4 mil postos formais em janeiro, o quarto melhor resultado em janeiro da série histórica.

Mais incrível ainda, logo abaixo, a Folha apresenta um subtítulo – Contraponto. Depois de tanta notícia desfavorável crê-se que a Folha vai praticar o saudável “O Outro lado”. Nada mais enganoso, o texto, utilizando a opinião de especialistas consultados, parece desdizer a afirmação de Torelly sobre o crescimento da indústria:

“No entanto, na opinião do economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, ainda é cedo para dizer que a recuperação da indústria é sustentável.”.

O contraponto não seria à matéria e sim ao entrevistado. Arnaldo, isso pode?

Mas o que o economista estaria realmente dizendo? Porque a seguir lemos:

“Para Bacciotti, um ambiente de pleno emprego reduz a incorporação de mão de obra e acaba limitando o crescimento da economia.”.

Estaria o economista explicando que a “queda do aumento” (outra para o Professor Pasquale) é um fato normal porque, dado o crescimento contínuo do Brasil nos últimos anos, chega-se naturalmente a um ponto onde há cada vez menos mão de obra a ser incorporada?

Essa seria uma explicação lógica e técnica, mas o texto da Folha não dá margem à informações lógicas e técnicas. Rapidamente pinça uma afirmação descontextualizada e contrária:

“No início do ano, o Ministério do Trabalho estimou a criação de aproximadamente 2 milhões de empregos formais em 2013”.

“Segundo Torelly, “se [a criação de vagas] seguir nesse ritmo, é claro que não vai atingir essa meta”, mas ele espera que os próximos meses mostrem reação.”.

Caramba, uma afirmação começando com “se”.  Piada pronta, como diria José Simão, “se minha mãe fosse homem eu teria dois pais”. Onde está a informação?

Cansei, virei a página do caderno Mercado, próxima manchete:

“Alta de alimentos reduz efeito da queda da energia - “Prévia da inflação recua em fevereiro, mas fica acima do que era esperado”.

“Alta e queda, recua, mas fica acima”.

Socorra-me, meu São Pasquale de Cipro Neto, nesta hora de aflição.


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/95185-comercio-fecha-vaga-e-emprego-desacelera.shtml

 

Comércio fecha vaga, e emprego desacelera

 

Setor registra pior desempenho desde 1992, e geração de postos com carteira assinada recua 76% em janeiro

Ministério do Trabalho vê perda no dinamismo do emprego; indústria, no entanto, recupera-se na esteira de estímulos

CAROLINA OMS

DE BRASÍLIA

O Brasil criou 28,9 mil novos postos de trabalho com carteira assinada em janeiro, número 75,7% inferior ao do mesmo período do ano passado (118,895 mil).

É o pior resultado para o mês desde 2009, quando foram fechadas 101.748 vagas. Naquele momento, o país começava a sentir os efeitos da crise financeira internacional.

Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a partir dos números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

"O resultado indica uma perda de dinamismo do emprego já apontada, em menor grau, em 2012", disse Rodolfo Torelly, diretor do Departamento de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho.

O setor de comércio puxou a desaceleração, ao reduzir o número de vagas em 0,75%, resultado do fechamento de 67.458 postos de trabalho.

Trata-se do pior resultado para o setor em janeiro desde o início da série histórica, que começou em 1992.

Torelly admite que o mês foi fraco. "[O resultado] Não é péssimo porque é positivo", disse, referindo-se ao desempenho da indústria. O setor industrial criou 43,4 mil postos formais em janeiro, o quarto melhor resultado em janeiro da série histórica.

Segundo o diretor, a criação de empregos na indústria é resultado dos estímulos do governo para esse setor.

"A construção e a indústria já começaram a se recuperar. A indústria é a joia da rainha, e o efeito pode se prosperar para outros setores."

CONTRAPONTO

No entanto, na opinião do economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, ainda é cedo para dizer que a recuperação da indústria é sustentável.

"A competitividade da indústria é bastante limitada."

Para Bacciotti, um ambiente de pleno emprego reduz a incorporação de mão de obra e acaba limitando o crescimento da economia.

No início do ano, o Ministério do Trabalho estimou a criação de aproximadamente 2 milhões de empregos formais em 2013.

Segundo Torelly, "se [a criação de vagas] seguir nesse ritmo, é claro que não vai atingir essa meta", mas ele espera que os próximos meses mostrem reação.

Embora avalie com otimismo os números apresentados pela indústria, o economista da LCA Consultores, Caio Machado, ressalva que o ritmo de contratações do setor não vai se manter nos próximos meses.

Segundo o economista, no ano passado, a indústria ainda tem espaço para aumentar a produção sem precisar contratar.

Nenhum voto
2 comentários
imagem de tenodasilva

Estava tentando responder no no blog do nassif, mas deve ter algum problema que nao encaminha o meu comentario.

 

"Maldito complexo de vira-latas que acha que temos algo a aprender com qualquer país estrangeiro com história, cultura e formação diferentes dos nossos."

 Entao tu acha que o que aprendemos ate hoje veio de onde ?? de Plutao?? Marte ou Jupiter. 

"Imagino que fosse você um francês não teria escrito um post como esse." EU tenho certeza de que se tu fosse brasileiro e pensasse no Brasil, saberia que 30 mil pessoas morreram ano passado em acidentes de transito ( qual a porcentagem de motoristas bebados envolvidos??) e que aqui morreram 1900. 

 

"Aí na Inlaterra também se prendiam homossexuais." E no Brasil, qual a situacao dos homosexuais hoje??? Como e' mesmo a situacao ai em Sao Paulo???

Aqui nao tem ninguem melhor do que ai. Mas a lei aqui funciona melhor para punir motorista bebado.

 
imagem de Sergio Saraiva

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1236681-taxa-de-desemprego-sobe-para-54-em-janeiro-diz-ibge.shtml 26/02/2013 - 09h02 Taxa de desemprego sobe para 5,4% em janeiro, diz IBGE

PEDRO SOARES
DO RIO

 

Diante da saída de trabalhadores temporários do mercado de trabalho, a taxa de desemprego subiu para 5,4% em janeiro --havia sido de 4,6% em dezembro, a mais baixa da série história do IBGE, iniciada em 2002. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego do instituto e foram divulgados nesta terça-feira.

O desemprego cresce tradicionalmente em janeiro quando muitas pessoas voltam a procurar uma vaga após as festas de final de ano, quando a busca é reduzida. Além disso, empregados temporários são dispensados principalmente no comércio.

A taxa de janeiro deste ano, porém, é a mais baixa da série do IBGE --em 2012, o percentual havia ficado em 5,5%.

Com esse cenário, o número de pessoas ocupadas cresceu 1,2% em janeiro na comparação com igual mês de 2012 e caiu 1,2% em relação a dezembro. De dezembro para janeiro, 293 mil pessoas perderam seus empregos.

Já o total de desocupados subiu 17,2% de dezembro para janeiro, o que corresponde a 195 mil pessoas à procura de trabalho. Na comparação com mesmo mês do ano passado, houve alta de 1,4% ou 18 mil pessoas a mais nas seis regiões metropolitanas onde a pesquisa é realizada.

SETORES

Dentre os setores, os que mais fecharam vagas de dezembro para janeiro foram construção civil (-5,2%), comércio (2,1%), serviços domésticos (-5,9%) e o ramo de educação, saúde e administração pública (-2,1%).

Em números absolutos, ocorreram mais dispensas no comércio (96 mil vagas de um mês para o outro) e na construção (95 mil). Num primeiro sinal positivo após um ano de 2012 ruim para o emprego industrial, o número de ocupados no setor cresceu 1,5% --ou 55 mil postos de trabalho abertos nas seis regiões pesquisadas.

Considerando a forma de inserção da mão de obra no mercado de trabalho, o emprego com carteira ficou praticamente estável (alta de apenas 0,1%) de janeiro para fevereiro. A maior parte das vagas fechadas em janeiro foi de empregados sem carteira assinada, categoria que registrou queda de 5,4% na comparação com dezembro --ou 134 mil pessoas ocupadas a menos.

Em relação a janeiro de 2012, o emprego com carteira subiu 4,1% (459 mil pessoas a mais). Já as contratações sem contrato de trabalho recuaram 1,6% nessa base de comparação.

Segundo o IBGE, o rendimento teve variação de -0,1% de janeiro para dezembro e foi estimado em R$ 1.820. Em relação a janeiro de 2012, houve alta de 2,4%.

PANORAMA

O mercado de trabalho não refletiu em 2012 o fraco crescimento econômico: o desemprego foi o mais baixo desde 2003, início da atual série histórica, e a renda do trabalhador cresceu no maior ritmo desde 2004, segundo o IBGE.

O descompasso resultou do alto custo de demissões e da escassez de mão de obra em alguns setores, o que fez empresários segurarem trabalhadores e aceitarem pagar melhores salários.

Foi reflexo ainda do crescimento maior do PIB em atividades que ocupam mais pessoas, como comércio e serviços, dizem analistas. Os dados do PIB de 2012 serão divulgados na sexta-feira e analistas preveem alta de apenas 1%.

Nesse cenário, a taxa média de desemprego ficou em 5,5% em 2012, a menor desde 2003. Já o rendimento subiu 4,1%, o melhor desempenho da série história, graças também ao forte reajuste do salário mínimo, segundo especialistas.

 

 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.