Memórias de uma luta

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sab, 13/07/2013 - 23:09

Fátima Chianca

 

Em julho de 1981, durante a 33ª reunião da SBPC em Salvador, conheci o Tiuré. Surpresa por estar diante de um Potiguara, e vendo através deste contato um caminho de volta aos meus antepassados, ofereci-lhe imediatamente acolhida em nossa residência quando estivesse em passagem por João Pessoa. E não me enganei: posso dizer literalmente que foi principalmente através do aprendizado adquirido pelo convívio com Tiuré que me senti motivada a dedicar-me ao estudo da causa indígena, a ponto de hoje estar fazendo uma tese de doutorado em sociologia sobre o caso dos índios Potiguara da Paraíba. Leia mais »

Trajetoria do primeiro anistiando indígena

 

A maior razão de ter voltado do exílio no final de 2010 era pleitear ao Estado Brasileira minha Anistia, estimulado, principalmente, por pessoas que achavam que tinha chegado a hora, com a eleição da Dilma, de incluir na pauta da tal "justiça de transição", a delicada questão dos Indios e a Ditadura.

Uma ferida, concretada e condenada a ficar no frio tumulo do silencio e do esquecimento, que resolvi desenterrar em 2009, com depoimentos testemunhais do que vivi em aldeias indigenas na Amazonia no inicio dos anos 70 e no Nordeste no inicio de 80 (que o Nassif transformou em posts na chamada coluna Historias da Ditadura).

Com a reação raivosa e até ameaçadora da maioria dos leitores (uns de bota e farda verde) sabia que iniciava uma nova frente de luta contra uma certa resistencia, sob o manto da democracia, instalada não só nos altos escalões do Governo, mas tbém na Sociedade, onde os indios sempre foram vistos como empecilhos.  Leia mais »

A cura dos males do coração

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Fazem 30 meses (desde que voltei do exilio no exterior) que meu coração dá sinais de doente, pressão altissima e dores constante no peito. Leia mais »

Verdades indigenas no Brasil de ontem e de hoje

 

 

 

Este relatorio Figueiredo são fragmentos de uma barbarie que respinga sangue indigena na atual politica do Estado Brasileiro.

Seu conteúdo é suficientemente consistente, capaz de fornecer provas da barbarie que foi e que é o trato que agentes do Governo, Ditadores ou não, utilizam na relação com os primeiros povos desta terra.

Conheci os coronéis, generais que comandavam, de Brasília (já os nomei em posts anteriores aqui) os saques, a exploração, (fui funcionário da Funai em 70, e obrigado a abandonar), que iam farrear nos bordéis europeus com a renda indigena, vivi de perto com a exploração, escravidão, ameaças, estupro, sequestros, suicidios, e desaparecimento de crianças, numa aldeia indigena na Amazonia, sob a maão forte e armada de um coronel "play boy", da Funai em Belém. O saque que ele fazia nas áreas indigenas (ouro, castanha) gastava com mulheres, carros e barcos, descarada e impunemente.

Sou testemunha e vítima desta realidade, ela que me levou ao exilio, depois das torturas, sequestro, ameaças de morte que recebi por defender direitos indigenas, por denunciar estes genocidios. Leia mais »

Morre a última guerreira Potiguara

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É madrugada e a memória de uma pessoa me inquieta, me orgulha e me entristece, tirando meu sono.

Busco no arquivo de imagens e a encontro de sorriso aberto, segurando com o ante- braço o cabo da foice sobre o ombro, na mão seu inseparável cachimbo. No fundo, a picada da auto-demarcação do Territorio Potiguara que ela com seus braços fortes ajudara a abrir durante um ano.

Uma guerreira, uma líder, uma mãe que criara seus quatro filhos com o que plantava, colhia e pescava. Mãe solteira, levava os filhos prá onde ia. Na roça, no mangue pegando carangueijo, fazendo farinha ou no trabalho da picada.

Ao lado de Severino Fernandes (falecido em 2012) liderou o movimento de retomada das terras desmembradas pelo Exército em 1981. Leia mais »

Feliz Dia das Mães Dilma Roussef

"Os indios terão que ir à luta, sózinhos a partir de agora" teria dito a mãe, na hora do doloroso rompimento do cordão umbilical até então existente entre o Estado Brasileiro e os indios.

Porta-vozes apressados (as) se encarregaram de passar a mensagem presidencial, à todos àqueles filhos da Terra, do que terão que enfrentar sózinhos: interêsses economicos de mineradoras, agropecuárias, usinas, um judiciário parcial e um legislativo corrompido.

Emancipação involuntária? Autonomia precoce?

Na verdade o Estado se retira e entrega a responsabilidade contida na constituição de proteção aos indios, aos seus agozes.

Este rompimento prematuro, interrompe a já fragilizada proteção estatal, idealizada por Vargas, que por bem ou por mal vinha sendo exercida, então, até 1964.

Rasga-se os direitos indigenas consagrados na Constituição de 88. A decepção não poderia ser maior. Leia mais »

Memoria, verdade e ironia

A violenta invasão do casarão do antigo museu do indio pela tropa de choque da policia militar do Rio de Janeiro, vai muito mais além da retirada agressiva de um grupo de indios inofensivos que ocupavam o imóvel batizando carinhosamente o local de Aldeia Maracanã.

Ela estrupa a memoria deste País. Assassina a historia da politica indigenista e de seu idealizador Getulio Vargas.

Joga no lixo o que houve de avanço na politica pacifista de Rondom e Darcy Ribeiro no relacionamento com os povos indigenas do País.

Neste casarão Getulio criou a primeira "Casa do Indio", simbolo de acolhimento e proteção que o Estado assumia com seus "primeiros brasileiros" como se referia aos indios. Leia mais »

Parque indigena do Xingu, mitos e verdades

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Nassif, confrontar mitos. Contar historias do ponto de vista dos vencidos. Trazer à luz verdades que muitos desconhecem. Abrir os olhos dos mais jovens.

É minha intenção neste texto.

A criação do PIX -Parque Indigena do Xingu- foi uma ousada combinação de zoologico humano com um tropical campo de refugiados.

Campo de refugiados? Zoologico humano no Brasil? Como?

vamos primeiro às definições: "... pessoas obrigadas a deixar seu país devido a conflitos armados, violencia generalizada e violações dos direitos humanos"; "... é um local especifico para se manter animais, selvagens ou domesticados, que podem ser exibidos ao publico..."

agora aos fatos:

Tudo começou quando a Expedição Roncador Xingu se deu conta que nos cerrados e nas florestas e margens dos rios do Centro Oeste, além de fabulosas onças, catitus, guaribas, antas, ariranhas e os bravos indios Xavantes (que ja tinham matado 6 da expedição) haviam outros milhares de habitantes indigenas dispostos a resistir para impedir o avanço dos brancos sobre seus vastos e, até então, sagrados territorios. Leia mais »

Vitoria indigena!

Resistencia indigena no Maracanã vence insensatez do Governo do Rio. A luta continua.

Governo do Rio desiste de demolição do Museu do Índio


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Historias das Ditaduras

 

Nassif,

"Provocado" pelos colegas do blog Assis e Jussara, resolvi escrever:

Se existe algo que eu agradeço à Ditadura é o fato dela ressuscitar minha identidade indigena e usar meus 18 anos de "integração à civilização", como a minha maior arma de luta contra esta mesma Ditadura.

Os turbulentos anos 68,69, em Brasilia, me indicaram, com muita clareza, o caminho de luta que deveria seguir.

Chegar aos 64 anos, apesar de tudo, devo à minha resistente raiz indigena Potiguara, herança paterna.

Mas nem é preciso ser indio para chegar a terrível conclusão, neste séc. XXI, de que está inserido, infelizmente, no consciente da maioria de quem não é, ' que " indio bom é indio morto". Basta conhecer um pouco da historia de colonização (ontem e hoje) no Brasil, para ser ter consciencia deste fatidico sentenciamento.

Genese do genocidio indigena:

Foi a igreja catolica quem primeiro semeou nesta terra a destruiçao dos indios , sem falar da catequização. Leia mais »

Persistência do tempo

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                       FELIZ 1969 PARA TODOS !

A Ditadura e a destruição da Familia

Nassif, leitores, (as)

 

Começa um movimento muito bonito de todo final de ano de reencontros de familiares. È muito emocionante ver filhos, maes, pais, avos, irmaos, etc se encontrarem, é uma festa, só sorrisos e alegria.

Nesta época de troca de presentes interfamiliar, muitos dos que sobreviveram à Ditadura recebem a dor.

No meu pedido de anistia nomeei a ruptura familiar como o fato mais impactante da minha vida. Perseguições, ameaças, torturas, exilio, vem depois.

Tudo começou exatamente em 1964.

Meu pai, funcionário do então governo destituído morreu instantaneamente. Com 15 anos, relacionei sua morte, com a tomada das ruas da cidade pelos tanques e tropas exército, que só conhecia em desfile de 7 setembro, com a Ditadura. A causa (acidente de carro) nunca me convenceu. 

Oito anos depois resolvi constituir minha propria familia. Casei, fui pai.

Minha primeira familia desmoronou rápido. Fui pra amazonia lutar pelo meu sangue indigena, herança paterna. Abandonei tudo, emprego, esposa, filho de 2 anos. Estavámos no período mais repressivo da Ditadura. Brasilia era a porta principal para o exilio. Leia mais »

VINGANÇA BLACK POWER

A VINGANÇA BLACK POWER

Os Negros chegaram ao topo do poder nos dois maiores paises do continente. No Norte a Presidencia. No Sul tbém a Presidencia,  com um detalhe, uma Presidencia, superior ao do Presidente da Republica: Supremo Tribunal Federal .

Estamos no Brasil.

Lá, como cá, houve escravagem. O Branco escravizando o Negro, diga-se. Torturas fisicas é dizer pouco do que este povo sofreu na pele diferenciada.

Séculos se passaram. A dor do chicote ficou, passando de gerações à gerações. A sede de vingança também.

Lá o troco foi através do esporte, da musica, e da politica. O Negro politico falou: "Nós podemos". Nós os negros, claro.

Ele saía da Senzala e dizia que todos negros também podem. E prometeu dar o troco. Com elegancia, digna de principes.

Nunca na historia do Brasil, nem dos EUA ,um Negro teve tanto poder nas maos. Leia mais »

A Morte de um velho Guerreiro Potiguara

Nassif, leitores (as),

 

Somos 10 mil órfãos.

Partiu hoje para a grande morada Tupã o Guerreiro Severino Fernandes, 90 anos. Deu o ultimo suspiro, na sua casinha de taipa, no vale da Aldeia Sao Francisco, a mesma de 50 anos, onde criou seus 05 filhos.

Unica herança material que deixa sobre a terra.

Comandou, no final da decada de 70, o ultimo levante em defesa do Territorio e da Cultura Potiguara.

Foi sequestrado, preso pelo DOPS de Joao Pessoa, torturado.

Respondeu 8 processos por "invasao de propriedades; danos materiais, incitação à violencia, resistencia e outros adjetivos comuns usados na Ditadura, na defesa dos limites territoriais..

Enfrentou as Tropas do Exército que em negociata vendera 14 mil hectares de terras indigenas.

Morre um líder, sua historia de luta vive.

Cego, inválido de uma perna, tomando remedios controlados, impossibilitado de caminhar, foi e é a força que estimulava e estimula a atual Retomada na recuperação dos 14 mil hect. desmembrados ilegalmente.

"Só quero morrer quando ver esta picada chegar no fim" dizia entusiasmado quando era informado dos trabalhos. Leia mais »

Indios Marcados para Morrer


.Nassif, leitores (as): Recebi, surpreso, ontem, das mãos do oficial de justiça Jair Silva da Paz um Mandado de Citação concedido pelo juiz  Adeils Leia mais »