O paraíso fiscal que virou pesadelo, por J.Carlos de Assis

Um paraíso fiscal que virou pesadelo para toda a Europa

Por José Carlos de Assis*

Em algum momento algo como a crise de Chipre teria de acontecer para expor ao mundo, de forma pedagógica, a monstruosidade que se tornou o sistema financeiro internacional. Chipre é uma ilha insignificante do Mediterrâneo com um PIB de pouco mais de 10 bilhões de euros. Nada que tenha acontecido ali deveria, em tese, abalar o sistema bancário europeu, mesmo que o montante de seus ativos financeiros especulativos atinja cerca de 8 vezes o PIB. Contudo, a estupidez alemã transformou a crise nessa ilha de fantasia, nada mais que um paraíso fiscal para magnatas russos, num bumerangue com potencial de reverter sobre a Europa e o mundo.

Foram os alemães como mandantes nos bastidores da troika – Comissão Europeia, BCE e FMI - que tiveram a ideia fantástica de exigir como garantia de um empréstimo de 10 bilhões de euros para estabilizar o sistema bancário cipriota um imposto excepcional sobre depósitos em seus principais bancos. O imposto deveria atingir inclusive a parte dos depósitos coberta por seguro (100 mil euros) o qual protege depósitos de todos os países que aderiram ao euro. Considerado o tamanho de Chipre, o efeito seria irrelevante. Considerado o precedente, é como uma pequena gravidez: a insegurança está instalada em toda a zona do euro, sobretudo no sul da Europa. Leia mais »

A defasagem de engenheiros no Reino Unido

Por Toni

Nassif, mais sobre a crise de engenheiros que é mundial: 

A Academia Real de Engenharia do Reino Unido para incentivar a profissão no país e no mundo lançou o que pretende ser o Prêmio Nobel para engenheiros, nos mesmos moldes do concedido pela Suécia e Noruega.  O prêmio pode ser individual ou em equipe e está estipulado em 1 milhão de libras esterlinas, equivalente dois 2,65 milhões de reais. A primeira laureação foi no último dia 18 e contemplou um time de cinco engenheiros, os criadores da internet, WWW e do pioneiro browser Mosaic.: Robert Kahn, Vinton Cerf, Louis Pouzin, Tim Berners-Lee und Marc Andreessen.

No Reino Unido a defasagem de engenheiros é de 10 mil por ano, segundo o Lord Browne, membro da academia e um do idealizadores e iniciadores do prêmio. Leia mais »

Mulheres assumem sustento familiar em Portugal

Por alfeu

Do Envolverde/IPS

Portuguesas assumem sustento da família em tempo de crise 

por Mario Queiroz, da IPS

A catedrática Anália Torres, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Foto: Mario Queiroz /IPS

Lisboa, Portugal, 22/3/2013 – O colossal impacto da crise econômica em Portugal no emprego masculino se traduziu em um aumento drástico de mulheres assumindo o papel central de sustento da família, mas isto não significa um avanço para a igualdade.

“Hoje há mais desemprego masculino do que feminino, porque a crise afetou especialmente o setor da construção civil”, disse à IPS a catedrática Anália Torres, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. “Havendo menor atividade econômica nesta área, que tradicionalmente emprega homens, subiu muito a taxa de desemprego masculino, enquanto em outros setores ocupados por mulheres o desemprego cresceu em menor medida”, disse a pesquisadora em uma entrevista. Leia mais »

Krugman: Chipre revela falta de regulação no setor bancário

Do O Globo

Paul Krugman: O trauma da ilha do tesouro

Bagunça do país revela a falta de regulamentação do sistema bancário mundial

PAUL KRUGMAN*

Há cerca de dois anos, o jornalista Nicholas Shaxson publicou um livro fascinante e assombroso intitulado “Ilhas do tesouro”, no qual explicava como os paraísos fiscais internacionais — que são também, como frisou o autor, “jurisdições secretas” onde muitas regras não se aplicam — abalam economias em todo o mundo. Não apenas eles roubam receitas de governos necessitados de caixa e estimulam a corrupção, como também distorcem o fluxo de capital, ajudando a alimentar crescente crise financeira.

Um aspecto que Shaxson não aprofundou, no entanto, é o que acontece quando uma jurisdição secreta é exposta. É isso que está acontecendo agora no Chipre. E seja qual for o desfecho da situação do Chipre propriamente dito (uma dica: não deverá ter um final feliz), a bagunça cipriota revela justamente o quanto permanece sem regulamentação o sistema bancário mundial, quase cinco anos depois do início da crise financeira global. Leia mais »

A democracia oligárquica, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Por Assis Ribeiro

Da Carta Capital

A democracia oligárquica

Por Luiz Gonzaga Belluzzo

Anunciados os resultados das eleições italianas, o economista Joseph Stiglitz escreveu um artigo contundente no site Project Syndicate. O resultado das eleições italianas, diz Stiglitz, deveria mandar uma mensagem clara para as lideranças europeias: as políticas de austeridade recomendadas e praticadas por eles são rejeitadas pelos eleitores.

O economista considera um despropósito antidemocrático entregar os governos a tecnocratas enredados em ligações com o establishment, inclinados a adotar políticas ineficazes para atingir os objetivos proclamados, mas suficientemente cruéis para disseminar a miséria entre os cidadãos da Eurolândia.

“A realidade mostra que a maioria dos países da União Europeia está mergulhada na depressão. A queda do PIB italiano desde o início da crise é tão grande quanto a observada nos anos 1930 do século XX. Na Grécia, o desemprego entre os jovens bateu nos 60%, e na Espanha chegou a mais de 50%. Com essa destruição de capital humano, o futuro da Europa não parece brilhante.” Leia mais »

As consequências da crise no Chipre

Por Webster Franklin

Da Carta Maior

O pequeno Chipre assombra a zona do euro

Uma saída de Chipre despertaria o fantasma da desintegração. Desde que estourou a crise da dívida soberana em 2010, a Grécia esteve várias vezes a ponto de dar o calote. Dada a grande exposição que Chipre tem em relação a Grécia e os graves problemas helênicos, Atenas se encontraria rapidamente no centro da cena: Portugal, Espanha e Itália seriam os próximos na lista. O artigo é de Marcelo Justo, direto de Londres.

Marcelo Justo

Londres – A crise de Chipre expôs mais uma vez a incapacidade da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) para administrar o turbilhão da eurozona e abriu uma franja para uma saída mais progressista para a derrocada bancária. Enquanto o ministro de Finanças cipriota, Michal Sarris, busca em Moscou ajuda da Rússia, está claro que o plano desenhado pela Troika colocou em questão um princípio que os países desenvolvidos costumam utilizar para questionar outras nações: a segurança jurídica. Leia mais »

Indústria da Alemanha registra queda em março

Do Económico

Indústria alemã trava em Março

A actividade manufactureira na Alemanha registou uma quebra em Março, reflectindo um declínio da procura.

Os dados do índice de gestores de compras (PMI) para a actividade manufactureira alemã calculado pela Markitt apontam para um valor de 48,9 em Março. Esta leitura é inferior à registada em Fevereiro (50,3) e fica também abaixo da média de 50,5 estimada pelos analistas contactados pela agência Bloomberg. De salientar que um valor abaixo de 50 pontos sugere uma retracção.

Os últimos dados do banco central alemão, o Bundesbank, indicam uma contracção no PIB de 0,6% no último trimestre de 2012 e, já em Janeiro, as encomendas à indústria e as exportações caíram inesperadamente, representando um revés para as esperanças de uma rápida recuperação na maior economia europeia.

O Governo da chanceler Angela Merkel prevê um crescimento do PIB de 0,4% em 2013.  Leia mais »

Paul Krugman: do Iraque ao deficit

Por Marco Antonio L.

Da Folha

Marchas da insensatez, do Iraque ao deficit

Paul Krugman

Dez anos atrás, a América invadiu o Iraque; de alguma maneira, nossa classe política decidiu que nossa resposta a um ataque terrorista deveria ser travar guerra contra um regime que, por mais vil fosse, nada tinha a ver com aquele ataque.

Algumas vozes avisaram que estávamos cometendo um erro terrível; que o argumento em favor da guerra era fraco, possivelmente fraudulento, e que, longe de render a prometida vitória fácil, era muito provável que a empreitada terminasse com sofrimento custoso. E os avisos foram acertados, é claro.

Ficamos sabendo que não havia armas de destruição em massa; olhando em retrospecto, ficou evidente que a administração Bush enganou a nação propositalmente para conduzi-la à guerra. Leia mais »

Apesar da crise, número de ultramilionários aumentou

Por Webster Franklin

Carta Maior

Os ultramultimilionários

A relação de ultramultimilionários do mundo voltou a alcançar máximas históricas, informa a 'Forbes': agora essa lista é formada por 1426 nomes com um valor patrimonial líquido de aproximadamente 5,4 trilhões de dólares. É algo inquietante. A pior crise econômica global desde a Depressão de 30 segue sem horizonte de terminar, enquanto aumenta a concentração de riqueza. O artigo é de Alfredo Zaiat, do Página/12.

As economias mais importantes do mundo estão passando pelo sexto ano de estagnação ou recessão. Estados Unidos, Europa e Japão não podem sair do atoleiro com políticas que combinam expansão monetária para resgatar bancos e restrição fiscal no âmbito social e trabalhista. Apesar dos resultados insatisfatórios, as potências persistem nesta estratégia. Existe uma ideia naturalizada no senso comum que postula que nas grandes crises perdem todos. Ricos e pobres, trabalhadores e empresários. Não é assim. Também predomina a noção de que a deterioração geral não convém a ninguém. Para uns poucos, sim, ou é indiferente para eles uma vez que suas riquezas são tão grandes que não são afetadas. Isso é ratificado em um estudo realizado por Wealth-X, empresa que oferece o perfil dos ultra-milionários para profissionais das finanças dedicados à gestão de patrimônios privados. Leia mais »

A política de relaxamento monetário do Fed

Por Roberto São Paulo-SP 2013

Do Wall Street Journal

Relaxamento monetário, uma jogada de longo prazo do Fed

Por JON HILSENRATH

A questão de zilhões de dólares hoje em dia é: quando o Federal Reserve, o banco central americano, pegará a rota de saída?

Investidores, bancos e muitos outros participantes do mercado estão obcecados com a questão de quando terminará a política de relaxamento monetário e as suas amplas implicações. Quando o Fed decidir recuar do seu mais recente programa de compra de títulos — compras mensais de US$ 85 bilhões em dívidas do Tesouro e de hipotecas — ou quando ele começar a elevar as taxas de juros de curto prazo, que estão próximas de zero, as ações poderiam cair, os custos dos empréstimos saltar e a economia desacelerar.

O presidente do Fed, Ben Bernanke, e outros altos funcionários da instituição têm procurado sinalizar que o fim dessas medidas só deve ocorrer quando a recuperação da economia estiver num processo muito mais avançado. O Fed começa hoje uma reunião de dois dias para discutir a política monetária americana. Leia mais »

Parlamento do Chipre rejeita imposto sobre depósitos

Por Henrique

Da Reuters

Parlamento do Chipre rejeita imposto bancário e resgate fica em xeque

Por Michele Kambas e Karolina Tagaris

NICÓSIA, 19 Mar (Reuters) - O Parlamento do Chipre rejeitou de forma esmagadora nesta terça-feira um imposto sobre depósitos bancários como condição para o resgate europeu, colocando em xeque os esforços da zona do euro para ajudar a mais recente vítima da crise da dívida no bloco monetário.

A votação no Parlamento do pequeno país representou forte golpe para a zona do euro, composta por 17 nações, após legisladores na Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália terem repetidamente aceitado medidas impopulares de austeridade ao longo dos últimos três anos para assegurar ajuda da Europa.

A rejeição, com 36 votos contrários, 19 abstenções e um parlamentar ausente na votação, deixou a ilha do leste do Mediterrâneo, um dos menores Estados do continente, à beira do colapso financeiro. Leia mais »

O aumento da participação externa das companhas brasileiras

Por Assis Ribeiro

Do Correio Braziliense

O mundo em verde e amarelo

DECO BANCILLON, ROSANA HESSEL, VICTOR MARTINS

Empresas brasileiras aproveitam a desestabilização econômica global provocada pela recessão para expandir negócios em outros países. Nos últimos quatro anos, a participação externa cresceu 39,4%

A crise financeira que abateu instituições dos mais variados tamanhos e nacionalidades lançou os países em uma nova ordem econômica global. Diante da quebradeira geral mundo afora, as empresas que conseguiram sair fortalecidas dessa tormenta encontraram um mercado propício para aquisições. Com dinheiro no bolso, as brasileiras fizeram a farra e compraram de tudo um pouco. Somente nos últimos quatro anos, a participação de companhias nacionais no capital de estrangeiras aumentou 39,4%.

Em 2009, quando o mundo ainda mergulhava, sem rumo, na maior recessão desde 1929, o volume de ativos no exterior sob o poder de brasileiros totalizava US$ 157,6 bilhões. De lá para cá, esse montante teve um incremento de cerca de US$ 62,1 bilhões. Hoje, chega ao volume recorde de US$ 219,7 bilhões, segundo números levantados pelo Correio a partir de dados do Banco Central (BC). Leia mais »

Os protestos contra as medidas anticrise na Europa

Por Walter Decker

Do Estadão

Protesto na Espanha acusa União Europeia de servir aos mercados

FERNANDO TRAVAGLINI

Milhares de manifestantes marcharam neste sábado em Madri e em outras cidades da Espanha em protesto contra os líderes da União Europeia (UE) que estão lidando com a crise financeira, condenando o que para eles é "uma UE que pertence aos mercados".

A marcha, organizada pelo movimento espanhol "Indignados", teve início depois que o Chipre anunciou que vai se valer das contas bancárias dos cidadãos para ajudar a salvar o governo de um calote (default_ da dívida, como parte do acordo de resgate de 10 bilhões de euros (US$ 13 bilhões) feito com a UE.

"Nós não devemos nada. Nós não vamos pagar nada", dizia uma bandeira carregada por manifestantes na cidade de Valladolid, um grito de guerra que ecoou na marcha em Madri. Leia mais »

Uma empresa deve ser mais do que um pote de ouro

Autor: 

Tradução de trecho da entrevista publicada no Upsides em 28/02/2013


Nós precisamos de um novo sistema de mercado, de acordo com Pavan Sukhdev, fundador-CEO da GIST Advisory. Um mercado que não esteja definido somente pelo sucesso financeiro, mas pelo menos uma vez, foque no quadro completo. E o ex-banqueiro está tendo um bom começo. Ao identificar o valor do impacto sobre o capital natural e humano, por exemplo.


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Pepe Escobar: A queda da Casa de Europa

Por Adir Tavares

Do Asia Times

A queda da Casa de Europa

por Pepe Escobar, Asia Times Online

Não se tem, infelizmente, versão pós-moderna de Dante guiado por Virgílio para contar a um mundo perplexo o que está realmente acontecendo na Europa, passada a recente eleição geral na Itália.

Na superfície, os italianos votaram um retumbante “não” – contra a austeridade (imposta à moda alemã); contra mais impostos; contra cortes no orçamento, desenhados, em teoria, para salvar o euro. Nas palavras do prefeito de Florença, de centro-esquerda, Matteo Renzi, “Nossos cidadãos falaram alto e claro, mas talvez ainda não tenhamos entendido completamente sua mensagem.” De fato, não é difícil entender. 

Há quatro principais personagens nessa peça moral/existencial digna da mais ensandecida tradição da commedia dell 'arte

O vencedor pírrico é Pier Luigi Bersani, líder da coalizão de centro-esquerda; mas não consegue formar governo. O perdedor indiscutível é o tecnocrata e ex-serviçal de Goldman Sachs, primeiro-ministro Mario Monti.  Leia mais »