PARADOXOS "MADE IN PARÁ"

  

Andiroba, murumuru, buriti, cupuaçu, babaçu, ucuuba, pracaxi, patauá, castanha, açaí, cacau são alguns dos chamados produtos da sociobiodiversidade*. Formam junto com outras espécies os pés que mantém a floresta em pé.

Tem alta demanda de mercado, principalmente pelas industrias cosméticas para produção de sabonetes, cremes, shampoos e perfumes. E não são exclusividade dos grandes, já que fazem parte dos itens produzidos também pelos povos tradicionais e agricultores familiares da Amazônia, muitos deles organizados em cooperativas comunitárias.

Diante de todo esse potencial da economia da floresta, temos apoiado as comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (oeste do Pará) através do Programa FLORESTA ATIVA, que prevê diversas ações (Saf’s, reposição florestal, etc), entre elas a montagem de unidades de beneficiamento para agregar valor a produção (óleos vegetais e essenciais, polpas e derivados), sempre melhor do que a venda “in natura”. O desafio é promover a inclusão social a partir da produção sustentável, um passo seguinte e que vai além de programas como o Bolsa-Família.

Para isso, começamos a fazer alguns levantamentos preliminares, e nos deparamos com a seguinte situação no Pará: em função  das diferentes alíquotas do ICMS (imposto de competência estadual sobre a circulação de mercadorias), em alguns casos  SAI MAIS EM CONTA ENCAMINHAR PRODUTOS DA NOSSA SOCIOBIODIVERSIDADE PARA PROCESSAMENTO EM SÃO PAULO DO QUE ENVIÁ-LOS PARA AS INDÚSTRIAS PARAENSES. Leia mais »

A Internet e a neutralidade da rede

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Coluna Econômica

A Internet é vista, unanimemente, como o território livre, a tecnologia libertadora que, em muitos países, permitiu o florescimento da cidadania, a ampliação das oportunidades de educação, o ambiente para novas empresas e novos empreendedores, para o trabalho colaborativo em rede.

Graças a seu ambiente lilbertário, internacionalmente ajudou a derrubar ditaduras e monopólios de mídia, o controle da informação, tanto por governos como por cartéis.

No entanto, não se considere um modelo consolidado. Em outros momentos da história surgiram novas tecnologias, promovendo rupturas, abrindo espaço para a democratização e, no momento seguinte, quedaram dominadas por novos cartéis e monopólios que se formaram.

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Foi assim com o início da telefonia. Enquanto a Bell Co se consolidava, como grande companhia nacional, surgiram inúmeras experiências locais, como a Mesa Telephone, para localidades rurais norte-americanas, de tecnologia rudimentar porém útil para ligar comunidades agrícolas.

Nasceram centenas de outras companhias por todo o país. Esse mesmo modelo disseminou-se pelo Brasil dos anos 40 em diante, com companhias municipais levando o telefone às cidades menores, em um surto de pioneirismo extraordinário.

Nos Estados Unidos, o movimento dos "independentes" permitiu às comunidades rurais estreitar laços, criar amizades, sistemas de informação, da mesma maneira que as redes sociais de agora. Através do telefone desenvolveram noticiários sobre o clima, sobre a região, relatórios de mercado etc.

Os "independentes" chegaram a ter 3 milhões de aparelhos, contra 2,5 milhões da Bell. Leia mais »

A inovação nas mãos dos grandes grupos nacionais

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Coluna Econômica

O 5o  Congresso da Inovação da Indústria, que transcorreu ontem em São Paulo, revelou alguns aspectos relevantes da luta pela inovação.

Primeiro, o diálogo entre empresas e autoridades, permitindo identificar pontos de estrangulamento no processo de inovação. Depois, a constatação de que o país avançou bastante no tema, a ponto de juntar quase mil pessoas discutindo o assunto e buscando formas de levar o conceito para pequenas e médias empresas. A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) é um movimento com esse perfil.

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Mas serviu, também, para mostrar a diferença de tratamento que os grandes grupos nacionais dão ao tema.

Numa ponta, o ex-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Horácio Lafer, das Indústrias Klabin.

Nos seus primórdios, o setor de papel e celulose foi dos mais inovadores do país. Experiências inéditas permitiram aproveitar o sol tropical e desenvolver modalidades de árvores com produtividade até três vezes maior do que os concorrentes europeus e canadenses.

Na sua apresentação, Horácio atribuiu as dificuldades em inovar ao sistema educacional brasileiro, ao fato de se formar engenheiros sem nenhuma experiência prática, à dificuldade de incutir conceitos de inovação na mão de obra.

O educador Cláudio de Moura e Castro mostrou que é um problema histórico e de difícil solução, um padrão cultural brasileiro que privilegia o formalismo, o beletrismo, em detrimento dos resultados. Se uma faculdade abrir mão de uma referência em engenharia – ou em qualquer outra profissão – por um jovem profissional com PhD, o ensino pode perder muito. Mas ela passa a receber melhor pontuação nas avaliações oficiais.

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O dia em que a Globo piscou

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Coluna Econômica

Na sexta-feira passada, as Organizações Globo surpreenderam o país com uma autocrítica de seu apoio à ditadura militar.

Soou artificial.

Um dia antes, manifestantes jogaram merda em sua sede, em São Paulo. Nas redes sociais, com exceção da revista Veja, não existe organização capaz de despertar tanto amor e ódio.

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Para entender essa demonstração de fraqueza da Globo, é preciso analisar o atual estágio da mídia brasileira.

O mercado da Internet está sendo disputado por três grupos: a mídia convencional, as empresas de telefonia e as grandes redes sociais, como Google e Facebook.

Antes, mídia vendia publicidade; telefonia vendia pulsos; redes sociais vendiam sonhos. Agora, as redes sociais vendem publicidade, ligações telefônicas e filmes sob demanda. Nos EUA, já dominam completamente a publicidade nacional (dos grandes produtos) e os classificados.

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No ano passado, o Google tornou-se o segundo faturamento em publicidade do país, atrás apenas da Globo, e à frente da Abril e demais grupos de mídia, com R$ 2,5 bilhões. Este ano, deverá crescer R$ 1 bi.

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O PIB e a mudança no noticiário econômico

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Desde junho um pessimismo agudo dominou o noticiário econômico. Em parte, pelo desencanto com o governo Dilma Rousseff. Somado a isso, pelo jogo político que há anos comanda todas as ações da velha mídia, uma aposta temerária de que, com a economia afundando, Dilma pudesse ser derrotada nas próximas eleições.

Nos últimos dias, as pesquisas de opinião indicaram recuperação de parte da popularidade perdida. E na sexta, o IBGE divulgou um PIB surpreendente - de crescimento de 1,5% no segundo trimestre em relação ao primeiro.

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Foi um tiro no pé. O pessimismo exacerbado afetou o mercado publicitário, induzindo os anunciantes a pisar no freio. E Dilma recuperou o favoritismo para 2014.

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Agentes involuntários desse jogo, os economistas que apostavam no caos foram apanhados de calças curtas.

A economia não está o mar de rosas como pretende o Ministro da Fazenda Guido Mantega; mas não está a caminho do caos, como sugeria o noticiário geral da mídia Rio-São Paulo.

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O suicídio de imagem da medicina brasileira

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Coluna Econômica

Prefeito de Vargem Grande do Sul, tio de minha mãe, o médico Bié Mesquita tinha um consultório com duas salas. Numa, os clientes que podiam pagar pela consulta; na outra, os que não podiam. Revezava o dia inteiro atendendo a ambos. Em frente o consultório, montou uma farmácia, mas ninguém sabia que era dele. Os pacientes necessitados saíam do consultório com a receita e a recomendação para aviar na farmácia em frente. Lá, eram informados de que não precisariam pagar nada.

Em Poços de Caldas, o pediatra Martinho de Freitas Mourão atendia de manhã os necessitados, de tarde os que podiam pagar.

Não havia equipamentos sofisticados. Eram tempos longínquos, no interior, com acesso a no máximo uma máquina de raio X. Tinham o estetoscópio, a paleta para colocar sob a língua do paciente e o conhecimento acumulado pelo curso e pela prática. Salvavam vidas.

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Não são exemplos isolados. Na medicina nacional, grandes nomes, médicos bem sucedidos, cirurgiões consagrados passaram a dedicar parte de sua atividade à saúde pública ou atendimento em hospitais públicos. É assim com Adib Jatene, Miguel Srougi e tantos outros. A medicina brasileira forneceu alguns dos maiores homens púbicos do país, sanitaristas como José Gomes Temporão, David Capistrano, José Veccina Neto. Ajudou na criação de um modelo federativo através da obra monumental do SUS (Sistema Único de Saúde).

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Mesmo os Conselhos de Medicina têm um histórico digno. Não fossem os médicos voluntários do Conselho Regional de Medicina atenderem a um pedido e se deslocarem para o Instituto Médico Legal (IML), em maio de 2006, o número de assassinatos da Polícia Militar teria dobrado.

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As discussões recorrentes sobre política industrial

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Coluna Econômica

Não há discussão mais recorrente no país do que a falsa dicotomia entre câmbio e reformas estruturais para se alcançar a competitividade da produção nacional.

Os mercadistas são contra qualquer forma de defesa da produção interna via câmbio. Argumentam que, em vez da desvalorização cambial, a economia deveria buscar ganhos de produtividade, investindo em reformas, melhoria fiscal, infraesterutura etc.

Já os defensores de políticas industriais sustentam que o câmbio é elemento essencial para se obter a competitividade.

A lógica é simples.

Para ser competitiva, empresas necessitam de produtos com boa relação custo x benefício. Produtos de maior sofisticação custam mais caro; produtos mais simples, mais baratos. Ambos têm espaço no mercado.

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Há casos em que empresas pequenas conseguem desenvolver tecnologias matadoras ocupando nichos de maior valor. Mas a maior parte das empresas (e países) têm uma linha de aprendizado padrão. Começam pequenos, conquistam mercado via preço. Depois, à medida em que vão crescendo, ampliam os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, produzindo produtos cada vez melhores e mais caros.

Foi assim nos milagres japonês, coreano e chinês. Foi assim com empresas como a LG e a Samsung – até poucos anos atrás fabricantes de computadores pessoais de segunda linha.

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O planejamento do PT para 2014

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Coluna Econômica

Quando ocorreram as manifestações de rua de junho – impulsionadas pelas redes sociais – houve pânico à direita e à esquerda. Inicialmente, o PT foi tomado de sobressalto. Julgou-se que perderia a liderança das manifestações de rua e a ascendência sobre o público mais jovem.

Hoje se entende que o início das manifestações não obedeceu a um comando único, mas foi fruto de uma ansiedade coletiva por maior participação popular. E o partido que não atentar para esse sentimento, dança.

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Dentro do partido, a visão é a de que as manifestações já trouxeram consequências positivas. Do lado do governo federal, aceleraram o Mais Médicos; do lado da prefeitura de São Paulo, a ampliação dos corredores de ônibus. No Congresso, em apenas uma semana o Senado aprovou projetos de lei ampliando a participação popular na feitura de leis. No governo Dilma, devolveu-se protagonismo à Secretaria de Governo, incumbida das relações com movimentos sociais e sindicatos.

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No momento, o PT está envolvido com as próximas eleições partidárias. Até ontem, havia 300 mil filiados habilitados a votar. As condições para tal era ter participado ao menos de  uma atividade partidária e estar em dia com o pagamento.

Passadas as eleições internas, o foco do partido será 2014.

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A dificuldade em captar a voz das ruas

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Coluna Econômica

É curiosa e assustadora a incapacidade dos partidos políticos brasileiros de intuírem os novos tempos. Nem mesmo quando os novos tempos aparecem de frente, mortais e fulgurantes como um iceberg gigante.

A Constituição de 1988 consagrou – no papel – formas expressivas de participação popular através das Conferências Nacionais, do modelo SUS (Sistema Único de Saúde) e outros estatutos de cidadania.

Os primeiros anos da Nova República foram tomados pelo fantasma da hiperinflação. Mesmo assim, houve respiros de organização na sociedade civil, gradativamente bebendo os ares democratizantes e se organizando.

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Fernando Collor foi o primeiro a intuir os novos tempos, de descentralização, abertura para o exterior, manifestação dos “descamisados”. Mas, com seu voluntarismo, foi um desastre político.

Já Fernando Henrique Cardoso pegou a bandeira da estabilidade econômica. O Plano Real empalmou de tal maneira as aspirações nacionais do momento, que a oposição não conseguiu encontrar um discurso minimamente eficiente.

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A insensibilidade social de FHC – mais os erros de gestão na questão energética – abriram espaço para o novo discurso, calcado no social e na inclusão. Lula foi eleito sob essa bandeira e consolidou-a com a universalização dos programas sociais.

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Para entender a raiz dos cartéis de trem

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Coluna Econômica

Há um motivo para a gênese dos atuais escândalos da Siemens e do cartel dos trens estar no governo Mário Covas.

Covas assumiu em 1995 sob duas fortes pressões. A primeira, de ordem moral, de responder à imagem de descalabro do governo paulista pós-redemocratização. A segunda, a grave crise fiscal do Estado e as pressões que sofria do governo Fernando Henrique Cardoso para vender suas estatais.

Essas duas pressões levaram-no a uma atitude voluntarista, de cortar despesas no tranco, que traria graves consequências para o Estado. Juntou os principais fornecedores e, pessoalmente, mandou o aviso: ou reduziam em 20% todos os contratos ou eles seriam rompidos.

Foi um gesto positivo, que ecoou bem na mídia e junto à opinião pública, mas que teria desdobramentos negativos depois.

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O corte foi feito linearmente, na orelhada. Em lugar de reduzir a margem de lucro, as empresas de serviço reduziram a qualidade do serviço, fazendo o mesmo com menos gente.

Já as empresas de construção e equipamentos, mais espertas, esboçaram um recuo inicial, mesmo porque na área federal havia também o predomínio do PSDB. Mas sabiam que, em pouco tempo, haveria pressões políticas para o governo mostrar serviço - e ele teria que vir atrás delas.

Alguns contratos foram abandonados. Em outros, ampliaram os acordos de cartelização. Tratando com um governador de gênio difícil, buscaram se aproximar de empresas que tivessem interlocução com o governo do Estado. É nesse contexto que, de repente, empresas de serviço - como a Tejofran e, na área de quentinhas a presídios, a Denodai - tornam-se integrantes de consórcios ao lado de gigantes globais, como a Siemens. E empresas como a Allston e a Duke passam a distribuir propinas a políticas capazes de influenciar a administração pública.

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Para entender melhor os movimentos do câmbio

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Coluna Econômica

O que está ocorrendo agora nada tem a ver com eventual inadimplência de países emergentes. Trata-se de um ensaio, tendo em vista a expectativa do FED (o Banco Central dos EUA) retirar os chamados estímulos monetários.

Esses estímulos consistem no resgate periódico de títulos da dívida dos EUA. Em vez de rolar a dívida, paga-se em dólares, inundando o sistema financeiro internacional com a moeda  e mantendo as taxas de juros (em dólares) em níveis historicamente baixos.

Deflagra-se então um movimento de saída de recursos dos EUA, especialmente dos grandes fundos de investimento e, principalmente, de pensão, cujos cálculos atuariais embutem taxas mínimas de remuneração, para dar conta dos compromissos futuros, não atendidas pelos juros em dólares.

Ao mesmo tempo, essa revoada de dólares provoca a valorização de todos os ativos expressos em outras moedas, dentre os quais o real foi dos mais expressivos.

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O fim dos estímulos monetários reverte o processo. Haverá um aumento das taxas de juros nos EUA, um refluxo dos investimentos norte-americanos, de volta para o país. Essa reacomodação da poupança global provocará uma desvalorização nas moedas e nos ativos dos emergentes.

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É o chamado jogo do mico-preto. Quando se inicia o processo de desvalorização do real, que sai por último paga a conta.

O cálculo é simples:

O investidor tem, suponhamos, R$ 100 milhões aplicados aqui.

Com o dólar a R$ 2,20, fará a conversão e ficará com US$ 45,5 milhões.

Com o dólar a R$ 2,40, seus R$ 100 milhões valerão apenas US$ 41,7 milhões.

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Para entender as oscilações do câmbio

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Coluna Econômica

A lógica da alta do dólar é a seguinte.

Com a crise financeira, o FED (Banco Central norte-americano) inaugurou uma era de ampla liquidez, injetando dólares a rodo na economia. Nos EUA, o excesso de dólares provocou uma queda nas taxas de juros de curto prazo. Com a economia norte-americana estagnada, os dólares ficaram empoçados nos bancos. E os investidores foram atrás de outras oportunidades de ganhos, vindo aportar em economias emergentes.

Esse movimento acabou realimentando os circuitos especulativos e promovendo a apreciação das moedas nacionais – especialmente do real.

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A falta de coragem de enfrentar essa apreciação, o medo de uma desvalorização do real pressionar mais a inflação, fez com que a política monetária fosse condescendente com o câmbio, mantendo a herança maldita de apreciação que vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso.

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Houve dois efeitos maléficos, um consequência do outro.

O primeiro, foi o estrangulamento das contas externas, com a perda do dinamismo das exportações e o aumento violento das importações, especialmente de produtos chineses.

O segundo foi a perda de dinamismo da economia. Os grandes ganhos da ampliação do mercado interno acabaram sendo apropriados pelos importados.

O Banco Central elevou as cotações do dólar de suicidas R$ 1,70 para R$ 2,00, mas foi insuficiente. A indústria não conseguiu se aproveitar do aumento do consumo interno e o ciclo de crescimento foi quebrado.

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Nesse período, o nó das contas externas foi driblado por dois movimentos – que agora se esgotam. Um deles, a manutenção das cotações de commodities em níveis elevados, garantindo os dólares via exportação de produtos primários. O segundo, a manutenção das taxas de juros dos EUA em níveis historicamente baixos, garantindo o financiamento das contas externas brasileiras via conta de capitais.

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A feijoada tropical da cultura paulistana

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Coluna Econômica

Ex-faz tudo do Ministério da Cultura na gestão Gilberto Gil,  Juca Ferreira passou como um furacão rompendo a pasmaceira da área, jogando-a do marasmo das salas de espetáculo para os cafundós do país. Seu projeto de Pontos de Cultura espalhou a boa nova da arte digitalpelas comunidades mais variadas, de índios no Amazônia ao funkeiros de periferia, que se tornaram criadores da era digital, disseminando seus vídeos pela Internet.

Mais que isso, Juca juntou no entorno de Gil um grupo de pessoas que aprendeu a pensar fora do pensamento compartimentalizado e estanque, separando arte erudita e popular, militância política de esquerda e direita, tentando enquadrar a arte nos parâmetros convencionais ou em novos parâmetros.

Muitas das políticas foram construídas com ampla participação popular, resultando em uma das experiências culturais mais criativas nas políticas públicas brasileiras.

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Indicado Secretário da Cultura de São Paulo pelo prefeito Fernando Haddad, seu desafio será trabalhar a cultura metropolitana de São Paulo.

Seu primeiro passo foi proceder a um inventário dos equipamentos culturais da Secretaria. Constatou que a Secretaria dispõe de mais de cem equipamentos isolados. Existem 50 bibliotecas municipais que não conversam entre si. Não existe uma política de leitura para uma cidade com 5 milhões de analfabetos funcionais. Há casos de bibliotecas que recebem 8 leitores diários, em média.

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As estatísticas e as expectativas empresariais

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Coluna Econômica

As estatísticas econômicas podem ser muito ilusórias.

Uma delas é a que mede a produtividade da indústria. Em geral, esse indicador é associado à melhoria do processo produtivo, à modernização tecnológica ou à aquisição de novos equipamentos. Mas, muitas vezes, pode espelhar apenas o aumento da produção.

Suponha uma empresa que fabrique mil produtos mensais e que tenha 50 funcionários. A produtividade será de 20 produtos por funcionário.

Aí as vendas caem para, digamos, 900. Mantendo os mesmos 50 funcionários, a produtividade cairá para 18 produtos por funcionário.

Aumentando para 1.100 produtos, os funcionários serão os mesmos, o maquinário idêntico, os processos permanecerão iguais. Mas a produtividade aumentará para 22 produtos por funcionário.

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Por esta lógica, nos últimos meses houve uma melhoria da produtividade da indústria, embora nada tenha mudado da porteira para dentro.

No primeiro semestre de 2013, por exemplo, houve aumento de 1,9% da produção industrial. Com isso, a produtividade cresceu 2,8%, contra queda de 0,7% do ano passado.

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Os obstáculos à regulação eficiente da economia

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Coluna Econômica

Professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, com especialização na Universidade de Munique, Thiago Marrara identificou vários problemas conceituais no modelo de agências e de concessões públicas no país, conforme explanou no Seminário "Financiamento da Infraestrutura", do projeto Brasilianas.

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O primeiro problema é o do insulamento setorial de agência, com uma multiplicidade de agências setorizadas espalhadas pela União e pelos estados e não dialogando entre si.

Segundo ele, há pouca preocupação do legislador brasileiro em criar mecanismo de interação. Por exemplo, no Estatuto da Cidade não existe nenhum dispositivo que obrigue um município a tratar com outro questões como saneamento, segurança etc.

Sem o empurrão das leis, avança-se muito pouco em normas de cooperação.

Na Alemanha, explica ele, a própria Lei do Planejamento Administrativo prevê normas muito claras de cooperação, inclusive internacional.

Recentemente arquivado, o projeto de nova lei das agências previa regras de cooperação transetorial. A nova Lei do Cade menciona explicitamente a cooperação entre agências para tratar de problemas concorrenciais.

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O segundo problema é o do isolamento regulatório.

Existem inúmeros pólos reguladores. O próprio município é um polo regulador.

Se não se pensar do ponto de vista federativo, na hora da execução os projetos serão barrados por inúmeras ações imprevistas, seja por reação de moradores, por questões levantadas pelos tribunais de conta.

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