Iremos tecer alguns comentários sobre a configuração da depressão à luz da sociedade moderna

(actual). Para tal servir-me-ei do pensamento de Jean Baudrillard1. Segundo este autor hoje

vivemos numa sociedade cujos valores se regem pelo consumo e pela abundância, que resultam

num afã de multiplicação de objectos, de serviços, de bens materiais. Esta será, segundo esta

óptica, a ecologia própria da espécie humana: as leis ecológicas naturais foram substituídas pela

lei do valor de troca. "O indivíduo serve o sistema industrial, não pela oferta das suas economias

e pelo fornecimento de capitais mas pelo consumo dos seus produtos. Por outro lado, não

existe qualquer outra actividade religiosa, política ou moral, para a qual seja preparado de

maneira tão completa, tão científica e tão dispendiosa", diz-nos Galbraith, citado por Baudrillard2.

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A depressão, como se discute no texto, é um processo resultante da negação do ser por oposição ao ter. O ser passa a ser robotizado em um conjunto de ações que vão sendo mudadas conforme as demandas do consumo do "todo mundo faz, todo mundo tem, todo mundo é, etc" e que pode enlouquecer a pessoa fazendo-a perder-se de si mesma. E, neste curso, ouso dizer que a pessoa se perderá num coletivo de consumistas de drogas do "sentir-se bem" e já não estaremos falando da depressão psíquica e sim de infelicidade crônica.

Sendo assim estou com dificuldade de discutir o tema. Embora seja psicóloga aposentada e tenha  trabalhado com as duas situações, gostaria de saber qual é o interesse das pessoas que estão inscritas. Mesmo porque o novo DSM, pelo que tenho lido, está ampliando o diagnóstico da depressão para que se encontre com a infelicidade.

 

 

 

 

 

Vera Silva