A oposição e a democracia de massa

Coluna Econômica - 26/06/2010

A divulgação da última pesquisa do IBOPE mostra a candidata Dilma Rousseff a dois pontos da vitória no primeiro turno – se se levar em conta seu percentual de votos sobre o total de votos válidos. Há outros pontos sustentando seu favoritismo: empatou com José Serra no voto feminino; passou-o no sudeste. E ainda conta com 25% do eleitorado que ainda não sabe que ela é a candidata de Lula.

O grande desafio, daqui para frente, será preservar as bases do que poderá ser a oposição ao provável futuro governo Dilma.

***

Para a oposição, o ponto central será entender a nova dinâmica social e política brasileira. Por não entender os novos tempos, o Partido Democrata norte-americano perdeu o bonde das eleições da Guerra da Secessão até a eleição de Franklin Delano Roosevelt, nos anos 30. Leia mais »

Chávez e as bandeiras sociais

Por Gunter Zibell

São conhecidos os alertas em relação a que o expressivo conjunto de forças que apóia Chávez o estimularia golpismo – dele ou da oposição -, mas isso não se deve à própria incapacidade da oposição local de oferecer alternativas políticas viáveis com o mesmo apelo?

Chávez já teve auges maiores de popularidade, não seria agora que ele abdicaria da legitimação da democracia partidária. Talvez o “golpe” já tenha sido dado, mas de modo mais sutil : Chávez apropriou-se de bandeiras como o nacionalismo e a inclusão social.

Também alinhou-se a parte da burguesia. Lá, como cá, a oposição principal é a mídia. Como os indicadores sociais desse país já são dos melhores da América Latina, fica como mote da oposição a dificuldade do governo de promover a transição da economia mono-exportadora para um modelo mais eficiente e sustentável de desenvolvimento. O mesmo problema é enfrentado pelo governo neoliberal do México, no poder também há 10 anos e que, como o da Venezuela, também será sujeito a escrutínio popular em eleições majoritárias que acontecerão em 2012.

O período 1999-2002, segundo mandato de FHC, teve alguns pontos em comum com o momento atual da Venezuela. Se recordarmos disso poderemos ter outra visão da importância das comunicações e eleições como fatores de mudança política. O Congresso, no nosso caso bicameral, era 80% de apoio incondicional ao governo. 75% da Câmera e 85% do Senado eram de apenas 6 partidos aliados : PFL (DEM); PSDB; PMDB; PPB (PP); PTB; PL (PR). Tivessem Lula ou Ciro ganho as eleições de 1998 teriam dificuldade para obter governabilidade. Leia mais »

DEM tenta assassinar reputação da Time

Por Adriane Batata

Da Folha Online

Oposição critica escolha de Lula pela revista “Time”

FOLHA
MARIA CLARA CABRAL
da Sucursal de Brasília

Líderes da oposição criticaram a escolha da revista “Time”, que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um dos 25 líderes mais influentes do mundo em 2010. Integrantes do PSDB e DEM afirmaram ainda nesta quinta-feira que o feito não deve ter nenhum reflexo na campanha presidencial de outubro.

Para o deputado Paulo Bornhausen (SC), líder do DEM na Câmara, ou a revista “ficou louca ou ganhou um patrocínio de uma estatal brasileira”. “Ele não fez nada para merecer, deve ter servido como um prêmio de consolação por sua saída, ou será usado para sua candidatura para um cargo na ONU”, disse. Leia mais »

A oposição em Pernambuco

Do Valor

Em PE, Campos fecha com prefeitos do PSDB e do DEM

Murillo Camarotto, do Recife
22/04/2010

"O governo é como a luz: sempre atrai as mariposas". De autoria desconhecida, o clichê foi a solução encontrada pelo presidente nacional do PPS, Roberto Freire, para avaliar a difícil situação por que passa a oposição em Pernambuco, da qual faz parte. Outra frase feita, esta atribuída ao deputado federal Inocêncio Oliveira (PR-PE), também se mostra pertinente na mesma trama: "Terno branco, sapato de duas cores e oposição só é bonito nos outros".

Composta por PSDB, DEM, PMDB e PPS, a oposição ao governador Eduardo Campos (PSB) vive hoje uma situação delicada, segundo admitem seus próprios caciques. Além da altíssima popularidade de Lula, grande aliado de Campos, os oposicionistas estão tendo que lidar com uma verdadeira sangria em sua base de sustentação, especialmente nos municípios do interior.

Com os investimentos estaduais chegando às suas cidades, prefeitos do PSDB vêm declarando abertamente que irão apoiar a reeleição de Campos, em detrimento da orientação do partido. O mesmo vinha ocorrendo com prefeitos do DEM que, após serem advertidos, deixaram de se manifestar publicamente, porém não mudaram de opinião quanto ao apoio ao governador. Leia mais »

Sobre o papel da imprensa

Por Jorge Furtado

A presidente da Associação Nacional dos Jornais constata, como ela mesma assinala, o óbvio: seus associados “estão fazendo de fato a posição oposicionista (sic) deste país”. Por que agem assim? Porque “a oposição está profundamente fragilizada”.

A presidente da associação/partido não esclarece porque a oposição “deste país” estaria “profundamente fragilizada”, apesar de ter, como ela mesma reconhece, o irrestrito apoio dos seus associados (os jornais).

A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. Também não questiona o fato de serem a oposição ao governo “deste país” mas não aos governos do seu estado (São Paulo). Leia mais »

Painel internacional

A crise bancária é uma crise da globalização?

http://images.forbes.com/media/assets/forbes_home_logo.gif

Peter Mandelson*

Há um ano ou mais um amigo norte-americano em Nova York me recomendou que lesse um livro de Walter Russell Mead chamado “God and Gold. O livro é sobre algumas das coisas que norte-americanos e ingleses, por vezes, tomam como certo sobre a forma como o mundo é. Acima de tudo, que o mundo deveria se basear no livre comércio, em algum tipo de economia de mercado e com o Estado apoiando os direitos de proteção à propriedade e pessoas. Seu argumento é que estes valores estão longe de serem universais. Na verdade, eles são a cosmovisão específica de um sistema de valores, enraizada na religião e cultura do protestantismo holandês, que encontrou o seu caminho na Inglaterra e depois nos EUA. Esses valores avançaram em poderosas sociedades, que estão entre as mais economicamente bem sucedidas que o mundo já viu. Eles também têm sido os valores que definiram o mundo do pós-guerra e que costumamos chamar de globalização. Porque embora a globalização seja, em parte, impulsionada por mudanças nas telecomunicações e transportes, é, acima de tudo, incrementada pelo compromisso político de abertura do comércio e mercados livres. Minha pergunta é: em que medida a crise bancária, a crise de crédito, é uma crise desse tipo de globalização? Ao mesmo tempo que começamos a reconstrução da demanda global após a mais profunda crise econômica em 60 anos, a primeira crise da economia globalizada, essa parece ser uma questão importante a se fazer.

* Secretário dos Negócios, Empreendimentos e Reforma Regulatória do Reino Unido

Clique aqui

E mais:

Brasil diz aos EUA que rejeita sanções contra o Irã

EUA exigem que grandes bancos voltem a emprestar

Fed propõe limitar multas de cartões de crédito

Oposição argentina assume Senado


Leia mais »

A desimportância do ex-PFL

Do Valor

Ex-PFL, cada vez menos importante

Por Maria Inês Nassif

O DEM conseguiu adiar o seu encontro com o passado até 2002, quando rompeu com o PSDB e deixou de ser seu aliado preferencial. De lá para cá, a lufada de ar obtida com a reconciliação com o PSDB, já no governo Lula, não foi suficiente para deter a queda livre da importância do partido na democracia representativa brasileira. Partido com organização muito semelhante à do PMDB - é muito regionalizado, suas lideranças locais são altamente dependentes de verbas de governos para manter a máquina partidária funcionando e não tem lideranças nacionais capazes de viabilizar um projeto próprio de poder -, ganha daquele partido, no entanto, em coesão interna e clareza ideológica. Jamais conseguiu romper, todavia, a contradição entre a convivência entre uma estrutura partidária arcaica na base, que o sustentou enquanto esteve no governo nos Estados mais pobres e atrasados da Federação e foi aliado ao governo federal, e uma unidade ideológica na cúpula. Leia mais »

Lula e a oposição, segundo El Pais

Por Guilherme Velloso Diniz

Caro Luis Nassif,

a falta de interesse em divulgar alguma notícia que eleogie o atual governo na mídia, que algumas notícias temos que ler na mídia estrangeira. Dê uma olhada o que saiu hoje no elpais: clique aqui.

Y Lula se 'comió' a la oposición

JUAN ARIAS 16/02/2009

En la política brasileña se ha producido un fenómeno único en América Latina y quizás en el mundo: el carismático presidente de la República, Luiz Inácio Lula da Silva, y su Ejecutivo, que gozan de un 84% de popularidad tras seis años de Gobierno, se han comido a la oposición. Y no lo han hecho con métodos antidemocráticos, sino apropiándose de sus banderas.

Ya se sabía que Lula es un genio político, que ha sabido vencer las reticencias en el seno de su propio partido, el Partido de los Trabajadores (PT); de hecho, se dispone a elegir a una mujer, la ministra Dilma Rousseff, como su sucesora en la candidatura a la presidencia en 2010, a pesar de que nunca ha disputado unas elecciones y no es un personaje excesivamente grato para el PT. Pero lo que nadie imaginó jamás es que sería capaz de eliminar democráticamente a la oposición. Tanto a la de derechas como a la de izquierdas.

¿Cómo lo ha conseguido? Con una política que, poco a poco, ha ido segando la hierba bajo los pies de sus opositores. A la derecha le ha cortado las alas mediante una política macroeconómica neoliberal que le está proporcionando buenos resultados en estos momentos de crisis financiera mundial gracias a las reservas acumuladas. Leia mais »