A cura dos males do coração

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Fazem 30 meses (desde que voltei do exilio no exterior) que meu coração dá sinais de doente, pressão altissima e dores constante no peito. Leia mais »

Persistência do tempo

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                       FELIZ 1969 PARA TODOS !

TERRA SEM MALES, UM SONHO TUPI (II)

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TERRA SEM MALES, UM SONHO TUPI ( II )

LEVANTE INDIGENA POTIGUARA

Nassif, leitores(as), comentaristas, agradeço o incentivo e o espaço.

Manifesto

No relato anterior -post Terra sem Males, um Sonho Tupi - tentei fazer uma cronologia da Resistencia Indigena Potiguara, resumindo uma historia de luta de 500 anos, para introduzir um movimento, uma retomada, a reapropriação de territorios invadidos nos ultimos 30 anos, luta atual que promete muitos conflitos e enfrentamentos com poderosos invasores. Estamos em 2012. O tempo é outro, o Brasil nao esta sob uma Ditadura, ou regime da Casa Grande e da Senzala, do Coronelismo nordestino.

Terra sem Males, um Sonho Tupi

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Nassif, leitores,(as),

Peço passagem para iniciar uma nova série de depoimentos (direto do Territorio Indigena Potiguara, PB).

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Terra sem Males, um Sonho Tupi

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Nassif, leitores,(as),

Peço passagem para iniciar uma nova série de depoimentos (direto do Territorio Indigena Potiguara, PB).

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A Constelação dos Guerrilheiros do Araguaia no céu dos indios Suruis

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Nassif, leitores (as),

Muitas das constelações, vislumbrados por todos nós, na visão cosmográfica dos indios Suruis, do Sul do Pará teem uma relaçao direta com os seres terrestres. Sao animais, pessoas, levados a um estagio mais elevado do Universo.

Como se o céu fosse um imenso cemitério onde eles podem identificar seus entes e os animais que fazem parte do seu mundo mitico.

Para mim, era uma "viagem" escutar os velhos falando, no patio da aldeia em noites estreladas, identifcando constelações, e suas historias de onças, antas, pessoas, que habitam o céu.

Pois, bem, na sexta feira passada, tive um significativo sonho que gostaria de compartilhar com os amigos (as) que acompanham meus relatos: me encontrava no interior da casa do velho pagé Arihera, que dormia numa rede, ao lado de um pegueno fogo. Era tão real que eu sentia o cheiro da fumaça. Leia mais »

Os indios e a Ditadura II - Suruis e a Guerrilha do Araguaia

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Nassif, leitores, (as):

 

O tradicional Territorio dos Indios Suruis, no Sul do Pará, foi palco de um capítulo mais sombrio da nossa historia recente.

 

A Comissão de Mortos e Desaparecidos Politicos da Secretaria dos Direitos Humanos tem como objetivo, sobrenatural, explicar para as familias e agora para uma Corte Internacional, onde se encontram os restos mortais dos combatentes revolucionários que optaram em enfrentar a Ditadura no meio da floresta. Corre contra o tempo e a resistencia dos responsáveis pelas mortes.

Na Carnificina do Araguaia existem tres testemunhas, os únicos que podem esclarecer a tragédia. Sao eles:

1) o Exército Brasileiro, o protagonista, está mudo, surdo e cego. Nao quer saber, nao viu e tem raiva de quem sabe. E o recado enviado pelo seu maior arquivo vivo, o terrivel Major Curió. Infelizmente as árvores nao falam;

2) os Camponeses, como toda testemunha pobre de crimes importantes, ameaçados, ainda morrendo de medo das perseguições , que persistem ainda, no dia de hoje, contaram os horrores que presenciaram; Leia mais »

Os Indios e a Ditadura

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Nassif, leitores (as),

 

No dia 19 de agosto passado, ingressei na Comissao da Anistia do Ministerio da Justica,  em Brasilia, com um requerimento. Talvez uma bomba. 

36 anos se passaram desde que tive que abandonar essa sonhada cidade para me tornar um eterno exiliado.

A historica eleicao de Dilma Rousseff e suas emocionantes " lugar de brasileiro eh no Brasil... eh um direito de todo brasileiro morar no Brasil", fazendo contraponto ao "Brasil- ame-o ou Deixe-o", foram a mola propulsora de meu retorno, concretizado em janeiro deste ano, quando, a partir de entao, passei a procurar documentos dos orgaos repressores da epoca. Muita leitura sobre a Ditadura fizeram parte, tambem, da preparacao do meu requerimento. Nao precisei de advogado.

Do Canada, Pais que me acolheu durante os ultimos 22 anos, trouxe um importante Atestado de Status de Refugiado Politico, com extenso dossie sobre os motivos que levaram aquele Tribunal, do Alto Comissariado para Refugiados da ONU, a conceder, pela primeira vez, diga-se, tal status a um militante dos Direitos Humanos Indigenas do Brasil.   Leia mais »

Indios e a Ditadura

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Nassif, leitores (as),

 

No dia 19 de agosto passado, ingressei na Comissao da Anistia do Ministerio da Justica,  em Brasilia, com um requerimento. Talvez uma bomba. 

36 anos se passaram desde que tive que abandonar essa sonhada cidade para me tornar um eterno exiliado.

A historica eleicao de Dilma Rousseff e suas emocionantes " lugar de brasileiro eh no Brasil... eh um direito de todo brasileiro morar no Brasil", fazendo contraponto ao "Brasil- ame-o ou Deixe-o", foram a mola propulsora de meu retorno, concretizado em janeiro deste ano, quando, a partir de entao, passei a procurar documentos dos orgaos repressores da epoca. Muita leitura sobre a Ditadura fizeram parte, tambem, da preparacao do meu requerimento. Nao precisei de advogado.

Do Canada, Pais que me acolheu durante os ultimos 22 anos, trouxe um importante Atestado de Status de Refugiado Politico, com extenso dossie sobre os motivos que levaram aquele Tribunal, do Alto Comissariado para Refugiados da ONU, a conceder, pela primeira vez, diga-se, tal status a um militante dos Direitos Humanos Indigenas do Brasil.   Leia mais »

ACAMPAMENTO TERRA LIVRE E OS TRES PODERES

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Cai de para-quedas, vindo de um longo exilio no Canada, numa corajosa e pacifica ocupaçao indigena (de 02 a 05) no centro do territorio mais conflituoso da Republica: a area entre a Praça dos 3 Poderes e a Esplanada dos Ministerios.
 

Nos fundos das duas torres gemeas e suas famosas semiesferas- "parece um ovo de um gigantesco animal cortado no meio" dizia, impressionado, um indio cantador,que via de perto pela primeira vez- no quintal desta monumental casa onde co-habitam, conflituosamente, o casal Senado e a Camara. Cercados por "imensas pedras de um jogo de domino" observava um velho artezao sobre os predios dos Ministerios. Sua mulher, depois de minhas (incompreendidas) explicaçoes sobre o cenario em volta do acampamento, me perguntou:"Ai que funciona os misterios?" Leia mais »

O VAMPIRO DE REALENGO E SUAS ETERNAS MULHERES

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O VAMPIRO DE REALENGO E SUAS ETERNAS MULHERES

"A obsessao pelo sangue de seu parceiro sexual é uma forma de sadismo".

Poder e controle sobre suas vitimas sao comuns nos rituais vampirescos ou de assassinatos em série.

O impacto, a estupefaçao causada na sociedade brasileira, me levou a crer que este tipo de sadismo, de esquizofrenia fossem somente produtos de ambientes aristocraticos, sofisticados, proprios de paises frios, de sociedades industrializadas, distantes, portanto, do nosso tropicalismo, da nossa reconhecida tolerancia humana e capacidade de viver em paz apesar da pobreza, da miseria e da violencia urbana cotidiana que nos cerca.

Mas, eis que de repente, surge uma nova linhagem de vampiro no pais do carnaval, do samba e do futebol, deixando boquiabertos psiquiatras, psicologos, politicos e analistas de plantao, causando uma imensa consternaçao no povo, mediatica e ironicamente explorada.

Um novo vampiro sedento de sangue de mulher se fez numa infancia, adolescencia e finalmente na fase adulta, repleto de circunstancias terriveis em que o sexo oposto foi decisivo. Leia mais »

SOU BRASILEIRO

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CARTA ABERTA AO ESTADO BRASILEIRO
 Quem sou eu:

Indio? Negro,(Preto?) Branco(Europeu?)

Mistura os tres. Do biotipo tupi com preto (negro?) puxei pelo lado paterno,o branco da mae ficou guardado la no fundo, imperceptivel a olho nu, mas inegavel.

 Je suis Brésilien
 I am Brazilian
 Yo soy Brasileno

 26 anos em terras extrangeiras, repetindo constantemente esta afirmaçao fez nascer uma retardada,porém necessaria, consciencia. De longe, pude enxergar  minha identidade nacional e descobrir sua universalidade, por acaso.

Je suis refugié
I am refugee
Yo Soy refugiado

Refugiado do Brasil?

Pra responder a esta desconfiada indagaçao, repeti inumeras vezes uma historia, cujo inicio, meio e fim poderia ser de um refugiado africano, asiatico,latino...historia comum de paises produtores de refugiados. Seca, fome, miseria, perseguiçoes de pensamento, nao tem patria definida.

Sim, do Brasil. 

Explico: Leia mais »

Tortura Nunca Mais III

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Nassif, trago o ultimo depoimento desta trilogia da tortura

O Pistoleiro

A Paraiba sempre foi famosa, também, como terra de pistoleiro.

Profissao cujo "curriculum" eram as cruzes marcadas no cabo do revolver. Cada cruz correspondia a uma morte executada.

Na Ditadura ganharam status. Eram respeitados pela sociedade dominante.
Muitos deles nas horas vagas vestiam o uniforme da Policia Militar, o que garantia agir com toda impunidade.

Estes profissionais da morte eram contratados por inumeras razoes. Disputas entre familias, traiçoes conjugais, dividas e questoes politicas. O preço do serviço também variava.
A questao politica era a mais valorizada.

Conheci pessoalmente duas pessoas que foram assassinadas por pistoleiros.
Um era meu mecanico, foi executado quando estava sentado na varanda da sua casa em Mamanguape, com um tiro calibre 12 a queima roupa.
O outro foi o vice-prefeito da Baia da Traiçao, Sr. Davi, do partido MDB e a favor da luta dos indios Potiguaras , também assassinado nas mesmas condiçoes. Os dois em plena luz do dia. Leia mais »

Tortura Nunca Mais II

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Nassif, no rol dos ataques contra os blogs que deverao se intensificar esta semana, venho colocar, o segundo ataque que sofri antes de tomar o  caminho do exilio. Fazem 30 anos, mas parece que foi ontem.

2 - Incendio

Eu estava em Sao Paulo. Tinha ido a convite do advogado dos indios Guaranis para testemunhar no foro de Sao Sebastiao num processo em que  um Japones, dono de uma rede de supermercado, revindicava terras indigenas.  

Era uma segunda feira quando voltei. Do aeroporto de Joao Pessoa liquei para meu amigo Moacir Madruga, professor na UFPB .
Preocupado, me disse de pronto: "Nao va pra Baia da traiçao. Vem pra ca. Te espero."
Rapido desligou o telefone, nao me dando tempo para perguntas.

No taxi fico me perguntando: o que foi desta vez? quem foi preso? quem mataram? quem sumiu...?

Pelo clima de conflito na area indigena por causa do movimento da auto-demarcaçao do territorio Potiguara, cabia diversas respostas, varios lideres ja tinham sido vitimas. Leia mais »

Tortura Nunca Mais

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TORTURA NUNCA MAIS (I)

1 - Tortura

1982, umas 2 horas da tarde. Saia de uma clinica cardiologica no centro da cidade de Joao Pessoa, quando subitamente aparecem 4 homens interrompendo minha passagem e anunciando: Policia ! segundos seguintes ja estava imobilizado,  maos atras,  algemado e sendo levado na direçao do estacionamento.
Momentos antes de me colocarem dentro de uma brasilia branca, vejo um deles entrar no meu carro e tomando a direçao. No banco de tras do gurgel minha ex-companheira amamentava nosso filho.

Tudo nao durou mais que 2 minutos. Nenhuma testemunha, a nao ser minha companheira.

Raramente eu saia da area indigena, o fiz desta vez para conduzir ao aeroporto o advogado que viera de Sao Paulo defender o lider Severino Fernandes dos processos que a familia Lundgreen movia contra ele no forum da cidade de Rio Tinto, aproveitando para pegar o resultado de alguns exames. Leia mais »