Caindo a ficha?

Não é fácil ser leitor de Folha, ainda que possa ser divertido, caso se goste de malabarismos estatísticos para provar que os miseráveis continuam miseráveis apesar do Bolsa Família, e tome-se  verbo no futuro do pretérito e conjunção condicional "se". De ombudsman fazendo auto-elogio ( Suzana é um caso raro de ombudsman, ao invés de criticar o jornal pela ótica do leitor, critica o leitor pela ótica do jornal) E ontem, uma reportagem mostrando que o Estádio Mané Garricha de Brasília foi entregue inacabado - o jornalista andou pelas dependências do estádio e encontrou banheiros sujos e entrevistou um operário que trabalhou na obra (sim, um operário) que afiançou que ainda há muito a ser feito.

Porém, pelo menos 3 matérias da Folha deste domingo (19/05) são jornalismo.

Festejemos:

Janio de Freitas batendo um dedo acima da linha da cintura. Leia mais »

Ecos do Brasil no voto mexicano

Autor: 

Aqui, foram os caras pintadas; lá, o #YoSoy132. Falta agora estabelecer uma agenda propositiva


Lembra-se do grito "O povo não é bobo/abaixo a Rede Globo", que marcava mobilizações populares nos anos 80, primeiro na campanha pelas "Diretas Já" e depois na campanha presidencial de 1989?


Pois é, há ecos desse grito no México que votou domingo. O alvo principal é uma espécie de Globo mexicana, a Televisa, principal emissora mexicana, acusada de favorecer o candidato do PRI (Partido Revolucionário Institucional), Enrique Peña Nieto, que acabou sendo eleito, e de fazer uma campanha suja contra o candidato da esquerda, Andrés Manuel López Obrador.


Parece um eco das acusações de que a Globo beneficiou Fernando Collor de Mello e prejudicou Luiz Inácio Lula da Silva, em especial na edição do debate do segundo turno.


Um segundo eco: no Brasil, a garotada lançou o movimento batizado de "caras-pintadas", para pressionar pelo impeachment de Collor, em 1992. No México, mudou o nome (para #YoSoy 132), mas não o objetivo: pressionar para evitar a eleição de Peña Nieto. Leia mais »

O crime perfeito contra Lugo

Autor: 

FSP, 28/06/2012


Peça de acusação contra paraguaio diz que não é preciso apresentar provas. Como defender-se?


O sociólogo Felippe Ramos (Universidade Federal da Bahia) fez para o site da revista "América Economia" o que os jornalistas deveríamos ter feito antes: visitou a peça de acusação que serviu para o fuzilamento sumário do presidente Fernando Lugo.


Fica evidente que Lugo estava condenado de antemão. No item "provas que sustentam a acusação", se diz que "todas as causas [para o impeachment] são de notoriedade pública, motivo pelo qual não precisam ser provadas, conforme o ordenamento jurídico vigente".


Como é que Lugo -ou qualquer outra pessoa- poderia provar o contrário do que não precisa ser provado? Impossível, certo?


O processo pode até ter seguido as regras constitucionais e o "ordenamento jurídico vigente", mas, nos termos em que foi colocada a acusação, só pode ser chamado de farsa. Veja-se, por exemplo, a primeira das acusações: Lugo teria autorizado uma reunião política de jovens no Comando de Engenharia das Forças Armadas, financiado por instituições do Estado e pela binacional Yacyretá. Leia mais »

O Calote da Grécia

Autor: 

Ô Clóvis Rossi. Pegou leve com os gringos, hein?

Ai se fosse o Lula e o PT.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/927161-calote-ja-nao-e-...

08/06/2011 - 17h21

Calote já não é palavrão

A palavra calote, ainda que disfarçada, entrou nesta quarta-feira na agenda europeia: um dos pesos mais pesados da economia do continente, o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, escreveu carta a seus colegas da União Europeia sugerindo que apoiem uma eventual iniciativa grega de propor a seus credores que estiquem sete anos o vencimento de títulos.

Seria o "reprofiling" (um novo perfil para a dívida grega), palavra menos agressiva aos ouvidos dos credores e do establishment econômico-financeiro do que "default", que é o calote puro e simples.

Schäuble diz, na carta, que é pegar a sua proposta ou "correr o risco real do primeiro 'default' desorganizado na eurozona". Leia mais »