Guerra e Paz

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No final do Século XIX o capitalismo mundial passou por um grande rearranjo, que provocou crises e profundas mudanças, pois “a guerra é produto da paz”. Foi neste período que ocorreu a fusão das indústrias (advindas da Revolução Industrial), com os bancos (que se fortaleceram ao longo do Século XIX), formando o que ficou conhecido como Capital Financeiro. Capital este que ultrapassa os limites geopolíticos estabelecidos, os estados nacionais, e que migra de acordo com seus interesses e/ou lucros. Essa fusão cria as grandes corporações multinacionais, grandes monopólios supranacionais – com poder político e econômico superior a grande maioria dos estados nacionais -, e com caraterísticas imperialistas. Esses grandes conglomerados necessitam de novos mercados, e precisam, portanto interferir nos monopólios nacionais, nas oligarquias nacionais, causando novas correlações de forças entre diferentes atores e interesses envolvidos. O que provoca grandes conflitos internos e tem como consequência a barbárie, criando rupturas e oportunidades. Além da consequência estrema: as guerras mundiais. 

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A Chuteira Sem Pátria

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Naqueles gramados de chão batido, os pês descalços corriam atrás de bola, feita de meia e cheia de estopa e pano. Foi nesses campinhos, que se espalhavam e se estendiam, a todos os bairros, de qualquer rincão do Brasil, que surgiram Pelé, Marta, Garrincha, Formiga, Tostão, Daniela, Reinaldo, Zico, Roseli, Sócrates, Pretinha, Romário, Debinha, Barbosa, Barbara, Éder, Cristiane, Dener, Érica e tantas outras. Longe das escolas, que sequer existiam. Nelson Rodrigues acertou na mosca, “a pátria sem chuteiras”. Pois o futebol foi é uma paixão nacional. E pouco importa o 7 a 1 dentro de casa. Pois no futebol, o brasileiro consegue ser grande, ser gigante. No futebol o David vence Golias. Mesmo sem chuteiras, sem escolas, sem saúde, moradia, assistência social, sem saneamento básico, às vezes até sem alimento. Lá nos gramados, dentro das quatro linhas, nós o povo brasileiro é gigante. Leia mais »

Proclamação da República?

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Inspirados nas ideias “positivistas” de Auguste Comte e no “Sonho Americano”, em 15 de Novembro de 1889, foi declarada a “proclamação” que instaurou a forma republicana federativa presidencialista do governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil. O positivismo fica marcado na bandeira, “L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but”. (“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim"). Como compunha os apoiadores ao “golpe” os latifundiários e grandes ruralistas, descontentes com fim da “Escravidão”, optou-se por retirar a palavra “amor”, e correr o risco de ser taxado de...

Do “Sonho Americano” também não foi possível aproveitar muita coisa, afinal, construir ferrovias, cortando o Brasil de norte a leste, de oeste a sul com o modal mais barato e eficiente, seria um serio risco as “velhas elites dominantes”, que ganham seu pão, sem muito suor [seu, próprio] desde 1500, com uma formula antiga: latifúndio, trabalho escravo (ou análogo), monocultivo e matéria prima para exportação. “Eis o nosso eterno destino”.  Leia mais »

Trump e o Mundo Novo

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Impressiona inocência [perspicaz] dos grandes analistas e intelectuais de nosso tempo, ao justificar sempre o voto ao apelo moral. (“Não voto no Crivella que ele é contra o aborto”; “não voto no Trump porque ele peida fedido”; etc.). Como apelar a “moral”, se a própria moral se esvaiu? Se dissipou? Virou fumaça. A Globalitária (globalização autoritária de mercadorias, como disse Milton Santos) mentiu. Não há democracia no mundo. As grandes corporações tem seus interesses representados pelo Banco Mundial, a Organização Mundial do Comercio, o Fundo Monetário Internacional, entre outras. E essas “organizações” [poderosas] não são democráticas. Leia mais »

O Direito a “Scientia”

A Esquerda é Popular? (Para Lirinha/Cordel Fogo Encantado)

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E se virar de trás pra frente, será que num vai ser diferente? E se inverter a lógica, eu também posso aprender. Pra quem pensar mecanicamente? Parece que o povo num sabe pensar. Tu não consegue enxergar entender? E se a linguagem diferente, no idioma popular. Porque o café bom não é pra gente? Ah, mas o açúcar é amargo pra quem corta cana. Ah, mas a carne tem cheiro de bosta pra quem trabalha em frigorifico. Ah, mas o óleo tem gosto de veneno, pra quem trabalha no campo. Parece inté que é cobra. O povo rindo, vive de sobra. E quando sobra! Porque gringo tem trato diferente? E se porco andasse de transporte urbano, haveria ar condicionado, rede e mais um monte de mimo? Porque o trânsito é indecente? E este salário mínimo, que resumindo, as contas no fim de mês num consigo fechar? Está tudo errado minha gente. Leia mais »

Na Casa da Democracia

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Desde a infância Aberlado aprendeu as coisas duras da vida. Por que vida é linha reta. Palavra é pedra; não é água. E bigode corta mais que fio de navalha. Aberlado aprendeu com seus calos a respeitar Lei e Palavra. Foi assim que Aberlado respeitando a Lei de Deus se casou na igreja; e respeitando a Lei do Homem registrou em cartório. Aberlado casou com Margarida Aparecida, e teve seis crias, cinco delas sobreviveram, sendo quatro mulheres e dois homens. Maria, Ana (natimorta), João, Claudio, Daina e Flavia, em ordem cronológica decrescente, respectivamente. Leia mais »

Eu sou um burguês?

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Eu sou um burguês?

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Na minha infância eu detestava chinelo. Corria. Eu e a terra éramos um só. Sem nenhum isolante sintético. Na primeira chuva do ano eu sempre me molhava. Minha mãe dizia pra cuidar com relâmpago. Mas somente os trovões me assustavam. Eu andava descalço. Não enclausurava as partes intimas, e camiseta era artigo de luxo. (Pra dia de festa, ocasião especial). Nas minhas origens é que moram o “eu”. Apesar de afirmarem que “O Tempo só anda de ida”. Duvido. Mas também pouco discordo... Leia mais »

Qual é o seu Sonho?

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Qual é o seu Sonho? Qual é a altura do seu sonho? Qual é a largura do seu Sonho? Qual é a espessura do seu Sonho? Qual é a profundidade do seu Sonho? Qual é o preço do seu Sonho? Qual é o custo de seu Sonho? E, principalmente, qual é a “receita” [liquida] de seu Sonho? Sei que parece título de texto de autoajuda. Sei que parece pergunta de autoajuda. Sei que é esperável resposta de autoajuda. Mas não é. Está pergunta me surgiu conversando ao assunto política com os jovens, com os idosos, com a classe trabalhadora, com o povo brasileiro. Vendem muito sonhos nas televisões, nos programas (projetos) de governo, e no ramo (e lastros) do setor empresarial. Seria o sonho deles, o sonho de todos os brasileiros? Acredito que não. Tampouco é notória a descrença das pessoas com a Política. Em quem votar? Eu votaria em meus sonhos. Entretanto, qual é o meu Sonho?

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Estou pensando somente em Você

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Ao nascer, e até mesmo antes do nascimento, fui bombardeado pela palavra amor. Na nossa cultura todos amam. Amam do verbo amar. O maior símbolo da palavra amor é o coração. Criativos fazem corações com as mãos, com o dedo riscam no vento, desenham nas paredes, nos cadernos (nas escolas)... Na televisão esta palavra é proferida tão deliberadamente, que até parece algum tipo de fobia. E todos amam, e muitos amam, e se amam, a vão amando da boca pra fora, e também da boca pra dentro. Se eu um contido tímido, diria que a nossa cultura é a Cultura do Amor. Afinal, antes da carne era palavra, e a palavra mais proferida é a que terá maior vida. Ledo engano, meu. Talvez há não presença viva é que remeta a lembrança da palavra, tão proferida. Então, o que seria o verdadeiro sentido, em nossa cognição, da palavra amor?

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O perfume da flor é a flor?

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Nossa vida é, e caminha sobre um alicerce mais estável que gás metano de bovino, e sob o teto mais permanente que forma de nuvem em tempo de ventania. A nossa segurança é um tapete escorregadio, confeccionado com linhas de casca de banana e agulhas de paiol. Somos um pouco filósofos, mas essencialmente sábios, um tanto cientistas, mas fundamentalmente poetas. Se estas quatro entidades (o Sábio, o Filosofo, o Cientista e o Poeta) respondessem a pergunta: o perfume da flor é a flor! Qual das visões seria mais estreita? Qual se aproximaria da realidade do mundo atual (do presente) e portanto da verdade? Qual traria mais conforto que desalento? Qual opinião (razão) seria o melhor caminho a seguir? Eu conheci uma moça, Potira, que veio de uma galáxia distante que e indago as Entidades, e não se conteve até obter as suas respectivas respostas.

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A Wikipédia como ferramenta educacional?

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A Wikipédia é uma proposta interessante, de difusão do conhecimento de forma “livre”, autônoma, horizontal, emancipada e independente, amplamente difundido e utilizado mundialmente. No entanto, porque o Wikipédia em português do Brasil não consegue acompanhar a qualidade e quantidade de informações dos outros idiomas e locais? Será o que a experiência do Wikipédia revela do Brasil? Ou o que expõe as informações do Wikipédia aqui? Seria o Wikipédia uma possibilidade de alimentar o nosso sistema educacional de conhecimento e criatividade?

 

 

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Sala aberta, porta cheia

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Certa vez, conheci uma casa onde a sala estava sempre aberta e a porta cheia. Fiquei curioso, estiquei meu pescoço pela última fresta que restava na porta. Queria saber que se passava ali. Não consegui assimilar muito. Apenas uns múrmuros, sinais de uma discussão intensa, entretanto saudável, calorosa e respeitável. Aguçaram ainda mais meus instintos curiosos este primeiro contato. Tanto que gravei a penúltima mensagem proferida de dentro da sala: - Turma, próxima terça, no mesmo local as 18h.

 

 

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“Nesta cidade não existe nada pra fazer”

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Recorrente. Sim, rotineiro, cotidiano, normal, repetitivo, etc., etc., etc. Entre os jovens do meu tempo palavra salta a boca constantemente, entre os jovens mais novos quase uma norma. Estou a falar da famosa frase: “Nesta cidade não tem nada pra fazer!” A frase é um tanto vazia e a muito tempo me intriga profundamente. Onde será, que será que fica este Nada? Penso, logo exijo; quer dizer existo. E sem hesitar digo, existe ai contido um continuo paradoxo. O que estes jovens querem? Quer dizer ...

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Metrópolefobia de um viajante do interior

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Confesso. Tenho, entretanto o temor em confessar. Sob a jurisprudência do Ego, confesso que engulo meu medo toda vez que repito: não o carrego pra canto algum. Mentira. Óbvia e demasiada mentira. Tenho medo sim. Não esses medos absurdos da vida, da morte, de viver sem ter um norte. Não esses medos sorrateiros de querer e jogar, em ter sem lutar e sem ser você mesmo como é, simples puro e sublimemente – mais um aprendiz pelo mundo a caminhar. Assim são os medos vazios dos que me cercam, me cerceiam. Mal fecha a boca, tropica na mesmice, na masmorra da avareza. Eu não, livre sou. Ou quase. Pois tenho aqui que confessar. Sou um viajante nato peregrino ou andarilho, mais de cento e trinta e cinco mil km rodados e castigados pelos cantos do brasil, nestas vinte sete datas rodando junto a terra em torno do sol. (Uma média de cinco mil km ano.) Entretanto desde muito novo carrego essa avassaladora Metrópolefobia. Leia mais »