Quem não tem papel da recado pelos muros. Viva Raul.

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Em São Paulo as ruas não são públicas, são do prefeito. Que é um homem triste, o tal rei mal coroado que não queria o amor em seu reinado, pois sabia, não ia ser amado (viva Vandré, também).

O prefeito também é o dono da imobiliária, assim, em São Paulo, não limpamos as ruas nem desassoriamos rios, mas, em compensação, batemos e mandamos para cadeia os artistas de rua. 

A respeito da prisão de grafiteiros aqui em São Paulo deixei o seguite comentário:

Como diz Gabriel,o Pensador:

"Eles querem a paz, mas a paz é contra a lei e a lei e contra paz".

Basta substituir a palavra paz por arte. E fica assim:

"Eles querem a arte, mas a arte é contra a lei e a lei é contra a arte".

PS.: sou pai de um grafiteiro, no meu aniversário de 50 anos ele me deu um grafite de presente. No muro em frente de casa. Fiquei lá vendo ele desenhar e cuidando que nehum policial prendesse o meu presente de aniversário. Passaram duas viaturas, nem ligaram. O grafite ficou lá embelezando o muro de um terreno baldio até que foi derrubado para a construção de um posto de gasolina. Fiquei triste, comentei com meu filho que compreensivelmete me disse, "é o destino de toda arte de rua".

Aí, o galhofeiro do Ulderico, colega aqui do blog, me sai com esta: " pichação é coisa de troglodita."

Ah, é? Então tá. Taí a resposta:

Prezados Homos Sapiens deste blog, grafite não é pichação.

Mas mesmo em relação aos pichadores é possível lembrar que:

na década de 60 esses trogloditas pichavam nos muros "abaixo a ditadura".

Depois, no anos de chumbo, nem isso era possível. Os trogloditas deixavam frases chifradas, "Suzana escura" e "Celacanto do mar provoca terremotos" ficaram famosas. Mas havia outras, tais como "Amar, éter na mente" (provavelmente um troglodita romântico) ou "Mandrake + Hendrix = Mandrix", essa acho que você não vai entender.

Raul "Rock" Seixas fez, inclusive, uma música em que um versos diziam "quem não tem papel dá recado pelos muros, quem não tem presente se contenta com o futuro". Os milicos no poder diziam que este era o país do futuro, não gostaram dos versos e censuraram. Raulzito trocou para  não "quem não tem colírio usa óculos escuros, quem não tem visão bate a cara contra o muro" os milicos não entenderam a ironia e liberaram.

A partir da década de 90 e de seu neo-liberalismo surgiu nas periferias uma outra geração de trogloditas sem papel, sem espaço e sem cultura e educação para saber dizer o que eles querem dizer, o que eles precisam dizer. Como não podem gritar em nossos ouvidos, gritam suas angútias e indignações em rabiscos arabescos ou tribais pelas paredes onde encontram.

São esses os nossos trogloditas.

Temos uma outra rapaziada que se diverte espancado "gays" na Avenida Paulista ou postanso no twitter conclamação para o afogamento de nordestinos. Como eles não grafitam não são trogloditas. São os nossos garotos de ouro, as nossas "crianças-esperanças".

Aliás, alguém já viu um grafite exortando a violência?

Imagens: 
Permitam apresentar lhes o "homem-mamute"
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