Gerentes e líderes

Fui fazer checkup ontem de manhã e acabei não lendo o artigo do Renato Janine Ribeiro, na Folha. Embora ele me critique indiretamente (o jornalista econômico que dizia que FHC não tinha apetite gerencial), concordo quase integralmente com o que ele escreve, sobre o papel do líder político e do gerente.

As diferenças entre o que pensamos são nuances, mas que fazem a diferença.

Para Janine - um dos melhores intelectuais brasileiros - cabe ao líder o papel de consolidar alianças, compor maiorias etc. E ao gerentão, debaixo dele, gerenciar. Conclui que Lula e FHC são os grandes líderes políticos contemporâneos, e José Serra e Dilma Rousseff são gerentes.

Concordo com a classificação. Só que líderes compõem alianças visando objetivos e metas e não a governabilidade em si. E objetivos e metas são alcançados no dia a dia da administração, na construção sistemática do futuro, na repetição permanente dos princípios. Especialmente em um governo presidencialista, os sistemas de poder são difusos, entre os MInistérios. Quem decide é o presidente. Daí que um governo depende do pique do presidente.

É nesse ponto que faltava a FHC a gana da transformação. Era um presidente que se contentava com muito pouco, um mercadismo que andava de forma inercial (em direção ao barranco), as privatizações (consolidando uma nova hegemonia econômica entre aliados), a desregulamentação, o embrião de algumas políticas sociais e alguns ensaios de gestão interministerial - nas mãos de dois bons gerentes, Clóvis Carvalho e Pedro Parente, mas com pouquíssimo empenho do presidente.

Lembro-me quando foi criada a Câmara do Comércio Exterior. Quando foi assumida pelo Ministério do Desenvolvimento, indaguei do Ministro Sérgio Amaral como conseguiria cobrar Ministros, do mesmo nível hierárquico dele. Sua resposta é que tinha o porrete, a proximidade do presidente. Garanto que nunca usou, porque faltava a FHC o apetite para avançar nas mudanças. Não pensava grande, como lhe cobrou Sérgio Motta na última carta. É a isso que chamo de falta de apetite gerencial, não ao gerenciamento do governo em si.

Juscelino era um caos orçamentário e administrativo. Mas era um bólido, empurrando o governo com sua vontade. Getúlio Vargas foi o maior estadista do século (pelo conjunto de transformações pelas quais foi responsável). A consulta aos seus arquivos mostra um governante permanentemente às voltas com questões concretas, desde a montagem de alianças (e havia, mesmo no Estado Novo), até discussões para a implantação de indústrias, negociações diplomáticas, acordos financeiros.

FHC nunca teve esse ânimo. Lula passou a ter a partir do segundo semestre de 2006, quando esteve prestes a sofrer o impeachment. Desde então, ganhou  pique, ajudado pela implantação de modelos gerenciais e de acompanhamento mais eficientes, ainda que embrionários.

Mas concordo integralmente com Janine quanto à sucessão: ser gerente não é condição necessária, nem suficiente. E, até agora, não apareceram candidatos a sucessores à altura de FHC e Lula.

Abaixo, a íntegra do artigo. Leia mais »

De Varsóvia a Gaza

Do Valor Econômico

Do Gueto de Varsóvia ao Gueto de Gaza

Maria Inês Nassif

08/01/2009

O Gueto de Varsóvia foi o maior enclave judaico estabelecido pelos alemães na Polônia, durante a ocupação nazista. Chegou a atingir a marca de 380 mil habitantes, ou 30% da população de Varsóvia, e ocupava 2,4% de seu território, separado da cidade por muros. A partir da construção do muro, em novembro de 1940, e pelo ano e meio seguinte, os judeus poloneses das cidades e vilas menores eram levados para lá - depósito dos judeus que iriam para o campo de extermínio de Treblinka e que podiam ter a sorte de escapar das câmaras de gás se morressem antes de tifo ou fome, ou simplesmente fossem atingidos nas ruas, como animais, caça dos soldados nazistas. Lá dentro, três grupos, no entanto, resistiram com pistolas, bombas caseiras e coquetéis molotov - um deles até com umas armas um pouco melhores, fornecidas pela resistência polonesa que as contrabandeava para dentro dos muros - dizem que até por túneis. Depois de seis meses de resistência, os judeus poloneses do gueto foram transferidos maciçamente para Treblinka ou simplesmente assassinados em Varsóvia.

Ao longo da história, vários guetos confinaram judeus. Existiram guetos judaicos na Alemanha e na Península Ibérica no Século XIII; o Gueto de Veneza é do Século XIV. Dependendo da circunstância histórica, eram mais ricos, ou mais pobres, mas todos eles traziam o sentido metafórico do isolamento, da exclusão, do preconceito.

A primeira vez que ouvi a expressão "Gueto de Gaza" foi na minha casa. É uma expressão forte - e invertida. Nesse caso, a população judaica está fora do gueto, não dentro. Quem me chamou atenção para essa terrível inversão foi o meu companheiro, descendente de judeus poloneses. Leia mais »

Executando moribundos

O lado mais tenebroso das guerras era o sujeito que, depois da batalha, era incumbido de excutar os adversários moribundos.

Alguma diferença com essa guerra de extermínio?

Do Estadão

Após sofrer novo ataque, ONU suspende ações na Faixa de Gaza

Comboios da organização e do CICV são alvejados por Israel; Conselho de Segurança chega a pré-acordo para aprovar resolução; foguetes lançados do Líbano ferem 2 israelenses; Obama poderá falar com Hamas

Cidade de Gaza

Um comboio da ONU e outro do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foram atacados ontem, na Faixa de Gaza. Pelo menos um funcionário das Nações Unidas morreu, levando a organização a suspender suas atividades humanitárias "até que as autoridades israelenses possam dar garantias de segurança". O CICV, por seu lado, anunciou que prosseguiria com seus trabalhos.

Sobre a TFP

Por Celso da Costa Carvalho Vidigal

Prezado Luis Nassif

Desejo-lhe um feliz 2009.

Não podendo dirigir-me diretamente à sua leitora Vivian S., venho observar que quem confunde a TFP com qualquer forma de fascismo, ou não sabe o que é a TFP ou não sabe o que é o fascismo.
Se ela ou alguém mais quiser consultar boas fontes a respeito disso, posso indicá-las.

Abraços cordiais

Comentário

A indicação das fontes será bem vinda. E tenho certeza que a comunidade do Blog proporcionará uma discussão em alto nível, sem ofensas nem patrulhamento. Leia mais »

Da série "colunista sofre"

Da Eliane Cantanhede, na Folha

BRASÍLIA - Lula tem 70% de popularidade, Serra foi fundamental para a vitória de Kassab, 67% dos prefeitos que disputaram a reeleição se deram bem, e só um das capitais (o de Manaus) não se reelegeu. Também por mérito, mas muito pela onda favorável da economia, no Brasil e no mundo.

Hehehehehe.... Vida dura. Só em uma das capitais o prefeito não se reelegeu. Quando terminou o parágrafo, a Eliane pensou: "Ho ho, está faltando alguma coisa que ainda vai me dar dor-de-cabeça". E tascou aquele "Serra foi fundamental etc.", que está desgarrado do texto, conforme vocês podem conferir.

Militares na política

Da Folha

Militares acusam Exército de punir atuação política

Após as eleições, ao menos 50 oficiais e praças não-eleitos foram transferidos de guarnições

Apesar do rigor da disciplina, militares se organizam para entrar com ação coletiva exigindo voltar a postos que estavam antes de se licenciar

ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE

Militares que concorreram nas eleições municipais e não se elegeram acusam o Exército de boicotar suas aspirações políticas por meio de transferências que os tirem de seus redutos eleitorais.
Pelo menos 50 oficiais e praças não-eleitos acabaram em guarnições diferentes daquelas que estavam quando se afastaram para disputar o pleito de 2008. Entre eles estão militares que fazem parte de um movimento que se auto-intitula "Capitanismo", grupo não reconhecido pelo Comando do Exército que se organiza para ter maior participação política. (continua)

Comentário Leia mais »

A política e os charlatães

Por weden

Nassif,

Eu queria ter tempo e paciêcia para buscar as declarações mais incríveis de especialistas sobre o atual governo.

Consegui coletar estas. (Nota: análises da época do mensalão)

JB

Para psicanalistas, o comportamento do presidente é típico de quem está em choque

Enquanto o país vive momentos de perplexidade com o festival de denúncias que a cada dia ganha novos capítulos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apresentado reações freqüentemente contrárias às expectativas da população. Na última sexta-feira, quando novas acusações atingiram o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o país prendeu a respiração diante da TV. O presidente admitiu "estar tranqüilo", além de convicto de que tudo será esclarecido.

Para a psicanalista Halina Grynberg, do ponto de vista psíquico, o comportamento do presidente é típico de quem está em choque: Leia mais »

A elite global, segundo a Newsweek

Por MADs

Não sei se já foi comentado, mas vejam a matéria "Elite Global" da Newsweek, especialmente, a décima oitva posição.

COVER STORY: THE GLOBAL ELITE

The Story of Power
Jon Meacham

The study of power is not only diverting (which Homer and Shakespeare knew), but illuminating. A biography of an ancient human impulse.

* Preview Article

1: Barack Obama
2: Hu Jintao
3: Nicolas Sarkozy
4-5-6: Economic Triumvirate
7: Gordon Brown
8: Angela Merkel
9: Vladimir Putin
10: Abdullah bin Abdulaziz Al-Saud
11: Ayatollah Ali Khamenei
12: Kim Jong Il
13-14: The Clintons
15: Timothy Geithner
16: Gen. David Petraeus
17: Sonia Gandhi
18: Luiz Inácio Lula da Silva
19: Warren Buffett
20: Gen. Ashfaq Parvez Kayani
21: Nuri al-Maliki
22-23: The Philanthropists
24: Nancy Pelosi
25: Khalifa bin Zayed Al Nahyan
26: Mike Duke
27: Rahm Emanuel
28: Eric Schmidt
29: Jamie Dimon
30-31: Friends of Barack
32: Dominique Strauss-Kahn
33: Rex Tillerson
34: Steve Jobs
35: John Lasseter
36: Michael Bloomberg
37: Pope Benedict XVI
38: Katsuaki Watanabe
39: Rupert Murdoch
40: Jeff Bezos
41: Shahrukh Khan
42: Osama bin Laden Leia mais »

A sucessão de Lula

Coluna Econômica - 21/12/2008

Em 2010 haverá, pela primeira vez, três candidatos a presidente com currículo, passado e seriedade: José Serra, Dilma Rousseff e Aécio Neves. É um privilégio para o país dispor dessas alternativas.

Mas o xadrez ainda é confuso e haverá muitos lances pela frente. Leia mais »

O discurso presidencial

Matéria muito interessante do repórter Raphael Gomide, da sucursal da Folha, no Rio, com o professor Michael Hardt – autor do livro “Império” – sobre o discurso público dos presidentes (clique aqui)

Segundo ele, “Presidente eleito traz inteligência de volta à política dos EUA”

De acordo com Hardt, desde os mandatos do republicano Ronald Reagan (1981-1989), passando pelos de George Bush pai (1989-1993) e filho (2001-2008) e do democrata Bill Clinton (1993-2001), os presidentes vinham adotando um discurso populista simples, talvez para tentar se aproximar do eleitor médio. Obama, por sua vez, faz o discurso da inteligência.
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O político Alckmin

Há algumas semanas entrevistei o candidato Geraldo Alckmin. No final da entrevista tivemos uma conversa informal, cujo conteúdo preservei até agora, término do primeiro turno.

Político discreto, ele não gostou da carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao partido. Comentou que um dos problemas do ex-presidente é que julgava que, depois dele, viria o dilúvio, e o dilúvio não veio. Leia mais »