O rugido dos gatos-pingados.

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Bem que eu tento tirar essa mulher da minha cabeça, mas minha Linda Loura – musa da elite branca não dá trégua ao meu coração.

Assim, vamos ao texto de Eliane Cantanhêde na Folha de hoje, 18/07 – Aos leões.

Aos leões

BRASÍLIA - Com o grave atrito entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, perde força a hipótese de o STF acatar os embargos infringentes, que significam recomeçar o julgamento praticamente do zero e a possibilidade de reduzir penas e de trocar o regime fechado por semiaberto em alguns casos, como o de José Dirceu, estrela do processo.

Vamos lá, não houve nenhum atrito entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski. Houve agressão de Joaquim Barbosa a Ricardo Lewandowski.

Quer dizer que em função dessa agressão o STF não deverá acatar os embargos infringentes? Seria o caso de se perguntar o que tem uma coisa a ver com a outra, mas Eliane explica a relação causal logo abaixo no seu texto.

Adianto, o STF, segundo Cantanhêde, não deverá acatar o embargos porque Barbosa já avisou que vai agredir qualquer ministro que ouse tentar acatá-los e, lógico, todos os outros ministros ficaram intimidados e obedecerão Barbosa. E se mesmo assim os recursos forem acatados, Eliane Cantanhêde mandará os manifestantes dos próximos protestos de 7 de setembro hostilizarem os juízes que assim procederem. Os ministros sabedores disso ficarão quietinhos e obedecerão ao que Cantanhêde lhes ordenar.

Lewandowski errou no conteúdo e Barbosa errou na forma.

Mas ora vejam só, minha Linda Loura, especialista em aviação de caça e doenças tropicais, também se mostra douta na jurisprudência e na doutrina e identifica erros de conteúdo em ministro do Supremo.

Um (Lewandowisk) por forçar a barra para reabrir uma questão já decidida e que, reaberta, poderia favorecer Dirceu.

Mas afinal, para que servem embargos se não para reabrir questões já decididas? Eliane cassou de Dirceu o acesso ao amplo direito de defesa? Ah! Minha Linda Loura, tão cruel, tão leonina.

O outro (Barbosa) por extrapolar na reação.

Vejamos, não foi agressão de Barbosa, ou intimidação, foi reação. E como ensina a prudência, a reação também é um erro. Menor, mas erro assim mesmo.

Extrapolou tanto -falando até em "chicana", termo gravíssimo no mundo jurídico- que deixou uma dúvida: seria estratégia premeditada para mostrar o que pode acontecer no Supremo caso o julgamento não acabe logo e com os culpados na prisão?

Opa! Taí a intimidação de Barbosa aos outros ministros.

Se, no segundo dia e analisando embargos declaratórios (que são quase burocráticos), o clima já foi de guerra e de imprudência, imagine-se se o julgamento durar meses e invadir o ano eleitoral analisando embargos infringentes (que podem mudar tudo). O grande derrotado poderia ser a instituição, exposta, dividida e sob a ameaça de os protestos se voltarem contra ela.

Interessante como agora qualquer um é dono dos protestos. Eliane já está vendo a massa na rua intimidando os ministros do Supremo e obrigando-os a mandar José Dirceu para as galés.

Na primeira fase do julgamento, Barbosa puxava a maioria, e Lewandowski e Dias Toffoli pareciam isolados. Agora, eles têm reforço dos novatos Teori Zavascki e Luís Barroso. Num balanço informal, três ministros são decididamente contra acatar os infringentes, a começar de Barbosa; quatro são a favor, inclusive Zavascki e Barroso; e quatro não deram pistas sobre seu voto, apesar da sensação de que Cármen Lúcia não apoia começar tudo de novo.

Minha Linda Loura treme nas bases. Se os quatro a favor são Lewanowisk, Toffoli, Zavascki e Luis Barroso, então são cinco. O ministro Celso de Mello já deu sinais de que os embargos infringentes seriam uma boa estratégia para caracterizar um duplo grau de jurisdição “postiço”.

São 11 juízes numa arena, diante de decisões dificílimas e acossados por milhões de pessoas que veem o julgamento como um divisor de águas entre o Brasil de antes e de depois do mensalão.

Mas quem colocou esses milhões de pessoas acossando os ministros do Supremo, tal qual leões em uma arena romana? Minha Linda Loura cesarina os colocou. Não contou obviamente com a opinião da meia dúzia de gatos-pingados para a qual deixar o julgamento com está é transformar a Suprema Corte em um tribunal de exceção, já que não espera muita coisa em relação ao mensalão tucano, mensalão do DEM, sonegação da Globo, Privataria Tucana, affair Veja-Cachoeira e trensalão do PSDB. Questões abertas que mostram que não há um Brasil antes e depois do mensalão. Assuntos esses que minha Linda Loura não trata por entediada em discorrer sobre pequenos vícios e suposições. Minha Linda Loura só se ocupa das grandes questões da nação.

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