Como o presidente da Mercedes errou e culpou o Brasil

Por Luis Nassif
 
Observador atento e experiente do universo industrial, o economista Antônio Correa de Lacerda sustenta que o Brasil não perdeu atratividade do ponto de vista do investimento produtivo. Sua análise foi desenvolvida em palestra no 60o Forum Brasilianas, sobre a indústria.
 
O fluxo de investimento direto estrangeiro continua muito forte, entre US$ 60 a US$ 65 bi a cada ano. O Brasil permanece um dos cinco maiores absorvedores de investimento.
 
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"A questão é: o que esses caras estão vendo que nós não vemos?", indaga ele.
 
O último relatório da UNCTAD sobre investimentos globais mostra o Brasil em quarto lugar. Não se trata do passado, mas do futuro. Na pesquisa prospectiva - sobre os países que as multinacionais irão investir nos próximos anos - o Brasil continua em 4o lugar.
 
Para Lacerda, parte dessa visão distorcida se deve à cobertura da imprensa, que reflete muito mais torcida que análise.
 
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Dilma e o pássaro azul da inovação

Por Luis Nassif

Se a presidente Dilma Rousseff está atrás de uma agenda positiva, não precisa sequer ir aos Estados Unidos procurá-la. Ela está bem à sua frente.

Esta foi a principal conclusão do 60o Fórum Brasilianas, que versou sobre Indústria e Inovação.

Trata-se do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, composto por um conjunto de instituições públicas e privadas, um marco legal avançado, atores mobilizados no setor público, na academia e nas empresas. Enfim, uma orquestra completa necessitando apenas de um maestro: a própria Presidente da República.

Em 1991 foi aprovada a Lei de Informática; em 2004, a Lei de Inovação; em 2005, a Lei do Bem. Em 2007, foi lançado o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação. Juntos, uma profusão de organismos de discussão, como o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de C&I, o Conselho Nacional de Fundações de Amparo a Pesquisa.

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A tecnologia de defesa e o caso Gripen

Por Luis Nassif

Em toda nação industrializada, os dois maiores investimentos em inovação ocorrem nas áreas de saúde e de defesa. Por razões estratégicas, a área de defesa prioriza o controle tecnológico nacional. E essas duas visões marcaram a escolha do sueco Gripen como o avião de combate a ser desenvolvido no país.

A análise da Aeronáutica foi central para a escolha do avião – superando a maior tradição dos FX dos Estados Unidos e da francesa Dassault. E o ponto central para a escolha foi a ampla transferência de tecnologia prevista no acordo.

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Ontem, no 59o Fórum de Debates Brasiliana, o Brigadeiro Paulo Roberto de Barros Chã, Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) apresentou um amplo quadro dos acordos de transferência de tecnologia com a Saab-Scania, fabricante do Gripen.

Para toda compra pública no exterior acima de US$ 5 milhões, a Constituição exige acordos offset, ou seja a contrapartida a ser oferecida pelo vendedor.

Nas primeiras discussões sobre o FX (a compra de aviões pela FAB) chegava-se a falar em contrapartidas que nada tinham a ver com o objeto do contrato. Leia mais »

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Os desafios da segurança pública

Caminho é a construção conjunta de políticas na área, juntando polícias, estudiosos e comunidades; por Luis Nassif

Duas grandes conclusões perpassaram o 58o Fórum Brasilianas, que versou sobre a segurança pública nas grandes cidades.

O primeiro, a falta de dados estatísticos e de transparência dos órgãos de segurança.

O segundo, a exigência cada vez maior de uma abordagem integrada sobre o tema, envolvendo secretarias de diversas áreas.

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Especialista em informática e em estatísticas de segurança, Coordenador de Ciência, Tecnologia e Inovação da cidade de Fortaleza, João José Vasco Peixoto Furtado consegue montar mapas detalhados de cada cidade norte-americana, cruzando dados policiais georreferenciados com dados de mobilidade urbana, saúde, educação, meramente utilizando o Google. Mas não consegue montar nada similar em nenhuma cidade brasileira, dado a precariedade dos dados. Leia mais »

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Para entender o balanço da Petrobras

Seminário permitiu elucidar um dos nós dos problemas da Petrobras com as agências de rating; por Luis Nassif

O 57º Fórum de Debates Brasilianas, sobre as perspectivas do pré-sal, permitiram elucidar um dos nós dos problemas da Petrobras com as agências de rating.

Há dois modelos de exploração de petróleo: a concessão e a partilha.

Na concessão, faz-se o leilão pelo maior lance. Quem vence dá um lance pelas reservas e, depois, paga royalties sobre a produção. Como “comprou” a concessão, a reserva medida entra como ativo da empresa. Na partilha, em geral, paga-se em petróleo pela exploração do campo. Mas a reserva não é considerada ativo. Ou seja, entra no fluxo de resultados da companhia, na medida em que seja retirado, mas não como ativo.

Trata-se de uma mera questão contábil.

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Imagine duas empresas do mesmo tamanho, aplicando a mesma quantidade de recursos na exploração de dois campos, um pelo regime de partilha, outro pelo regime de concessão. Leia mais »

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A revolução da Federal do ABC

Por Luis Nassif

Com oito anos de existência, a Universidade Federal do ABC (UFABC) é o primeiro caso de sucesso das novas universidades federais.

Com seu reitor alemão Klaus Capelle, a UFABC deverá se transformar em um divisor de águas do ensino e da pesquisa universitária, na passagem para o século 21.

A primeira revolução foi na estrutura interna.

As universidades tradicionais são divididas em departamentos acadêmicos, caixinhas fechadas, compartimentalizadas.

A UFABC inverteu a lógica. Os grandes problemas contemporâneos da ciência e da tecnologia e as demandas das empresas não se encaixam em caixinhas, diz Capelle. A Universidade precisa formar pessoas capazes de resolver problemas, o que passa por uma formação interdisciplinar.

Para tanto, a UFABC foi organizada em três grandes centros:

1. Centro de Ciências Naturais e Humanas, a etapa da descoberta.

2. Centro de Engenharia e Ciências Sociais, a etapa da invenção.

3. Centro de matemática, computação e cognição, a etapa da análise.

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Brasil 2015: a vez da economia criativa

No debate dos presidenciáveis, pela Rede Bandeirantes, a palavra cultura foi pronunciada apenas uma vez. Não se trata apenas de insensibilidade em relação a um tema central para o próprio conceito de país, mas também em relação à tendência dominante da economia mundial, a economia do conhecimento.

As chamadas indústrias criativas - dentre as quais se inclui a cultura, a educação, até os games de celular - tornaram-se tendência dominante na economia mundial. As leis de propriedade intelectual protegem inclusive os conhecimentos seculares da população de um país.

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Ontem, no Seminário Indústrias Criativas do Projeto Brasilianas, ficou claro a relevância desse novo modelo de economia, que pode envolver dos artesãos nordestinos aos músicos cariocas, das produtoras de cinema à indústria do livro, do cinema aos nerds de aplicativos de celular.

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O primeiro desafio é a construção de indicadores de produção cultural. O IBGE andou ensaiando algumas pesquisas, ainda muito incipientes e da perspectiva da economia formal.

Constatou que a economia da cultura cresce ininterruptamente a taxas de 4% ao ano.

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Brasil 2015: os novos passos da indústria naval

Trata-se de um setor dos mais relevantes, pelo encadeamento da produção, movimentando vários setores; por Luis Nassif

O conjunto de seminários do projeto Brasilianas tem permitido diagnósticos preciosos sobre o atual estágio do desenvolvimento brasileiro. É caso da indústria naval brasileira, um caso de sucesso de política industrial.

Trata-se de um setor dos mais relevantes, pelo encadeamento da produção. A fabricação de um navio movimenta a indústria siderúrgica, a metalúrgica, o setor de máquinas e equipamentos, a tecnologia de informação, a região no entorno do estaleiro etc.

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Um dos líderes da produção mundial de navios nos anos 70, a indústria naval foi praticamente eliminada no governo Collor.

Criado em 1999, partir de 2003, o Prorefam (Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo) ganhou impulso, contratando 30 novas embarcações e 21 modernizações.

Mas só a partir da 7a rodada, em 2005, o conteúdo local passou a ser item obrigatório, com índice mínimos para a exploração, desenvolvimento e produção, com a criação dos instrumentos legais para as CCLs (Cláusulas de Conteúdo Local). Leia mais »

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O extraordinário mercado dos games

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Coluna Econômica- Luis Nassif

CEO da Ikeway, holding de investimentos do Porto Digital, no Recife, Fernando Teco Sodré apresentou um quadro surpreendente do mercado de games para celular e tablets, durante o 44o Fórum de Debates Brasilianas, sobre Indústrias Criativas.

Hoje em dia, 15 milhões de pessoas, no Brasil, um bilhão no mundo, jogam games pelo celular ou pelos tablets.

Até 2008, esse mercado não existia. Este ano deverá movimentar mais de US$ 20 bilhões no mundo. Como comparação, o mercado de cinema nos Estados Unidos deverá faturar US$ 24 bilhões.

Essa escalada foi possível devido à explosão dos tablets e ao modelo de negócios implementado. O mercado de tablets nasceu e em menos de dois anos ultrapassou - na produção anual - o de notebooks e de desktops. Junto com ele, veio o mercado de aplicativos - dos quais o de jogos é o mais dinâmico. Em apenas 4 anos, de 2009 a 2013 foram vendidos um bilhão de jogos.
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O extraordinário mercado dos games

Coluna Econômica- Luis Nassif

CEO da Ikeway, holding de investimentos do Porto Digital, no Recife, Fernando Teco Sodré apresentou um quadro surpreendente do mercado de games para celular e tablets, durante o 44o Fórum de Debates Brasilianas, sobre Indústrias Criativas.

Hoje em dia, 15 milhões de pessoas, no Brasil, um bilhão no mundo, jogam games pelo celular ou pelos tablets.

Até 2008, esse mercado não existia. Este ano deverá movimentar mais de US$ 20 bilhões no mundo. Como comparação, o mercado de cinema nos Estados Unidos deverá faturar US$ 24 bilhões.

Essa escalada foi possível devido à explosão dos tablets e ao modelo de negócios implementado. O mercado de tablets nasceu e em menos de dois anos ultrapassou - na produção anual - o de notebooks e de desktops. Junto com ele, veio o mercado de aplicativos - dos quais o de jogos é o mais dinâmico. Em apenas 4 anos, de 2009 a 2013 foram vendidos um bilhão de jogos.
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A inovação na cadeia de petróleo e gás

Por Luis Nassif

Coluna Econômica

Apesar da falta de competitividade sistêmica do Brasil, os ganhos de redução do custo podem ser expressivos para o desenvolvimento autônomo

A exploração do pré-sal poderá tornar o Brasil um dos grandes players globais de soluções tecnológicas. Na sexta-feira 13, mostrei parte da apresentação de João de Negri, diretor de Inovação da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) no Seminário Brasilianas sobre as redes de pesquisa do pré-sal. Nele, Negri enfatizava a importância, para o país dispor de autonomia tecnológica, do desenvolvimento de empresas de capital nacional.

Lançado recentemente, o programa Inova Empresas - de estímulo à inovação - tem como uma de suas principais pernas o Inova Petro, 3 bilhões de reais para desenvolvimento de tecnologia nas áreas de petróleo e gás. Trata-se de uma cadeia bastante extensa: começa na sísmica, vai até a petroquímica, podendo passar pela distribuição. Leia mais »

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As propostas do Plano Inova Empresa

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Coluna Econômica

Inicialmente cauteloso em relação ao Programa Inova Empresa - de estímulo à inovação no país - o presidente da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) Glauco Arbix animou-se com o resultado final. O programa saiu bem melhor do que ele esperava. Em parte porque a presidente Dilma Rousseff bancou todas as propostas. Em parte porque o programa conseguiu envolver muitos setores, cabeças diferentes quebrando o padrão convencional de tratamento do tema por órgãos como o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Na montagem, agregaram-se pessoas como o Ministro Alexandre Padilha, da Saúde, Mauro Borges, da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), Beto Vasconcellos, da Casa Civil, permitindo uma química melhor.

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Ao todo, são seis programas setoriais: Inova Petro, Inova Saúde, Inova Agro, Inova Energia, Inova Autodefesa e Inova Fármaco, cada qual contando com a participação do BNDES e Finep, mais ministérios e organismos setoriais.

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Na primeira rodada houve uma demanda bruta de R$ 56,2 bilhões. A experiência da Finep indica a possibilidade de que 40% das propostas sejam contratadas.

Mesmo na hipótese mais pessimista, de apenas 10% sendo realizados, ainda assim seriam R$ 5,6 bi este ano, outro tanto no próximo ano, metade do que o Brasil investe por ano em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Ao todo, 1.907 empresas e 233 instituições de ciência e tecnologia apresentaram projetos, um número considerável contrastando com o pessimismo que se abateu sobre a economia nos últimos meses. Leia mais »

Luis Roberto Barroso: Ministro referencial ou salame?

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O verdadeiro juiz é feito de discernimento e caráter. O conhecimento é o complemento necessário.

Ao contrário do que Ricardo Noblat apregoou, Joaquim Barbosa tem currículo e conhecimento, mais currículo até que Ricardo Lewandowski. Mas este é mais juiz, pois tem o discernimento.

Mas não basta o discernimento. É fundamental o caráter, a força interna que permite ao magistrado colocar a sede da justiça acima das conveniências, a coerência acima das circunstâncias, sua consciência acima de todas as formas de opressão, das quais a mais deletéria é a dos movimentos de manada, a sede de sangue, de vingança, especialmente quando orquestrada por grandes órgãos de informação.

O desembargador paulista que autorizou a prisão do japonês da Escola Base sabia-o inocente. Mas só ganhou coragem para voltar atrás quando parte dos jornalistas - em um tempo que os jornais permitiram o contraditório - insurgiu-se contra o linchamento.

O homem público nos tempos de Internet Leia mais »

A Internet e a neutralidade da rede

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Coluna Econômica

A Internet é vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente lilbertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.

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Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone às cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell. Leia mais »

A inovação nas mãos dos grandes grupos nacionais

Autor: 

Coluna Econômica

O 5o  Congresso da Inovação da Indústria, que transcorreu ontem em São Paulo, revelou alguns aspectos relevantes da luta pela inovação.

Primeiro, o diálogo entre empresas e autoridades, permitindo identificar pontos de estrangulamento no processo de inovação. Depois, a constatação de que o país avançou bastante no tema, a ponto de juntar quase mil pessoas discutindo o assunto e buscando formas de levar o conceito para pequenas e médias empresas. A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) é um movimento com esse perfil.

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Mas serviu, também, para mostrar a diferença de tratamento que os grandes grupos nacionais dão ao tema.

Numa ponta, o ex-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Horácio Lafer, das Indústrias Klabin.

Nos seus primórdios, o setor de papel e celulose foi dos mais inovadores do país. Experiências inéditas permitiram aproveitar o sol tropical e desenvolver modalidades de árvores com produtividade até três vezes maior do que os concorrentes europeus e canadenses.

Na sua apresentação, Horácio atribuiu as dificuldades em inovar ao sistema educacional brasileiro, ao fato de se formar engenheiros sem nenhuma experiência prática, à dificuldade de incutir conceitos de inovação na mão de obra.

O educador Cláudio de Moura e Castro mostrou que é um problema histórico e de difícil solução, um padrão cultural brasileiro que privilegia o formalismo, o beletrismo, em detrimento dos resultados. Se uma faculdade abrir mão de uma referência em engenharia – ou em qualquer outra profissão – por um jovem profissional com PhD, o ensino pode perder muito. Mas ela passa a receber melhor pontuação nas avaliações oficiais.

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