Bresser-Pereira: Taxa de câmbio e doença holandesa

Por Felis

Abaixo, texto do Bresser publicado no "Valor Economico". Se não me engano, Cristina Kirchner tentou fazer há alguns anos na Argentina o mesmo que o Bresser prescreve para o Brasil. No caso argentino, seria um imposto de exportação sobre o setor agropecuário.

Abs, Felisberto

Do Valor Econômico

Taxa de câmbio e doença holandesa

Luiz Carlos Bresser-Pereira

O desequilíbrio macroeconômico fundamental que o Brasil enfrenta desde o início dos anos 1990 é o da sobreapreciação cambial que desestimula os investimentos e desindustrializa gradualmente o país. Não os desestimula de forma definitiva na indústria porque no Brasil a doença holandesa não é grave. Hoje a taxa de câmbio de equilíbrio corrente, aquela que equilibra intertemporalmente a conta corrente do país, deve estar próxima de R$ 2,20 por dólar, e a taxa de câmbio de equilíbrio industrial - necessária para que empresas de bens comercializáveis internacionalmente que usam tecnologia no estado da arte mundial sejam competitivas, e para que o mercado interno deixe de ser capturado por importações - deve estar próxima de R$ 2,80 por dólar. A doença holandesa brasileira é, portanto, moderada, de apenas R$ 0,60 por dólar; é uma sobreapreciação estrutural que seria resolvida por uma depreciação de aproximadamente 20%.

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A crise europeia, por Bresser-Pereira

Da Folha

LUIZ CARLOS BRESSER - PEREIRA

Crise europeia sem controle?

Não há garantia de que a reestruturação da dívida grega garantirá a travessia da crise, porque o risco do contágio sempre existirá

Nesta semana o ataque especulativo contra a Itália deixa claro que o verdadeiro problema que a Europa enfrenta hoje não é mais evitar a crise - ela está aí -, mas atravessá-la sob razoável controle.

Os principais obstáculos a uma solução adequada são os burocratas internacionais do Banco Central Europeu e do FMI que rejeitam a restruturação administrada da dívida, e o Institute of International Finance que quer reduzir o custo da restruturação para os grandes bancos que representa mais do que já sendo reduzido.

A Grécia está hoje em situação de insolvência. O documento do IIF reconhece esse fato. Diante disso, a única solução razoável para o problema é o default e a reestruturação da dívida ""a redução do valor total a ser pago e o aumento do prazo de pagamento - feita de maneira negociada e ordenada.

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Da elegância cruel das palavras

Autor: 

 

Não se esperava de alguém com Bresser-Pereira que saísse batendo as portas.

Mas sem dúvida é necessário ler as críticas, quase um acerto de contas em sua “carta de despedida” do PSDB publicada hoje na Folha de São Paulo.

 

Ao melhor estilo das despedidas suaves está lá a velha milonga “mudei eu, mudou você ou mudamos nós?”

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Da elegância cruel das palavras

Autor: 

 

Não se esperava de alguém como Bresser-Pereira que saísse batendo as portas.

Mas sem dúvida é necessário ler as críticas, quase um acerto de contas, em sua “carta de despedida” do PSDB publicada hoje na Folha de São Paulo.

 

Ao melhor estilo das despedidas suaves, está lá a velha milonga “mudei eu, mudou você ou mudamos nós?”

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Bresser-Pereira deixa o PSDB

Do Valor

Por uma ideia de nação

Maria Inês Nassif | De São Paulo
08/04/2011 

Intelectual full-time desde que deixou o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, em 1999, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, depois da conturbada campanha eleitoral do ano passado, eliminou seu último vínculo com a política institucional: declarou-se desligado do PSDB, que, segundo ele, caminhou de forma definitiva para a direita ideológica, empurrado pela acomodação do PT na posição da social-democracia, da qual, ao longo de oito anos de governo Lula, acabou por desalojar os tucanos.

O desligamento partidário — que apenas não se concretizou na burocracia do partido por questões de ordem prática: Bresser-Pereira precisa ir pessoalmente ao diretório, para oficializar seu desencanto — marca também o retorno do intelectual à sua origem desenvolvimentista. Bresser-Pereira conta com satisfação ter sido influenciado diretamente pela escola do Iseb de Hélio Jaguaribe e Inácio Rangel, nos anos 50, e pela escola estruturalista cepalina de Celso Furtado. Foi a atração pelo desenvolvimentismo que o levou a abjurar o direito e tornar-se um economista e cientista social do desenvolvimento. Não sem desvios, reconhece. Bresser-Pereira não escapou à sedução do neoliberalismo, nos anos 90, como de resto toda a social-democracia europeia. Mas define uma diferença de origem entre ele e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como intelectuais: o nacionalismo.

Para Bresser-Pereira, a teoria da dependência associada, de Fernando Henrique, não por intenção do autor, mas por conveniência do "império", caiu como uma luva para a esquerda americana. No governo, Fernando Henrique não se contradisse: a teoria da dependência associada pregava o crescimento do país com capital externo. O caráter não nacionalista dos governos tucanos era absolutamente compatível com a teoria da dependência associada do intelectual Fernando Henrique.

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A política externa, segundo Bresser

Folha de S.Paulo - Luiz Carlos Bresses-Pereira: Política externa altiva e ativa

Decisão mais importante da diplomacia do Brasil foi rejeitar a Alca sem entrar em conflito com os EUA



Em entrevista para a Folha (15/11) o ministro Celso Amorim afirmou que o presidente Lula e ele procuraram fazer uma política externa "altiva e ativa". Terão sido bem-sucedidos?

Estou convencido que sim, mas para responder a esta questão é preciso considerar que vivemos na era da globalização na qual os Estados-nação experimentam uma contradição essencial.

Nunca foi tão intensa a competição entre eles, mas, em contrapartida, nunca foi tão necessário que cooperassem e coordenassem suas ações.

Os grandes países não mais se ameaçam com guerras, mas, como os mercados foram abertos e as exportações cresceram mais do que a produção, a competição econômica entre eles aumentou. Leia mais »

A voz de um PSDB que já não há

Por Osvaldo Ferreira

Em brilhante e corajoso artigo, o Professor Bresser Pereira (do PSDB que já existiu um dia), analisa e louva o resultado das eleições que rejeitou o udenismo moralista, a religião e o aborto como temas de campanha. Artigo que poderia ser lido por aqueles que fizeram a campanha mais sórdida da história do país. Novamente de uma lucidez inaudita

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Dois males afinal evitados

Eleição rejeitou udenismo moralista e potencialmente golpista e americanização das discussões políticas

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Jacob Palis, a Índia e a China

Da Folha

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Jacob Palis, a Índia e a China


Temos muito a aprender com a Índia e a China, tanto cooperando quanto com eles competindo  


O matemático brasileiro Jacob Palis recebeu na semana passada o Prêmio Balzan pelo conjunto de sua obra de pesquisador. Li com prazer a notícia, porque o conheci em meu breve período como Ministro da Ciência e da Tecnologia, em 1999. E ocorreram-me imediatamente um pensamento e uma lembrança. Leia mais »

O novo desenho da oposição

Coluna Econômica

A maior virtude dos regimes democráticos é a possibilidade de ajustes periódicos nos movimentos econômicos, provocados pela política. Na democracia, o agente revitalizador da economia são as eleições. São elas que corrigem os excessos do período anterior.

Desde os anos 90, trabalho com o conceito do pêndulo para explicar esses movimentos.

Um determinado período é dominado por um conjunto de conceitos econômicos - em geral, corrigindo vícios do período anterior. A nova fase torna-se dominante. Novos grupos assumem o poder. Em uma primeira fase, esvazia-se o discurso oposicionista - herança da fase anterior, quando ainda era situação.

Sem oposição, há um processo entrópico que acaba por gerar distorções que vão se avolumando - justamente por haver redução das pressões externas. Até que novos vícios substituem os anteriores, permitindo fortalecer novamente o discurso dos opositores.

É por aí que as democracias maduras vão se ajustando, coibindo abusos e impedindo que os movimentos do pêndulo sejam muito agudos.

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Revisando a teoria econômica

Coluna Econômica - 14/06/2010

A maneira como o país saiu de crise, nos últimos anos, mudou ou mudará definitivamente vários dogmas da teoria econômica de ambos os lados do balcão: tanto os defensores do câmbio apreciado quanto os defensores das grandes desvalorizações cambiais.

No segundo grupo estavam os economistas Yoshiaki Nakano e Luiz Carlos Bresser Pereira. Anos atrás provocaram enorme polêmica recomendando uma híperdesvalorização cambial como saída para a estagnação que esmagava a economia.

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As Organizações Sociais no STF

Da Folha

Ação põe em risco hospital e centro de ciência

Julgamento no Supremo vai unir o PT e o PSDB em favor do uso de Organizações Sociais para gerir dinheiro público

Governos terão de "estatizar" serviços se tribunal julgar inconstitucional, em sessão que deve acontecer este mês, modelo criado por lei em 98

MATHEUS LEITÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Uma sessão do Supremo Tribunal Federal colocará o PT e o PSDB do mesmo lado no calor do período pré-eleitoral. O tribunal julgará neste mês a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.923, que questiona a legalidade da gestão pública no modelo de contratação de Organizações Sociais.

A Adin foi proposta pelo PDT e pelo próprio PT, quando se opunha a esse modelo no governo Fernando Henrique Cardoso. Se a ação for considerada procedente pelo STF, petistas e tucanos ficarão igualmente em apuros: várias instituições estaduais e federais, hoje administradas por OSs, terão de ser imediatamente "estatizadas".

As OSs são entidades privadas sem fins lucrativos, que gerem recursos orçamentários, num sistema de prestação de serviço junto ao poder público. São cada vez mais adotadas porque têm mais flexibilidade. Estão hoje em 14 Estados brasileiros e 71 municípios. Leia mais »

A crise europeia, por Bresser-Pereira

Da Folha

A natureza da crise na Europa

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

É preciso repensar radicalmente o problema das finanças internacionais e dos deficit em conta-corrente

O QUADRO financeiro europeu continua muito grave. A Alemanha, afinal, decidiu dar apoio ao pacote financeiro grego, de forma que a dívida do setor público da Grécia está equacionada. A imprensa tem dado amplo noticiário sobre o assunto, mas afinal se limita a informar sobre o deficit público e a dívida pública do Estado grego, em vez de informar sobre o problema fundamental que não é do setor público, e sim do setor privado: é o deficit em conta-corrente e a dívida externa dos países. O problema fiscal é grave porque o deficit de 2009 somou-se a elevados níveis de dívida pública, mas o desequilíbrio não está apenas nos governos; está nos países como um todo e, portanto, em seu deficit em conta-corrente e em sua dívida externa, que englobam o setor público e o setor privado.

Se o problema fosse apenas do setor público, o socorro financeiro e uma política dura de ajuste fiscal resolveriam a questão. Sendo do país, necessita da depreciação cambial que não podem realizar.

A União Europeia controla os deficit públicos, não controla os deficit em conta-corrente. Os jornais não publicam dados sobre esse deficit porque não os recebem dos economistas. Esses não os informam porque a teoria econômica ortodoxa pressupõe que o setor privado é equilibrado pelo mercado: é o chamado "princípio de Lawson", associado ao ministro das Finanças de Margaret Thatcher, Nigel Lawson. Leia mais »

Bresser e a banda larga

Por mauro

Até Bresser Pereira defende plano de banda larga do governo

Do Estadão

Alargando a banda

Denúncias de tráfico de influência não invalidam um plano governamental de baratear a internet rápida

O governo federal vem desenvolvendo o Plano Nacional de Banda Larga a fim de universalizar e baratear o acesso dos brasileiros à internet, mas está enfrentado forte oposição das empresas de telecomunicação e agora surgem acusações de que haveria empresários e políticos beneficiados no processo. Não vou entrar nesse tipo de discussão. O que importa saber é qual o papel do Estado em uma questão como essa, que diz respeito a um serviço de utilidade pública – as telecomunicações. Como esses serviços são fundamentais para a sociedade, e em boa parte, monopolistas, no passado entendia-se que deviam ser realizados diretamente pelo Estado. Nos “30 anos neoliberais” (1979-2008), entendeu-se que deveriam ser privatizados e, em seguida, regulados. Especialmente os serviços de telecomunicação, porque haviam deixado de ser puramente monopolistas. Agora, no quadro de um governo crítico do neoliberalismo, surge o projeto de desenvolver um serviço de banda larga do Estado. Fará sentido uma iniciativa dessa natureza? Leia mais »