Afirma a universidade como instituição social, que exprime de maneira diferenciada a estrutura e o modo de funcionamento da sociedade. Critica a mudança sofrida pela universidade pública brasileira, nos últimos anos, definida pela reforma do Estado como organização social. Analisa as diferenças entre instituição social e organização social, exemplificando seus reflexos na universidade pública: contratos de gestão; avaliação por produtividade; flexibilidade, diminuição dos tempos de formação; docência como mera transmissão de conhecimentos e pesquisa operacional. Apresenta e discute o conceito de sociedade do conhecimento e a nova concepção de educação permanentes ou continuada, idéias básicas apresentadas pelos organismos internacionais para a modernização das universidades. Conclui apresentando os pontos que considera fundamentais para a mudança da universidade pública, na perspectiva da formação e da democratização: colocar-se contra a exclusão social; redefinir e afirmar a autonomia universitária; desfazer a confusão entre democratização do ensino superior e massificação; revalorizar a docência como processo de formação; revalorizar a pesquisa, orientando-a pela idéia de cidadania e exigindo o financiamento por fundos públicos redefinidos; adotar perspectiva claramente crítica com relação às idéias de sociedade do conhecimento e de educação permanente ou continuada.

Palavras-chave: universidade pública; instituição social

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3 comentários
imagem de fabiomp

Entendo que o texto trata de uma - nova - perspectiva da educação por parte do poder público, que administra o ensino superior como uma política pública voltada necessariamente aos interesses do mercado.

Sob um prisma inicialmente estrutural, a autora relata a educação moderna como organização focada no mercado, cujas funções administrativas são exatas e contundentes e que visa à eficiência e eficácia, conceitos estes referentes à produtividade e resultados adequados, respectivamente. Ao meu ver, a análise corresponde ao anseios do movimento de transformação da Administração Pública no mundo, seguindo à risca o modelo da New Public Management ou Nova Gestão Pública.

Nesta premissa, a autora demonstra preocupação a essa tendência da educação, muito em prol dos atos governamentais, além - ou em virtude - da globalização e do capitalismo, que se esquiva cada vez mais da reflexão e se aproxima da informação pré constituída, do sofismo clássico. Seria, portanto, a fuga da verdade real, dos diálogos, das idéias, da reflexão ao encontro de uma verdade absoluta, objetiva, prática, que alimentem um mercado cada vez mais dinâmico e sem tempo a dispor.

 
imagem de Miryam Mager

Muitas idéias boas mas antes da autonomia universitária temos que privilegiar a diversidade do conhecimento universal e local. É necessário estar aberto/a não só para incluir mas para permitir uma participação intra e extra universitária maior nas agendas universitárias. Diversidade e qualidade na  discussão se fazem necessários já que para pleitear e/ou implementar a autonomia universitária seus agentes (professores/as e grupos de pesquisa, acadêmicos, etc.) precisam ser autonomos e não aferredos a teorias ou doutrinas que não podem ser colocadas em dúvida.

 

Miryam

imagem de Adélcio Oliveira

Muito interessante o texto da Prof(a) Chaí. Excelente! A expansão atual das universidades públicas esta indo na contramão das "diretrizes" apontadas pelo artigo. Infelizmente há uma partidarização da universidade pública com grande empobrecimento da democracia na universidade. Sob o pretexto de não se gastar com gratificações para cargos de chefia, criaram super diretorias, com super poderes e pouca ou nenhuma participação coletiva. Em breve essas instituições não mais merecerão o título de universidade.

 

Prof. Adélcio C Oliveira