O caso da difamação do ator Mario Gomes.

CENTRAL GLOBO DE BOATOS
por Roméro da Costa Machado, escritor.

Mais duro, mais cruel e perverso do que as mentiras que a Globo cultivou durante anos através de seus noticiários, ora construindo reputações fugazes de pulhas e ídolos de pés de barro, ora destruindo reputações de gente honesta e honrada, só mesmo as perseguições conscientes, volitivas, através de mentiras da Central Globo de Boatos. Uma espécie de departamento virtual da Rede Globo onde boatos e mentiras são plantados como verdade - visando especificamente destruir alguém - e que por mais que venham a ser desmentidos mais tarde jamais restabelecem o estrago feito, pois o boato maldoso é como carvão, quando não queima... Suja.

Dois casos específicos são emblemáticos: A destruição da carreira do Wilson Simonal (o maior e mais popular cantor de sua geração) e a destruição de fama de machão de Mário Gomes (o principal protagonista de novelas da Globo de uma determinada época).

Simonal, era o grande cantor de uma época, um sucesso tão espetacular que até hoje é difícil estabelecer parâmetros de comparação. Durante os muitos anos dos festivais de canção, Simonal foi a grande e principal atração. Chegou a reger, sozinho, um Maracanãzinho inteiro, lotado, tal era o fascínio do público por Simonal. Entretanto, como Simonal havia brigado com seu contador por questões financeiros e fiscais, e este contador era o contador de diversos atores e diretores da Globo, o diretor João Carlos Magaldi, por deter um poder enorme de comunicação (ele era exatamente o diretor da Central Globo de Comunicação) inventou um boato terrível sobre Simonal visando especificamente destruir completamente a carreira de Simonal. Ou seja, como eram os anos da ditadura e a Globo era o porta vez dessa ditadura, Magaldi inventou que Simonal era alcagüete, dedo duro, e que estaria dedurando grande parte da classe artística para a polícia.

A classe artística inteira voltou-se contra Simonal. O público inteiro tomou asco, nojo, repulsa por Simonal. Pois se o fato de ser traidor já é algo abominável na cultura brasileira, imagine-se então um traidor em tempos de ditadura. E com isso a carreira de Simonal foi completamente destruída por um boato gerado dentro da Central Globo de Boatos e até a morte Simonal jamais conseguiu recuperar-se da fama de traidor, embora esta "traição" tivesse sido amplamente desmentida a posteriori, inclusive em um dos meus livros, pois conforme dito anteriormente o boato mentiroso, quando não queima... Suja.

Mário Gomes, principal protagonista das novelas da Globo de uma determinada época, era a imagem do bonitão que toda mulher queria, e além do mais tinha uma terrível fama de machão. Entretanto, apesar dessa imagem de machão não conseguiu confrontar-se com o boato maldoso que viria a destruir completamente essa fama de machão e conseqüentemente sua carreira.

Mário Gomes estava de caso com a atriz Beth Faria (ex-mulher e louca paixão do diretor da Globo Daniel Filho) e estava estrelando um filme dirigido por Carlos Imperial (músico, compositor, ator, diretor da Globo e de revista de fofocas de televisão). E como Mário Gomes não aceitou o cartaz de propaganda do filme feito pelo Carlos Imperial, e obteve na justiça o embargo do lançamento do filme, causando enorme prejuízo ao Carlos Imperial. Este fato foi suficiente para que os dois traídos (Daniel Filho e Carlos Imperial) unissem suas forças e montassem uma rede de fofocas e boatos contra Mário Gomes.

Imperial ligou para várias revistas de fofocas e jornais e informou que Mário Gomes estaria no hospital tal, internado, com uma cenoura entalada no... , pois é. E daí repórteres de várias revistas, vários jornais e televisões (principalmente a Globo, de onde saíra o boato) cercaram o hospital de todas as formas. E por mais que o hospital desmentisse o fato, mais e mais se falava dele. Inventaram que havia uma ala inteira isolada só para atender secretamente o Mário Gomes. Apareceu até uma enfermeira que supostamente teria atendido o Mário Gomes entalado com a cenoura. E logo o boato tomou tanto corpo e proporção tal que já havia até testemunha e conhecidos que conheciam alguém que havia visto o Mário Gomes e a cenoura.

Este fato abalou terrivelmente a fama e a carreira do Mário Gomes, a tal ponto que ainda hoje, mesmo após o fato ter sido desmentido - até mesmo pelo próprio Carlos Imperial, a mim, em sua casa - a imagem que ficou do Mário Gomes é a do "cenourinha", ou o cara que foi internado com uma cenoura entalada. Pois conforme dito, o boato maldoso é como carvão, quando não queima... Suja.

E a Globo, sabedora dessa terrível verdade sobre o boato, mais do que qualquer outra entidade no país, detém o incrível e maior de todos os recordes de criação de ídolos fúteis de pés de barro e de destruição de carreiras e reputações, gestados na Central Globo de Boatos.