Foto: Carol Bandeira 

 

Por Antonio Nelson*

 

Ninguém virou a cadeira para o pop rock da cantora soteropolitana Clariana Fróes, no programa The Voice Brasil II[i]. Sem esmorecer, Clariana fala sobre a diversidade de sons em Salvador. O preconceito com o rock, a predominância de um estilo musical imposta pela mídia, seus ícones e as influências nacionais e internacionais da música, critica musical e outros assuntos. Confira abaixo a entrevista realizada por e-mail.

Em 17 de dezembro, Clariana Fróes realiza última paresentação deste ano no 30 segundos bar, no Rio Vermelho, às 22h. Com ela, a banda é composta por Anderson Fróes (Baixista e irmão), Petronius Bandeira (Guitarrista), Lucas Barnery (Guitarrista) e Thiago Drumon (Baterista).  

 

Antonio Nelson - Quem são seus ícones da música? Por quê?

Clariana Fróes - Em primeiro lugar, meu maior ídolo, Luiz Fróes (meu pai) que é um exímio compositor, cantor e poeta da música popular brasileira. Muitos outros artistas me influenciaram para que eu chegasse no que sou hoje na voz, na atitude, na música. Dentre eles: Fredy Mercury, Janis Joplin, Michael Jackson, Etta James, Amy Winehouse, Cassia Eller, Cazuza, Renato Russo, e bandas como Rage Against the Machine, Guns N’ Roses, Nirvana, Red Hot, Beatles, AC/DC, Silverchair, entre muitos outros artistas e estilos, porém todos com uma enorme importância em minha vida.

Antonio Nelson - É preciso mais espaço para o rock em Salvador? O que é necessário fazer para amplificar o som na cidade?

Clariana Fróes - Com certeza! É preciso ter mais atividades voltadas pro Rock na cidade, bares e eventos com portas abertas para as bandas de rock de Salvador, que são muitas de qualidade, que não estão acessíveis por falta de oportunidade. Por exemplo, alguns bares não aceitam Rock, isso se torna pré-conceito, pois as pessoas que tomam essa atitude acham que tem um conceito de que Rock é “barulho”, e ao invés de optarem o Rock como um dos estilos musicais mais tocados, eles optam por “músicas” que para mim não é música e sim batucadas com letras imaturas e desrespeitosas, como “Rala a tcheca no chão”, que serve para pessoas se entreterem afins de orgia e não de música. 

A medida com que a pessoa tem acesso ao que é bom tende a gostar; muitas pessoas em Salvador gostam do que é bom porque tiveram oportunidade de conhecer, porém sem oportunidade (que quem pode dar é a prefeitura com eventos voltados para as bandas de Rock e os donos de bares e casas de show, abrir suas portas para esse estilo) fica tudo na mesma. Afinal, Salvador é uma cidade onde há uma enorme diversidade de estilos musicais que devem ser muito bem valorizados e aplaudidos, mas quando um só estilo predomina, os outros viram minoria, e todos merecem direitos iguais. Em nome da arte.

 

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Foto: Carol Bandeira

 

Antonio Nelson - Qual seu conceito de crítica musical? Existe crítica musical no A Tarde, Tribuna e Correio?

Clariana Fróes - Hoje em dia é muito fácil fazer uma música para estourar, apenas um refrão grudento com uma frase inútil e um ritmo envolvente. Lembrando que é temporário, depois de um tempo some e aparece algo com o mesmo sentido para obter o mesmo resultado. Quanto à crítica musical nos jornais da cidade, acho que para criticar música, tem que ser especialista na área e no mínimo ter uma graduação acadêmica sobre o assunto.

Antonio Nelson - Há uma ditadura midiática para impor o que o povo deve ouvir e escutar? Em Salvador tem muito Rock'n'Roll?

Clariana Fróes - A ditadura midiática faz com que seus ouvidos absorvam o que ela quer que você ouça, e é óbvio que será algo muito fácil de absorver, um material fácil para vender, dar ibope. Com isso há muito pouco espaço para o que é bom de verdade. Em Salvador tem muitas bandas que fizeram história no Rock nacional e que ainda seguem o mesmo caminho, muitas já conceituadas e muitas começando sua estrada. 

Antonio Nelson - A internet possibilita bons resultados?

Clariana Fróes -  A internet é o maior meio de comunicação e divulgação da atualidade, sendo assim, muito importante para nosso meio de trabalho. Principalmente para quem trabalha com arte. Ela é tão potente que a pessoa consegue obter o sucesso apenas inserindo algo de muito bom ou algo de muito ruim. Um artista tem que usufruir bastante da Internet, pois nela você fica ciente do mundo inteiro e o mundo inteiro ciente de você. 

Antonio Nelson - Você tem graduação em graduação em música? 

Clariana Fróes - Tenho 18 anos. Estou no ensino médio e pretendo cursar MÚSICA na UFBA, futuramente!

 

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SERVIÇO

A entrada Pista - Mulher R$20,00 Homem R$30,00 / Camarote: Mulher R$30,00 Homem R$50,00.  

 

[1] "The Voice" ´eo programa mais burro e deprimente da TV, diz guitarrista do Queen:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/05/1282434-the-voice-e-o-programa-mais-burro-e-deprimente-da-tv-diz-guitarrista-do-queen.shtml

 

*Antonio Nelson é jornalista, ciberativista da liberdade na rede e do software livre