PARADOXOS "MADE IN PARÁ"

  

Andiroba, murumuru, buriti, cupuaçu, babaçu, ucuuba, pracaxi, patauá, castanha, açaí, cacau são alguns dos chamados produtos da sociobiodiversidade*. Formam junto com outras espécies os pés que mantém a floresta em pé.

Tem alta demanda de mercado, principalmente pelas industrias cosméticas para produção de sabonetes, cremes, shampoos e perfumes. E não são exclusividade dos grandes, já que fazem parte dos itens produzidos também pelos povos tradicionais e agricultores familiares da Amazônia, muitos deles organizados em cooperativas comunitárias.

Diante de todo esse potencial da economia da floresta, temos apoiado as comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (oeste do Pará) através do Programa FLORESTA ATIVA, que prevê diversas ações (Saf’s, reposição florestal, etc), entre elas a montagem de unidades de beneficiamento para agregar valor a produção (óleos vegetais e essenciais, polpas e derivados), sempre melhor do que a venda “in natura”. O desafio é promover a inclusão social a partir da produção sustentável, um passo seguinte e que vai além de programas como o Bolsa-Família.

Para isso, começamos a fazer alguns levantamentos preliminares, e nos deparamos com a seguinte situação no Pará: em função  das diferentes alíquotas do ICMS (imposto de competência estadual sobre a circulação de mercadorias), em alguns casos  SAI MAIS EM CONTA ENCAMINHAR PRODUTOS DA NOSSA SOCIOBIODIVERSIDADE PARA PROCESSAMENTO EM SÃO PAULO DO QUE ENVIÁ-LOS PARA AS INDÚSTRIAS PARAENSES. Leia mais »

Aos Garis de Niterói, 5 Lições da Vitória dos Colegas no RJ

1) Fez cair a ficha da sociedade do quanto são importantes. Fazem o que ninguém quer fazer, e vão além fazendo o que o "cidadão" deixa de fazer. Justo que sejam bem remunerados e valorizados (em alguns países, são chamados de agentes ambientais). #VitoriadosGaris

2) Que pelego não tem mais vez. Sindicatos que não atuarem no cumprimento da missão pela qual foram criados serão engolidos nesses novos tempos. #Vergonha

3) Que nem tudo que vemos na mídia é. Fere nossa inteligência o destaque de que a tal greve era de uma minoria de 300, tendo uma cidade inteira emporcalhada e que até então era cuidada por 15 mil garis. #SeLiga

4) Que greve é greve. Quando a classe está unida, sabe o que quer, é um instrumento poderoso  mesmo com muitos "poderosos" contra. #FicaDica para as categorias de trabalhadores ainda pouco organizadas.

5) Que Era da Comunicação = diálogo. Alguém eleito pelo povo é empregado dele (não o patrão). #FicaDica pro Prefeito Eduardo Paes e outras categorias de políticos.

#ObrigadoGaris! Leia mais »

Barco-hospital Abaré: interiorização da Medicina na Amazonia

Abaré: uma oportunidade de política pública para a interiorização da medicina. Por que perdê-la?

(Para entender mais sobre o caso: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-novela-do-navio-hospital-abare)

O debate sobre o Abaré I, que se tornou referência nacional de saúde nas regiões de rios da Amazônia, deve ser entendido não como um problema, mas como uma forma de mobilizar oportunidades  para a interiorização da medicina na nossa região, como uma política pública integradora de atendimento e de ensino na área de saúde. A discussão já vai longe e me manifesto trazendo a tona alguns elementos que considero importantes, como médico que vivenciou essa experiência por 4 anos, e atualmente como coordenador adjunto do curso de medicina UEPA – Universidade Estadual do Pará. Leia mais »

NAVIO-HOSPITAL ABARE: UMA NOVELA AINDA SEM FIM NA AMAZÔNIA

Descontinuidades na sucessão municipal põe na UTI iniciativa premiada que inspirou politica nacional para saúde dos ribeirinhos na Amazonia

O Projeto Saúde e Alegria (PSA), ONG sediada em Santarém (PA), sempre procurou somar esforços as políticas públicas para assegurar o direito à saúde e reduzir os níveis de exclusão das populações ribeirinhas de áreas remotas da Amazônia.

Na busca pela construção de um modelo de atenção básica resoluto e adaptado, um passo foi dado, em 2006, com a implantação do navio-hospital Abaré, que viabilizou o acesso regular a serviços assistenciais para 15 mil ribeirinhos de mais de 70 comunidades das duas margens do Tapajós, nas zonas rurais dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro. Leia mais »

Florestas, Amazônia e Inclusão – Parte II

Parte II - UM RECORTE (NO BOM SENTIDO) DA AMAZÔNIA E O BRASIL

Não se resolve o ambiental sem oferecer respostas ao social


A Amazônia, com uma superfície de quase 7,8 milhões km²;  ocupa 44% da América do Sul, envolvendo nove países. Abriga um quinto de toda disponibilidade de água doce. Suas extensões florestais representam mais da metade das florestas tropicais úmidas existentes, concentrando grande parte da biodiversidade mundial (Pnuma e Otca, 2008).

Há muitos mitos em relação a Amazônia, como a percepção do público geral de outras regiões de que é uma coisa só ou uma grande mata sem gente.

Ao contrário do que se pensa, é um bioma bastante heterogêneo, cuja diversidade pode ser percebida pelo seu conjunto de formações ambientais - abrigando desde áreas de cerrado e de savana até florestas densas, de planície, de terras altas e inundáveis,  rios de águas barrentas, pretas e azul-esverdeadas – o que contribui para a geração de uma grande variedade de espécies animais e vegetais.

É também uma região de imensa diversidade sociocultural, com 420 povos indígenas, 86 línguas, 650 dialetos e aproximadamente 60 etnias vivendo em situação de isolamento (Pnuma e Otca, 2008; Otca, 2007). A heterogeneidade da natureza amazônica suscitou diversos modos de vida, estratégias de subsistência e tecnologias de manejo dos recursos naturais para cada uma das formações ambientais da região - fruto das interações humanas milenares - constituindo uma enciclopédia de conhecimentos tradicionais.

Há ainda os diferentes processos de colonização iniciados pelos países europeus no século XVI (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda) e continuados pelas nações depois independentes (Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Peru e as Guianas), com  distintas políticas, formas de ocupação e fluxos migratórios ocorridos em cada uma delas. 

Uma região antes de tudo habitada, com uma população de 34,1 milhões de pessoas – desde indígenas sem contato até industriais, comerciários, fazendeiros, acadêmicos e profissionais liberais - cerca de 65% vivendo nas cidades (Ara, 2011).

Enfim, um bioma complexo e megadiverso em todos os aspectos. Diante disso tudo, não se pode afirmar que haja uma solução única para Amazônia. O desafio pelo desenvolvimento sustentável da região deve levar em conta suas diferentes realidades locais - sobretudo com a ativa participação dos seus habitantes - para a partir do seu conjunto traçar diretrizes, políticas e estratégias mais amplas.

Apesar das várias Amazônias, há um elemento comum à todas as nações integradas pelo seu território: um processo de ocupação predatória, que historicamente mais extraiu do que trouxe riquezas para região, com grande impacto ambiental associado e enormes contradições sociais.  Leia mais »

NOVO CÓDIGO, VELHO DESENVOLVIMENTO

O meio ambiente não é nem deve ser exclusividade dos ambientalistas ou Ongs, que também não desejam isso. O fato é que todos pedem #VetaDilma: empresários, advogados, redes sociais, o relator do Código Florestal, este que escreve e quase 80% da população brasileira, segundo as pesquisas de opinião.

Uma razão a mais para que esta discussão não seja vista ou reduzida a um mero embate entre ambientalistas e ruralistas. Enxergar todos os ecologistas como travas do desenvolvimento ou todos os agricultores como inimigos da natureza só ajuda a ofuscar o debate do mérito do que poderia vir a ser uma nova legislação florestal para o país. Em outras palavras, a oportunidade que se tem para pensar as escolhas do Brasil que queremos nesse século 21.

Sem as florestas e seus serviços ecossistêmicos, não tem agricultura. A Amazônia, por exemplo, evapora diariamente 20 bilhões de toneladas de água doce, que seguem regiões afora na forma de rios voadores, tornando férteis as terras do sul do país e de outras nações. Leia mais »

Florestas, Amazônia e Inclusão – Parte I

Parte I - OU MUDAMOS JÁ O JEITO DE VIVER OU O JEITO QUE VIVEMOS VAI MUDAR

“Sou filho dos antigos Yanomâmis, habito a floresta onde vivia o meu povo desde que nasci e eu não digo a todos os brancos que a descobri! Ela sempre esteve ali, antes de mim. Eu não digo: ‘Eu descobri esta terra porque meus olhos caíram sobre ela, portanto eu a possuo! Ela existe desde sempre, antes de mim. Eu não digo: ‘Eu descobri o céu!’. Também não clamo: ‘Eu descobri os peixes, eu descobri a caça!’. Eles sempre estiveram lá, desde os primeiros tempos. Digo simplesmente que eles são parte da vida, assim como eu. Isso é tudo.”  -  Davi Kopenawa Yanomami (Psa, 2006: p.03)

A sociedade dita civilizada deveria ouvir e aprender mais com os povos da floresta, muitas vezes considerados os primitivos. Como nos ensina Davi Kopenawa, líder dos Yanomamis, etnia indígena da Amazônia, as florestas podem até existir sem a gente, mas nós não podemos existir sem ela, que não nos pertence, nós que pertencemos a ela. Se a vida é a maior riqueza que o nosso Planeta nos proporciona, temos que respeitá-lo assim como as árvores, os animais e as gerações que ainda estão por vir.

Davi Yanomami relata que quando os índios estão a caminho de um ponto de destino prospectando uma área desconhecida, eles o circundam seguindo uma rota na forma de espiral para que, quando alcançado, já tenham domínio de tudo que está em sua volta e, aí sim, interagir de forma mais harmônica com o entorno. Já os brancos, com todo aparato tecnológico, seguem em linha reta direto ao ponto e quando o alcançam, aí então vão ver o que destruíram no caminho.

Algum dia no passado todos eram povos da floresta. Hoje, em um mundo com 7 bilhões de seres humanos – mais da metade vivendo em cidades – muitos esqueceram ou nunca tiveram contato com suas origens. Esta estratégia de ir direto ao ponto já consumiu boa parte das riquezas naturais da mãe Terra, que conta hoje apenas com 31% de áreas florestadas (Fao, 2010). Leia mais »