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Zé Zinho

 

Novos estudos esquentam “guerra do carbono”

A “guerra do carbono”, travada em torno da suposta interferência humana no clima global, prossegue acirrada. Nas últimas semanas, dois estudos contraditórios foram apresentados, um reafirmando a tese de que o homem é culpado pelo “aquecimento global” e o segundo, demonstrando a fragilidade da metodologia empregada no primeiro. Todavia, ambos os estudos são demonstrativos das manipulações praticadas pelos interessados em responsabilizar as emissões de carbono dos combustíveis fósseis pelo aquecimento atmosférico, como meio de justificar a insana agenda da “descarbonização” da economia mundial.

No final de julho, foi publicado um estudo de uma equipe de cientistas liderada pelo físico Richard Muller, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), como parte do “Projeto Berkeley de Temperaturas Superficiais da Terra” (BEST, no acrônimo em inglês). Muller é considerado um “ex-cético” do clima e o estudo, alegadamente, comprovaria em definitivo a hipótese de que as atividades industriais humanas seriam decisivas para as mudanças climáticas. O relatório, publicado na internet na segunda-feira 30 de julho, afirma que a temperatura média da superfície terrestre aumentou 1,5°C nos últimos 250 anos, e que “a explicação mais simples deste aquecimento são as emissões humanas de gases de efeito estufa” (AFP, 30/07/2012).

Muller recua a origem da influência humana no clima global a um período bem anterior ao apontado pelo próprio Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), que o coloca nos últimos 50 anos. Muller et alii o situam há 250 anos, no próprio início da Revolução Industrial. Ele é taxativo ao afirmar que as mudanças climáticas dos últimos séculos são obra da ação humana: “Agora, vou um passo além: os seres humanos são quase totalmente a causa [do aquecimento global]“. Ainda segundo o cientista estadunidense, o referido estudo não se baseou em modelos climáticos, mas “simplesmente, na concordância entre a forma observada em que subiu a temperatura e o aumento de gases de efeito estufa conhecidos”.

Quanto à atividade solar, que numerosos cientistas consideram ser de importância fundamental para a dinâmica climática, o relatório afirma que “a contribuição da atividade solar ao aquecimento global é insignificante”.
Metodologia questionada

Todavia, o outro estudo coloca sérias dúvidas sobre a metodologia empregada pela equipe de Muller. Produzido pelo meteorologista Anthony Watts e cientistas das universidades da Califórnia e do Alabama, o trabalho faz uma revisão dos dados meteorológicos colhidos nas estações controladas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), entre os anos de 1979 e 2008.

O estudo foi baseado em uma metodologia de interpretação de dados meteorológicos desenvolvida pelo falecido climatologista francês Michel Leroy, aprovada em setembro último pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). A conclusão de Watts e sua equipe é a de que as medições de temperaturas colhidas pela NOAA foram “contaminadas” pelo efeito do calor urbano, já que a grande maioria delas se situa dentro dos perímetros de cidades e as medições, em 92% dos casos, foram objeto de fatores de correção incorretos.

Segundo o estudo de Watts e equipe, a variação, por década, nas medições de temperaturas colhidas pela Rede de Histórico Climatológico dos Estados Unidos (USHCN) foi de +0,155°C, em estações localizadas em lugares adequados para as medições; +0,248°C, em estações mal localizadas; e +0,309°C, após os ajustes feitos pela NOAA sobre os dados colhidos.

Além disso, em uma primeira tentativa de verificar a qualidade de tais medições, Watts reuniu fotografias de 90% das estações meteorológicas da USHCN, verificando que a maioria delas estava sob efeito de agentes diversos que comprometiam a confiabilidade das informações colhidas – próximas a superfícies cobertas com concreto, asfalto, estradas, aeroportos, escapamento de calor de sistemas de ar condicionado etc.

Tal fato constitui-se em um problema para os estudos sobre monitoramento da temperatura superficial da Terra realizados pela Global Historical Climate Network (Rede Global de Histórico Climático) e pelo BEST, uma vez que ambos baseiam as suas pesquisas nos dados fornecidos pela USHCN. Em vista disto, Watts concluiu: “O novo método de avaliação empregado identificou que a localização das estações meteorológicas tem um significativo efeito nas medições de temperatura” (Watts Up With That.com, 30/07/2012).

“Cético”, ma non troppo

Anthony Watts não é o único a criticar as conclusões alarmistas do BEST e seu comandante. De fato, Muller tem sido acusado até mesmo de desonestidade, por se autoproclamar um “cético convertido” (AFP, 30/07/2012). Na verdade, já na década passada, Muller fazia declarações em favor da hipótese do aquecimento global antropogênico, como disse, em uma palestra proferida em 2003: “Deixe-me ser claro… o dióxido de carbono liberado pela queima de combustíveis fósseis se revelará como o maior poluente da história humana. É muito provável que tenha efeitos negativos severos no clima global” (PopularTechnology.net, 30/07/2012).

Todavia, talvez, o fato mais comprometedor envolvendo as pesquisas de Muller tenha sido o desligamento de Judith Curry, ex-líder da equipe de cientistas do BEST, após o grupo ter publicado um relatório que apontava a Humanidade como a principal contribuinte do aquecimento global, às vésperas da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP-17), realizada em Durban, África do Sul, no final do ano passado.

Ao se desligar da equipe, Judith Curry, que é chefe do Departamento de Ciências Terrestres e Atmosféricas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, acusou Muller de tentar desinformar o público leigo, ao ocultar o fato de que as pesquisas conduzidas pela equipe do BEST apontaram que o aquecimento global cessou nos últimos anos. Além disto, afirmou que as declarações de Muller, de que ele teria provado que os céticos do aquecimentismo estariam equivocados, é “um grande erro”, sem qualquer base científica (Daily Mail, 30/10/2011).

A despeito de tais fatos, Muller continua sendo pautado pela grande mídia, por políticos dos países industrializados, grandes centros de pesquisa de todo o mundo e por ONGs, como uma autoridade científica incontestável. Tal fato só pode ser compreendido se levarmos em consideração o que está em jogo no debate do clima: além de todo o poder que cientistas como ele têm para influenciar políticas públicas no mundo, os seus estudos altamente questionáveis ajudam a manter aquecida a multibilionária “indústria aquecimentista”, num momento em que os seus fundamentos científicos se mostram cada vez mais frágeis e são crescentemente questionados.