O perigo de pensar diferente e sua utilidade.

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Comentário: Em 27/12 Janio de Freitas deixou alguns "cacos" em seu artigo "O mérito. Ou não" publicado na Folha. Alguns comentarista aqui do blog entendemos que haviam pedido a cabeça do velho jornalista. A coluna de Suzana Singer - ombusdman da Folha -  de hoje (30/12) é bastante significativa nesse sentido. É um rasgado elogio à Janio, deixando claro, no entanto, que ele não fala em nome do jornal. 

PS.: quanto ao decantado pluralismo de opiniões que seria praticado pelo jornal e é afirmado pela ombusdsman isso é coisa da geração passada. Na atual direção do jornal vigora o pensamento único, do qual o aparelhamento do Painel do Leitor é, para mim, a parte mais dolorida. Janio é na verdade a exceção que confirma a regra. Mantê-las, as regras e algumas poucas exceções ou uma única exceção, pode ser inteligentemente útil. 

Pensar diferente

As colunas de Janio de Freitas sobre o julgamento do mensalão têm provocado reações de "amor" e "ódio". É fácil entender por quê.

Enquanto a quase totalidade dos colunistas aplaudia as decisões do Supremo Tribunal Federal, Janio de Freitas criticava ministros e levantava dúvidas sobre as provas e teorias citadas para condenar os réus.

No domingo passado, por exemplo, o jornalista afirmou que "a condenação de José Dirceu está apoiada por motivos políticos". Criticou ainda a forma como Joaquim Barbosa tratou Ricardo Lewandowski, o revisor do processo, e afirmou que, no futuro, o julgamento será visto como "essencialmente político".

Nos últimos cinco meses, o colunista incluiu no seu rol de críticas a imprensa, por ter feito, segundo ele, uma cobertura parcial. No final de julho, escreveu: "O julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal é desnecessário. Entre a insinuação mal disfarçada e a condenação explícita, a massa de reportagens e comentários lançados agora, sobre o mensalão, contém uma evidência condenatória que equivale à dispensa dos magistrados e das leis a que devem servir os seus saberes" 

A turma do "ódio" tacha o colunista de "porta-voz do PT", "chapa-branca" e "ingênuo". Os seus defensores o consideram "corajoso", "ético" e "lúcido". Elogios e insultos à parte, o que os leitores parecem não entender é a salutar distância entre os artigos de opinião e o noticiário.

As dúvidas levantadas por Janio a favor dos condenados não "destroem a imagem de independência do jornal", como apontou um leitor, mas também não "provam que as reportagens publicadas são sempre contra o PT", como acredita outro.

Janio de Freitas é membro do Conselho Editorial. Em junho do ano que vem, sua coluna publicada na seção política completará 30 anos. A importância do jornalista não significa, porém, que seus textos devam ser lidos como "a" opinião da Folha, que é expressa nos editoriais -escritos por uma equipe chefiada pelo editor de "Opinião", não pelo Conselho Editorial.

Uma das características mais elogiáveis da Folha é manter a diversidade no seu plantel de colunistas. Eles não precisam estar alinhados com as posições do jornal, o importante é que não pensem em uníssono para que sejam apresentadas diferentes visões sobre um fato.

Tanto os detratores do colunista quanto os seus seguidores se indignam com o jornal. Os primeiros porque a Folha mantém quem "renega o trabalho dos seus próprios repórteres" (ele já escreveu que o termo "mensalão" não faz sentido). Os outros porque a Redação "ignora tudo o que Janio escreve" (e não investiga as dúvidas apontadas por ele). Nenhum dos extremos percebe que estão fazendo um tremendo elogio ao perguntarem "como a Folha dá destaque a alguém que confronta aquilo em que ela própria acredita". O nome disso é pluralidade.

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