A criação de saci no Bolsa Família

Atualizado

Em Minas Gerais há informações seguras de criação de saci em cativeiro. Agora, começam a pipocar indícios fortes de que parte dessas criações de saci estão sendo montadas em jornais.

É o que depreende do fato da parte mais séria do jornal mais sério do país, o Estadão, ter embarcado na criação de sacis de O Globo.

Do Editorial do Estadão

Mais briga entre ministros

Depois do confronto entre os ministros da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente por causa do projeto do novo Código Florestal, a confusão reinante na Esplanada dos Ministérios, decorrente da má qualidade de gestão e falta de comando administrativo do governo, tem agora um novo capítulo, no qual os dois principais personagens são o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.

O confronto começou quando Mangabeira, depois de anunciar que lideraria uma "caravana para o Nordeste", passou a criticar os critérios de escolha dos beneficiários do Bolsa-Família nessa região e a alardear que o Ministério de Assuntos Estratégicos já começou a estudar novos critérios. Em vez de privilegiar os mais pobres, diz ele, o Bolsa-Família deveria ser direcionado aos que já estão próximos de se integrar à classe média. "O ponto nevrálgico é escolher corretamente o alvo. Muitas vezes tenta-se abordar o núcleo duro da pobreza com programas capacitadores e, aí, eles não funcionam. As populações mais miseráveis são cercadas por um conjunto de inibições, até de ordem cultural, o que dificulta o êxito desses programas", disse o ministro ao jornal O Globo (continua).

Marquito, meu filho, Pereira, grande figura, como é que embarcam nessa bobagem? Daqui a pouco vão acreditar que saci dá em árvore.

Mangabeira nunca falou no Bolsa Família privilegiar a classe média. O tema eram os programas de capacitação, treinamento profissional que precisam focar os menos pobres, devido ao fato de que a miséria extrema é uma barreira cultural enorme à inserção de pessoas no mercado de trabalho. E não houve discordância nenhuma com Patrus - conforme a própria íntegra da entrevista, disponibilizada no site do Ministério de Assuntos Estratégicos. Como Mangabeira cansou de salientar na entrevista (e O Globo cansou de expurgar do publicado) essas conclusões sao consensuais, não há divergência Leia mais »

Os ataques ao Bolsa Família

Coluna Econômica - 25/01/2009

"O Globo" tem movido uma campanha implacável contra o Bolsa Família - através de reportagens enviesadas e dos artigos de Ali Kamel e Merval Pereira. Chegaram a "acusar" o programa pelo fato de parte dos beneficiários ter adquirido geladeira e fogão. Segundo eles, o dinheiro deveria ser exclusivamente para comida. Como se geladeira e fogão servissem para assistir televisão.

***

É curiosa essa posição de dois colunistas que se pretendem defensores do livre mercado mas cuja ideologia acaba tropeçando no preconceito puro e simples.

Nas grandes discussões sobre políticas sociais, nos anos 90, os verdadeiramente liberais - como Roberto Campos - defendiam políticas que permitissem aos beneficiários a livre escolha. No caso de escolas, uma das bandeiras era a concessão de bônus que o estudante poderia utilizar livremente, escolhendo a escola pública que lhe parecesse mais adequada.

No caso das transferências em dinheiro, a livre escolha do que adquirir. Leia mais »

Tem gato na tuba

Atualizado

Da Folha

Gato recebeu R$ 20 do Bolsa Família em MS por cinco meses

Bicho de estimação foi cadastrado por seu dono, coordenador na Prefeitura de Antônio João do programa do governo federal

Fraude foi descoberta na visita de um agente de saúde à casa do suposto beneficiário; dono do animal pediu exoneração

RODRIGO VARGAS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPO GRANDE

Um gato de estimação fez parte, durante cinco meses, da lista de beneficiários do Bolsa Família em Antônio João (300 km de Campo Grande), um dos municípios mais pobres de Mato Grosso do Sul. O animal, chamado Billy, foi inscrito com nome, sobrenome e data de nascimento por seu dono, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador local do programa do governo.

Billy tinha número de identificação social, cartão magnético e vinha recebendo R$ 20 mensais do governo federal como complementação de renda.

A fraude foi descoberta durante a visita de um agente de saúde à casa do suposto beneficiário, em novembro passado. Leia mais »

A Qualificação Profissional no Bolsa Família

Conversei agora de manhã com o Ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, sobre o Plano de Qualificação Profissional do Bolsa Família. Seu relato: Leia mais »

Da (pouca) arte da intriga

the talk of the town

Ahhh...O Globo.... Quem será que eles acham que enganam numa era dinamica como essa? OIhem a materia de hj !!!

Patrus admite erro no Bolsa Família Leia mais »

O Globo e a busca de pelo em ovo

SAE esclarece matéria de O Globo

Na capa da edição de 22 de janeiro de 2009, o jornal O Globo afirma: "Mangabeira critica foco do Bolsa Família". Na matéria, outro título com teor semelhante: "Ministro Critica Bolsa Família". Ocorre que, durante a entrevista com o ministro realizada pelo jornalista autor do texto, Bernardo Mello Franco, Mangabeira afirmou o contrário. Ao ser questionado sobre um possível foco errado (nas palavras do repórter) do Bolsa família, o ministro disse: "Não, não! Primeiro, isso não é uma crítica, isso é uma evolução dos programas de transferência. Os programas de transferência não devem ser vistos como programas apenas compensatórios à miséria que imobiliza as pessoas, mas... e a discussão que se faz sob o rótulo de porta de saída costuma ser uma discussão enviesada, mas nós estamos todos conscientes. Eu tenho trabalhado com o Ministro Patrus nisto, na necessidade de um avanço, de um avanço de dar um sentido mais capacitador a esses programas. É o próximo passo. Não é o desfazimento desses programas, é o avanço deles para a próxima etapa (...)".

Para que seja sanada qualquer dúvida sobre o conteúdo da matéria, a Secretaria de Assuntos Estratégicos torna disponível, na íntegra, a transcrição da entrevista que trata do projeto de desenvolvimento para o Nordeste e, consequentemente, do programa Bolsa Família. As partes relativas ao programa aparecem sublinhadas.

Entrevista concedida pelo ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, ao jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, em 21 de janeiro de 2009 Leia mais »

Mangabeira e a Bolsa Familia

Quando li a manchete, levei um susto: "Ministro critica Bolsa Família". Depois, o subtítulo: "Porta de saída deve beneficiar quem é classe média, e não os mais pobres, diz Mangabeira". Aí, vi que era O Globo e entendi (clique aqui).

O centro da questão é outro. Há dois públicos atendidos pelo Bolsa Família: os que vivem na miséria absoluta e os muito pobres. A miséria absoluta é uma questão cultural, o bloqueio é mental. A pessoa não enfrenta a miséria absoluta por que não sabe que existe possibilidade de superá-la.

Esse é o núcleo central prioritário para o Bolsa Família. E não adianta buscar resultados de emancipação. Está muito claro na concepção do programa que a esperança é o resgate dos filhos, através da obrigatoriedade do estudo.

Depois, entram os programas de capacitação, preparando as pessoas para entrar no mercado de trabalho. Esses programas são eficazes junto aos menos miseráveis.

A questão é que esses programas já têm focado essa clientela. A parceria do Bolsa Família com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) permitiu identificar 200 mil pessoas com potencial para serem preparadas para atuar na construção civil. O programa de fortalecimento da agricultura familiar também tem como um dos focos os beneficiários do Bolsa Família que complementam renda com agricultura de subsistência.

Mangabeira trabalha com conceitos básicos. Não lhe peça detalhamento de idéias e programas. O objetivo dele é definir a idéia-força de cada programa - o que é importante como fator propandístico  em setores com pouca clareza de objetivos.

Mas seria importante que entendesse que o Bolsa Família é uma obra que está quilômetros à frente de suas formulações conceituais básicas. Além de trabalhar com o estado da arte em conceito de política social, criou indicadores sociais e operacionais e montou a operação. Diria que enquanto Mangabeira verbaliza o bê-a-bá, o Bolsa Família está no pós-graduação.

Donde se conclui que Mangabeira fala muito sobre tudo. E O Globo tira manchete de quase nada. Leia mais »